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Full text of "Vestigios de lingoa arabica em Portugal : ou, Lexicon etymologico das palavras, e nomes portuguezes, que tem origem arabica, composto por ordem da Academia real das sciencias de Lisboa"

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J^^^AM 



vestígios 

DA 

LINGOA ARÁBICA EM PORTUGAL, 

o u 

LEXICON ETYMOLOGICO > 
DAS PALAVRAS, E NOMES FORTUGUlZES, 
QUE TEM ORIGEM ftRABlCA, 

COMPOST-O POR ORDEM 

ACADEMIA real' DAS SCIENCIAS 

DE LISBOA, 

POR 

Fb. JOÃO D E S o U S A , 

Sócio da dita Academia , e Interprete deS. Ma- ' -^-^-^ 

gestade para a Lingua Arábica; ' "" J 

E AUGMENTADO E ANNOTAD^^^ 



POR 



Fr. JOZE DE SANTO ANTÓNIO MOURA, 

Sócio da predita Academia , Official da Sccntaria de 

Estado dos Negócios Estra?igeiros , \e Inter' 

prete Régio da referida Linguàm^ 




LISBOA 

NA TYPOGRAFIA DA MESMA ACADEMIA. 

183 0. 

Com licença de SUA MAGESTADE. 



Z 



/ 



ARTIGO 

EXTRAHIDO DAS ACTAS 

DA 

ACADEMIA REAL DASSCIENCIAS, 

D A 

SESSÃO DE 18 DE JANEIRO DE 1827. 



D 



Etermina a Academia Real das Sc iene ias , quê se^ 
jão reimpressos d sua custa , e debaixo do seu privile- 
gio , os Vestígios da Lingua Arábica em Portugal , que lhe 
forão apresentados pelo seu Sócio Fr, João de Sousa , e 
augmentados e annotados nesta 2.* edição pelo seu So' 
cio Fr. José de Santo António Moura. Secretaria da 
Academia em 6 de Maio de 1830. 

Manoel José Maria da Costa e Sá , 
Vióe-Secretario da Academia, 



PROLOGO. 



A 



Língua Portugueza he principalmente com- 
posta das línguas, Latina, Grega, e Arábica, e 
destas se deduzem ainda muitas daquellas vozes , 
que Duarte Nunes de Leão reduz á Classe das 
Francezas , e Italianas, Os Romanos habitarão as 
Hespanhas por muito tempo , e desejando propa- 
gar a sua língua , estabelecerão , que as estipula- 
ções , e mais contractos se fizessem na língua La- 
tina, e de outra forma não tivessem validade: e 
supposto , que esta legislação fosse ultimamente 
revogada pela Constituição Leonica , e pela Júris-- 
prudência de Justiniano no § i. Instituí . de Ver" 
hor. Obligationib. sempre se conseguio a propagação 
da lingua Latina nas Províncias do Povo Roma- 
no , especialmente nas Hespanhas citerior, e ulte- 
rior , qual Portugal , onde se fallou o Latim pu- 
ro , e esta lingua se conservou aqui por muito 
tempo , ainda depois de sacodido o jugo Roma- 
no. 

Aos Romanos succederão os Godos , e sob o 
seu Império se fallou ainda nas Hespanhas a língua 
Latina , posto que a mesma lingua fosse successi- 
vamenre decrescendo segundo a ordem dos tem- 
pos. Chegando porém o Século VIIL as Hespa- 
nhas mudarão de face. Os Mohammetanos de Afri- 
ca as conquistarão , e acabarão de corromper o 
antigo idioma Hcspanhol : e desta corrupção nas- 

• ceo 



cc^ a lingua que falíamos, e pelo Recurso de tan- 
tos Scculos tem sido elevada á perfeição em que 
hoje está. 

Conservamos pois muitas palavras Latinai , 
que recebemos dos Romanos , os quaes por tanto 
tempo nos derâo Leis : muitas Gregas , que nos 
provierão já dos Povos da Grécia , que antes dos 
Romanos residirão na Lusitânia , e já dos mesmos 
Latin;)s, cuja lingua he filha natural, e legitima 
da Grega ; e também ficámos conservando tantas 
palavras Arábicas, que delias bem se pôde com^ 
por hum arrazoado Lexicon , como já notou José 
Scaligero Escript. 228. ad Isaac Fontan : Tot fur^e 
Arahica vocês in Hispan, reperiuntar j ut ex illis 
justum Lexicon confiei possit. 

Por isso intentei fazer, como me fosse possí- 
vel , huma Gollecção delias. Primeiro , quizrestrin- 
gir-me somente ás que correm no vulgo , cuja si- 
gnificação todos, entendem ; porém depois á medi- 
da, que hia lendo algumas Chronicas antigas des-* 
te Reino fui observando , que elJas estavão semea* 
das de muitos termos desuzados, e que já hoje se- 
não entendem (ainda que os seus Authores então asi 
entendião pelo commercio familiar, quetinhãocom 
os Mouros nacionaes). por e^te motivo me pareceo 
não seria fora do propósito, nem menos útil , antea 
a meu ver mais necessário colligi-los, explica-los, c 
reduzi-los á sua raiz, deserte que qualquer podes- 
se , sem correr o risco de lhes assignar noções exó- 
ticas , e derivações , as mais das vezes extravagan- 
tes , entender as suas significiíções próprias y e origem. 

Pen- 



m 

Pensaráo alguns qtie eu d^via prefermiáir pala^* 
vras menos usadas ; porém eu' nâo liíes refiro â9 
Etymologias para que se usem , mas para que se 
entendão os importantes Tractados dos Authoreí 
antigos da Torre do Tombo, e de alguns Cartó- 
rios , como o da Sé de Braga ; o do CoAvônto de 
Christo de Thomar , e o do Real Mosteiro de AU 
cobaçat Ajuntei ás Etymologias Arábicas algumas* 
Hebraicas , e Pérsicas , e de outras Nações , po- 
rém pratiquei isto não compondo Le^ticon da^ 
quellas línguas, mas só naquellas vozes, que po- 
diâo parecer Arábicas , e que era necessário mos- 
trar serem pertencentes a outra lingua , deduzin- 
do a sua orjgera dessas linguas donde emanarão. 

Porém , porque muitos hão de notar a origem 
Pérsica , que eu dou a certas palavra^ Portugue* 
zas , ignorando o como ellas nos vierão daquella 
gente, que dista de nós mais de i40olegoas, e não 
tendo havido maior commercio entre estas duas 
Nações, que no tempo do Seíihor Rei Dom Mií=- 
noel , que pelos seus Capitães chegou até á Cor- 
te do Sophi , o qual então era o celebre Xeque 
Ismael , cujas cartas na sua lingua ainda hoje se 
conservão na Torre do Tombo , sendo tão pou- 
co o tempo desta correspondência , que não era 
bastante para nos virem de lá cantos vocábulos j 
não será inútil dizer (o mais breve que poder, 
para evitar prolixidade, e fastio ) porque via pro- 
vavelmente os adquirimos : e para ficar mais claro 
o que se pode dizer sobre isto, deve saber se , que 
esta conveniência da lingua Pérsica com as da Eu- 

* 2 ro- 



ropa , he maior entre a Tngleza , Alemaã , iquc 
entre a nossa ; porque se achão muitos termos vul* 



gares, 


e communs 


entre huní 


5 , e outros , como 


se pôde ver nos s< 


íguintes : 


, 


Pérsicos. 


Inglezes. 


Portuguezes. 


j^'^ 


Brodar, 


Brother. 


Irmão. 


í5==" 


Docthar. 


Dougther. 


Filha. 


«lU 


Madah. 


Mayd. 


Moça. 


j«>JJ 


Tonder. 


Thonder. 


Trovão. 


^ 


Bad. 


Bad. 


Máo, cousa má. 


y% 


Bohter. 


Botter. 


Melhor. 


j^ 


Bostar. 


Bolstar. 


Traveceiro. 


^ 


Band. 


Bond. 


Banda , cinta. 


>'■ 


Dar. 


Door. 


Porta. 


^Km\ 


Astach. 


Astagg. 


O Cabrito, 


^w 


Zual. 


A Coal. 


O Carvão. 


_x*C«. 


Shakil. 


Shakle. 


O Grilhão. 


jí:»UJ 


Ladah. 


A Lad. 


O Menino. 


w^fe 


Kub. ^ 


A Cuppe. 


O Copo. 


áJU.& 


Cak. 


A Cake. 


Biscouto. 


^^^ 


Garm. 


A Warm. 


O Calor. 


^>^ 


GuL 


Good. 


Bom. 


>-iJi 


Barbar. 


Barber. 


O Barbeiro, 


«-r->3 


Lab. 


Lip. 


Lábio, beiço. 


E outros muitos. 







A 



A razão desta conveniência segundo Boxhow 
nio, e outros vem, de que os mesmos povos, que 
fizerão as suas irrupções para o Occidente, aos 
quaes chamamos Godos , Hunos , Vândalos , Sue^* 
vos , e outros , forão os mesmos que as fizerao 
para o nascente ; isto supposto , podemos dizer , que 
os termos Pérsicos , que se achão na lingua Portu- 
gucza , ou lhe vierão i.® immediatamente da Per* 
sia por occasião do commercio , ou 2.** dos pai- 
zes em que ficarão reliquias dos antigos Godos , 
ou Scytas , como são principalmente Alemanha , 
Paizes Baixos, e Inglaterra, ou 3.® dos Livros 
Facultativos. 

Alguns me precederão neste trabalho , como 
Duarte Nunes de Leão, que no anno de 1606 
dco á luz hum livrinho com o titulo, Origem da 
iingua Portugueza , agora novamente reimpresso 
em 178 1 i custa do Livreiro Roland. He sem du- 
vida o melhor Etymologista que temos. Mas com 
tudo manifestamente confundio muitos vocábulos 
como se evidencia do cap. 16. pois nesse lugar 
das palavras nativas Portuguezas se achão muitas 
pertencentes a outras línguas , especialmente ^ 
Arábica, como Jçotea ^ Alar do ^ Jlarido ^ Alçada ^ 
Alcatea , Akaçus , e outros. 

A este seguio exactamente Manoel de Faria , 
c Sousa na sua Europa Portugueza Tom. IIL Part. 
!¥• cap. 10. sem accrescentar , nem corrigir, mas 
fió diminuindo , pois tendo Duarte Nunes conta- 
do 207 nomes Arábicos, Faria só conta 106 sem 
rasão algumc. 

De- 



m 

Depois deste , veio Dom Riphael Bluteau y 
que deQc;4 lu35 no anno de 17 12 o seu copioso 
Diccionario da lingua Portuguesa , na qual foi 
sem duvida versadissimo ; porém, ou porque igno- 
rava a lingua Arábica , ou porque Sjeguio Autho- 
res menos instruídos nella , tem pouca escolha, níi 
deducção dos seus vocábulos , como se pode ver nas 
palavras , Almotacel ^ Alfaqueque , Almogaures , Axof'^ 
eas , Morahitinos , Oxalá , Papagaio , Salema ^ e ou* 
trás que nâo repito aqui por não ser extenso. Serr 
yi-me deste Author por achar nelle muitos nomes.) 
que outros não trazem. 

Ultimamente não me demoro allegando mui» 
tas rasões para mostrar a utilidade desta pequena 
Obra que offcreço ao público. Todos sabem , que 
não se pôde saber huma lingua ignorando-se a pro* 
priedade dos vocábulos , nem esta se alcança sem 
o estudo Etymologico. Assim para a boa intellit 
gencia da lingua Portugueza , está claro, que he 
necessária huma semelhante applicação; e desta ne* 
cessidade pôde cada hum colligir quanto ella po- 
de ser útil. Isto dito em summa , não he tão per* 
suasivel , como quando se discorre por cada huma 
das faculdades necessárias , ou proveitosas á vida 
humana , em que se encontrão mil obstáculos , por 
falta de conhecimento das linguas originaes , e en- 
tão he que nos convencemos da precisão destes 
estudos. 

Quanto não tenho eu principiando pela Theo- 
logia até á ultima divisão das Artes , com que 
provar o que acabo de dizer ? Porém o Prologo 

se- 



Seria tres, quatro. ^ c mais vezes maior que a mes- 
ma Obra, se entrasse n*huma tal individuação. Es- 
cusado seria repetir isto a Vossio , a Escalligero , e 
a huma infinidade de homens eruditos, que traba- 
lharão em Obras semelhantes; porque conhecião 
niuito bem a importância destas investigações, mas 
nem todos são Vossios, 

-#? Terei summo prazer, de que mereça attcnção 
este meu trabalho aos Philologos Portuguczes, não 
çó porque nos he próprio este affecto quando nosr 
approvão o que fazemos^ mas principalmente por- 
que estou certo , que emprehendendo elles aperfei- 
çoar esta pequena Obra , ella ha de sahir algum- 
dia mais aogmentada , mais correcta , e bem di- 
gesta ; e por isso mais util a todos , que he o que 
devemos respeitar , e eu respeitei sem duvida> 
quando intentei da-la á luz , persuadido também , 
c rogado por algumas pessoas:, que amão, e. culti* 
vão estes estudos. 

Não peço que me encubrão os defeitos que^ 
acharem ; porque sei he inútil , e injusto roga-loi 
a homens entendidos, que pelo amor da verdade 
não devem deixar correr como acerto o que he er- 
ro, ainda nestas cousas, que não são dogmas de 
pé, c rogo cuide cada hum de emendar as faltas. 
que achjr^ de sorte , que nos- aprovei temos todosí 
das suas advertências* 



O louvor seja dado sempre a Deos. 



EX- 



EXPLICAÇÃO 



Sobre o artigo Arábico Al nas palavras 
Portuguezas. 



o 



Artigo ai he huma partícula inseparável , is- 
to he , nunca se acha só na Oração , mas sempre 
prefixa a algum nome substantivo, ou adjectivo; 
e serve para todos os géneros , números , e casos. 
Elle faz que o nome indcterminavel fique restricto , 
assim como quando dizemos, Alexandre, entende- 
mos o Grande, e dizendo o Poeta, entendemos a 
Camões : onde o artigo determina no primeiro 
exemplo ao adjectivo grande , e no segundo ao 
nome appellativo, e indeterminado Poeta; porém 
nâo he isto tão rigorosamente seguido , que al- 
gumas vezes se não ache o artigo sem esta força, 
assim como succede no Portuguez , Francez , e mais 
linguas. 

O mesmo artigo ai ^ entre nós, isto he, na 
lingua Portugueza, he hum signal no principio 
das vozes para distinguir-mos as que são Arábicas : 
porém a mesma uniáo do artigo ai com o nome , 
ficou como nome incomplexo , ou indetermina- 
do , assim como Almocadem , Almofada , aos quaes 
nós lhe ajuntamos outro novo artigo, ^, ou ^, 
quando os queremos determinar , e dizemos o 
Almocadem , a Almofada , considerando o artigo 
ai como parte integrante da voz que compõem. 

Nas 



IX 

' Nas palavras Portuguezas Arábicas, acha-se 
algumas vezes escripto sem o L\ porém dçve-se 
sempre entender, ainda que se não escreva, como 
se vê nos nomes Adail ^ Arrahil^ e outros muitos, 
que devião c?crever-se Aldail ^ Alraltl \ cem tudo, 
os Árabes ainda que assim escrevem , o pronunciai 
desta maneira , Jddail , Arrabil, 

A rasão hc, porque elles dividem, o seu alfa- 
beto em differentcs espécies de letras , e entre es^ 
tas, huma de letras Solares, e Lunares. 

As primeiras são aquellas , que precedendo- 
lhes o artigo al^ convertem o / do artigo n'huma 
letra semelhante á que se segue assim como, Jd^ 
dail y Âddího , Addufe , Assacai ; onde claramente ve- 
mos , que o / do artigo se converteo em ^ , e j 
semelhante á letra que se segue , o que fica bem 
entendido com o exemplo da lingua Latina nas 
suas preposições ad ^ in ^ e outras , nas palavras ag- 
gravo , eappcllação , illicito , immutavel , nas quaes 
o d da preposição ad se mudou em g^ e /^ , eo» 
da preposição /;/ em / , e w , por se lhe seguir le- 
tras que farião a pronuncia menos suave, do que 
não se mudando. E pela mesma rasão de Eupho- 
nia , he que os Árabes identificão a pronuncia do 
/ com a da letra seguinte. ' 

Não succede o mesmo nas letras Lunares , nas 
quaes o / do artigo senão muda , e tem roda a 
força, assim como. Almofada^ Almofaça ^ Alman- 
jarra ^ c outros. Do que temos dito se vc , por- 
que rasão muitas palavras ainda hoje se pronuncião 
cum u artigo , ou sem elle, como acclga , ou cel- 



ga ; Azircao , ou Zarcáo , qiíe se poderáo seguado 
a Etymologia escrever com letras dobradas, assim 
como , Azzeite , Azzougue , Assude. 

Huma das cousas mais necessária^ pára quem 
indaga Etymologias , he reparar nas letras, que 
se augmentárâo , diminuirão, ou se trocarão; por-* 
que pela Orthographia , he fácil podermos desco- 
brir a origem das palavras. Esta mudança tem mui- 
tas vezes suas regras constantes, segundo o génio 
da lingua , e sua Analogia: outras vezes porém 
não seguem regra alguma. Eu procurando as ori- 
gens das palavras Portuguezas , que os Árabes nos 
deixarão , observei , que alguma regularidade sei 
acha na mudança das letras , e substituição das 
ilossas pelas que lhes são próprias , e que nós não 
iiemos , o que se pôde ver pelos exemplos seguin- 
tèkj que ponho para diminuir o trabalho ao Lei- 
tor, e persuadir a alguns que não vendo mais que 
fiuni exemplo, me poderião dizer aquelle tetras^ 
ticho vulgar. 

Alfana vient d^Equus sans doute , 
Mais il faut avouer aussi,, 
Qu'en venant dê la jusqu-ici, 
II a bien changé sur la route. 

Ao rtiesmo tempo , que dando-se muito^ exem- 
plos de huna corrupção semelhante, não nos po- 
dem ridicularizar desta sorre. 

As seguintes quatro letras Arábicas cJ ^ ^ ^ 
são as iliais diffijultosas de pronunciar, as quaeá 
' por 



Xe 

por nao termos no nosso Alfabeto letras que lhes 
corrcspondáo , as suprimos com outra». A primeír 
ra do lado direito, pronunciasse bhé ^ ciya proiaJum'- 
cia he do fundo da garganta^ como qnçm s,e<5ii^- 
xa de frio. Esta , ordinariamente se vê trocada em 
f^ como SC lê nos seguintes ^xcmploâ. 

Almofâlla *X^4Íí Almahalla. O Arraial. 

AlfeUa ^}J.\ AHiella. O mesmo. 

Alfeloa s^^l Alhelua. -Certo doce, cu cousa fldcíe. 

AktK>faça Xé*^s^^\ Almohassa. Instrumento áe cavafharieè. 

No nome seguinte se acha trocada e^n S: 
Sardáo, em lugar de (^^^^ Hardh ^ o Lagarto. 

A segunda letra ^ do mesmo lado, <juc tam- 
bém se pronuncia do fundo da garganta , como 
quem quer arrancar hum escarro, he semelhante 
na pronuncia ao J Castelhano, assim como Joan^ 
José , Ojo , Orejas ; ou como o C desta maneira , 
Jbtgel y Arcangel y Argel ^ Evangelio &c. Esta 
também he suprida pela letra F y como se vê nòs 
nomes seguintes. 

\ 
Alface iumÍí Alchasse. Hortalice. 

Alfazema juKá.\ Alchozama. Planta aromática. 
Alfange ^»JLÍ1 Alchnnjar. Arma branca. 

A terceira letra ^ , oue também he gutural , 
«cha-sc sempre suprida com hum A^ e só ein 
Duarte Nunes de Lcáo se vê escripta com dois 
AA , assim como 

** % Aab- 



SÍÊ 



i oaac 
'Abia Nome de huma Província» 
'Abdalah Nome próprio de homem. 
Aiâcir A vindima. 



Aabda ií«\xti 
Aabdala amíj^xê 
Aalacir v^aj^^V 

A quarta letra não tem regularidade , pois se 
acha escripta com C, Jf, e ^ assim como 



Almocavar jj^iX,\ 
Alkerme ^-«yilí 
Alfaqui aajUí! 



Almacbar O lugar das sepulturas. 
Alkermez Confeição d'alkerme. 
Alfaquih Sacerdote dos Mouros. 



Algumas letras ha , que corruptamente se achao 
trocadas, tendo nós outras correspondentes a ellas, 
e são as seguintes í^íj^j^^c,^ ^j2^> C?, Z^ S, H. 

A primeira do lado direito regularmente se 
acha trocada por U^ assim como 



Alvará 

Alvaiade 

Alverca 

Alviçaras 

Alvanel 

Alvarraã 






cuV 



Albara Cédula , Carta Regia. 

Albaiade Composição de certa droga, 

Alborca Villa assim chamada. 

Albexara Nome verbal. 

Albanai Nome de OíEcio. 

Albarran Cebola Alvarraã. 



Acha-se a mesma letra B trocada em M nes- 
tes dois nomes 



Almôndega ^yj,K\\ 
Marrão ^^ 



Albondeca Certo guizado de carne. 
Barrán O Porco pequeno. 



A segunda letra ci> T, acha-se trocada em D 
no nome Ataud ci»>íU11 Attabut. 

A terceira letra ^ G está trocada em L no 
nome Lezírias 2^^ Gezirat. Trocada em Z no no- 
me Zeduaria J^^y^»- Geduar. 

A quarta letra y Z^ está trocada em G nos 
nomes seguintes. 

Algeroz vj>^^>^^ Alzarub O cano do telhado. 
Girafalte ci>U^^ Zorafat O Falcão Girafalte. 

A quinta, ^ J, está trocada em Z^ no no» 
nic Zurame ^l^ Sulhame. 

A sexta letra « i/, he trocada em F, no no- 
me Reféns ^^^j Rahen^ o pinhor. E assim em ou- 
tros muitos nomes, como se verá no corpo desta 
Obra. 



AD- 



ADVERTÊNCIA. 



A 



S primeiras vozes, q\ic tm cada pagina se 
eacontrão, são as Portuguesas , e da mesma sorte, 
que se achao c scriptas nos nossos Authores. 

As segundas são as Arábicas , que lhes cor- 
resjpotidem , è em caracteres Arábicos, 

As terceiras de letra grifa , são as líiesmaK 
vozes Arábicas em Caracteres Portuguezes , que 
tóprirtiem , quanto possível he , o Arabé, Observa- 
das pois humas , e outras voíes ; ver-se-ha a cor- 
rupção, que ha èrti cada huma; as letras nellas 
permutadas, accrescentâdas, ou faltas. 

Desta corrupção he origem , não soo pouco co- 
nhecimento , que os nossos primeiros Authores tive- 
rão do caracter da sua lingua materna, mas também 
a falta que acharão no seu Alfabeto de humas tantas 
letras, que correspondessem a outras Arábicas, o 
que fica já demostrado nos exemplos antecedentes. 

Toda a palavra , que se acha com esta nota *, 
he antiga , e menos usada ; a que não leva nota , 
he usada, e conhecida; a que se acha com esta § 
he addição de Fr. Joze de Santo António Mou* 
ra ; e a que tiver esta f foi subministrada pelo Ex.'^^ 
D. Fr, Francisco de S. Luiz , Bispo Titular de 
Coimbra. ^ 



IN- 



INDEX 
Dos Authores citados nesta Obra, 



A 



hl 



Sia Portugue^&a , por Manoel de Faria e Sousa, 

alcorão 'Refutado ^ por Nicoláo Marrado. 

Avicerta ^ ou Llnsina^ Traduzido d<f Árabe em Porta*' 
luez 5 por yalom de Oliveira , Hebreo dos que sa- 
lirâo de Portugal , impresso em Amsterdão no anno 
de 165-2. 

"Bluteau , Diccionario Portnguer. 

Bento Pereira , Diccionario Latino Lusitano. 

Peily , Diccionario Etymologico Latino-Britanico. 

Castelh^ Diccionario Heptagloto. 

Chroytica des Reis de Pértugal^ por Duarte Galvão. 

Chronica d^ElRei D, Manoel , por DamiSo de Góes. 

Chronica d'ElRei D. João IIL^ por Francisco de An- 
drade. 

Chronica d'ElRei D. Pedro L 

Comnier:t artes de Affonso de Alhuqutr^uè. 

Cborographia Portugueza > peio P. Antonk) Gai^ralhé 
e Cc?ta. 

Chronica de Cister, por BráfídSo. 

T)ecadas de Barros. 

Décadas de Couto, 

J)icci€fiarid do P. Marques ^ Ltisifàiití-GâiriôOé 

f)iciiOfiaríò Geográfico de Portugal do P. Cardoso. 

Pharmacotêa Tuhalense. 

Ternão Mendes Pinto. 

Gerardo [Jcão Vossio , Ftymologico-Latinum. 

fiTographia AV*/V»jt, fcJo Xerife Eledri?!. 

Qramrnatica Pérsica Latina ^ por João Gravio. 
Historia der ai de Argel , prr Fr. DiOgo Hnire. 
Jc, f yjrica , e perda d'ElRH D* Seiastião^ 

• y^. jv.unyài<)xle Mendonjn. '^'^"^i • 

Jor- 



xvt 

Jornada da índia por terra até Lisboa , por Fr. Gas- 
par de S. Bernardino. 
7í^;« , por Godinho. . . 

Itinerário de António Tenreiro. ri::-. 

Mappa de Portugal, pelo P.João Baptista de Castro. 
Monarquia Lusitana , por Brandão. 
Rosário Politico , por Moslandini. 
Tratado de Alveitaria , por António do Rego. 
Vocabulário^ Castelhano^ Italiano^ por Francisini. 

ortncí c Item dos seguintes Àuthores. 

Chronica d^ElRei D. Affonso IF. , por Duarte Nunes de 

Leão. 
Chronica do Conde D. Pedro de Menezes. 
Livros inéditos da historia Portugueza dos Reinados d* 

ElRei D. João L , d'ElRei D. Duarte , d^ElRei D. 

Affonso y, , e d^ElP^^ei D. João IL do livro vermelho* 
Hitoria da tomada de Tanger , pelo Conde da Ericeira. 
Nova historia de Malta , por Joze Anastácio. 
Ethiopia Oriental^ por Fr. João dos Santos. 
Ordenação do Reino. 
Commentarios do P. Figueroa. 
Diccionarios Portuguezes de Moraes , Fonseca , e da 

Academia da letra Aye os Arábicos de Golio ^ GigeOy 

e outros. 
Abulfeda. 
Catalogo de algumas , vozes Castelhanas puramente Ara^ 

bicas ^ impresso no tom. o^.° das Memorias da Real 

Academia da historia de Madrid. 
Camões. 

Bihliotheca Oriental de Herbeloth. 
Cartaz, historia dos Soberanq^.^ohamrnetanos da Mau* 

ritania. ^ -sx\tvi 

Luarte Nunes de Leão. j>. '^^^ 
Historia Sebastica. ^ J V 

Elucidário, por Fr. Joaquim de Santa Roza de Viterbo. 

VES- 



vestígios 

D A 

LINGOA ARÁBIGA EM PORTUGAL, 

o u 

COLLECÇÂO ETIMOLÓGICA 

DAS PALAVRAS E NOMES PORTUGUEZES, 
QUE TEM ORIGEM ARÁBIGA. 



§ Jl\ B a c u k ^..v>5*^íÍ AbU'hassun. Nome de hum Mou- 
ro , Senhor daquella terra. Aldeã na Província d'entre Dou- 
ro e Minho , Arcebispado de Braga. Cardoso, 

Abbadim ^^jjU->c Abbadin. He nome de hum lugar na 
Província de entre Douro e Minho , Termo de Guima- 
rães. Nome verbal do numero plural do verbo «xxc ^ba- 
da ^ adorar; dar culto; ser observante, e Religioso. Si- 
gnifica Aldéa, ou lugar dos observantes; appellido da 
familia que nella habitava ou a possuía. Diccionario do 
P. Cardoso, 

§ Abasis ^\j^ Abbassu Moeda de prata , que corre na 
Azia , do valor de 8o réis da nossa moeda , a qual tomou 
o nome da Califa Abbas, que a mandou cunnar. Sobre 
a minha 'viagem me concertei com o Dinaqueiro por 
§0 Abasis. Godinb.o. Viagem da índia por terra cap. 17. 

§ Abater u^ Habita. Diminuir o pre^o de alguma cou- 
sa. Golio , e outros. 

* AhHA ZA GELASSE. ( Voz Etbiop.) Sigiiifíca o Servo da 
Irindade. Este nome he composto de Abb, Padre, e 
de Zd o servo, e de Gelasse os trez, que quer di^ 

A zer 



i AB 

zer Trindade , ou trez pessoas. Para este sacrificio potÁ 
os olhos em Ábha Zi Gelasse. Histor. da Ethiop. hl-^ 
ta ^ por Fr. Benardino. Livr. V. cap. 24. pag. 471. 
•* Abda g>o^c Abda, Provinda de Ducala, no Reino de 
Marrocos". Foi sugeita e tributaria á Coroa de Por- 
tugal. Significa Serva , ou Escrava ; derivada do ver- 
bo j,xc Abada servir , adorar , dar culto. Determi^ 
nou o Governador, tomar alguns Besteiros ^ e Espin- 
gardeiros para hlr contra Abda , e Garbia, Damião 
de Góes. Chronlca d'ElRei D. Manoel. Part. IV. cap. 

$•6. pag. 5'5'í- 

* Abdala tXW JvAc Abdalah. Nome próprio de homem. He 
composto de \i^^ Abd, o servo , e de ^) Alah Deos , 
e significa o servo d'ê Deos. T>os Mouros que "oierao ^ 
reteve Affonso de Albuquerque Abdala ^ e Goje Bi^ 
ram, Damião de Góes. Ghronka d'ElRei D. ManoeL 
Part. II. cap. 33. pag. 223. 

^ Abdelcader ^iUil Axc Abdelcader. Nome próprio com- 
posto de ^xjut Abd. o servo , e do artigo ai , e de 
^àU Ctííifr 5 o Poderoso, isto he , Deos. Significa ser- 
vo do Poderoso. Ao segundo dia da batalha morre- 
rão muitos a ferro , como foi Abdelcader , e outros. 
Jeronymo de Mendonça, fornada de Africa na per- 
da d'ElRei D. Sebastião pag. 2. 

* Abdelmalek ^XtW jsxt Abdelmalek. Nome próprio com- 
posto de j^xc Abd. o servo, do artigo ai, e de ^.^ 
Malek o Rei significa o servo do Rei , isto he, de 
Deos Reinante. Fendo Abdelmalek o mdo sue cesso da 
batalha , se passou para o Gram Turco. Jeronymo de 
Mendonça. Jornada de Africa, pag. 2. 

^ Abderrahman ^^U::*j.5^ jvac Abderrahmdn. Nome pró- 
prio significa o servo do Misericordioso. Era Senhor 
de Safi hum esforçado Mouro chamado Abderaman ^ 
que depois da sua morte ficou esta Praça sugeita d 
Coroa^de Portugal. Damião de Góes, Chronica d'El^ 
Rei D, Manoel. Part. IV. cap. 7Ó. pag. 585-. 

§ Abes- 



§ Abesso ^\^\.jllíasso. O ihaI í a adversidade. Non fâ- 
rom méis oIIks tal abesso. Egas Moniz para a sua da- 
ma no Século XII. Elucidário ^e Fr. J^a/^uir^ de San- 
ta Roza de, Viterho. Tom. I. fl. 45-. 

Abiçam (iUii* •^%'^'^^« AJdéa naProvincia dç entre Dou- 
ro e Minho, Arcebispado de Braga. He nome compos- 
to ^i ahi ^ pai, e de ^u f^'^^ o assignalado, e vem a 
ser, Aldéa do assignalado, nome, ou appellido da fa- 
miii4 que ,nella habitava, ou a possuia. Diccimario 
Geographico do P. Cardoso. 

Abi zoein ^^j^^ ^\ Abizoein. Lugar na Província de 
entre Douro e Minho, Bispado do Porto. Compoem- 
se de ^J abi ^ pai, e de ^_^j.y Zoein o ornado, ou 
enfeitado, appellido daquella familia. Deriva-se do ver- 
bo ,.^j; Zaiana ornar, enfeitar. Diccionario Geogra- 
phico de Cardoso. 



NOTA. 



A 



Voz de \^\ ah ^ y\ abu ^ j.í abi ^ que significa 
pai, rege depois de si GenitivoV No íim de qualquer 
destas vozes , algumas vezes toma huma das trez le- 
tras quiescentcs, ç /; ^\ segundo o cazo da sua ter- 
minação. 

Muitas vezes se tema pela particula ^j» zú^ que de- 
nota o senhorio, propriedade, ou posse de alguma 
cousa : outras vezes se toma pelo Relativo 5 qui qu£ 
quodm 

Rege depoib -^ .; noiiies próprios, e appellativos, e 
faz huma Metcnvaiia , cu translação de nome a 
que charoâo os Árabes 'i^iíw Alcónia ^ isto he, al- 
cunha. 
Este tcsiume foi muito praticado dos Árabes , princi- 
palmente entre as pessoas grandes , ccrao for$o os 

A 2 • pri- 



L AB 

primeiros Califas depois de Mafoma ; maíoritiieri- 
te os Omiades , excepto Ornar , os quaes até o vi- 
gésimo primeiro todos se denominavao pelo appel- 
lido, como se vê na Historia Sarracena, 

Rege nomes próprios, assim como, ijj^ j^xc^í ahu-ab^i 
dalah^ pai do servo do Senhor, appelíido de Mafo- 
ma. «.^ílio^jl abu Taleb ^ pai do supplicante, appel- 
íido do tio paterno de Mafoma, 

Rege nomes appellativos , assim como ^^\^^\ àhu^ 
xoareb pai das barbas j isto he , homem barbado , ou 
de barbas compridas, yi^r^^í abuquerxe pai de bar- 
riga, isto he , homem barrigudo. j^^UilV^-j^ abulfa- 
dail pai dos benefícios; isto he , liberal. '^^lâi^ii^J 
abuliacddn , pai da vigiiia , isto he , o Gallo. 

As vozes de A ommo ^ mãi, ^^^A ebno ^ ^^j bén ^ j^í^ 
ualad filho , todos estes seguem a mesma regra aci- 
ma , e fazem a mesma translação , assim como sU-ií \ 
ommol-haiat ^ mãi da vida, isto he a chuva. i\^\ \ 
ommol-mál ^ mãi da riqueza, a ovelha ^ç^\ ^^ Be-^ 
nol-md , filho da agua , o Pato. ^x*J\ :>1)^ Ualades- 
sebda ^ filhos dos Leóes, appelíido de huma família 
assim chamada por ser muito esforçada. 

Estes , e outros appellidos , são tão frequentes entre os 
Árabes, principalmente nas pessoas grandes, que mui- 
tas vezes não se conhecem pelos seus nomes pró- 
prios, mas sim por estes appellidos; os quaes cor- 
respondem aos nossos , assim como , os Torres , os 
Bandeiras j Caldeiras^ e outros de que o vulgo uza , 
como são Salgado , Sardo , Pendigao , Cordeiro , &c. 

Entre as grandes familias dos Árabes , pratica-se o con- 
trario do que entre nós , pois sendo costume das ca- 
zas principaes denominarem-se com os appellidos das 
terras que possuem , ou de que são Senhores , como 
os Marialvas , Cantanhede, Villa Verde, Óbidos, &c, 
quando queremos assim faílar sem dizer o Marquez 

de 



AB '9 

ae Marialva; o Conde de Cíintanliede, Villa Ver- 
de, &c. os Mouros porém cosiumao denominar as 
terras com os appellidos dos seus fundadores , ou 
possuidores , assim como , ^,^^ ^^Xi* Calaato-Ayub 
Fortaleza de Job , nome do Mouro que a fundou , 
^^b,.o^5 Casro-len Danes Alcácer, ou Fortaleza 
do filho de Danes , que fundou , ou possuía a Fortale- 
za de Alcácer do SaL c:_<;^xi^\ Alafoins nome do Rei 
Mouro, que dominava" Viseu, e seus termos, e ou- 
tros muitos nomes como adiante se verá. 
Abi zoude xi^^^ç^t ^ht zude. Lugar na Província de entre 
Douro e Minho , Bispado do Porto. He nome compos- 
to de ^rdo pai, e de ,^^y Znde ^ a augmentada , ou 
accrescentada. Deriva-se do verbo i^x zada , augmen- 
tar , accresccntar. Diccionario Geographico de Cardo* 
so. 
§ Abobadela aM! ^x« ^\ Abíi-Ahdallah. Nome próprio 
de hum Mouro, Senhor daquella terra. Nome de huma 
Villa na Província da Beira , Bispado de Coirrbra , e de 
hum lugar na Província de Tras-os- Montes, Termo de 
Mirandela. Cardoso. 
Abra g^c Abra significa enseada, ou ancoradouro para 
as embarcações, e he differente da barra. Deriva-se do 
verbo ^>^ abara entrar para dentro ; passar de hum la- 
do para outro, ou passar além. Nas abras dos Rios ^ 
podia achar algum navio de Mouros. Barros, Década 
III. pag. 71. 
AbraX ,^^ Abra , lugar na Província da Estremadura, 
Patriarcado de Lisboa , significa Entrada , ou emboca- 
dura. Dcríva-sc do verbo yx£ abara ^ entrar, passar, em- 
bocar. Diccionario Geographico de Cardoso. 
Abr '.LANSt ^iaaH^c Abrel-hanaxi. Aldéa na Província 
áa Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Significa En- 
trada da cobra. He nome composto de »^xc abra a 

ca- 



tf %^ 

entrada , do artigo ai, e de ^^-^ hana!)(:e 2^ cobra, JD/V- 
cionaria Geographico de Cardoso. 
§ Abrotea o^j Baruaq. Abrotea, ouGamã'^ herva. Ca-» 
t alago de vozes Castelhanas, 

* Abulcher ^asaJ\^-\ Ahulcher, Nome próprio de homem. 
He composto de^j ahu pai, do artigo aí, ede ^x:^ cher 
a benificencia , ou riqueza, que vem a ser o Beneficio. 
EncontroU'Se com Abulcher irmão do mesmo Alcaide ^ 
e o derribou do cavai lo, Damião de. Góes, Çhronica 
d'ElRei D. Manoel. Part. IV. cap. j6. pag. 585-, 

* Abuna Ij^I Abuna, He o titulo , que os Christáos no 
Oriente d^o aos Sacerdotes. Significa nosso Pai , ou nos- 
so Padre. He composto de ^\ abu pai, e do pronome 
U na nosso. Depois que os Abexins tiver ao noticia da 

fé de Christo ^ nunca tiver ao mais que hum Bispo a 
que chamão Abuna, Historia Geral da Ethiopia, por 
Fr, Bernardino cap. 38. pag. 93, 
"* Abxim ^ ^i^j^ Habaxi* Significa cousa negra, ou da 
Ethiopia." Deriva-se do verbo ^^^^ Habaxa , ter a cor 
negra, ou trigueira. Partirão desta Cidade^ e for ao 
ter d Corte do Rei dos Ahixins. Damião de Góes, 
Çhronica d^ElRei D, Manoel. Part. II. cap. 18. pag. 
186. . 

* AqAGAL J.^\ Assaca, Particlpio do verbo JL^ sacd 
regar, dar' de beber. Significa Aguadeiro. Bois de car^ 
ga ^ que servido de açacaes de carretarem agua. Bar- 
ros. Década II. pag. 48. (^) 

AqACALADOR ^^líLaJÍ Assaccdl (termo de que ainda bo- 
je uzão os Espadeiros ) Significa bornidor , ou alimpa- 
dor de Espadas, Espingardas, e outros instrumentos. 

He 



(/) Nas Cortes d'Evora de 1408 se queixarão os Povos a ElRei , de 
que muitos mancebos pobres, « necessários ^ara lavrar ^ e servir ^ compra" 
vão hum asno , e huma grade , e quatro cântaros , e sç metem por a^aqciaes, 
(Aguadeiros) BUtcidario* Tom. i.® pag. 47. 



He participlo do verbo yij^ sacala ^ alimpar, bornir. 

Açafate ^Uu.n Assafate, Cestinho sem arco, nem azas 
em que se mette pão , fruta , roupa , ou outra qualquer 
cousa. Bento Pereira , Bluteau , e outros. 

AcAFELAR \i3 Caffala. Tapar com pedra , ecal. Deriva- 

se do verbo jâí* Cafala fechar com cadeado, ou com 
fechadura. Na segunda conjugação, significa tapar hu- 
ma porta, janclla, ou fresta com pedra e cal. Man- 
dou tapar as Bombardeiras antes que os Mouros 
'Viessem , com pedra ^ e barro , e acafclar , de ma--- 
fieira ^ que parecia tudo parede iguaL DíímiãodeGoes. 
Chronica d"* El Rei D. Manoel. Part, 11. cap. i8. na 
tomada de Çafim. 

AçafrXo ^\^'^^ Azzâfardn. (Voz Pérsica ^^Uy Zaâ- 
fer. ) Especiaria bera conliccida. Os Italianos o pro- 
nuncião com menos corrupção. Zafarano. Diccionario 
Hept agioto de Castello, 

§ AqAMAR ^n Acamvia. Acamar , encabrestar. 

AçAMO A^^s Cdmamo. (voz corrupta) He a corda que 
se põem na boca dos animaes para não morderem. Tam- 
bém significa a fucinheira de corda , ou de esparto, em 
que mettera o fucinho das bestas para não roerem o 
ceirão, e as das crhs para não mamarem. Deriva-se do 
verbo Surdo ^ camma cobrir, tapar , ligar, enfrear. 
Bento Pereira , Bluteau , &c. 

§ AcAUDiLHAR s\'i\ Acada. Conduzir, reger, governar, 
Diccionario da Academia. 

AcEQuiAT oU5l^^ Assaquiat. Nome plural de ^^^su sa- 
quiaton , o regato , ou ribeirinho. Deriva-se dó verbo 
Jí*« sacd regar a icrrn. Antes de chegarem havido de 
achar muitas acéquias, Damião de Goçs ^ -(JSronica 
dTJRei D. Manoel. Part. III. cap. 74. 

^ AcETF.R \kwJI Assatel. A catórâinha. Diccionario 

da Academia, ^^ :» 

§ Acha- 



S AC 

^ Achacar iCii) Axcd. Dar queixa, ou libello contra^I- 

guera. Elucidário fl. 5*1. 
Achaque ^^^^SJ;ú\ Axxaqui. Enfermidade, ou moléstia 

habitual. Deriva-se do verbo ^ ^^ xaca ^ que na oita- 
va conjugação significa, queixar-se, laraentar-se de dor, 
ou de moléstia. Acha-se este nome escripto assacar, que 
na terceira conjugação significa , accuzar , formar quei- 
xa de alguém ; e neste sentido o toma Barros; Assacan^ 
dO'lhe além disto muitas faltas. Década IV. foi. 391. 

"§ AcHEDA í^j^^í Axxedda. A aspereza. Nome de huma 
serra , que principia junto de Cascaes , e acaba emMon- 
te-Junto. Cardoso, 

Achete ^l/i^n Axxat. Lugar na Provincia da Estremadu- 
ra, Patriarcado de Lisboa. Significa ovelha. Dicciona-' 
rio de Cardoso, 

Acicate ^í^)! Axxacate, {a) Espora comprida de huma 
só ponta, de que usao os Africanos quando montão a 
cavallo , vulgarmente chamada pua, Deriva-se do verbo 
surdo ^^ xacca picar, molestar, estimular, afligir, 
escandalizar. Item mandarão que levem de guarnecer 
humas esporas mouriscas ^ cheias de acicates ^ 80 m>. 
hiv, 'vermelho fl. 5'3i. 

AciPiPE c--\Aj\.lí Azebibe. Significa a passa da uva. Era 
Portugal, 'o acipipe, he qualquer cousa especial, que 
se oíFerece , ou se dá ao doente que tem fastio. É co- 
mo os Árabes não costumao guardar a fruta para o tar- 
de , guardão as passas da uva de que tem grande abun- 
dância , não só para oíFerecer ás pessoas que os visitao , 
mas também para dar aos seus doentes, quando tem 
fastio. 

§ Aci- 

(d) O nome Acicate também se pode dirivar do nome Arábico j^T^ll 
Axxattcate^ que significa espinho, bico, agivilhão, ferrão: e este do veCr 
ho ê\jH Xaca picar ^ twspassar. 



§ 'AciTERA i^J\ As s et ar a. A corbcrtura, o veo.- ikí<?- 

^ÇQFíIFA 'ih\%^\\ Assofafa. Espécie de fruta cliamada ma- 
çaa de Náfega. Bento Fereira y Bluteau ^ e outros, 

§ Acoimar ^UÍ Acama. Criminar .imputar crime, Man^ 
de Deos\ diziao alguns^ que não seja esta hora ^ em 
que Dcos nos queira acoimar 'nossos peccados, Chro^ 
viça de D. Duarte cap. 87. 

• E/Rei Ali-Boacen depois de ouvir a elRei de Gra- 
nada , disse aos do seu conselho , e aos grandes , que 

• estava corrido de elRei de Granada os ter em tão 
pouca conta y que lhes acoimasse a covardia de leva n^ 
tarevti o cerco. Duarte Nunes de Leão, Chronica ã*EU 
Rei D. Afonso IV. fl. 137. 

AçoTEA -^la^i Assotúa. Eirado , cu terrado de huma ca'- 
za. Deriva-se do verbo ^La**, sataha extender qualquer 
cousa sobre a terra. 

§ AcouCE ^^^jílí Alcauce. O arco. Nome de hum lugar 
no Bispado de Coimbra. Cardoso, 

Açougue < _'^^^\\ Assoco. Praça, ou lugar, onde se vendem 
comestiveis : os Árabes não só dão este nome ao lugar 
onde se vende a carne; mas também o peixe, fruta, 
liortalice, e mais cousas. Os Castelhanos o pronunciao 
sem corrupção assoco. Deriva-se do verbo t W^ saca , 
que na oitava conjugação significa «comprar, feirar, fa- 
zer negocio com compras , e vendas. 

Acoutar (verbo) j^^^ sáuat^. Dar pancadas com cor- 
das, corréas de couro, e não com páo. 

AqouTE )o\^^\ Assoate. Azorrague, ou flagelo com que se 
dão pancadas. Deriva-se do verbo acima. 

^Açúcar ^\\ Assoccar.DQÚv^i-st do Pérsico ^f^ xacca- 
, r/z , que significa o mesmo. ' ' 

"Açucena ^U^*Jí Assusãiia, Flor bera conhecida. Dcri- 
va-sc do Hebraico zuzafi. 

^S^i^B ^(JsiJ) Assode, Lugar , onde a agua do rio, çu le- 



«5 AQ 

■ ' vada faz preza. Derlva-se do verto Surdo s^ Saããé 
tapar , impedir , reprezar o curso da agua. Quando se 
solta huma grande preza de agua \ a qual não cabe. 
no açude. Barros. Década III. foi. 244. 
§ AçuLAR _3L<o! Assala, Enfurecer, irritar. 
J^.^/? Adall y^c^W AddaliL Participio do verbo Surdo _3^ daU 
^^^^ la y ensinar, mostrar o caminho, guiando, ou apontan- 
do cora o dedo. O oíEcio do Adail , era mostrar , e en- 
sinar o caminho, quando marchava o exercito. Em Afri- 
ca se usou muito este oíBcio , que era , além de ensinar 
o caminho encoberto, e não trilhado, governar os Al- 
mocadens, os Almogavares, e mais gente com que se 
fazião correrias nas terras do inimigo. 

Em quanto â eleição do Adail , e ceremonias que 
naquella occasiao fazião , póde-se ver no III. Tomo 
da Ásia Portuguesa pag. 191. Loguo aho outro dia, 
cedo ^ sem mais tardar partio ho Infante (Z). Sancho) 
com aquelles 1400 de cavallo ha mais andar ^ e hos^ 
Adays , e Guias. Chronica d^ El Rei D. AffonsQ Anri^ 
quês pag, 68. 

NOTA. 

J A' que tantas vezes tenho fallado no verbo Surda^ 
me pareceo acertado dar ao Leitor huma breve no-^ 
çâo da qualidade dos verbos Arábicos. Duas quali- 

- dades de verbos ha entre os Árabes; huns de trez, 
outros de quatro letras. Huns, e outros os dividem 
em perfeitos, e imperfeitos. Os perfeitos são aquel- 
les que não tem alguma das três letras quiescentes, 
ts^S e que são regulares em todos os tempos da sua 
conjugação. 
Os imperfeitos os dividem em surdos, e enfermos. Os^ 
primeiros , são aquelles que tem duas letras semelhan- 
tes , que huma das quaes costumao os Árabes contra- 
hir^ e supprir a sua falta com esta nota - a que cha- 

maQ 



A D It 

mão juwViJ taxdid corroboração posta pof cima da 
letra , desta maneira j^ madda extender , em lugar 
de 5^^ ma dada. 
■ Esta mesma nota texdid, corresponde ao nosso Til w ^ 
cujo officio he supprir a falta da letra ra , ou n , seja 
cm verbo, ou nome, quando occorrera as duas letras 
duplicadas assim como , Joanna , Marianna , immuta- 
vel; que se podem escrever com hum m , ou n desta, 
sorte Joana , Mariana , imutável , e outros. 
§ Adaika ^y^ò^^ Adàaira, O circulo. Nome de hum lu- 
gar na Provincia da Beira , Bispado de Vizeu. Cardoso. 
§ Adokbe, ou Adarbe v^_v,j,H Addarhe, O caminho, ou 
rua muito estreita. Da-se este nome ao espaço que ha 
sobre qualquer muralha, por onde se anda, acompanha- 
do de ameas. Chronica do Condestavel cap. ^3. Mo^ 
raes. 
4 Adarço ^J^Jy!^ Addarço. O caminho occulto, apagado, 
^v^desfeito, destruido. Diccionario da Academia, 
Adarga 9.jò^\ Addarâ. (a) Também se escreve Adaga. 
Escudo de couro , de que antiguamente usavão os Povos 
' de Hespanha , e de Africa. Deriva-se do verbo ^^i, da* 
raá ^ que na oitava conjugação significa vestir, ou ar- 
ma r-se de Adaga. Vi nhã o todos adargados d sua mO" 
da. Década I. foi. 75'. 
* Adabme j»>rj.JÍ Adderhem. Entre os pharmaceuticos he 
certo pezo, que contém 48 grãos. Entre os Árabes he 
- nome genérico de qualquer dinheiro miúdo de prata ; 
porém em particular o applicão a hum pequeno diiihei- 
ro de prata como os nossos vintcns. 

Contão os mesmos Árabes, que vivia entre elles cer- 

B 2 to 

(<i) O nome Arábico i^jí^tN^I JJdarcalx o que significa Adarga, ou 
eicudo de couro, donde eu derivaria este, por ter menos coirup(;ão; e 
também porque Àddara significa propriamente Siya de míllia , peito de 
•f mas , ou couraqa. 



tf A D 

to Mahometano de boá vida , e que este todas as vezes 

: que fechava , e abria as mãos 1 he cahia delias hum Adar- 
ine cora a seguinte inscripçâo j^t^y^ Allaho ahadon ^ 
quer dizer, Deos he único, e elles charaão a esta qua- 
lidade de dinheiro s^j^Kll ^^^^ Darhem el códra. Di- 
nheiro da Omnipotência. Vid. Biblioth, Oriental de 
llerbeloth. 

§ Adaufa ^5^^ Addaufa. A enchente, a chea. Lugar 
na Provincia d'entre Douro e Minho, Arcebispado de 
Braga , e Ribeira no Termo de Villa Real. Cardoso. - 

Adela, e Adelo j^jj\ AddalldL O que vende fato nas 
feiras , e pelas ruas, Deriva-se do verbo de 4 letras ^v!.3 
dallala bradar , pregoar o preço de qualquer cousa , 
vender publicamente, {a) 

% Adelfa ^^^\àò:^\ Âddefela. O Loendro, Diccionario 
da Academia, 

§ Adelkan -u J^:>!£ Adelgan. Nome próprio de hum 
Soberano da índia. Significa Soberano, ou Senhor jus- 
to , ou recto. Que Adelkan daria para a despeza d^ 
El Rei D. João III. as terras de Salsete , que então 
rendião 60^000 Pardáos. Chronica do mesmo Rei^ 
Part. in. cap. 94. 

§ Adelxah »Uj^U AdeUxah. Soberano, ou Senhor jus- 
to. Nome de hum Soberano, da índia. O governador 
teve visita dos embaixadores de todos os Reis , e dô 
de Adelxf.h , o qual lhe escreveo , que lhe cumprisse- 
os contratos da paz. Couto. Década VI. Livr. L cap, 

2. 

§ Adereçar j.^^ Tareza. Enfeitar-se, vestir as roupas 

mais elegantes. Golio. 
§ Adereço ,,yi Attarço. Ornato , enfeite. E promettia 
^-^ ao 



(«) Foi ccrrameate engano dizer-se, que este nome se deriva do ver- 
bo de 4 letras i\b Dalhla , porque eiie se deriva do verbo Surdo Já 



ao 'Duque Tarne%e com sua filha D. Maria setenta 
mil cruzados \ os Tinte viil em joyas^ ouro ^ e prata ^ 
fedras preciosas , e adereços de sua pessoa, Histor, 
Sebastica cap. 15-. fl. 98. 

§ Adersa a*^jJ1 Addersa, A debulha. Lugar na Provin- 
da da Estremadura , Comarca de Torres. Cardoso. 

Adibo, e Adibes v_,j^i Addib, Significa Lobo. O no- 
me de Adibe, também por ironia se applica ao mexe- 
riqueiro, ou occulto agente. 'No cerco havia mais de 
dois mil alimárias de que as mais erao veados , Ga^ 
zelas ^ ^ -^J/^fj*. Damião de Góes. Chronica d^ElRei 
D. Manoel. Part. IV. cap. 10. 

§ Admenas »x^\3ú\ Adamena. Alamedas, passeio, ou rua 
de arvores frondosas. Elucidário. Tora. L pag. 5*5'. 

Adobe v-_>^J^ Attobi. Espécie de ladrilho, ou tijolo fei- 
to de terra, e secco ao Sol de aue fazem paredes, e 
casas. Deriva-se do verbo ^\:^ taba ser macio, lizo, e 
plano. Era o Forte fabricado de adobe. Jacinto Frei- 
re. pag. 329. 

§ Adua ^^jJ! Addula. Rebanho de bois, e bestas de 

' qualquer Villa, ou Cidade, que sahc a pastar, pasto- 
reado por hum, ou mais indivíduos, aos quaes cada hum 
dos donos paga mensalmente hum tanto por cabeça.. 

' Também significa partida , ou companha de homens , 6cc. 
£ huns servido por adua , e outros davao cestos de 
cal ^ &c. Chronica de ElRei D. Fernando sobre a 
construcção dos muros de Lisboa. Cap. 88. dos Iné- 
ditos da Academia, 

'Aduana (.^^^jJí Addiúan. Casa, ou lugar, onde se ajun-* 
tão os Ministros , e Administradores da Fazenda Real 
para cobrar os Direitos, e tratar das causas Civis. Tam- 
bém significa Conselho, ou ajuntamento dos Ministres 
do Estado \ donde os Francezes , e Italianos deduzem o 
nome Aduane , e Laduana por Alfandega. Deriva-se 
do verbo . y^ dana escrever cousas públicas^ fazer as* 

jea- 



':^4 í^ 15 

* sento do que se passa; ajuntar, oa colleglr escrlptos; 
julgar, diíBnir qualquer negocio. 

* Aduar j^s,\\ Adduar, Aldéa, ou Povoação em que lia- 
bitáo os Mourçs do Campo , e consta de Tendas de ca- 

' bellos de gado tecidos como panno; as quaes levantáa 
em diversos lugares por causa dos pastos do gado. Or- 
diilariamente os Aduares constâo de 5'0 5 60^ até ceiti 
tendas; e todos estes aduares juntos se chamáo Almo- 
hella. Deriva-se do verbo ^^^ dáuara. Cercar, ou mu- 
rar á roda. Andando em hum aduar de hum Mouro 
dos Principaes. Barros. Década I. foi, 19. )^. 

Adubo w^wí Attoho. Especiarias, como são, pimenta, 
cravo , canela , &c. Deriva-se do verbo u_,Ud taba ser 
suave , cheiroso , bom , e grato. _ 

Adufa. ^ij^!i Addajfa, Duas qualidades de adufas ha. Hu- 
ma de janella , outra de moinho : Esta he a taboa que 
€ncaixa na bocca da calha para impedir a agua de hir 
ao moinho. A da janella são humas taboas unidas, que 
se põem por fórâ das janellas , e servem de reparo em 
lugar de rótola. Deriva-se do verbo Surdo l, J^ s daffa* 
Unir, igualar as taboas , ajuntar humas com outras. 

Adufe c-i^J^ Addofe. Instrumento musico ; he o mesmo 
que] pandeiro. Deriva-se do Hebraico hadaffy que signi- 
fica o mesmo. 

j§ Afifa aíaíc Aftf^^ Casta , continente. Freguezia , Ser- 
ra, e Ribeira na Província d'entre Douro e Minho. Car* 
doso. 

§ Afincar ájS\ Afnaca, Insistir, ateimar. Suppleraento 
ao Tom. 11. do Elucidário, pag. 4. 

§ Affingo t2ÍJjUÍ Alfanco. Afferro, instancia, teima. 

§ Affofar c^i:i Hafafa. Aliviar, fazer leve. Catalogo 
de vozes Castelhanas. 

^ Aga ^^^\ Aga. (voz Turca) He o titulo do Coronel 

dos Janizaros, Em quanto Diogo Lopes passava para 

Co- 



AG 1^ 

' Cochim 5 xoUou o alentado Jga Mahomeã sobre a 
Fortaleza. Ásia Porrugueza. Tom.I. Part. II. pag. aij. 

* Agi, ou haji ^U> HaggL Titulo devoto, e hou rosei 
entre osMahometanos, significa peregrino. Dão este ti- 
tulo áqueJJes que tem hido a Mecca , e visitado o Se- 
pulchro de Maforaa ; cujo titulo antepóem ao nome 
próprio dosugeito, de maneira que, se hum antes se 
chamava Mahomed, depois da visita se nomea , Agi 

. Mahomed. Deriva-se do verbo Surdo -ç^^. bajja visi- 
tar os lugares Sagrados , o Templo de Mecca , peregri* 
nar &c. 

* AiDEL ^:>U á dél. Mir aidel j^u ^a^ Nome composta 
de Mir ^^\ Princepe, e de _jjiU iVf7 Justiceiro. Pa^- 
ra o que por conselho de hum Turco mandou Mir Ai^^ 
dei fazer hum a estancia ^ e nella colhe ou a sua arti^ 
Iharia. Damião de Góes. Chronica d^ElRei D. Ma^ 
voei. Part. IV. cap. 8o. pag. 590. 

Al l\ ai. Artigo, que os Árabes ajuntão ao nome. Ve* 
ja-se a nota que está no principio desta obra. 

Al l\ ah Particula que se acha quasi em todas as Es- 
crlpturas antigas, e ainda hoje se usa pelos Tabali6es^ 

. quando no fim do depoimento das testemunhas acabão 
dizendo , e ai não disse. 

Muitos julgâo que he o artigo Arábico, não sendo 
mais que huma abreviatura da palavra Latina altud^ 
c quer dizer; e não disse mais cousa alguma. 

Alabao ^^Ia)J1 Allahhdn. (Termo de pastores, muito 
usado no Alem-Tejo. ) Significa ovelhas, que dão mui- 
to leite, e assim dizem, gado alabao. Deriva-se da V021 
j^x3 Lahdn o leite. 

Alabarda (voz Teutonica.) A arma que ob Archeiros, 
e guardas do Palácio trazem» Puz este nome, esua Ori- 



1f5 A L' 

" gem, que parece Arábico, para dar a conhecer, ^úe o 
. não he. {a) 

^ Alabati ^^__^Uj^! Alàbati. (Termo Medico) Vêa ala- 
bâti , he a vêa axillar. Vid. Avicen. Tratado III. cap. 

• i6. pag. 62. 

* Alaberie í^j.jY\ Alahre, São os Músculos, que nascem 
atraz das orelhas, e descera para os queixos. São del- 
gados como agulhas, e por isso o Author lhes chama 
i^y^y\ Alahre que significa agulha. Avie. cap. 9. pag. 

^ Alacir ysnxJÍ Alâctr. (J?) Significa a vendima do vi- 
nho, e azeite; porém propriamente he a matéria , ou 

^ sueco que sahe da uva , ou azeitona expremida. Deriva- 
_ .se do verbo y^ âçara expremer. Foi dar sobre elles 
no tempo de seu alacir. Duarte Galvão. Chronica d' 
Rei D, Affonso Henriques. 

Alagrao t_,yíx!í Alâcrab, Escorpião; Insecto venenoso. 
Também he o nome de hum dos Signos do Zodiaco. 

Alafoens çf^ixll Alafoii. Villa na Provincia da Beira , 
Bispado de Viseu. Tomou o nome de Alahún Senhor 

. de Viseu; significa Irado. Este Governador Africano^ 
sendo vencido por D. Fernando L chamado o Magno J 
se fez Christao , por cuja conversão lhe deu ElRei D. 
Fernando terras para nellas viver , as quaes compre* 
hendião o Conselho de Lafoens , derivado do nome do 
mesmo Governador , ( Nesse Conselho se achavao va- 
rias Fortalezas com os nomes dos seus fundadores; co- 
mo são a de ^^aají (^j.j hendahissa os cabeludos, appel- 

lido daquella família. A de ^^í^a^í r^^ bendaneja. Agi- 
ta- 



da) ÍF.u creio que este nome procede do nome Arábico isjj^rsnjí Àl-Tiar^ 
ha segundo Gigeo, e Golio, o qual se expressa assim: Pugio, cuspisque 
bastilis Latior. hinc. Hisp. Alabarda. 

(b) Na Chr. de D. Affonso III. por Rui de Pina pag, 14 se acha A/íf' 



AL tr 

tados j ou açoutados dos ventos ; A de .v^^^^s Derices , 
as Adreciras, appeljido de huma familia antiquíssima 
descendente de Edris tio de Mafoma , e outras mais 
Fortalezas) Fid. Monarch. Lusit. Tom. II. cap. 28. 
pag. 375*. 

Alamar (voz Hebraica) alam. Tranças, ou colxetes com 
que se ataca o vestido {a). 

Alambique ^xa3^í Alambique (voz Grega) com artigo 
ai Arábico.* Vaso de cobre, ou de vidro em que des- 
tillão hervas , flores, e licores. 

* Alamse ^jiij;i\ Alhanaze. Significa cobra. He nome que 
CS Mouros derão a hum sitio em Santarém que fica pe*- 
la parte do Sul , onde presentemente está a Calçada que 
vem da Ribeira para a Villa. Foi assim chamado pelas 
muitas voltas que davao quando subião para a Villa, e 
ser-lhes precizo torcerem como fazem as cobras. Deri- 
va-se do verbo ^;> hanaxa dobrar- se , enrosca r-se co- 
mo cobra. Chronua de Cister. Tom. I. Livr. III. cap. 
19. pag. 317. 

Alanse yijAJ Alhanaxe, He nome de hum campo em 
Africa junto a Arzila. Sabendo o Capitão de Arzila- 
que os Mouros estavao no Campo de Alanse ^ os foi 
accommetter, Damião de Góes. Chronica d''ElRei D. 
Manoel. Part. III. cap. 35-, pag. 341. 

t Alar •^s. Alld, Levantar , elevar , içar. 

Alardo ^jià\ Alârdo, Resenha da gente de guerra, ou 
mostra que se passa aos Soldado». Deriva-se do verbo 
^^e. arada, appresentar, fazer apparecer, passar mos- 
tra aos Soldados. Cs Castelhanos o pronuncião melhor, 
aiárdi, 

Alai<id(; ^y»p\ Alariro. Gritaria confuza , que os Tur- 
ccs c Mouros fdzcm na cccasiao das suas batalha?. 

C Bhi- 



(íi) o Cataloi^o de vozes CastcJhar.as diz ser a voz Aiabica JV^.-^M Jl- 
haviol; poiém esta, te^undo Goiio, c cutios, significa fianjas do vestido. 



• 



1» AL 

Bluteau, sem rezão deriva este nome de Id lá ^ e diz, 
que deve ser como allá, que na lingoa destas nações 
quer dizer Deos \ e alia repetido , náo parece senão lâ 
lã ^ e que destas vozes se deriva Alarido, Porém Go- 
lio, e Castello trazem este nome ^j^\ Alariro cora 
as significações seguintes \ Vox victoria exultantis : ut 
qui alia vincit : Et in genere , vox , sonus , vocifera^ 
tio , strepitus , &c. E tendo os Árabes este nome com 
as referidas significações , não ha necessidade de o deri- 
var das vozes lá lá ^ nem de allá. 

Também Duarte Nunes de Leão inclue este nome nos 
que os Portuguezes tem seus nativos , e os não tomarão 
de outra gente, 

* Alarife KJ^y^S Alârife. Architecto , ou Mestre de 
obras. Deriva-se do verbo ^^ ârifa , ser sciente , sá- 
bio 5 instruido em Sciencias , e Artes. Não teve a obra 
outro architecto , que as barbaras idéas do Rei exe- 
cutadas pelo seu alarife, Tomada da Alcáçova de 
Mequinez por Muley Ismael. Histor, de Mequinez por 
Fr. Diogo Gracez, Gastei, pag. 36. 

Alarve j^^\ Alârabi. {a) São os Árabes, que vivem 
no interior do deserto , os quaes não tem domicilio cer- 
to, nem cultivao as terras: ordinariamente vivem de 
roubos , que fazem huns aos outros , e nas estradas : PaS" 
tando as kervas d maneira dos Alarves, Barr. Déca- 
da III. foi. 88. 

* Alasceile ^\^^\ Alasale, He huma das véas do bra- 
ço , e não das do pulço. Avie, Livr. I. cap. 20. pag. 

79- 

* Alaud :,y%\\ Alííd, Instrumento musico , de cordas. 

Tem o corpo mais redondo que huma viola. O ban- 
quete de0'Se na Tenda do Governador ^ com muitos 

tan- 



(a) A palavra Alarve he muito usada entre nós com as significações 
cie rústico, brutoj e assim dizemos: come como hum alarve. 



A L í^ 

tangeres dè Arpas ^ Frautas ^ e Alauâes. Damião de 

- Góes. Chrcnica á'ElRei D. Manoel. Part. IV. cap. lO. 
Alaz5o .U;i\ Alhasan. (Termo de Cavallaria) Signi- 

'fica cnvallo, que tem a côr mais clara que russo, em 

- que domina o humor colérico. António do Rego, Iris- 
trucção de Cavallar. cap. 6. 

Alazraq t^jj^\ A/azraq. Significa , cousa azul. Appel- 
lido do homem mais cruel, que houve em Barbaria, 
cujo nascimento e introdução com Muley Abdala Rei 
de Marrocos, e suas crueldades, se podem ver naChro- 
nica do Infante D. Fernando. 

* Albacar SxW Albãcar, He nome genérico: significa o 
gado vacum..* Da estancia , que estava diante da por- 
ta de Albacar lhe tiravao as Bombardas, Damião de 
Góes. Chronica d'ElRei D, Manoel. Part. II. cap. 28. 
pag. 21 . 

Os Mouros, ordinariamente costumão ter só duas por- 
tas nas Praças pequenas, e terras que são portos de 
mar. Huma para o campo, outra para a praia. A esta 
chamão ^^acvxlí kJ^j babelbahdr porta do mar; e á do 
campo ^íxJl c-*lj babelbacar porta do gado , isto he va- 
cum. A razão disto he, porque nas Povoações não re- 
colhem senão o gado grosso como bois, vacas, came- 
los , jumentos , e cavallos, para os terem promptos pa- 
ra o trabalho , e lavouras. As sobreditas portas são fe- 
chadas , e com guardas a ellas. A do mar, fecha-se an- 
tes do Sol posto, c ao nascer abre-se. A do campo fe- 
cha-sc á prima noute já depois do gado todo recolhi- 
do, e não se abre se não depois do Sol nascido. 

§ Albacea kêoo^S Aluas si a. O testamento. O dicciona- 
rio da Academia diz significar testamenteiro; mas testa- 
menteiro no Árabe he ^^^\ Aluassio. 

Albafor j^ssr<^\\ Alhacbiír. O incenso, ou perfume: Em 
Portugal, he composição de bejuim, alfazema, vina- 
gre forte, e raiz de junca , posto tudo de infuzão cm 

C z hu- 



ãd A L 

huma tigela da índia , ou de barro vidrado , e se costu- 
ma ter sobre huma meza para dar bom cheiro ás ca-» 
zas. Deriva-se do verbo ^^rv^ bachdra , incensar , per-? 
fumar. 

* Albaleguim ^aiU!í Albaleguim, Idade vigorosa , pu-^ 
berdade, isto he idade de 14 annos nos homens^ e 12 
nas mulheres em que já tem vigor para a geração. Avie. 
Livr. I. Tratado III. 

Albarda x-í^a!\ Alhardaâ, Cobertura cheia de palha, 
que se põem nas bestas de carga. 

§ Albardan ^bj.xJi Alhardan, O tempo frio da tarde e 
da manhã. Nome de huma Aldéa na Província da Es- 
tremadura , Termo de Thomar. Cardoso, 

Albarde ^^W^ Albarde. Aldéa na Província da Beira 
Bispado da Guarda. Significa cousa fria. Deríva-se do 
verbo ^^j barada , ter frio. Dieeionario Geográfico do 
Cardoso, 

§ Albareda Ai^U!í Alhareda, A friorenta. Nome de di- 
versos lugares na Província d'entre Douro e Minho no 
Arcebispado de Braga, e no Bispado da Guarda. Car- 
doso, \ 

§ Albared ò^ y^\ Alharid, O correo. Aldéa na Provín- 
cia de Traz-os-Montes. Cardoso, 

* Albarrada ^^\j.j^\ Alborrada, Vaso de barro, ou de 
louça da índia em que se raettem flores. Os Árabes 
lhe charaão ^s,\^^ Uarrada Rosário , ou vaso em que 
se mettem rosas", e o derivão de ^^^ uardon Rosas. Blu- 
teau. 

Albakra^ , outros AlvarraS ^yj^S Albarrari. Cehoh 
alvarraâ. Significa cousa de campo. Os Árabes com- 
mummente lhe chamão JM >^ baçal elfdr cebola de 
ratos. 

AlbarraS ^'^SyxWAlbarraã. Nome de humas Torres, que 
na vida d'ElRei D. Pedro 1. havia , e em que se depo- 
sitavão os dinheiros que das rendas da Coroa annual- 

raen- 



AL 'irt 

' inente sobejavão dos gastos. No Castello de Lisboa ha-i^ 
via huma Torre; outra em Santarém, em Coimbra, 
no Porto , e em outros lugares. F^íd. Chroníca d^El- 
Rei D. Pedro L cap. 14. pag. 70. 

* Albaras ^JaJJ^\\ Albards, Lepra , moléstia de lepra. 
Avie. Livr. IV. Trat. IV. pag. 463. 

§ Albarraque í *\jA\ Albarraque, Couza que resplan- 
dece. AIdéa e rio no Patriarchado, e lugar no Termo 
de Alenquer^ Cardoso, 

§ Albeaça aUaaH Albiaça, A mizeria , e infelicidade. 
Aldéa, e Ribeira no Patriarchado de Lisboa, Termo 
de Santarém. 

§ Albegal _Jlix!í Alhagal, As^ bestas muares. Nome de 
huma tribu na Mauritânia perto de Ceuta. Como não 
longe dalli havia huma cahilla chamada Albegal , e 
abastada em gado ^ fui acomettella, Chronica doCon^ 
de D. Fedro de Menezes, 

§ Albellor j^lí Albellur, O cristal. Aldéa na Provin- 
da da Beira, Bispado de Coimbra. Cardoso, 

§ Alb£kca A^sjoJi ^/ífrf^. Pequeno receptáculo para as 
agoas. He termo muito usado nas nossas Provincias do 
Sul para significar as pequenas valias, ou sangradouros 
jio meio das terras baixas para despejo das agoas. 

Albergate ^iUJi Albalgat, (voz Africana ) Calçado de 
Marroquim de que usao os Mouros de Africa , a que 
chamamos Servilhas. Hoje dizemos alparcas em lugar 
de Alberga te. 

Albernua is^*^\jj Barrelnaua, Freguezia na Província do 
Alem-Tejo, Bispado de Beja. Significa Campo do Ca- 
roço. He nome composto de ^j berr o campo do ar- 
tigo ai ^ e de ^p naua o caroço. Diccionario Gco-- 
graphico de Cardoso, 

§ Albertel ^r^liyjòS Albertil. O escopro. Lugar na Pro- 
víncia da Beira, Bispado de Leiria. Cardoso. 

* Al-» 



^1 AI. 

* AhBiRkM '^jX4-^\ Almehrdm, Instrumento driírglco. Si- 
gnifica Sarilho. Avie, Livr. IV. cap. 26. pag. 481. 

§ Alboazar ^^jj.c^j^ Ahu-Azar. Nome de hura Mouro, 
Senhor daquella terra. Aldéa na Província d'entre Dou- 
ro e Minho , Arcebispado de Braga. Cardoso, 

§ Albogue, ou Alboque (_3^Ji Albuque. A buzina, 
Moraes. 

§ Alboram ^\y^\ Alboram. O carrapato. Sitio era San- 
tarém, aonde os judeos tiverâo a primeira synagoga. 
Cardoso* 

§ Alboroto )o^\ Alforoto. Excesso, ou cousa, que se 
faz fóra dos limites , e propósito. Catalogo de vozes 
Castelhanas \ e Gollto , e Glgeo. 

Albricoque ô»;iy^\ Albar cuque. Espécie de Damascos, 
vulgarmente chamados frutas novas. Os Italianos lhes 
chamão bericocolo; os Francezes Abricot ; os Castelha- 
nos Alverquaque; porém huns, e outros o tomarão dos 
Árabes. Hoje se escreve , e se pronuncia Albricoque. 

Alborge a^^xÍ^ Alborge, Lugar na Província da Estre- 
madura, Patriarcado de Lisboa. Significa Torrinha. De- 
riva-se de _^ borjon a Torre. Cardoso, 

Alborge também he Villa no Reino de Marrocos 
perto d'Azamor. For ao accommetter o campo em que 
estava muita gente de cavallo não muito longe de Al^ 
borge, Damião de Góes. Chronica d^ElKei D. Ma- 
noel, Part. III. cap. 69. pag. 418. 

Albornós ^iyx\S Albor nós. (voz Syriaca bórnós, ) Espé- 
cie de capa de laâ cheia de felpa por dentro, com man- 
gas , e capuz de que os Africanos , e gente ordinária do 
Oriente usão no Inverno. Na Cidade de Maquinez^ 
se fazem os Albornóses chamados Mequinezes, Ásia 
Portugueza , por Manoel de Faria, pag. 9. 

Albufeira jí^Asaxii Alboheira, Villa no Reino de Algar- 
ve, e lugar' na Provinda da Estremadura, junto á Se- 
nhora do Cabo. He nome diminutivo de ^-e^j bahron 

o 



AL 13 

o mar. Significa mar pequeno, ou lagoa. Os Castelha- 
nos, a qualquer tanque grande, ou lagoa, chamao AI- 
buhéra. 

§ Albura zj^^ Jlbura. A terra inculta. Aldéa na Pro- 
víncia d'entre Douro e Minho. Cardoso, 

Alcabideque jíaâJIj ^i\\ Alcaibedeique. Lugar na Pro- 
víncia da Beira , Bispado de Coimbra. Também he no- 
me de huma povoação no Termo de Câscaes. Significa 
o encontro no apertado. He composto de 'iS\ Alcat o 
encontro , e da proposição v__, com artigo', e do noine 
c_Ja*á daeque lugar estreito , ou apertado. Cardoso. 

Alcacel ^A>w3Jil! AlcaciL (Termo muito usado no Alem- 
Tejo) A herva triga, ou balanço, que serve de pasto 
ao gado. Os Árabes , e Castelhanos a comao pela seva- 
da verde antes de lançar espiga j ( e também os Portu- 
guezes. ) 

* Alcacema K^J3í^ Alcacema. Divisão, que em algu- 
mas Embarcações se faz, fora da Camará. Deriva-se 
do verbo ^^5 Caçama ^ dividir, repartir. Bluteau. 

Alcacema ^#^1X1^ Alcacema, Nome feminino , ou parti- 
cipio feminino do verbo ^^i Caçama dividir, repar- 
tir, separar. He o braço de mar que fica atraz da Tor- 
re do Bogio, por onde algumas vezes passão as Embar- 
cações que entrão para Lisboa. 

Alcácer ^£Íii Alcácer. Significa Palácio acastellado, e 
assim fica emendada a imaginada Etyniologia , que vera 
na Escriptura VI. do Tom. IV. da Monarquia Lusi- 
tana da tomada de Alcácer do Sal atribuída a S. Ful- 

gencio quando diz: 

Al, Deus est^ Casírumque Cacer^Castrumque Deorum^ 

Fertur apud ^ gentes ^ id venerantur aniant, 

Alcácer do Sal. Villa na Província da Estremadura 

Comarca de Setúbal, sobre o Rio Sado. Os Mouros 

lhe chamavão ^\^ ç^-iy^ Cacer ben Banes, Forta- 

le-. 



i24 Al 

leza do filho de Danes Vid, Geograph, Nubien, DeS" 
cripção da husit, 

Alcacerquebir^^xÚ^j.aí25 Cacer elquehir. Cidade no Rei- 
no de Fez, ProVincia de Asgar, edificada por Alman- 
sur Rei de Marrocos. Vid, Geogr, Nubiense, Signi-, 
fica Palácio grande, 

Alcacerseguir yi.xiA\ya3 Cãcerelsegutr. Villa no Reino 
de Fez , perto de Larach {a) edificada por Almansur 
IV. Rei de Marrocos. Significa Palácio pequeno. Vid, 
Geographia Nubiense. 

§ Alcachange ^iS\S.\\ Alcacange, A herva moura. Mo* 
raes. 

ÁLGAqARiAS i^jy^Vi^S Alcaçaria, ( voz corrupta de alcai- 
çaria ) Entre os Árabes, he casa feita á maneira dehuni 
claustro , cora muitas casas e logens para alojamento 
dos mercadores e tem huma só porta que se fecha de 
noute 3 e só cora dia claro se abre para maior seguran- 
ça dos mercadores que nella se recolhem. Os Árabes 
derivâo este nome de ^/^s Caiçar César , porque di- 
zem que este Imperador foi quem mandou edificar estas 
casas no Oriente. 

Em Lisboa alcaçarias , he o lugar onde se curtem as 
pelles , e dizem alguns Authores , que nesse lugar fora 
antigamente o Palácio dos Reis Mouros sem outro fun- 
damento mais , que a voz Alcácer na Lingoa Mourisca 
significa Palácio Régio , e acastellado. {b) 

Alcachofra i^y^^^^W Alcharxufa, He o fruto do cardo 
manso , ou bravo. Os Árabes também lhe charaao 
J y^ ^^j\ ardixauqui. Cousa terrestre, e espinhosa, 

de 



(a) Alcacerse.^uir está situada entre Tanger , e Ceuta defronte de Ta- 
rifa ; e delia só existem hoje as ruinas. 

Q}) Alcacarias pode ser também o nome Árabe 'i,Jyr^i}^ Ahaqaria que 
significa lavandaria , ou lus^ar dos banhos , em que se lavavão com agoa 
quente. Do veíbo ^í^i Caiçara. Lavar. Gi 



ri^CQ. 



AL 5Ç 

de que sem duvida os Francezes tomarão o nome Arti» 
chau, trocado o d por t, e x por eh. Vid. GolL pag. 

. 71., e 1274. 

Alcáçova *^| Jlcdsba. Significa Fortaleza; ou Pre- 
sidio, Castello &c. Nuno Gato com outro tropel de 
gente de Cavallo deo nos Mouros pela parte da Al- 
cáçova. Damião de Góes, Chronica d^ElRei D. Ma* 
noeU Part. III. cap. 34. 3Gu:: 

Também lie nome de liuma Villa , e Serra na Pfovin- 

' cia do Alcm-Tejo , Arcebispado de Évora. Cardoso. 

Alcaçus, he melhor Arcaçus ^y^s <3^ ârquessús. Raiz 
de huma planta conhecida. He doce, e refrigerante. O» 
Orientaes usão da agua desta raiz no verão como nós 
usamos da agua de neve , e da limonada ; e a vendem 
nas logens, e peias ruas. Bluteau lhe dá outra Etymo- 
logia menos certa ; e Duarte Nunes de Leão faz este 
nome nativo Portuguez, ou derivado do Latim, sendo 
puramente Arábico, e composto de c-3y arque raiz, 
c de ^^ sus nome da planta , e significa , raiz da plan- 
ta Siis. 

Alçada í^U^í Alciada. He o poder do Juiz, ou Mi- 
nistro de Justiça , cora certo limite de lugar. Deriva- 
se do verbo ^u sáda ^ governar, dominar, ter poder. 
Duarte Nunes o faz nativo Portuguez , ou de alguma 
nação a que se não pôde dar origem. Veja-se o mesmo 
Auihor cap. ló. pag. 91. dos vocábulos que os Portu- 
guezes tem seus nativos. 

% Alcadef c_5\jjijl Alcodaf. Vazo de barro , sobre o qual 

. os taverneiros, e tendeiros medem o vinho, azeite, e 
mais licorcF. 

$ Alcafacha ^^^ Alcafach, Os salteadores. Aldéa e 
. rio no Bispado de Coimbra. Cardoso. 

Alcaida iJoUuí Alcaida. Aldêa na Provinda da Beira, 
Bispado de Coimbra. He nome feminino de Caidort* 



D Js^.U 



Í5 AL 

^l5 Signiíica Governadora , e faz , Aldêa da Governa* 
dóra. Deriva-se do verbo seguinte Cada. Cardoso. 

Alcaide ^yiW Alcaide. Entre os Africanos significa Go-' 
Vernador de huma Praça, ou Provincia. Também o ap- 
plicâo ao Capitão de huma Companhia de Soldados, 
Deriva-se do verbo i,\3 Cada. Capitaniar, governar, 
puchar por hum exercito, marchar na frente delle. 

Alcaide j^jliJí Alcaied, Aldêa , e Serra na Provincia da 
Beira , Bispado da Guarda. Derivasse do verbo antece- 
dente : Como os Mouros costumão denominar as terras 
pelo nome , ou appellido de seus fundadores , ou possui- 
dores, tomou esta Aldêa o nome do Senhor delia, evem 
a ser Aldêa do Governador , ou do Alcaide. 

Era Portugal , o Alcaide Mor tinha a seu cargo a 
guarda do Castello, ou Fortaleza. Também he cargo 
de Ministro de Justiça, que he sobre os quadrilheiros. 

Alcain f^_J^\ Alcaien. Lugar no termo de Castello- 
Branco , o existente. Mapa de Portugal do P. João 
Baptista de Castro. 

Algaínça LJJí JUS Alcaienneçá. São dous lugares na 

Provincia da Estremadura, Patriarcado de Lisboa. He 
nome composto de ^xJ\ alçai ^ o encontro, e de l*^ 
néça as mulheres, e significa, o encontro das mulhe- 
res. Diccionar. de Card. 

t Algaiote i, \^\ Alcauado. O alcoviteiro. 

Algala ^xXXii Alcalâ. Cidade de Castella a Nova. Si- 
gnifica Castello, ou Fortaleza; e não congregação de 
aguas como diz Garibai no seu Compendio Histórico 
de Hespanha. Livr. VIL cap. lO. E Bluteau o traz 
com a mesma significação no seu Diccionario. Tom. L 
pag. 24S. Vid. Geogr. Nub. descripç. das Hespanh. 

§ Alcali j:í\\ Alcali. O sal extraiiido das cinzas da 
Salicorniã , e de outras hervas. 

§ Alcamim ^A^Kl^ Alcamim. A hortaliça secca. Nome 
de huma Aldêa na Província da Estremadura. Cardoso^ 



AL >ir 

AtcAMtmiA »i^^\ Alcammuma. Espécie de doce feito 

, de mel 5 e farinha, muito usado no Minho, Entre os 
Árabes he doce feito de mel, e herva doce, ou comi- 
nhos. Deriva-se do nome ^^^♦^í Cammun. Caminhos, 
Blut. 

* Alcanabefi çf^KJÍ Alcomhere. Espécie de ave com 
poupa* A-vic. cap. i63. pag. 119. 

t Alcaiz ^j^UjOÍ Alcaias, O regulamento, o catalogo. E 
dos mouros ^ segundo depois se soube pelos seus alçai- 
zes ^ que sam como livros da lardo ^ e apurações ^ em 
que todos os que passaram a Espanha eram escritos ^ 
morreriam quatrocentos e cincoenta mil. Chronica 
de D. Affonso IF. impressa em 165' 3, foi. 64. f. 

* Alcandora ^jJsXÍW Alcandéra. (Termo de Falcoaria) 
o poleiro , ou páo sobre que descança o Falcão. Blut, 

Alcaneça ^,,.^:^g^n Alcaniça. Lugar na Província da Es- 
tremadura , Patriarcado de Lisboa, Significa Igreja, ou 
Templo dos Christâos. Cardoso, 

Alcanede erijlJiJÍ Alcanét. Villa na Província da Estre- 
madura , Patriarcado de Lisboa. Significa Temperada. 
Deriva-se do verbo lHajlí* Canata ser sombrio, tempe* 
rado ; prudente. Diccionario de Cardoso, 

Alcanena ^aíjiSS Alcanina, Freguezia na Província da 
Estremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa Cabaça 
Secca. Diccionario de Cardoso. 

Alcanfor ^JL^!í Alcafúr. Espécie de gomma aromáti- 
ca, que depois de curada se faz branca. Tem vários 
préstimos para remédios, e aguas alcanforadas. 

Os Mahometanos usão muito do alcanfor, principal- 
mente quando amortallião os seus defuntos; embrulhão 
hum bocado de alcanfcr em algodão em pasta, e com 
elle tapão os ouvidos, ventas , e via posterior do defuji- 
to para impedir o fluxo dos humores corruptos. 

* Alcangeri , ou Alchangebi çíjasvJ^icvl^ Alchangeri, He 
a cartilage que está na boca do estômago, a que vul- 

D 2 gar- 



at AL 

garmente chamamos espinhela; que por ser do feitio 
de Alfange lhe chamou Avicena y^ss^ssW Alchanjar ^ 
quô significa Alfange. Vid, Avie, cap. 3. pag. 24. 

Alcântara s^kxii!! Alcântara. Significa Ponte, He nome 
de hum lugar, e rio nos arrabaldes de Lisboa. Tam- 
bém he nome de huma pequena Cidade da Lusitânia 
hoje debaixo do Domínio de Castella. Foi assim clm- 
ma da pela formosura da sua Ponte. 

Os Árabes lhe chamavão < x^\ ^^i Cantaral essai* 

fi. Alcântara da Espada. Geógr. Nuh. 

Alcanzia Ajj;Â^a!í Alqiienzia. Bola de barro secco ao 
Solj do tamanho de huma laranja, que no tempo que 
os Mouros usavão do jogo das cavalhadas enchião-as 
de cinza, ou de flores, easatiravão ao Cavalleiro. Tam- 
bém ha Alcanzia de fogo, que as enchião de alcatrão, 
e outras matérias , e largando-lhe fogo ati-ravao com 
ellas ao inimigo. Deriva-se do verbo y;^^ Canaza 
guardar , esconder , enthesourar. Lançarão os Mouros 
no Baluarte grandes panelas , e alcanzias de fogo, 

.Jacinto Freire, Livr. II. n. 97. 

Alcaparras ^U^ali Alcahbar. (voz Grega com artiga 
Arab. ) He fruto de hum arbusto bem conhecido. 

§ Alçar ^\\ Alçar, O marroio, ou herva das sete san- 
grias. Da-se no nosso paiz , e nos outros da Europa 
meridional i e he muito usada pelos nossos alveitares. 

Algaravia \j^\^\ Alcarauía, Semente de funcho. Os 
Orientaes costumao cozer esta semente misturada com 
herva doce, e adoçada com açúcar, ou mel, e dalla a 
beber em tigellas (como chá) aos que lhes vem dar os 
parabéns quando lhes nasce algum filho, de cujos nas- 
cimentos dão grandes demonstrações de alegria, e re- 
cebem parabéns j o que não succede quando lhes nasce 
alguma filha. 

§ Alçaria ^,^11 Alçaria. Villa. Nome de certa povoa- 
ção" 



A L Í29 

çao no Termo de Mertola , Comarca de Ourique. Ha 
outras varias povoações em Portugal deste nome. 

§ Alca'bia *;j^^\\ Alçaria. Nome de certa planta , ou 
arvore, que nasce nas áreas. Golio. Moraes a difine: 
espécie de acordia , cujas folhas são semelhantes ás das 
viollas. 

§ Alcarrache Jí\yil\ Ale arr ache. O que ajunta, e atra- 
jie muita agua. Rio assim chamado na Provincia dè 
Alem-Tejo , Termo de Mourão. Cardoso. 

* Alcarrada isyii^ Alquerta. ( Termo usado no Minho 
donde depois veio o nome de arrecada ) Brinco das ore- 
lhas, pingente. Deriva-se do verbo u^i* Carata enfei- 
tar cora brincos , ou pingentes. 

Alcarraque c-JLx1\ Alcarraque. Rio na Provincia do 
Alera-Tejo, Arcebispado de Évora. Significa o igual, 
moderado, proporcionado. Deriva-se do verbo, c V^;* 
Carraea que significa o mesmo. Diccionario de Car--^ 
doso. 

Alcatea mAsjSS Alcatiã, Manada , ou rebanho de gado. 
Muitos animaes juntos. Também se diz alcatea de lo- 
bos. Deriva-se do verbo xiii* Cataâ dividir, separar 
parte do todo. Duarte Nunes , faz este nome nativo 
Portuguez. 

Alcatifa híAJ^S Alcatifa. Tapete. Deriva-se da verbo 

• í iúi* Catafa. Matizar , ornar , bordar com cores dif- 

fercntes. He também nome de huma Cidade situada na 
Costa do mar Pérsico. Tomou a Cidade o nome , por 
se fabricarem nella bons tapetes ou alcatifas.' Diccio- 

^ nario Hept agioto de Castello. 

Alcatra »^Lxit Alcatra. Parte do espinhaço da rêz. Dc- 
riva-se do verbo ja^ Catara dar no lado , ou no espi- 
nhaço. 

AjlcatrXo ^^I^IajU Alcatrdn. Espécie de biturac liquido, 

' I>«riva-se do verbo ^'i Cdtara pingar distillar, cahír- 

ás 



50 A L 

ás pingas; porque o pez se colhe das gotas da resina, 

que o pinheiro de si dlstilla. 

Alcatruz y^^^-xil! Alcaãuz. Vaso de barro, que atada 
ao calabre da nora tira agua do poço, cisterna, ou do 
rio. Os Castelhanos o pronuncião sem corrupção algu- 
ma. Alcaduz. Duarte Nunes sem rasão deriva este no- 
me do Latim Aqua ductus , sendo puramente Arábico^ 

Algavala. A^UiJí Ale abala, He certo direito, ou siza, 
que o povo pagava ao património Real , das fazendas , 
ou gado que possuia. Deriva-se do verbo ..Ao Cdbe-* 
la , receber , aceitar qualquer presente ou dadiva. E se- 
rão livres do pagamento das alcavalas , e terras, 
Monarch. Lusit. Escript. XI. do foral que El-Rei D. 
AíFonso Henriques deo á Cidade de Coimbra. 

* Alchad j,:kvSÍ Alchadd. A face do rosto. Avicena^ 
cap. 6. pag. i6. 

* Alchatim ^•ils^!í Alchdtem» São os ossos, que sus- 

tentão o espinhaço \ de maneira , que Alchatim , e AU 
hejasi, servem de baze a todo o espinhaço; e donde 
nascera os nervos dos pés. Avie. L. I. cap. lo. p, 13. 

Alcoba , ou Alcova ^^jíJí Alcohba. Pequena casa que de 
ordinário serve para o lugar da cama. 

Alcoba ^^^ Alcobba. Aldêa na Provincia da Beira , Bis- 
pado da Guarda, significa Torrinha. Também he nora^ 
de huiua Serra , hoje chamada de Besteiros. Dicciona» 
rio Geograph. de Cardoso, 

Alcobaça jíXSW Alcobaxa. Villa acastellada na Provín- 
cia da Estremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa 
os carneiros. Foi assim chamada , pelos muitos outei- 
ros que a cercão. Quasi todos os nossos Escriptores de- 
rivão o nome desta Villa dos dous rios Côa , e Baça 
que a cercão; porém acha-se este nome escripto sem 
corrupção no primeiro Tomo da Chronica de Cister. 
Liv. in. pag. 328. nas seguintes palavras: Damus ita^ 
que vobis locum ipsum^ q^ua alcobaxanuncupaturèiQé 



A t, 31 

t sendo assim não significa outra cousa mais que, os 

'- carneiros. 

Alcobe jiJilS Alcohbe. Lugar na Província da Estrema- 
dura , Patriarcado de Lisboa. Significa Torrinha. Car* 
doso. 

§ ÁLCoçAm y.ja'9^\ Alcoçair. Fortalesinha , ou pequeno 
palácio acastellado. A fortaleza foi até oposta a AU 
coça ir:, que he treze lego as de distancia, Barr. Dec. 
IL L. VIIL cap. L 

Alcochete %\^\ ^\ Alcaxete. Aldêa na Provincia da 
Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Significa , achado 
da ouvelha. He nome composto do nome verbal xji 
alçai o achado, e de «L-^ xate a ovelha. Cardoso^' 

Alcoentre «^kjJiH Alconaitara lugar na Provincia da 
Estremadura /Patriarcado de Lisboa. Significa Ponte pe- 
quena. He nome diminutivo de xja'»:i\\ Alcântara a 
ponte. Biccionario de Cardoso ^ e óeograph. 

Alcofa *ijíjl Alcoffa, (voz Hebraica Cofd que significa 
o mesmo que em Portuguez. ) 

Alcofra a^iúí Alcofara. Aldêa na Provincia da Beira, 
Bispado de Viseu. Significa Aldêa dos infiéis. Deriva-se 
do verbo JL^a Cafara ser infiel, incrédulo; sem fé, 
nem Religião. He nome de rio na mesma Provincia, e 
Bispado, e significa o mesmo. Cardoso, 

♦ Alcohol ^i-m/g^^^ AlcahoL He composição de anti- 

raonio crô, e outros mineraes reduzidos a pó subtil, 
com que os Orientaes , e Africanos tingem as pestanas 
dos olhos para enfeite; e o fazem com certos pauzinhos 
redondos, e delgados, como o da ponta de hum fuzo, 
que molhado com saliva o passão pelo pó, e depois sub- 
tilmente o fazem passar entre as pestanas. Vid. Avice^ 
na ^ o Padre Marques, e outros. Ha outra qualidade 
de alcohol, preparado de vários mineraes, e serve para 
o mal dos olhos que he commum no Oriente, e segun- 
do a queixa ^ assim lhe applicao o Alcohol, ou compo- 

si* 



3* AL 

sicao dos ditos mineraes. Deriva-se do verbo 

Cabala tingir olhos de preto cora o Alcohol. Fharma- 
cop, Alcohol em Farmácia he o espirito de vinho re* 
ctificado. 

§ Algolea txrpS\ Alcolia. A fortalesinha. Nome de 
huma Aldêa fio Arcebispado de Évora. Cardoso, 

§ Algomenia »,j:iyS^\ Alcammunia. Certa qualidade de 
doce bera conhecido. 

§ Alcôtam AjS.\\ Alcottam. O occultador. Lugar no 

Termo de Cascaes. Cardoso. 
AlgorÂo f^^S Alcor-an, He o nome que os Mahome- 
tanos dão ao livro da sua Lei. Deriva-se do verbo \^ 
CardlQT, collegir escriptos. Foi assim chamado, por 
se terem ajuntado os diversos Capítulos que nelle se 
contém, os quaes esti verão dispersos por muito tempo; 
e pela frequente leitura que delle fazem, e á imitação 
dos Hebreos que chamáo á Biblia Macra livro da lei- 
tura. Vid. a nota de Espenio sobre a Sura 12 do Al- 
corão \ e GoUio no seu prefacio sobre a sura 3 1 , pag. 
174. 

Alcorão , também no sentido metaphorico se toma 
por lugar eminente , e neste o traz Damião de Coes. O 
Adail andou com elle a braços , e o lançou do Alco- 
rão abaixo , e por ser muito alto ^ se fez em pedaços. 
Chronica d'ElRei D. Manoel Part. IV. cap. 39. 

Girardo João Vossio sem rasão deriva este nome do 
Grego, com artigo Arábico, mas olhando nós para o 
Texto Arábico, vemos na Sura 28, e 39, que Mafo- 
ma diz, que elle escrevera o seu Alcorão na Lingoa 
Arábica clara , e pura , e sendo assim , não he de crer 
que elle tomasse do Grego logo a primeira palavra do 
seu livro , que he o titulo da sua obra. 
Alcorobim (^A^^íiií Alcorbin. Freguezia na Provinda da 
Beira, Bispado de Coimbra. Significa os parentes, is- 
to he , Freguez^ia dos parentes. Deriva-se do verbo « ,yi 

Ca- 



AL 33 

^-Careba chegar- se, aproximar-se , ter-se por parente, 
ou pessoa chegada. Biccionario do Cardoso. 

Alcorce ^^\ Alcorce. Em Portugal, he massa de açú- 
car de que se fazem flores, passarinhos, e outras galan- 
tarias. Entre os Árabes , são huns bolos desmassa de 
farinha sevados com manteiga, e açúcar. São chatos, 
e redondos como bolaxas. Os Christâos no Oriente os 
fazem pela Páscoa , e Natal. Deriva-se do verbo ^^i 
Caraça beliscar com os dedos, ou com as unhas; por- 
que quando fazem os taes bolos, com as pontas dos de- 
dos lhes fazem beliscando huns dentes á roda , como os 
da roda de hum relógio. Bluteau, deriva este nome do 
verbo Carére que diz ser Arábico, e que significa amas- 
sar ; porém , nem esta derivação he verdadeira , nem o 
verbo amassar entre os Árabes he Carére , mas sim ^^jsfyje, 
âjana. 

Alcorcova iuSy^^\ Alcorcoha, Espécie de aleijão, ou 
humor que se ajunta nas costas, ou peito de algumas 
pessoas, e os faz inclinar. Deriva-se do yerbo de 4 le- 
tras ^^*~y cãrcaha ^ inclinar-se, dobrar-se; fazer al- 
guma cousa redonda como globo , ou como novelo. 
Duarte Nunes o deriva do Latim cucurbita a abobra , 
sendo puramente Arábico. Vid, Avie. e outros Autho- 
rcs Arábicos. 

§ Alcouce (_^yilí Alcauce. O arco. Nome de trez Al- 
deãs, e dous lugiires na Provincia d'entre Douro e Mi- 
nho, Arcebispado de Braga. Cardoso. 

Alcoviteiro :>\^jlJI Alcoued. Tirando-se deste nome as lo- 
tras formativas eiró ^ e o artigo ai ^ fica sendo coet ^ 
com a diffcrcnça porém , de ter a letra d trocada por /■. 
Os Castelhanos o pronuncião sem corrupção Alcahuet, 
Significa o medianeiro da torpeza , entregando , ou cou- 
sa sua , ou alheia , a outrem. Deriva-se do verbo ^U? 
Cada guiar, acompanhar, entregar acompanhando al- 
guma pessoa a outrem. 

§ Alcrbyite c:LKjyjS^\ Alquchrite. O enxofre, Moraes. 

E Al- 



U AL 

Alcunha ^aIL^II Al conta. Pronome , que se ajunta ao no- 
me próprio , e ao da familia. Deriva-se do verbo ;^, 
Canna pôr appellido; ou nomear alguém por seu sobre 
nome. Duarte Nunes o faz nativo Portuguez. 

* Alcuzez j^y^sSS Alcuzdr. Adormecimento , ou espas- 
mo dos membros j espécie de apoplexia Avie. Liv. !• 
cap. ly. 

Aldeã ^x^n Aldaiâ. Significa Povoação, ou lugar pe* 
queno. He voz Arábica , e nao Grega como diz Blu* 
teau , e a deriva de Aldainein que diz , significa au- 
gmentar , accrescentar. 

§ 2\ldebran (^y^M Addebran. Termo Astrónomo , que 
significa as cinco estrellas , chamadas olho de tauro* 
Bento Pereira, 

§ Ali>erete i\jò^\ Adderat, O arremesso. Nome de hu- 
ma Aldéa na Provincia d*entre Douro e Minho , Arce- 
bispado de Braga. Cardoso. 

Aldehis ,y^ ,«n!í Al der is. São duas Aldeãs do mesmo no- 
me na Provincia de entre Douro e Minho, Arcebispa- 
do de Braga. Significão o lugar da debulha, ou as ei- 
ras. Diccionario do Cardoso. 

Aldrava, ou ALttRABA íJ\^\ Aldraba. Ferro com que 
se fecha huma porta , ou janella. Ha aldrava com que 
se bate nas portas, Deriva-se do verbo ^^^ daraba ba- 
ter cora ferro em huma porta ; dar pancadas. 

* Aldebul _3^^\ Aldebul. Ethica confirmada \ Maras- 
lUO. Avicena.'\S)sx. IV. Tratado I. pag. 413. 

^ Aldemamel J.^U^I Aldamamel. Nome plural de 
aJu:^ dommala Nascida, Furúnculo &c. Avie. Livr. I. 
cap. 7. pag. 45'. 

Aldekuge ^^^aJ? Alderuge. Os degráos. Plural de Dar^ 
geton^ degráo. Freguezia na Provincia da Beira, Ter- 
mo de Lamego. 

* Aldkrugi ^3^oJí Alderugi. São as extremidades das 

gçngives superiores. Avie. Livr. III. cap. 9. pag. 249^ 

AL— 



AL jjr 

Alôuar^^^^! ai doar. Freguezía na Província de entre 
Douro c Minho, Bicado do Porto. Significa a redon- 
da. DcrÍ7a-se do vcrbo^^j» ãaúara. Cercar ároda. Car- 
doso. 

* ÂLEABBHTAPUF u»^ ^, ^Xc ^h ^^^ T^^M- Noittó 

próprio de homem. Compòem-?e dd Alj^ nome pró- 
prio, e de hen fiíJK); e de Tafuf appeílido dá sua fa- 
mília, e vem a ser, Aly, filho, ou da fanailiâ da me- 
dida cheia. 

Alcabentafuf , era hum esforçado Capitão Africíno 
natural da Praça de Çafím \ o qual sendo fiel Vííssallo 
d'ElRei D. Manoel sugeitou eona seu esforço toda a 
Provincia de Ducalí á obediência do sobredito Rci\. e 
cm todo o decurso da sua vida fex cruel guerra ao Rei 
de Fez, Marrocos,, e mais ProviMCias vizinhas ^ ora só 
com a sua gente Mourisca , ora unido Com os Portu* 
guezes de Çafim , e Arzilla , até que os Mouros por 
traição o matarão. Akabe7Jtaf«f em quanto vivee^foi 
leal Vassallo d^EiKei D. Manoel. Chronica. Part. 
IV. cap. 76. pag. 5:85:. 

AtECRiM jjL^^yi Al edil. Arbusto aromático, e bera co- 
nhecido. Os Árabes lhe chamão ^ss^S yAsâ^ ahlil el 
jabal Coroa do Monte. Vid. Pharmacop. Tuhalens. 
Part. I. pag. 11. 

5 Aleive ^ , ,.-1^ Alaihe, Ainfaniia,adeshonra,ooppro- 
brio , o descrcdiro. G^//>. 

AfcEif^E ^^IS Alhanaxe. Sâo duas AIdéas , na Provin*- 
cia de entre Douro e Minho , BÍ5padc> do PortOk Signi- 
ficão cobra. Também he nome de hum campo em Afri- 
ca perto de Larache. Sabendo ,. que o Alcaide estava 
vo campo de Alanas^ o fora o accommetter. Chronica 
d^ElRci D. ManocL Part. III. cap. 35. pag'. 341. 

f Aletria Xj^^I Aletria. Massa bem conhecida. 

%t ha^k^Mf yLAS Al-habir, O vestido de diversas cores. 
SUÁÊcioftario da Academia. 

$ AxPABiftA^ h^MÀ\ Al^habiba< Axjuerida. Nome de cep- 

E 2 tas 



36 AL 

tas ilhas. E quando conhecerão que erao Christãos , 
derão-lhe salva , e fizer ao alli as suas conservas , 
seguindo directamente ds ilhas de Alfabiba, Cbroni- 
ca. do Conde D, Pedro cap. 46. 

Alface ^^\ Alchasse. Hortaliça bera conhecida. Tam- 

. bem he nome de AIdéa no Reino do Algarve, Termo 
de Tavira. Significa o mesmo. Chorograph. Port. do, 
P. António de Carvalho. 

* Alfa DA EL \AàiiS Alfaddel, Nome próprio. Signifi- 
ca Beneficências , Liberalidades. Deriva-se do verbo \^i 

fadela ^ ser benéfico. Dom Francisco d'' Almeida man- 
dou dar ao Governador todos os escravos Mouros , e 
lhe mandou dizer ^ que elle sempre fora amigo do Rei 
AlfadaeL Commentario de AíFonso d' Albuquerque. 
Tom. IV. Part. IV. cap. 2. pag. 15-4. 

Alfafa ou Alfofa i>^yL\ Alhoha. Nome de huraa por- 
ta antiga de Lisboa, pela parte do Castello. Significa 
Ameixieira , ou porta da ameixieira. Map. de Portug. 
pelo P. João Baptista de Castro, (a) 

Alfafa R ^Uil Al bofar. Lugar na Provincia da Beira, 
Bispado de Coimbra. Significa as covas. Deriva-se da 
verbo ^ib. bafara abrir cova , cavar na terra &c, Car* 
doso. 

§ Alfageme ^l^ií Al'haj-jam, O cirurgião. Moraes^. 

Alfajar de pena' y:s:sÀ\ Albajar. Lugar no Reino do 
Algarve. Significa* o penedo. Diccionario do Cardoso. 

Alfaia ^í\\ Alfaia, {b) Qualquer movei de huma casa. 

A gente da terra be rica , e as casas mui bem alfaia- 
das. 



(a) O nome Arábico iUiyá^^ ^^^goga , ou Alhoha não significa amei- 
xeira, mas sim fresta, ou postigo na parede, significação esta, que me 
parece mais conforme. 
> CÁ) He mais provável que o nome Alfaia traga a sua etymologia da 

nome Arábico XJÍ Jíaa , que significa instrumento, apparato, ornato, 
porque O nome acima indicado não se encontra nos diccionatios* 



AL 37 

'-das. Damião de Góes. Chronica d'ElReI D. Manoel. 
Part. I. cap. 38. 

Alfayam ^'u^í Alchayanu Lugar na Província de Trás 
os Montes, Arcebispado de Braga. Significa lugar som- 
brio. Deriva-se do verbo ^>,^ chaíama fazer sombra. 
Cardoso, 

Alfaiate IíIaAí Alchatat, Official que faz vestidos, e 
coze. Deriva-se do verbo La^i chaiata cozer. 

Alfaiates ísIaÍ^ Alchaiates! Villa na Provincia da Bei- 
ra , Bispado de Lamego. Também he nome de huma 
Ribeira no mesmo Bispado. Significa o mesmo que in- 
dica , isto he , Villa do Alfaiate. 

Albainça a;jU1Í Alfainas a perdida , participio feminino 
do verbo ^.U fana, perder-se destruir-se. Lugar na 
Provincia da Beira , Termo de Torres Vedras. 

Alfama ^^íí Alhama. {a) Nome de hum bairro de Lis- 
boa, significa o refugio. Deriva-se do verbo ^^ hamd 
dar asylo , refugio, ou couto a alguém. 

Alfandega < \^i\\ Alfandaq. No Oriente, e em Afri- 
' ca , he Hospicio público , onde os mercadores Estran- 
geiros se aposentão com suas mercadorias : Correspon- 
dem estas casas ás nossas estalagens; porém nellas se 
não dá de comer. Em algumas terras do Oriente nci-sas 
Alfandaquas ^ se cobrão os Direitos Reaes, e nesta ac- 
cepção se usa deste termo entre nós. Os Italianos o pro- 
nuncião com pouca differença. Fondeco. 

Alfanbque i^Juiil Alchaneq. Espécie de Falcão assim 
chamado. Significa Suflfbcador. Era Hebraico, e Syria- 
co, chanaq^ que significa o mesmo, qtie era Árabe. 

Alfange ^^;íH Alchanjar. (voz Turca) Espécie de 
Espada, ou faca larga, e curta. Também he nome de 

hum 



(O Eu derivaria antes este nome do Arábico ii^s* hamma Fonte qucn- 
•c, caldas, &c, , levando no principio o artigo Al i^*ii Alfama. 



$S A t 

hum bairro ero Santarém , que fica á borda do Tejo. (d) 

§ Alfaque L-JCil Al-heqque. Significa a fenda da terra , 
ou quebrada , que forma o pego , ou o lago , quando 
secca. He o pego fundo segundo Moraes, 

^ Alfaqueque é<iSS Alfaccaq. Resgatador, ou Liberta- 
dor dos Escravos , e prizioneiros de guerra. Deri?a-se 
do verbo Surdo ^ facca. Soltar, remir, resgatar, 
dar liberdade. Compadecidos da sua mizeria , alguns 
Alfaqueques^ pagarão par elle. Cborograph. Portu-i 
gueza, Part. I. pag. 229. Similiter si qui Mercato^ 
res Alfaquaques aâvenissent de terra Sarracenornm 
&c. Monarch. Lusit, Tom. 111. Escriprura 22. pag. 
294. 

AtFAQUEQUB iVl<i!i Alfaccaq. Aldêa na Província da Es- 
tremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa Aldêa do 
Resgatador; deriva-se do verbo antecedente. 

^Alfaqui ^x^J^ Alfaquib. He titulo que os Africanos 
dão aos seus Sacerdotes , e sábios da Lei. Deriva-se do 
verbo ^ facaha , ser sábio eloquente, instruído nas 
cousas Divinas, e Humanas. E mandm por seus AU 
faquis pregoar gazua contra os Christãos, Cbron^ de 
Cister. Tom. I. Liv. IIL pag. 232. 

* Aj^fa^as ^j^yià\ Alfards. (^) He nome genérico,, e si- 
gnifica o Cavallo ; porém be mais próprio de Égua. Cms^ 
ta , que pedio o Papa a El Rei soe corra de certos Al- 
f ar aze s ^ par a reprimir a fúria dos Barbaras, Anti- 
guidade de Lisboa. Part. L pag. 35:3, O Author, nesi» 

te 

{à) Q nome deste bâhro deriva-se da nome ^j^UjL) Al-hanxê^ mud^^ 

da ;í letra guttural ^ hem f , e^ a ktra ultima i_^ x em g. Significa co- 
bra, Qw víbora. He ô nome, que os Mouros derão ao valle, que fica para 
a parte do Sul da Villa, por onde se subia para ella, sendo o caminho fei- 
to em voltas para veiícer a imineficiaí V. Alaose- pag; 17-, c- Alhanse* nv 
Elutidario L,. I. pag,. 9J. 

(Á) Seria talvez melhor dirivar este nome do Arábico (j^Ulí Alforts ^ 
que significa o cavallciro, c perito da aitr equestres 



AL 39 

te lugar toma o nome de Alfarazes por Cavalleiros , e 
não por Cava lios. 

Alfarazes a^í^íJí Alf^rase. Lugar na Província da Bei- 
ra, Bispado da Guarda. Significa, lugar dos Cavallei- 
ros, derivado do nome ^^^i farás o Cavallo. 

t Alfarrábio u.^^;^! Alagrabo. Significa o roto, fura- 
do , ou destruído, He o nome que damos a hum livro 
velho. 

Alfarroba u»)^j.à1 Alcharruh. O fruto da Alfarrobeira > 
são huraas bagens compridas e largas, são doces porém 
pouco succosas. No Oriente, e Africa as comem a den- 
te, era Itália, e Hespanha nas terras pobres as cernem 
cozidas, e temperadas com azeite, vinagre, sal, &c. Em 
Portugal, sendo as dita» Alfarrobas verdes, servem pa- 
ra tingir as linhas dos pescadores, e redes de negro, ou 
pardo; e servem também para o sustento da gente, e 
aas bestas depois de seccas. 

§ Alfazar sj^\ Alfazer. O caminho espaçoso. E vte^ 
rão aqueíle dia poer as tendas em Alfazar. Esta foi 
a sua primeira jornada (sahindo de Coimbra para 
Santarém). Chronica de El Rei D. Affonso Henriques 
pag. 33 por Duarte Galvão. 

Alfazema »^Vjí\ Alchozama. Planta aromática, e bem 
conhecida. 

5 Alfeire yt2S Al-beire, Significa o rebanho de gado 
lanigero. Nós designamos por este nome o rebanho, que 
anda separado do alavão. 

5 Alfeitera í^i!> Alf atira. Significa as offertas , que 
SC fazem a Dcòs. Segundo Moraes he o dizimo do ga- 
do. 

Alfeizar j^ilí Alfaizar. (Termo de Serradores) O 
páo que tem mão, ou segura as armas da Serra. Deri- 
ira-se do verbo ^y yiz^rtf , apertar, segurar, restrin- 
gia- 

ALPfiiZAKAo ^/jiA\ Mcheizaran. Lugar na Província 

da& 



40 A L 

da Estremadura. Coutos de Alcobaça. Significa caniço 
ou canavial miúdo. Chorog. Portug, 

* Alfella jfX^s Alhella, Freguezia na Provincia de en- 
tre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Significa 
campo , ou arraial , onde os Árabes do campo armão 
suas Tendas , e fazem sua morada por certos tempos. 

Deriva-se do verdo Surdo Vr> halla pernoitar em hum 

lugar , morar por certo tempo. He também o nome do 
sitio, onde presentemente se acha fundado o Convento 
da Graçâ de Lisboa , cujo sitio se chamava antigamen- 
te. Alfella. Vide a Chorographia Portugueza, Da 
mesma sorte se dá este nome á Terra de Mourão. Vid. 
Monarch. Lusit, Tora. 11. 

Alfeloa ^y\iS Alhelua, Nome genérico de qualquer do- 
ce. Deriva-se de ^^ heluon doce. Em Portugal he do- 
ce que se faz de melaço posto em ponto. 

§ Alfeloeiro ^^i\^\ Al-haluanio. O que faz , ou ven- 
de doces. Por huma Lei d'ElRei D. Manoel de 1496 
se determina , que não haja Alfeloeiros , e que pena 
haverão, Delles trata a Ordenação nova e antiga L. V. 
tit. 10 1. Elucidário, Tom. L pag. 84. 

* Alfena !fXss^\ Alhenna. São as folhas de hum arbusto 
cujas folhas são semelhantes ás da murta, as quaes de- 
pois de moidas , e reduzidas a pó se vendem nas logens 
dos Droguistas. Os Orientaes , assim Christaos, como 
Mahometanos , costumão nas occasiões festivas amassar 
o pó destas folhas , e cobrir as mãos , e pés com esta 
massa, e atallas com pannos, desde a noite até o dia 
seguinte \ e depois de sacodida a massa esfregão as mãos , 
e pés, com azeite, e ficão vermelhas, cuja côr dura por 
espaço de quinze, ou vinte dias sem se tirar, ainda que 
se lavem. Deste modo de enfeite, só as mulheres, e 
crianças usão nas referidas occasiões. Os homens po- 
rém, (principalmente osPrincepes, e pessoas grandes) 
sendo velhos , costumão tingir os cabellos da barba com 
agua destas folhas, ficando vermelhos, para encobrir a 

ve- 



AL 41 

velhice, e evitar os desprezos , que os Cortezaos ás ve- 
zes fazem dos grandes, chegando estes á idade de ter 
«uccesscr, Deriva-se este nome do verbo ^;:^ h atina tin- 
gir os cabellos com Alfena , enfeitar-se &'c.- He também 
nome de lugar na Província de entre Douro e Minho, 
Arcebispado de Braga. Chorograph. Portug. E também 
VilJa de Hespanha. Reino de Granada. Vi d. Qeogra- 
pb. Nubie?2se, 

Alfenete ^"^S Alchelele. (Nome corrupto) Deriva-se 
do verbo Surdo vLi. chalaia pregar , segurar com al- 
fenete. Em Castilhano. Alfilele. 

Alferes jj^Ulí Alfdres. Significa o Cavai lei ro. En) Por- 
tugal, he o Official que leva o Estandarte, ou Bandei- 
ra. 

Ajlfeh-se ju.^í Alfere-si, Lugar , e Serra no Reino do 
Algarve, termo de Silves, Significa lugar dos Caval- 
leiros. Diccionario do Cardoso. 

Alferce ^\ i^\ Alfas. Enxadão, alvião, e também si- 
gnifica o machado. 

§ Alfetena ^-ju^ir. Alfetna. Discórdia, sedição, guerra, 
Elucidário. Tom. I. pag. 86. 

t Alfim yi\\ Aljíl. O Elefante. Peça do jogo do Xa- 
drez , que representa o Elefante. 

* Alfitete c-Uiil Alfetdt. (Termo de Cozinha) He 
certo guizado de galJinha , ou carneiro, com massa fi- 
na, ou polme, açúcar, especiarias, e outros temperos. 
Dcriva-$e do verbo de quatro letras c^xj^ifaífata. Cor- 
tar em bocados , partir em fatias , esmigalhar, {a) Avie. 
traz este nome com o significado de migas, ou pão co- 
zido. Liv. in. Trat. VL pag. 349. 

F * Al- 



CO Eu derivaria antes este nome do verbo surdo C\i Fatta , que tem 
♦?ta TPesma significação, porque nunca ercontrei nos diccionarios tal vvrbo 
de íjuatro Itiiai, cujo uoiiiC significa propriamente migalhas, ou migas. 



4^ AL 

* Alfitian ^UXi!\ Alfitidn. Idade juvenil, ou mocida- 
de. Avie. L. i. Trat. III. cap. 3. 

* Alfitra ^à'âJÍ Alfetri. Certo tributo que os Mouros 
antigamente pagaváo aos Reis de Portugal , quando aqui 
vivião, assim do gado como dos bens, que possuião. 
Vid. Monarch, Lusit. Tora. VI. pag. 178. Deriva- 
se do verbo y^^ fatara , remir , reconcilia r-se com al- 
guém ofíèrecendo-Ihe alguma dadiva. 

§ Alfofar^U3e\)^ Al-hofar, As covas, ou escavações. No- 
me de hum lugar na Província da Beira, Bispado de 
Coimbra. Cardoso. 

Alfogeira h^x^i Alhogeira. Diminutivo de ^.:s^^ haja^ 
ron a pedra'. Significa a pedrinha. Lugar na Província 
da Estremadura. 

§ Alforba '»jX^\\ Al-holha. O feno grego. Moraes. 

Alforge ^yi\ Alchorge. Espécie de sacola , dividida em 
duas algibeiras, em que se leva mantimento, ou fato 
na jornada. Deriva-se do verbo ^^ charaja sahir fo- 
ra, fazer jornada. Bluteau ^ deriva este nome da voz 
ahfad guardar, conservar, esconder. Cuja derivação só 
nelle se acJia , e contraria a todos os mais Authores. 

Alforra ^j.s^\\ Alhorra. Lugar na Província da Beira, 
Bispado de Coimbra. Significa cousa livre , sem sugei- 
ção. Deriva-se do verbo Surdo ^p. barra libertar, dar 
' carta de alforria. 

Alforria ^j^s^\ Alhorria. A liberdade que o Senhor dá 
ao escravo. Deriva-se do verbo antecedente. 

Alforras ajJLscví^ Alholba. Espécie de legume medicinal; 
mais pequeno que o feijão fradinho. Os Médicos Orien- 
taes appiicão a agua deste legume nas febres ardentes. 
Os Castelhanos o pronuncia© sem corrupção, só com a 
mudança do h por u ^ Alholva. 

* Alfostigo uJÍA^iJ\ Alfortoq, Fructo semelhante ao pi- 
nhão muito oleoso , e agradável ao gosto. Os Orientaes 
O cQaiem por sobre joiíeza como amêndoas. Os Euro- 

péos 



AL . ^5 

péos osão áelle para tempero de certos guizados e pu- 
dins com passas de Corinthio. Os Francezes lhe cba- 
itião Fístache, Avie. traz este nome no Livr, L pag, 
i6<), e da mesma sorte ve?n na Pharmac, Tuhalense. 

t Alfoz ^ja^\ Alfahs, O campo, ou lugar habitado. 

§ Alfugera, ou Alfurja tójÁH Âlforja. O intervalo, 
ou espaço que medea entre duas cousas. Dicc. da Aca^ 
demia, Moraes. 

Algalia í^jS\j^\ Algalía. Entre as muitas opiniões que ha 
sobre a composição da Algalia, a mais provável, se-» 
gundo Marufado, he o excremento de hum animal se- 
melhante á corça ; o qual se cria nas montanhas da 
Erhiopia , e que depois de composto se faz como un- 
guento a que os Persas chamão ^L^ zobad ^ e os La- 
tinos Gália muscata: Os Árabes por darem grande va- 
lor a este unguento , lhe accommodarao o nome de jcaÍUM 
algalia^ que significa cousa muito cara; de muito va- 
lor , e estimável , derivado do verbo ^ galla , vender 
caro ; levantar o preço á fazenda &c. 

Algali jXiS\ Algalt, Freguezia , e Ribeira na Província 
do AIe*nvTejo, Arcebispado de Évora. Significa ferve- 
douro. Deriva-se do verbo ^i gald ferver. 

* Algam ^S Algamm, Afflicção do animo, oppressao. 
Avicena ^ cap. 8. pag. 49. 

§ Alganame A'jJ^\ Algannani. O ganadeiro, o princi- 
pal guardador de gado. Que todos os alganame s ^ os 
que com Senhores morarem , lhe dem por soldada 8 
maravedis ^ &c. Acordos de Évora de 1302 e 13 18. 

ALQANDUR^^j,;iyi Algandur, Lugar na Provinda do Alem- 
Tcjo , Arcebisp.ido de Évora. Significa casquilho, ou 
enfeitado , ornado , e asseado. Chorograph. Portugue^ 
za. 

Algau jji\ Algdr, Cova, sorvedouro, ou concavidade 
subterrânea. Dcriva-se do verbo ^Lè gdra submergir-se, 
hir ao £undo. Os Camponez^s, chamão algar, a qual- 

F 2 quer 



44 AL 

quer baixo cercado de montes; onde se ajuntão, e es- 
condem as aguas que para clle correm. 

Algar j,^\ Algar. Lugar na Província da Estremadura, 
Patriarcado de Lisboa. Significa Sorvedouro , ou lugar 
baixo. Deriva-se do verbo antecedente. Choro gr aph. 
Fortugueza. 

§ Algar do ouro y^^ Algar. A caverna, ou gruta. O 
T.° nome he Árabe, e o 2.° Portuguez. Nome de hu- 
raa Povoação junto da Villa de Paialvo. Cardoso, 

§ Algara íj^líIí Algara. Significa a incursão da ca valia- 
ria para roubar, captivar. Moraes. Deriva-se do verbo 
Ai fazer incursões contra o inimigo. No foral de Évo- 
ra de 1166 determina ElRei D. AíFonso Henriques, 
que Omnes cavalos ^ qiii se perdederint in Algara ^ 
vel inlide , &c. 

Algarâo _5^lí]\ Algdro. Rio pequeno na Província da Bei- 
ra , Bispado de Coimbra. Significa submergido. Deri- 
va-se do mesmo verbo a cima. Diccionario de Cardo^ 
so. 

Algares ^^jlili Algares. Aldéa pequena na Província da. 
Beira, Bispado de Coimbra. Significa o plantador. De- 
riva-se do verbo ^^i gdrasa , plantar , pôr arvores. 
Cborograph. Fortugueza. 

Algaravia *aj^íí\ Algarbia. Cousa do Algarve ou do 
Occidente. tie nome feminino do masculino Algarb. 
^„^y^\ P Occidente. Não significa a lingoa Arábica co- 
mo diz Bluteau no primeiro Tomo de seu Diccionario. 

Algarve ,_,^ij| ^/g-^; ri'. He a parte Occidental , ou Poen- 
te. 

Assim chamão os Mouros á antiga Turdetania. Não 
pude descobrir, onde Duarte Nunes de Leão, Bluteau, 
e outros Authores acharão a Etymologia que dão a es- 
te nome, dizendo, que Algarve na lingoa Arábica si- 
gnifica terra plana , cham , e fértil , quando todos os 
Authores Árabes até o mesmo vulgo o toma pela parte 

Qc 



A L 45- 

Occidental. Algarb^ que nós corruptamente chama- 
mos Algarz-e, Barros, Década I. pag. i. 

§ Algarvio j.^í Algarbio, Natural do Algarve, Occi- 
dental. 

§ Algazuaki ji^_5- i!^-^^/5/?ír.//^«/. Appellido de hum Mou- 
ro , que significa combatedor pela religião. Viiihao com 
grande poder capitaneados por Sid Alga%uanu To- 
mada de Tanger , escripta pelo Conde de Ericeira pag. 
198. 

§ Algazarra ajj\.4^ Algazraha, O ruido, ou confusão 
de palavras. £ no mesmo dia foi hum grande esqua- 
drão de Turcos com suas bandeiras desenroladas dar 
'vista da fortaleza (Dio) fazendo suas algazarras. 
Couto Dec. VI. L. I. 

Algebebe ,_jUií ^/f d'tó^^. Oííicial de alfaiate, que faz, 
e vende fatos , e vestidos. Deriva-se de ^^^ jubbaton 
vestido curto com mangas, ou sem ellas , ou espécie de 
colete. 

Algebeira axaÍI Algeiba, Bolço, ou espécie de saqui- 
nho cozido *no vestido, ou calções. Deriva-se do ver- 
bo ,^ ,U» j^ba ^ trazer alguma cousa comsigo. 

* Algebin (^xi^ Algebin, Véa de algebin , he a que es- 
tá entre as iiuas fontes da testa. Az'icen. na Index. &c. 

Algebista ^IxAí Aljabbar. O que exerce a arte de con- 
certar , ou reparar os ossos quebrados , ou deslocados. 
Dcriva-se do verbo ^:a. j abara. Concertar , solidar , re- 
parar os ossos quebrados , ou deslocados. 

Álgebra »jl>ií Algebdra, A arte de reparar, e concer- 
tar os ossos quebrados , ou deslocados. Deriva-se do 
verbo antecedente. 

§ Algelfa ujxÍS Álgebra. A sciencia, que faz huma das 

partes da Mathematica. 
Algemas /^U^jj^ Allejama. {a) Instrumento de ferro 



com 



(O Também se pode dcrwar do nom« Aiabiço /;x.«L3Svl) Aljnmcí^^ 



/ç6 AL 

com que o Alcaide, ou Official de Justiça prende as 
mãos do criminoso, ou dedos pollegares. Deri\ra-ss do 
verbo ^ss^ lajama pôr freio, subjugar &c. 

§ Algemia ^^♦3:^xJÍ Alagemia, A lingoa barbarica. Os 
Mouros dão este nome ás liiigoas Europeas. He o mes- 
mo que algaravia segundo Moraes. 

§ Algekevia, ou Aljaravia *Ax]is:vn Algelãhia, Espé- 
cie de roupão com meias mangas , e capuz , que chega 
até ao joelho. Tinha vestida huma cayniza de linho 
tinta de azul ^ e sobre ella huma Algeravia, Barr. e 
Moraes. 

Algeroz >^^yy\\ Alzarub. (voz corrupta) O canal prin- 
cipal do telhado. Deriva-se do verbo u_,^; Zaraha^ 
correr para baixo , pingar , cahir ás gotas. Está muda- 
do o s em g j assim como Zãvãh , era Girafa ; e o ul- 
timo h em z. 

Alqesur j^^^S Algesur. Villa no Reino do Algarve. 
Significa arcada , ou os arcos. He nome plural de ^^^ 
gesron o arco ou ponte. Cardoso, 

Algezira s^Jj.^^ Algezira. Nome de huma Cidade de 
Hespanha sobre o Mediterrâneo. Significa Ilha , os Mou- 
ros lhe chama vão %^^\ 'iy^\^ Jazirat el chadrá a 
Ilha Verde. Vid. Geograph. Nubiense ^ e Flori ao do 
Campo ^ Descripção das Hespanhai». 

§ Algibe c-_AAsj.n Algibe. A cisterna. Moraes, 

Algido jvA;s\!r Aljaido. Aldêa na Provincia da Beira, 
Bispado de Viseu. Significa Aldéa do Liberal. Derivar- 
se do verbo ^l^ jada^ ser liberal, benéfico, grato &c, 
Cardoso. 

Algiras (jc^^^^iíí Algerds, Aldêa na Provincia da Beira^ 
Bispado de Viseu. Significa campainhas, ou chocalhos. 

He 

que segundo Gilio significa = vineulum, quo collum cum «Mmibus mçWt^ 
4itur, ^ Nasce do verbo x^js* j(tmá, Ajantar , unir. 



AL 47 

He nome plural áq jarason a cairipainha. Chorograph. 

Algobeila aJu>^1í Aljobeila, Aldêa na Província da Es- 
tremadura ,' Patriarcado de Lisboa. Nome diminutivo 
de ^j^j abalou o monte. Significa, monte pequeno, ou 
montezinho. Cardoso, 

AlgodIo /^íaAJ^ Alcoton, Espécie de lanugem muito fi- 
na , e branca , e bem conhecida. 

* Algolamía ^a^^UJÍ Algolamia, Idade da adolescência, 
mocidade. Aijicena. Livr. L Trat. IlL cap. 3. 

* Algokab , ^^i^\ Algorab, Arvore assim chamada , de 

que se tira o óleo de Algorab , <]ue serve para a laxi- 
dão dos nervos. Avie. Livr. L cap. 14. pag. 65*. 

* Algorabâo v--->'jil^ Algar abo^ Espécie de ave seme- 
lhante ao Grou. Bluteatf, 

§ Algouraivâo (^O^jJjí Alcorauan. Ave de pernas mui- 
to delgadas e compridas , como a Gegonha. 

Alguazil \A^y\\ AluasiL Vide Aluazi. Tomou este 

nome hum g', assim como de Vimarenes, Guimarães; 
de Wilhára, Guilherme, Ward, Inglez^ Guarda, e ou- 
tros. 

* Alguergue ^SCll Al quer que. Espécie de jogo de ra- 
pazes, semelhante ao de Damas. Deriva-se do verbo 
éyí carraca andar vacillante , cercar , andar á roda. 
Blut, 

Algvidar ^l^ijí Algadar, (voz Pérsica) de ^Ui godar. 
Vaso de barro bem conhecido. • 

* Alhedase jgIjJ.! Alhedace, Idade da mocidade até os 
30 annos. Avie. Livr, I. Tratado III. 

Alhafa ^i\±\ Alehava. Nome de hum sitio em Santar 
rem pela parte do Oriente. Significa medo, ou temor. 
Este sitio era hum outeiro, que cahia para hum valle 
muito fundo; donde os Mouros lançavao os mal feito- 
res, quando pela justiça eráo sentenciados á morte , d^ 
maneira que quando chegavão ao fundo do valle hião 
já iciíos em pedaços, Deriva-se do verbo cJU chdfay 

te- 



4H A L 

temer , recear. Monarch, Lusit, Escriptura 20, da 
tomada de Santarém, 

* Alhalcum ^^yLX3=^!\ Alhalctím, O Ceo da bocca perto 
dos gorgomilos. Avie. Livr. I. cap. 12. pag. ig. 

* Alhaleb 4^!l:s:\J! Alhaleb. Vêa. He a que desce até ás 
virilhas \ e se chama porus uritridis. Avie, Livr. I. 
cap. 5-. pag, 23. 

* Alharbe Aj^s^n Alhárbe. Insecto, chamado Caraelião. 
Avie, Livr. IV. Tratado V. pag. 495. 

Alíí ARES jj^laEvlí Alhdres, Aldêa na Província da Beira , 
Bispado da Guarda. Significa o guarda. Deriva-se do 
verbo ^^^ h ar as a guardar , vigiar. Chorograp. 

* Alhajame jf,^\^\ Alhejama. Vêa alhejame, a que está 
situada no alto da testa. Avie, cap. 21, pag. 80. 

* Alhamazes 8^U:s^< Alhçmaze. Nome de huma famí- 
lia em Africa. Significa fortes , ou firmes. 

Entre os quaes havia hum bom Cavalleiro de Te- 
tuão muito esforçado da familia dos Alhamazes. 
Chron. d'ElRei D. Manoel. Part. III. cap. ^2. pag. 

§ Alhanse ^jiaÂ^il Al-hanaxe. A cobra ou vibora. Este 
nome derao os Mouros a hum valle de Santarém , que 
fica para o Sul junto da Villa , por onde se subia para 
elle. Chamão hoje a este valle o bairro de Alfange. 
Elucidário. Tora. I. pag. 93. 

* Alhasela aXa-^Iccx!^ Alhasela. Vêas Alhasek. São situa- 
das na parte posterior da cabeça sobre a cova da nuca. 
Avie, Livr. i. cap. 22. pag. 68. 

Alheda ijvarvii Alheda, Ribeira pequena na Província da 
Beira , Bispado de Lamego. Significa o limite. Deriva- 
se do verbo Surdo ^:=. hadda limitar, terminar j pôr li- 
mite a qualquer cousa. Cardoso» 

Alhella *XccO\ Alhella. Vid. Alfella. Mandou o Almo- 
eadem três Mouros de paz para saber onde estava 
Alhella de Oleid ^ Çaiedy isto he o arraial da fami- 
lia 



AL 4p 

lia do nobre, Damião de Gocs. Cbrontca cVElRei D. 
Manoel, Part. IV. cap. 40. 

* Alhelme Jl*01 Alhelme, Por outro nome dentes pu^ 

bertatís, Sáo os dentes molares , a que chamamos den- 
tes do sizo. Avic, Livr. I. Part. I. cap. 10. dos den- 
tes. 

* Alhmar y,^^\ Alahmar, Appellido, que significa o 
vermelho. Chegando a Coimbra ^ onde reinava Alha^ 
viar ^ o achou posto em armas para o receber. Mo- 
narch. Lusit. Tora. II. pag. 311. 

* Alhiuania aajI_^a:^U Alhiuania, Os espíritos animaes. 
Avicen, cap. 4. Siimma V. 

* Alhosos jjc^jtAxIl Alhâstis, Sao três ossos pequenos car- 
quilhozos , que estão no fim da cauda, chamados os 

' Cauda. Avicena. cap. 12. pag. 13. 

§ Aljama iCrU^^t Aljamd, O ajuntamento, ou assera- 
blca. Moraes da-lhe a significação de mouraria, e po- 
voação ou junta de Mouros. Deriva-se do verbo «^^ 

Jamaa, Congregar, ajuntar; e não da que lhe dá o 
Elucidário Tom. I. pag. 94. 

Aljava xotjscvJÍ Aljãba, A bolça em que se metem as se- 
tas. Deriva-se do verbo . .»^ jaâba. Colligir, ou me- 
ter as setas na aljava. 

Aljezida a^-^]\ Aliazida. Aldéa na Província da Bei- 
ra, Bispado de Coimbra, He nome feminino ác jazi- 
do, jo^ Significa augmentador, e vem a ser Aldêa da 
augmentadora. Diccionario do Cardoso, 

Aljôfar y>^jçOi Aljauhar, Significa pérola. Castello de- 
riva este nome do Pérsico y^^^J gauhar que significa 
a mina donde sahe qualquer cousa boa. Porém parece 
que esta derivação nasce daquella vindo do verbo ^^ 
jabara maiiifestar; donde a deduzirão para significar 
tudo o que ha de mais elegante, e cxcellente cm algu- 
xna cousa, e mais substancial^ donde também derivão o 

"- G no« 



fo AL 

nome (Syâiy^jauhari^ cousa substancial , e debaixo des- 
te nome se entende toda a pedra preciosa. 

Aljorses ^^^^ís.^í vigeras, (nome corrupto que se uza 
na Beira.) Significa campainhas, ou chocalhos, que se 
pendurão aos pescoços das bestas. Blttteau. 

§ Aljuba, ou Aljubeta '^x^\ Aljobha, Certa vestidu- 
ra mourisca curta com meias mangas , ou sem ellas á 
semelhança de jaqueta , ou collete. 

Aljube . ^ .-^u Aljobbe. Propriamente significa cisterna, 
ou poço sem agua , cova profunda. Muitas vezes se to- 
ma por lago de Leões; prizão, cárcere, ou cadêa. Em 
Portugal, he cadêa dos delinquentes em matéria Eccle- 
siastica. Deri<va-se da voz ^y^ij. Jobbon o poço , ou cis« 
terna. 

Aljubeilia ^^)Iax^!\ Aljobeilia, He nome de lugar em 

AfricA. Significa montuoso. Deriva de ^x^ jabalon^ 
o monte. O Ahnoc adem foi accommetter as duas Al- 
deãs que estão na Serra de Alfarrobeiro , que erao 
Aljubeilia , e Arihana, Damião de Góes. Cbronica d* 
ElRei D. Manoel, Part. L c. 84. p. 108. 
* Ali Bisn mumen ^^^^ ^.^j ^Lc Aly ben muynen. Nome 
próprio. Significa Aly , filho do Crente. As principaes 
iJabildds vierão pedir paz eyn nome de toda a Pro^ 
iiincia ^ e de Ali ben mumen Senhor delia. Damião de 
Góes. Chronica d'ElRei D. ManoeL Part. IIL cap. 7. 

pag. 373- 

Alicate h\3^\ Allacati, Torquez, instrumento de que 
usão os ourives, ferreiros, caldeireiros, e ferradores. 
Deriva-se do verbo kx! L^f^í^ apanhar agarrando, afer- 
rar , pegar com tenaz , ou Torquez. 

Alicerce ^\,^*^\ Alasas, O fundamento de qualquer edi- 
fício. Deriva-se do verbo ^J^ Assasa. Lançar funda- 
mento , estabelecer qualquer cousa para a posteridade. 
Os Hebreos também dizem ash ^ que significa o mes- 
mo. 

§ Ali- 



AL ^i 

§ Alifape c«Jlii^ Al'hfífâfe. Leve no peso. Deriva-se 
do verbo ^i^ Baffa, Ser leve. Em 1092 significava o 
travesseiro, em que o rosto, ou face se levanta, ou af- 
livia : qtíasi elevans ^ vel alevians facem ; cotno se vê 
da Doação, que neste anno fez Maior, yiuva de João 
Justo á Igreja de S. Pedro de Coimbra. Elucidário 
Tom. I. pag. 93. 

* Ali nacer ^^u ^c -^h ^^-^cer. Nome próprio com- 
posto de ijc Aly , e de ^^^u naccr. Significa Aly o 
victorioso/*0 Almocadem Fero de Menezes ^ foi cor^ 
ter o campo de Aly nacer. Damião de Góes. Chroni- 
ca d'ElRei D. Manoel, Part. IV. cap. 49. pag. 5-40. 

Alizares^\vjDí Alízdr. (Termo de Orpinteiro) A guar- 
nição de madeira de huraa porta, ou janella. Em Ára- 
be significa tudo aquillo que cobre o corpo. Deriva-se 
do verbo ^^ azara , que na II. Conjugação significa 
cobrir-se com túnica a que chamão Jvji jyz^V. Em He- 
braico , também dzar significa o mesmo. 

Alkermez y^^S Alkermez. Espécie de confeição assim 
chamada Avicen* 

§ Alkermes y*^\ Alquermez. Agram. Em Pharmacia 
he a confeição , cujo principal ingrediente he a gram. 

§ Almacave ^\x^\ Almacaber, Lugar das sepulturas, 
ou cemitério. Assim se appellida a Igreja de Santa Ma- 
ria em Lamego. 

Almaceda íOo^^.U^ Almdzaida. Ribeira, e serra junta 
á Villa de Sarzedas. Significa aguas crescidas. Cardoso. 

* Almachim ^j3u^\ Almaquim, São os dous músculos, 
. que causao o movimento dos olhos, e também se cha* 

mão músculos angulares. Avie, cap. 4. pag. 16. 

* Almacamuz ^y^L^\ Almacmtis. Appellido de hum dos 
Reis Mouros de Sevilha. Significa Saltador. Deriva-se 
do verbo ^jo^ Cnmasa Saltar. ElRei foi casado com 
Lona Maria ^ filha d* El Macamuz liei de Senil ha ^ 

G 2 a 



S^ AL 

a qual foi chamada Zeida antes de ser haptlzada. 
Monarch. Lusit. Tom. 11. pag. 386. 
Almacega ^Ân^U Almasnâa, Tanque pequeno , onde ca- 

he a agua da chuva, ou da nora. 
Almada ^;sx^\ Almaddn, Villa fronteira de Lisboa, e 
separada pelo Tejo na distancia de huma legoa. Signi- 
fica niina ; isto he , de ouro , ou prata. 

Bluteau , seguindo quasi todos os Etyraologístas an- 
tigos, deduz este nome das vozes Inglezas Wimadel ^ 
que quer dizer , segundo elle nós todos a fizemos ; per- 
suadindo-se que os Fidalgos Inglezes , que ajudarão a 
ElRei Dom AíFonso Henriques na Conquista de Lis- 
boa a edificarão , e desta sorte a denominarão. 

Fr. Luiz de Souza, na Historia de S. Domingos, 
Part. III. Livr. VI. cap. 8. firma a Etymologia deste 
nome nas palavras também Inglezas aliomad ^ que de- 
veria escrever alismade, Elle quer , que os Inglezes 
usassem desta expressão, que significa tudo está feito, 
para designarem a sua boa ventura na edificação da- 
quella Villa depois de conquistada felizmente Lisboa. 

Eu não posso approvar, nem huma, nem outra Ety- 
mologia ; porque esta Villa já existia com o nome de 
Almadan muito antes da conquista de Lisboa. 

Pois o nosso primeiro Rei Dom AíFonso Henriques 
se apoderou delia em 1147, e nós vemos, que já ha- 
via a Villa, ou a Fortaleza de Almada no tempo em 
que foi escrita a Geographia Nubiense (^), que teve 
por Author (J?) o Xerife Eledrisi ; o qual viveo no Rei- 
nado de Rogério (í*) Rei de Sicilia , e a quem dedicou 

aquei- 
■ ' ^— — — 

(jí) Parte terceira. Clima quarto, 

(J>) Le Geographe Nubien , autrement le Cherif Eledrisi. Histoire des 
Huns. Tom. IV. pag. 367. & l' Afrique de ManmK Tom. I. pag. 321. 

(c) Rogério, viveo no anno de 1090 de Christo, e 483 da Hégira, 
As palavras do Author são as seguintes: Jffirmamos , que a Sicilia he an- 
tiquissiina ^ cujo Kei no tempo ^ que escrevemos este nosso Livro era Ro^e-^ 
fio^ e a quem a dedicámos, Geograph. Nub. Part. II. Qim. IV. &.c. 



AL 5-3 

aquella obra. E como devemos dar maior credito ás 
memorias mais antigas, por isso me persuado, que os 
Árabes lhe impozerao o nome de Almaddn ^ que nalin- 
goa dessa nação significa mina de ouro , ou prata : e 
como elles colhião muito ouro que o Tejo lançava fo- 
ra 5 quando o mar se agitava lhe pozerao o nome de 
• ò^S ^^> hosnel mandãn. Fortaleza da mina. Vide 
a mesma GeGgrapL\ Part. III. Clim. IV. Descripção 
da Lusitânia. 

§ Almadan ^jot»J! Almdãan, A mina de qualquer me- 
tal. Lugar no Termo de Torres Vedras. Cardoso. 

§ Almadrava "íjyà^S Almadraba, A armação, em que 
cahe o atum. Duarte Nunes de Leão, 

Almadena AJ:bLJ\ Almadena. Aldêa no Reino do Al- 
garve. Significa Torre, ou Lugar do Pregão. Deriva- 
se do verbo . . ^^i addana ^ gritar, dar vozes, clamar, 
chamar gritando para a Oração. Almadena^ he Torre 
muito alta á maneira das nossas dos sinos. Em cada 
Mesquita ha huma Almadena com huma varanda á ro- 
da , com quatro portas em correspondência. Quando são 
horas da Oração, sobe o Ministro, ou Parroco daquel- 
la Mesquita ao alto. da dita Torre, e andando á roda 
deJIa, grita em voz alta para que o povo venha para a 
Oração. O modo de chamar ao povo, he do modo se- 
guinte: diz por três vezes ^rí awí ali aho achar ^ Deo» 
he grande \ c por outras três vezes ^i ^^^^ ;y^.x%:x^ *M^ ^\ ^^\ ^ 
La elab ella allah ^ Mohammad rasul ali ah ^ quer di- 
zer , não ha Deos senão Deos. Mafoma he Legado de 
Deos. Torna por outras três vezes a dizer «^b ^Xc ^s» 

kai âla essalah. Vinde para a Oração ; e assim de ma- 
drugada , e accrescenta o que se segue ^j^ ^^ ^^^^ ^\y^\ 
essalah achiar menennaum ^ a Oração aproveita mais 
que o dormir. Acabada esta ccrcmonia , desce para a 
Mesquita, e espera que seajunte o povo para rezar com 
clle. A's horas em q[uc os Mahometanos tem obrigação 

de 



5^4 ^^ 

de rezâf , sê p5de ver na letra Q , ou S debaixo do no- 
me Cala, ou Sald. 

Almadía ^u^\,^\\ Almadia, Espécie de embarcação peque- 
na , que se usa na índia , e Costa de Africa. Deriva-se 
do verbo ^^ mada cavar hum madeiro á maneira de 
calha, ou canoa. Logo ao amanhecer , vierao pelo rio 
ahaixo três Almadias , que os do Brazil chamao ca- 
noa, Damião de Góes. Chronica d^ElRei Z). Manoel, 
Part. I. cap. 36. pag. 5'6. e Barros Liv. I. Década I. 
Cap. 7. foi. 15' e 17 )^; e também Gamões Canto I. 
Htíns vão nas Almadias carregados, 

Almadraque ^^J^ Almatrah. Significa coixim , e não 
colxão , ou enxergão de panno grosso , como diz Bluteau 
no seu Diccionario. Lourenço Francesini lhe dá melhor 
significação , do que o mesmo Bluteau. Vid. Vocab, 
^Castelhano , e Italiano do mesmo Francesini, 

§ Almafall\ iíXac\4Íi Almahalla, O exercito, ou acam- 
pamento. Demos pregão em Almafalla, Duarte Nu- 
nes de Leão. Chr. do Conde D, Henrique pag. 171. 
O sitio , aonde está fundado o Convento da Graça era 
Lisboa, também assim se chamava antigamente. 

§ Almahalla í^^sv^J! Almahalla, O exercito. Dicc. da 
Academia, 

Almafre ^yj^w Almagfre, Morrião, Elmo, capacete de 
aço 5 ou de ferro , que costumão trazer na cabeça os 
homens vestidos de armas brancas. Deriva-se do verbo 
jxk gafara. Cobrir , ou pôr alguma cousa sobre a ca- 
beça. El Rei accrescentou ás moradias de 65 libras ^ 
que os vassallos tinhão de antes, mais dez, que erão 
quinze dobras Mouriscas , e que por esta quantia^ 
havia de ter o vassallo hum bom cavallo de accom^ 
metter , e Loriga com seu Almafre, Chronica d'El- 
Rei D. Pedro L cap. 13. pag. 26. 

Almagesto (voz Grega , superlativo, com artigo Arábi- 
co, que significa cousa grande) He o titulo de hum li- 
vro 



At jrj- 

vro de Ptolomeu , que trata de toda a Astronotxiia. Blu- 
teau sem mais reflexão o faz Arábico , e diz que sigiú- 
fica gi^inde construcçao, 

Ai^MAGRE ^^i^\ Almagra, Terra vermelha , mineral de 
que se servem os pintores para varias obras ; e os serra- 
dores para assignalarem onde devem cortar , ou serrar 
a madeira. Deriva-se do verbo ^ magara untar , ou 
assignaiar çom almagre. 

Almanach ^;J\ Almand, Calendário, ou folhinha. De- 
riva-se do verbo j^oLo maná ^ contar, numerar, calcu- 
lar, definir, repartir por conta, 

§ Almanchar j^^j^ Almanchar, O estendedouro. As- 
sim se chama no Algarve á eira , aonde se pjòem os fi- 
gos , e outras fructas a seccar. 

Ai^MANDUR ^^;^t Ahnandur. O avistado. Participio do 
verbo ^ nadar, ver, avistar. Lugar na Provincia de 

Almanjarba s^^^JÍ Ahnojarra. O páo torto da atafo- 
na , ou nora, porque puxa a besta ; slgnifca propriamen- 
te a rastadeira. Deriva-se do verbo Surdo ^^ jarra pu- 
xar, arrastar, atrahir a si arrastando. 

Almansil _Jvjl^^ AlniansaL Aldêa no Reino do Algar- 
ve significa o aposento , ou hospedaria. Deriva-se do 
verbo ^j-j nasela hospedar, aposentar, dar agasalho, 
c pousada a alguém. Cborograpb. Portugueza, 

* Almansur jyAi^\ Alniansur. Nome próprio de hura 
Rei Mouro ; e 4 de Marrocos ; o qual vindo á Con- 
<jui«ta de Hespanha, entrou eip Portugal, e assolou as 
terras desde p Guadiana -até o Mondego. Deriva-se do 
•verbo ^^j nãÇ^ra ajudar, soccorrer j e como he partir 
cipio passivo, significa soccorrido, victoripso Scc. 

He nome de hyma Serra na Provincia çla Epira , Bfç- 
pado de Viseu, vulgarmj?nte chamada caboçíi d'Alman- 
syr. Dcp-€e o nome de Almansor ^ este monte por ;iel- 
le 5ç fazer forte, quando se retirou fugindo. Ese rt* 
í^r^ bum lugífr mIío , q^^ ^in(la boje sç ck^" 



$(> AL 

ma caheça à^Almansur, Monarch. Lusit. Tom. IL 
cap. 25r. pag- 261. 

Também lie nome de huma Ribeira no Alera-Tejo, 
Arcebispado de Évora. Tomou o nome de Alraansur, 
por acampar com o resto de seu exercito junto a ella. 
Cardoso. 

Almansurat xjya.l^\ Almansurat, Lugar na Provincia 
da Beira, Bispado de Coimbra. Significa victoriosa. To- 
mou este lugar o nome de Almansur por nelle pernoi- 
tar. Deixando ao sitio em que se alojara o seu nome 
for lembrança de que ai li passara \ porque até os 
nossos dias se chama Almansurat ^ ouMansures, Mo- 
narch. Lusit. livr. 7. cap. 25-. pag. 361. 

Almargem a:^^4.!I Ahnarge, Aldêa na Provincia da Bei- 
ra, Bispado de Coimbra; outra no Reino do Algarve, 
e três na Provincia da Estremadura Patriarcado de Lis- 
boa , em que entra a chamada do Bispo. Todas signiíi- 
cão Prado , ou lugar ameno cheio de herva , e pasto pa- 
ra o gado. Deriva-se do verbo ^^ marajá dar pas- 
to , ou cortar herva para o gado. Chorograph. Portu^ 
gueza. 

Almarjam ^2^yç^\ Almarjam, Aldéa no Reino do Al- 
garve. Significa lugar das pedradas , ou do cumulo das 
pedras. Deriva-se do verbo ^^ rajama apedrejar al- 
guém. Cardoso, 

* Almarracha /i^^U Almaraxxa. Regador, ou borri- 
fador. Deriva-se do verbo Surdo j^, raxxa borrifar, 
deitar agua com a mao , ou com regador. Bluteau. 

§ Almartega 'ii.-sjk\ Almarteca. A escuma, vapor, fu- 
mo, e fezes dos metaes. Bento Pereira. 

Almatrixa ^^^uu Almatraxa. São as mantas com que 
guarnecem as bestas de sella. Também significa os ata- 
faes com franjas. Deriva-se do verbo ji.^15 taraxa. Sal- 
picar cora lama , agua , ou qualquer cousa liquida. 

Almazem ou Armazém ^>j^s^U Armachzen, Casa, on- 
de 



de se giiardí!o nrmas, niuniçocs , fazendas, emantimen- 
ros. Deriva-se do verbo /. w^ chaza?2a , gunrdar,, es- 
conder fechado, entliesoiirar. Barros toma o lugar pela 
cousa 5 que nelle se contém ; isto he o continenic pelo 
contiudo ; como se vê na seguinte passagem. Na (ies- 
pedida , alguns dos nossos besteiros empregarão nel-- 
les seu a hn azem para nao Jicarem sem castigo. Dé- 
cada I. Livr. IV. foi. 65-. 

* Almebat ^\ \s Almabad, Vèa de Almebat, que es- 
tá situada debaixo do joelho. Avicen. Trat. 17. cap. 

3- pag. 3- 
Almecava Ax^iU Ahnocaha, A derramada. Nome do 

verbo , ,^j caiba derramar, entornar, lugar na Pro- 

vincia da Estremadura , Bispado de Leiria. 

* Almece \^\\ Almasle. Termo de Pastores, e mui- 
to usado no Alem-Tejo. Significa o soro do leite, que 
escorre do queijo quando o apertão. Deriva-se do ver- 
bo ju^^ máçala , desorar , escorrer. 

Almecega (voz Grega com artigo Arábico). Espécie de 
gomma , ou rezina semelhante ao incenso , rezina da 
aroeira. 

* ALMkCHTELEiN ^^^^Jui^i Almochteleín. Idade prove- 
cta, isto he até aos 40 annos. Avicen, Livr. L Trar. 
IIL cap. 3. O mesmo Author reparte a idade da cria- 
tura em oito idades. Veja-se o mesmo. Avie, no lugar 
citado. 

Almedina ^m Almedina. Significa Cidade. Também 
he nome de huma porta do Castello de Thomar, e nao 
porta de sangue , como diz o P. João Baptista , Autor 
do Mappa de Portugal, quando falia da porta do dito 
Castello. He nome de huma porta na entrada da cal- 
çada de Coimbra, a que chamão o arco da mediria , ou 
d'almedina: e de huma Cidade de Africa, na Frovincia 
deDucala; muito forte, povoada, e a mais rica da- 
quella Província , a qual foi muitos annos tributaria a 

H El- 



y8 AL 

ElRei D. Manoel. Vid, A Chronica do mesmo Rei. 
Parr. III. cap. 33. 

Almeida ^^aU Almeida. Praça d' Armas na Província da 
Beira , Bispado de Lamego. Significa meza. Foi assim 
chamada pelo assento chdo que teve na sua primeira 
fundação. Era em campo chão , e mais plagio do que 
'vemos agora , por cujo motivo lhe chamarão Almei- 
da ^ que na lingoa Arábica significa meza. Monar- 
ch. Lusit. Tom. II. cap. 28. pag. 377. 

Na mesma Monarchia Lusitana em Bluteau , e ou- 
tros Authores acha-se este nome escriío com T no prin- 
cipio desta sorte Talmeida o que he erro; porque ten- 
do esta letra no principio significa Discipula , enão me- 
za , por ser nome feminino de Talmidon »xa^)G' o Dis- 
cipulo, e sendo Almeida hc que significa méza. 

§ Almejofa jtiju^í^ Almojauafa. A cousa concava. No- 
me de huma Aldêa na Província da Beira, Bispado de 
Vizeu. Cardoso. 

AlmeibÂo ^^ii Almorro, Planta algum tanto amargosa, 
significa cousa amargosa. 

§ Almeitiga iíKkU Almatga, O doce. Elucidário. Tom. 
I. pag. c^j. 

§ Almeizar ^KaU Almeizar. Cinto. Supplemento ao 
Tom. II. do Elucidário pag. 6. 

§ Almenara ij^\ Almenara. O farol, ou Alenterna. 
Nome de huma Aldêa no Bispado de Coimbra*, e de 
hum lugar perto de Ceuta. Chr. de D. Affonso V.^ e 
de D. Pedro de Menezes, 

* Almexia *AÍ;U Almexia. Signal, ou deviza por onde 
se possa conhecer qualquer pessoa. Era certo signal que 
D. AfiTonso IV. mandou , que os Mouros de Portugal 
trouxessem sobre os vestidos, quando não usassem dos 

seus próprios trages. Deriva-se do verbo ^\ t xaha 

assignalar, marcar, pôr deviza. Vide Cbronic. dos Reis 
de Port. por Duarte Nunes. 



AL yp 

Almicaktat^at oii^^jjil' AlniGcatítârãt. Sao os circu- 
les, que SC imííginão passar por cada huni dos gráos do 
meridiano. Dcriva-se do verbo de 4 letras ^i'i canta- 
ra , arquear, fazer arcos , acumular , cercar, atravessar. 

§ Almilan (^^^ Almilafu O lugar inclinado, ou eiu 
declive. Nome de huraa Aldêa no Tenro de Setúbal. 
Cardoso, 

§ Almína ^u Almina. O ancoradouro. O Conde man^ 
dou a RuiVasques ^ e "João Martins ^ que fossem até 
Almina, Chr. do Conde D. Pedro cap. dj, 

$ Almikes ^\^^\ Almeheras, O almofariz. D/Vr. da 
Academia. 

Almíscar ^J^ Almosco, (voz Pérsica »«5C*»^ mòsq. ) He 
composição muito activa , e odorifica ,v<:|ue se cria na be- 
xiga de certos animaes da índia, e Ethiopia. Vid. Z)/V- 
cionario Etyfnolog, de Bailey. Tom. II. 

§ Almohaden /.^SàU Almuadden, Assim se denomina 
o Mouro, que cliama o povo á oração do alto da torre 
de qualquer mesquita. Meu pai deo-me a hum Almoa* 
den para me ensinar a lingoa do paiz. Chr, do Conde 
D, Pedro capv 13. pag. 19. 

Almoaheues jjo^yL^ Almoahedin, Os Unitários. Parti- 
cipio ou nome verbal , do nome plural do verbo j^o.^ 
uahhada confessar a unidade de Deos. Certo povo de 
Africa que passou para Hespanha no anno de iifO e 
a possuio por muitos annos até a sua expulsão. Vid. 
Marmol dei Afrique, Tom. I. pag. 327. 

§ Almocabala iXjljiU Almocabala, A composição, ou 
confrontação. Moraes diz ser a regra de cousa, ou Ál- 
gebra. 

% Almoça BEL i«^^;í^í Almohtactb, xMraotacel. Eluci- 
dário. Tom. I. pag. 99. 

Almocadem A.JJUJÍ Almocaddem, Officio antigo da mi- 
lícia. Significa guia, ou encaminhador do Exercito na 
sua marcha, cujo officio liejnarchar adiante. Deriva-se 

H 2 do 



6o kl. 

do verbo ^jG c aderna chegar. E na V. Conjuga jâo si- 
gnifica adiantar-se; passar adiante; guiar, encaminhar. 
Em quanto ao modo da eleição do Almocadem , se po- 
de ver na Europa Portugueza de Manoel de Faria e 
Souza. Tora. Ill , e Blut, Tom. I. 

§ Almoçaria XjjW^ Almoçaria, Officio de Almocreve. 
Elucidário, Tom. I. pag. 98. 

* Almoça VA R ^xK^JÍ Almacbar, Significa cemitério, ou 
sepultura. Deriva-se do verbo ^- Cabara enterrar, se- 
pultar , dar qualquer corpo á sepultura. 

Era antiguamente em Lisboa perto da Mouraria o 
lugar, onde enterravão os Mouros. ElRei advertido 
for alguns zelozos ^ que as mulheres Cbristaas ti- 
nhão conversação com os Mouros^ mandou com pena 
de morte ^ que quando el las fossem pela porta de San- 
to André d romaria de Santa Barbara , não fossem 
abaixo d Mouraria ^ mas que cortassem logo pelo Al- 
wocavar, Chron. d'ElRei D. Pedro I. pag. 124. 

Almocreve (sJ^S Almocari, O Recoveiro que guia as 
bestas de carga de huma terra para outra. Deriva-se do 
verbo tsy^i Cara ^ alugar bestas, ou outra qualquer 
cousa por certo tempo. Acha-se escrito este nome sem 
corrupção , Almoqueire faciat unum servitium, Mo- 
narch. Lusit. Tom. III. pag. 282. Escriptura XI. no 
foral que o Conde D. Henriques deo à Cidade de Coim- 
bra. 

AlmodÓvar ^^;y^\ Almodaiiãr, Villa na Provinda do 
Alem-Tejo, Bispado de Beja. Significa cousa redonda. 
Deriva-se do verbo ^^i, danara arredondar alguma cou- 
sa , cercar á roda. Chorograph, 

Almoeda x.^\i^\ Almonada, A venda pública, ou leilão, 
que se faz de alguns bens, fazendas, ou móveis em pra- 
ça pública , com pregáó de hum porteiro. Deriva-se do 
verbo ^13 nada chamar, clamar, apregoar o preço de 

. alguma fazenda em praça, ou rua. Os Castelhanos o 

pro- 



A L 6i 

pronuncíáo sem corrupção. Almoneda, He 'voz pura- 
mente Arábica, posto que Bluteau a faz Castelhana. 

A^MOFAqA 2k^t*:às\ Almohassa. Raspador de ferro com 
dentes, com que alimpão as bestas para ilies tirarem a 
caspa, Deriva-se do verbo Surdo ^j,,^ hassa esfregar, 

. raspar. 

Almofada uvií Almohhada, O traveceiro. He voz Ará- 
bica , e náo Hebraica , como diz Bluteau no seu Diccio- 
nario. Os Árabes a derivao de j^ chaàdon a face, pe- 
la razão de que quando nos deitamos, pomos a face so- 
bre o traveceiro, ou almofada. 

* Almofalla iX^\ Almohalla, Vid. Alhella e sua si- 
gnificação. Tínhamos jd gastado quasi todo o manti- 
mento que trouxemos ^£ mandamos deitar pregdÕ em 
Almofalla ^ que estivessem até ao quarto dia^ e no 
quinto cada %um se retirasse para sua terra. Mo- 
narch. Lusit. Tom. II. Livr. VII. cap. 28. pag. i^j^. 

Almofariz ^y^\ Almohrés, Vaso de bronze em qiie se 
pizao adubos, medicamentos, e varias cousas. Deriva- 
se do verbo ^^^ harasa pizar , maxucar , esmagar. Em 
Castelhano Almeris, 

§ Almofate ]a^\ Almogate. Nome de hum ferro, cora 

. que se fazem os furos no couro. Segundo Moraes he o 
ferro, com que os corrieiros abrem os boraquinhos , 
aonde se enfião os fuzildes das fivelas. 

Almofia ^^^ Almifia (voz Africana). Sopeira de es- 
tanho, ou de barro vidrado. 

Almofreixe jiji^S Almafraxe. Entre os Árabes he no- 
me de lugar, e significa lugar da cama. Deriva-se do 
verbo j:,^ faraxa^ estender, ou fazer a cama, donde 
deduzem o nome J;^y, feraxon o colxão , ou a cama. 
Em Portugal, he mala grande, vulgo malotão , onde 
8€ leva a cama nas jornadas. 

§ Almofrez j.^àt\ Almogrez. A sovela de çapateiro. Se- 
gundo Blaucau he 9 ferro, ou sorela, com que os cor- 
' riei- 



6i AL 

rieirds ábfem os bofaquinhos na sóia pára ne!Ie enfia- 
rem os fozilòes dás fivelas. 

Almogadel _3jxií AlmajedaL Lugar na Província dâ 
Estremadura , termo de Thoraar. Significa lugar dacon- 
teuda. Deriva-se do verbo _3j^:=. jadala , que na Vi 
Conjugação significa contender , disputar, altercar. Cha- 
rogràph. Portug. 

§ Almoqavar ^_jlij^ Almogauar. Homem guerreiro, pe- 
lejador. 'Elucidário. Tom. L pag. 99. 

§ AlMogravia jjj^lijí Almogauera. Expedição militar, 
correria. Elucidário, Tom. L pag. 100. 

* ALMOGAxíREs^^l.it.11 Almogauér. Significa Homem guer- 
reiro, pelejador. Deriva-se do verbo U gara que na 
IV. Conjugação significa guerrear, pelejar. 

Bluteau, sem rasâo deriva este nome da voz^i^ nie^ 
gabaron , que quer dizer homem coberto de pó ; e que 
os Alraogaures, por serem honiens velhos, erão man- 
dados para a guarnição dos presídios. Mas esta deriva- 
ção he muito opposta á significação Arábica, e á em que 
a toma Damião de Góes, como se lê na seguinte passa- 
gem. Mandarão correr os Almogaures da banda da 
Serra contra Arzilla , para azedarem os Mouros, Da- 
ínião de Góes. Chronic, d'ElRei D. Manoel, Part. III. 
cap. 75-. 

Em outra passagem se lê ; neste anno fez 'Jorge 
Vieira huma almogauria com trinta e dois de cavai- 
lo, Part. III. cap. 8. Logo os Almogaures são homens 
guerreiros, e não velhos cobertos de pó. As mais sin- 
gulares significações deste nome além das referidas se 
podem ver em Castello, Diccionario Hept agioto. Tora. 
iI. pag. 2170. 

§ Almog£MA «♦cssv^.il Almojamma, O ajuntamento, ou 
aggregado de cousas. Da-se este nome á ultima caver- 
na , aonde os páos são mais juntos poç causa do bolea- 
do da proa do navio. Moraes. 

Almograbi ^^^ièJl Almograbi. Lugar na Província da 

Es- 



AL 6í 

Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Significa lugar do 
Africano, ou Occidental. Os Orientacs , cliamao aos 
Africanos il/í^^r^^/W, isto he , Occidentaes ; derivado 
do nome ^_..^ garbon , o Occidenre. Cborograph, 

* Almojàvena aâaj^^J^ Almage bana. ( Termo antigo 
de cozinha) Significa queijada. Deriva-se do verbo 

^^j^ jabbana fazer queijo j coalhar leite para o quei- 
jo. Bluteau e outros, 

♦ Almolei Omar ^^c is^i^^ Mulei Ornar, O artigo ai 
neste nome he impróprio, e contra a regra Grammati- 
cal ; porque jamais o artigo se ajuntou ao nome que re- 
ge. He composto de çf^^ Mulei que significa Prince- 
pe Senhor , e Heroe , e de y^ Ornar nome próprio j e 
faz o composto de , o Princepe Ornar. 

Almarquim #t3wti^ Almarcam, Aldca na Provincia da Es- 
tremadura, Patriarcado de Lisboa. Deriva-se do verbo 
^ r acama notar, assignalar. Significa lugar, ou Al- 
deã do assignalado. Cardoso. 

Almôndegas ^^k^njU!^ Albonàeca, (Termo de cozinha) 
He guizado de carne picada, ou pizada com algum tem- 
pero, e adubos de que fazem humas pequenas bolas do 
tamanho de huma castanha, e depois as guizão. Deri- 
va-se do verbo JoJj bandaca fazer balas pequenas, 
redondar como balas &c. Os Castelhanos o pronuncião 
sem corrupção. Al bonde ga. 

§ Almoc^ueire iSj\>^\ Almocaru O Almocreve. Almo- 
queire jaciat u7ium servitium tn anno. Foral de Coim- 
bra pelo Conde D. Henrique. Elucidário. Tom, L pag. 
loo. 

§ Almorada íjí^I Almoradda. A cousa que retrocede , 
ou toma a voltar. Nome de hum rio na Provincia d'en- 
tre Douro e Minho. Cardoso. 

Almorro ^\ Almorro. Lugar no Reino do Algarve. Si- 
gnifica o amargoso. Lhorograph. Partuguez>a. 

Almotacll I ^,»mJ>:í«w>1J Almohtaceb. Moderador dos pre- 



64 AL 

ços dos mantimentos, curador, Edil. Derivá-se do ver- 
bo í^«m:^ haçaba contar, e na IV. Conjugação, signi- 
fica calcular, reputar, taixar o preço de qualquer cou- 
sa pertencente ao comer. Bluteau deriva este nome da 
voz Almosahocin , e diz que esta voz significa o mesmo 
que Almotacel; porém esta mesma voz Almosahocin, 
segundo Gollio, Castello, e outros Authores tem a se- 
guinte significação : Redor , administrator ^ qui cu^ 
r anais , regenàisque pr£est equis : E sendo assim , he 
mais próprio do fiel , ou sota das cavalherices do que 
fr^fectus annon£ , que he o Almotacel como o trazem 
os Authores acima citados. 

Almotolia ^Xb4.)l Almotlía, Vaso de barro vidrado, 

ou de lata, que serve para azeite. Deriva-se do verbo 

X> tald untar, bornir, dourar, ou vidrar algum vaso. 

Almoxarife c_J^>i.^\ Almaxarraf. Eminente, condeco- 
rado , constituído em dignidade , honrado &c. Deriva- 
se do verbo í 5^^ xarrafa , que significa o mesmo. Era 

Portugal o Officio de Almoxarife, he cobrar os Direi- 
tos Reaes de vários géneros. 

Almude cí^S Almodde, Medida dos áridos, que corres- 
ponde ao nosso alqueire. Em Portugal foi antigam.ente 
medida de áridos, he agora medida dos liquidos. Os 
Hebreos também dizem niodd ^ e sií^nifica o mesmo. 

* Alnabac c-i'u;l^ Alnabac. A baga da herva leiteira 
Avie* cap. 7. pag. 62. 

Alo5 a^!) Aluat. Planta muito cheirosa, e medicinal, e 
bastantemente amargosa. Os Árabes vulgarmente lhe 
chamâo yj^\ Assabre azebre, cousa muito amargosa. 
Deriva-se da voz Hebraica alud ^ que significa cousa 
amargosa. 

§ Alparca, ou Alpai^cata niU!! Alhalga. Certa espé- 
cie de calçado bem conhecido. Nas Alparcas dos pés 
em fim. Caraáes canto 2.** 

Alpedris ^y^j, ^^ Aibidris. Villa no termo ^ e Patriar- 
' " * "** ca- 



AL 6/ 

*>tâdo de Lisboa. Significa do pai de Drís, nome próprio 
de homem. Corcgraphia Portug, Tom. III. 
Alqueire ^j^\ Alqueile. Certa medida, que entre os 

Árabes contém seis alqueires, isto he liura sacco. Em 
Portugal he medida conhecida. Deriva-se do verbo j\^ 
cala medir. 
§ Alquiar , ov AiQUiER ^\^^\ Alquerd. Alquile, alu- 
guel. Suppleynento ao tora. IL do Elucidário pag. 7. 

* Alquice \uJÍ\\ Alqueçai, Capa com que costuraão os 

• Mouros cobrir-se. Outros lhe chamao jf/f/í'. Deriva-se 
do verbo 1^^=^ caça vestir , cobrir. Ein satisfação dis- 
to lhe der ao hum Alquice roto para se cobrir. Barros. 
Década L foi. 19. 18. f. 

Alquidam ^\^\\ Alquidam. Aldêa na Província da Bei- 
ra , Bispado de Coimbra •, e lugar, e Serra na Província 
da Estremadura, Patriarcado de Lisboa , termo de Tor- 
res Vedras. Significa os paços, ou as passadas. He no- 
me plural de Cadamon ^^ o passo, ou passada. 

* Alquies y^UX!! Alquias. He a medida dos çapateiros, 
por outro nome craveira. Deriva-se do verbo ^^j^ cã" 
sa medir, ou tomar medida com cordel, óu vara. 

Alquilar ^^^^ Cara, Alugar por certo tempo. 

Alquile ís'^\\ Alquere. A acção de alugar bestas. De- 
riva-se do verbo acima. 

Alquimia U^M Alquimia. A arte de converter o me- 
tal, com certas ccmposiç6es em ouro. Deriva-se dover- 

. bo ^4^» Camd occultar, encobrir, esconder por certo 
tempo. He voz Arábica não obstante o quererem mui- 
tos que seja Grega, que he a arte Chrisopoetica. 

Alquimilla ^jX^^\ Akamelia, Planta , chamada pé de 
Leão. Pharmacop. lubalens. Tom. L pag. 68. 

§ Alquitira \^^iS^S Alcatira. He nome de certo arbus- 
to, ou da goma de certa raiz. 

• Alsahad o^uil Alsâed. O braço, isto he do cotove- 

I lo 



€6 AL 

lo até o punho. JlvíC, Liv. I. cap. 19. pag. 14. Fefja 
alsahad idest. ven<e aãjutorii. 

* Alsa.lasel _X^^^!\ Àlsalasel. Significa cadêas , ou 
grilhões de ferro , ou de outro metal. Aqui , são os os- 
sos do espinhaço do corpo humano, ou de qualquer ani- 
mal. Avie, Liv. I. pag. 10. 

* Alsubet cU*»*U Alsobat, Somno profundo, lethargo. 
Avie. Liv. í. cap. 15-, pag. jj. Ha também vêas de 
Alsubati, que são as articulares, situadas debaixo das 
vêas jugulares. 

^ Altamari (Sj\.é^\ Altamari. Electuario feito de tâma- 
ras, ou dactyles. Avie. cap. 7. pag. 62. 

* Altualil \A\\y!í\ AltualiU Verrugas , que nascera nos 

dedos. Avie. Liv. IV. Trat. IL pag. 458. 

* Alvacar jij^\ Albaear, Rio na Província do Alera- 
Tejo, Arcebispado de Évora. Significa boieiro, ou rio 
dos bois. Deriva-se de yL baearon os bois. Cardoso, 

Alvaiade ^IaxJ^ Albiade, Matéria branca , ou composi- 
ção que se fáz de laminas de chumbo muito delgadas , 
penetradas do fumo do espirito do vinagre , de que usão 
os pintores. Deriva-se do verbo ^^^ baiada branquear. 
Bluteau, 

§ Alvaiazeres j.j;L'^í Alabazir. Plantas, e outras cou- 
sas aromáticas, que servem para adubar as comidas. Vil- 
la de Alvaiazeres, e Serra junto da mesma. Cardoso. 

Alvalade s^^xlí Albalade. Aldêa na Província da Es* 
tremadura. Patriarcado de Lisboa: Villa no Reino do 
Algarve, termo de Faro^ e Villa na Província doAlem- 
Tejo, Bispado de Beja. Huraa calçada em Lisboa na 
Freguezia dos Anjos. Todas significao lugar habitado e 
murado. Chorog. 

Álvanel ^i^\ Albannai. O pedreiro, que trabalha em 
Alvenaria. Os Castelhanos dizem AlbaneL Deriva-se 

do verbo ^^j bana edificar. 

Al- 



AL, dj 

Alvará* 21^ jt Alharãt. (voz Africana ) Carta Regia ^ 
Diploma, Cédula. Os Castelhanos dizem. Albald, 

Alvará z ^yjl\ Ai bar as. Sao certas manchas brancas , 
que apparecem no rosto, e corpo da gente. Espécie de 
lepra. Beriva-se de ^^ baraça padecer lepra. 

Alvar BAQUE ^\yj^\ Albarraque. Lugar na JProvincia da 
Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Significa cousa 
resplandecente luzida &c. Deriva-se do verbo cJÍj^j Ca- 
raça reluzir, resplandecer, luzir. Chorograph. 

* Aluahdi (s^j^S Alueridí, Vêa externa dos jugulares ; 
também se chama artéria venosa. Aviceiz, cap. 2. pag. 23. 

Alvazil ^_Xj^^\s Aluas fL Vid. Guas&iL 

Alveitar JXíaxW Al bei t ar. O ferrador ^ official , que fer- 
ra as bestas.' Deriva-se da verbo de 4 letras ^k^j baè-^ 
tara ferrar huma besta. 

Alverca a^,^1 Alborca. Villa na Província da Estre- 
madura , Patriarcado de Lisboa. Significa Tanque de 
agua. Lago, ou aguas encharcadas. 

Alvepge ò^yj^S Albor ge. Lugar na Provincia da Estre- 
madura , Patriarcado de Lisboa. Significa Torrinha , 
derivada de j borjon a Torre. Chorographia, 

§ Alverque ^'yjS\ Albarque. O relâmpago. Aldêa nar 
Provincia da Beira , Priorado do Crato. Cardoso, 

Alviçabas í^Uijj Albexara. Significa o bom annuncio 
que se dá. Tambcm significa premio, ou dadiva que se 
ofFercce áquelle que traz as boas novas. Deriva-se do 
verbo ^ bãxxara ^ annunciar, dar boas novas, Evan- 
gelizar. Covarruvias, cujo parecer segue Blutcau , deri- 
va este nome do Lati^n Albities ^ porvir vestido de 
branco aquelle que dá o bom annuncio \ porem parece 
Etymologra cstra vagante por se não achar em costume 
»Rtigo , nem raoderno o vir o annunciador vestido de 
branco. Vid. Duarte Nunes de Leão, pag. 6ÍL 

Alviilla aJuJ» Albaila, Lugar na Provincia da Estre- 
madw», Patriarcado de Lisboa. Significa c^nwa min- 

I z gua- 



68 AL 

guada. Deriva-se do verbo j,aj b ai ai a minguar. Car- 
doso. 

Alvor ^».xH Alhúr, Villa no Reino do Algarve, Comar- 
ca de Faro. Significa cousa , ou campo inculto. Cardo- 
so. Em hum campo , junto d Serra por terra cham , 
a que os Árabes chamao Albur , que quer dizer cam- 
po inculto. Itinerário de António Tenreiro cap. 34. pag. 
381. 

* Alusem ^^S Alues mi. Vestigio negro artificialmente 
formado, ou impresso na cútis. Avie. Liv. 11. p. 97. 

§ Alxaima g^^K^S Algaima. As tendas, em que vivera 
os Árabes cainpestres , as quaes raudão de huns lugares 
para outros, segundo os tempos, e suas commodidades. 

Alzabak uJíxjOÍ Alzaibaq. Vid. Azougue. Pharmaco- 
pea Tubalens. Tom. I. pag, 74. 

Alziniar jl^*y\ Alzenjar. Vid. Azenhavre. Verdete. 
Pbarmacop. Tubalense. Tom. I. pag. 68. 

Ama. (voz Hebraica) amim do verbo aman. Criar ^ edu- 
car 5 nutrir. 

§ Ama 'i^\ Amma. Criada, serva. Cathalogo de vozes 
Castelhanas. 

Âmbar ^Xje ânbdr, He matéria de cheiro suavissimo. Al- 
guns Authores, querem, que o âmbar se gere nas Ba- 
]êas , outros no Boi Marinho , ou que se crie no fundo 
do mar , como o coral \ porém segundo Gentio. Rosa» 
rio Politico pag. 5'4i. se gera dos favos do mel, que 
a chuva leva ao mar, e ahi adquire a consistência, e 
cheiro que tem. 

Ameixas, Pérsico Jí.^^ Mexmas ^ que significa Damas- 
cos; donde parece vir a palavra Portugueza ameixas, 
ainda que significa cousa diversa; pois a diíFerença da 
cousa he tão pouca , como a corrupção do nome , Cas-' 
tello. Diccionario Heptalogo. 

§ Amiramolim ^jM^y^Syj^S Amiralmumenin. Principe 
dos Crentes. E hd concerto que ElRei fez com hos Mou- 
ros 



AM 69 

ros foi, que elles Mouros àa vi 11 a lhe fizessem ^ des- 
sem^ e pagpossem juntamente aquelle 7nesmo foro ^ 
e serviço^ toclalas outras cousas ^ que faziao ^ ep/iga^ 
vam abo seu Rey Amiramolim, Chr. de D. AíFonso 
III. cap. II. pag. 24 por Rui de Pina. 

* Amirquebíii yKj<^:iy^\ Amirquebir. Nome composto 
de ^^\ Amir Princepe, e do adjectivo ^a^, quebir 
grande, e faz o composto de, O Grande Princepe. O 
Soldão se agastara e mandou matar Amirquebir , 
que era o principal Capitão do Reino. Commentario 
de AíFonso de Albuquerque. Tora. IV. P. IV. cap. j. 
pag. 29. 

Amofinar (verbo) r^ns^ Mabana ãfíiiglr ^ vexar, an- 
gustiar, causar pena , mortificar, opprirair. Os Caste- 
lhanos dizem amohinar. 

t AxMouco ui4^\ Ahmaco. Louco , demente , tolo. He 
termo muito frequente nos nossos Historiadores da ín- 
dia. Fej. Moraes. 

§ Anadel ^ui^ Annader. O vigiador, observador. Gar- 
cia de Mello ^ Anadel Mor dos Besteiros ^ e da faldi- 
lha andava no Estreito com buma Armada. Damião 
de Góes, Qhr. d^ElRei D. Manoel. Part. I. cap. 3. 

Anafil ^j^i Annafir. Instrumento musico bellico, de 
que usaó os Mouros na guerra. He espécie de Trombe- 
ta do feitio do Oboé. Deriva-se do verbo ^í; nafara 
ser fugitivo, pávido &c. na II. Conjugação, significa 
incitar para a fugida , annunciar a victoria , inflammar 
o animo para vencer. 

De aynbas as partes sahirao tantos gritos e alari- 
dos ^ e tantos estrondos de trombetas ^ at abale s ^ e 
anafiis. Duarte Nunes de Leão. Chr. d^ElRei D. 
Affonso W. pag. 135: if. 

An/^pil ^w Annafir. São duas Aldéas na Provincia da 
Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Significa lugar da 
Trombeta. Dcriva-se do verbo antecedente. Cardoso. 

Ana- 



70 AN . 

Akagueis (jâlsAVl Anejes. Lugar na Provinda da Beira, 
Bispado de Coimbra. Significa as Pereiras. Chorog. 

* Anaxatre^í\ i;;U Annaxadar, (voz Pérsica )^:5\_,^ 

naxaãar y sal ammoniaco. Pharmacopea TubaL 

Andaluz jj^íjOI Andolus, Nome de hum bairro, e de 
hum chafariz nos arrabaldes de Lisboa , Preguezia de 
S. Sebastião da Pedreira. He appellido de hum homem 
natural da Andalusla, de quem o lugar tomou o nome: 
e vem a ser o lugar do Andaluz. Deste mesmo appelli- 
do ainda hoje se usa em Africa, e são aquellas faraiiias 
que se retirarão da Aiidalusia. 

§ Andaime ^UjOí Addedme. A armação de madeira, 
de que osâo os pedreiros , e carpinteiros nas obras. 

Andor _j^jji AnduL. (voz Pérsica) Espécie de liteira, 
ou andas, que he levada por quatro homens, em que 
costumão as pessoas grandes transportar-se ; donde nóg 
derivamsos o nome de andor. Foi apresentada a Vasco 
da Gama hum andor para hir nelle. Barros, Década 
L foi 75'. Col. IL 

Anemola, ou Anémona a^I^júI^ Annámane. Flor âssim 
chamada e bem conhecida. Os Árabes lhe chamão 

^^Uxj < 'i^^iÁ ocacaiek nâmãn. Papoulas de Nâmán , 

Rei da Pérsia; o qual, dizem , fora o primeiro que 
plantou esta flor do campo no seu jardim. Vid. Herbe- 
lot. pag. yjo. 

■* Anfiao (^>^AÍc âfiiin. Composição de sueco das papou- 
las brancas, vulgarmente chamado ópio. Os Asiáticos, 
e Africanos usão muito do anfião. Os eíFeitos, que ope- 
ra nas pessoas que o tomão, são diversos; em huns cau- 
sa muita alegria ; em outros muita tristeza , e ás vezes 
os provoca a choro. Em outros finalmente causa eleva- 
ção, considerando-se como Soberanos, e Poderosos. 

Antigamente se pagava em Goa a ElRei de Portugal 
grandes tributos do- Anfião, pelo muito uso que os ín- 
dios delle fazião. Havi^ nas Tropa» Soldados de ar- 
roz. 



AN rt 

Toz, e Soldados deAnfiâo, assim chamados pda diíFe- 
rcDça dos mantimentos, j^s outras pessoas nav ciome- 
rao , nem heherão em todo este tempo , somente cãda 
bum tomava hum gruv de Anfiao. Barros. Década III. 

^ Ibl. 120. Col. III. 

Anil u^\ ^fJil- Composição do sueco de huma plan- 
ta , queseméão na índia , que serve para a cinta azul. 

§ Antares ^jlc Antar, (Termo Astronómico) Estrel- 
la da primeira grandeza no corpo de Escorpião. Bento 
Pereira, 

§ Aparar \yj\ Ahrd. Aparar as pennas^ as unhas, &c. 
Golio , Gigeo. 

* Aquemes ^^a\ s> Haquem. Nome* verbal do verbo 

^ , <=:^ ^ hacama governar. Significa Governador, ou Re- 
gente. Nenhum sahia da Judiaria sem ordem d^El- 
Keiy ou de seus Aquemes. Jornada de Africa, por Je- 
ronyiiio de Mendonça, na perda d'ElRei D. Sebastião. 
Livr. II. cap. if. pag. 12^. 

* Arabi ^^ Rabbi* ( voz Hebraica ) Significa Senhor 
Mestre, "ou Sábio da Lei. Neste nome, o primeiro A, 
he de mais. He o titule que se dava ao maioral , que 
governava os Judeos, segundo as suas Leis particula- 
res, quando erão tolerados em Portuga). Em cada Vil- 
la havia hum Rabbi annual. O Rabbi maior usava do 
Sello das Armas de Portugal, com as letras que dizião, 
Selio do Rabbi maior de Portugal \ e cada hum delles 
tinha seu Scllo particular cora o nome de seu destricto. 
As mais noticias respectivas a qsíq nome, podem-se ver 
no VI. Tomo da Monarchia Lusitan. pag. 15-. 

O nome Rabbi. He hum dos três titulos que os Ju- 
deos davão aos seus Rabbinos; a saber, o primeiro he 
mar e rabb. O segundo rabii, O terceiro rabban. Com 
a diíFerença porém, que o primeiro titulo dava-se aos 
Boctores , ou Mestres, que vivião fóra da Terra San- 
ta. O segundo e terceiro aos que vivjão nclla ; os quacs 
cão ftó eráo reputados como Doutcrcs da Lei Moisai- 



ca, 



7« A R 

ca, mas tamfeem como Princepís, taes como forfatoi 
sete posteriores á Helael , e delle descenderão , cujo ti- 
tulo era Rabban. Vid. Castello, Diccionario Hepta- 
gloto. Tom. II. e Bailey citando Ferroso &c. 

* Arábia ^j^x Arábia. Cousa da Arábia. Entre os Afri- 
canos significa o idioma Arábico. Fará este recado 
mandou o Governador hum Castelhano que sabia mui 
bem a lingua Arábia, Damião de Góes. Chronica d^El- 
Rei D. ManoeL Parr. II. cap. 23. 

Arrábida k^j^S Arrabdd. Serra na Província da Estre- 
madura 5 Patriarcado de Lisboa. Significa habitação do 
gado , lugar da pastagem. Deriva-se do verbo ^jj^j^ ra- 
bada. Povoação fora dos muros da Cidade. Deriua-se 
do verbo ^j. rabada recolher-se para lugar seguro, 
ou para a povoação. Cardoso, 

Aranzel _3xavjJ\ Arrasei. Minuta; rol, lista; memoria 
para o futuro. Deriva-se do verbo _j^^ rasala. Es- 
crever, deixar memoria para o futuro, fazer assento do 
que se deve escrever, ou do que se tem passado. 

* Arac^ue, ou Araca í Jj ^g âraca. Espécie de agua-ar- 
dente, que vem da índia, mais forte que a nossa. Os 
Árabes derivão este nome do verbo c-Jj^ âreca suar , 
destiilar, pela rasão de que a agua-ardente he o suor 
que antes de correr pelo canudo do alambique, sobe á 
tampa do mesmo alambique. Bluteau. 

§ Arcabus ^^Un Alcabus, Arma de fogo. Os Mauri- 
tanos chamão assim ás pistolas. 

* Arcub ^^iys, ârcub. O calcanhar. Avie. Livr. I. cap, 
I. pag. V?- 

§ Ardagar jU^^! Ardgar. Sorvedouro. Nome de duas 
Freguezias na Província d'entre Douro e Minho, Arce- 
bispado de Braga. Cardoso. 

§ Arfar ^^\ Arha. Balouçar , sacudir. Moraes. 

^ Argan '[^h.j\ Argán. Fructo de huma arvore espinho- 
sa que se cria na Provinda de Xedma Reino de Mar- 

ro- 



A R ^ 73 

rõcos 5 cujo fructo he semelhante á amêndoa , de que 
os Mouros do paiz tiráo grande quantidade de azeite 
tão bom como o da azeitona. A este Argán os Africa- 

, nos lhe chamão ^^!í/_^ Lauz el barbar amêndoa dos 
, rústicos , ou Berberes. Bluteau. Supplemento, 

Argel ^K;s\Ií Algezaer, Significa as Ilhas. Derão os 
Mouros o nome de Ilhas a esta Cidade, nao só por es- 
tar fronteira ás Ilhas de Maiorca, Minorca, e Eviça^ 
mas também por estar edificada defronte de huma pe- 
quena Ilha , a hum tiro de distancia ; de maneira que 
querem significar com este nome como se dicessem , a 
Cidade das Ilhas. Vid. Historia Geral de Argel por 
Fr, Diogo de Haido» 

Arsénio, ou Arsénico ^5,^^ Alzaraich (voz corru-. 
pta do Pérsico ^aj;^ Zarnicb). Minerai, que se tira 
da mina do cobre. Ha outro Arsénico artificial chama- 

- do sublimado, e outro que he o rosalgar a que os Ára- 
bes chamão Js^^ ^ Sammel fdr, peçonha dos ratos, 
Pharmacopea, 

Ç Argola 'i^Jà\ Algol la. Grilhão, golilha. Catalogo de 
vozes Castelhanas. 

§ Arifa íjL> jx Arifa, Conhecedora , sabia. Aldêa na Es-. 
trcmadura. Cardoso, 

§ Arouce ^^yt. Aruce. Noivo. Nome de duas Aldéas, 
huma na Província d'entre Douro e Minho, e a outra 
na do Alem-Tejo. Esta foi ganhada aos Mouros por 
AfFonso Pires Farinha; e cedida depois em I25'3 ^ E'* 
Rei D. AfFonso III. Cardoso e historia de Malta por 
Joze Anastácio, 

§ Arrabalde j^^^lí Arr abade. Subúrbio de qualquer CK 
dade , ou Villa. Golio ^ e outros. 

* Arrabil c— >L^n Arrabah, Instrumento musico de cor- 
das, e arco, semelhante á rabeca. Tem. o corpo mais: 
largo, c o braço mais comprido: dellc usao os Poetas 
Árabes, acompanhando com o som dcllc os versos que 



74 ^^ AR 
elles recitao. Deste nome ainda hoje «são os nossos Poe- 
tas Portuguezes. Deriva-se do verbo Surdo , , rahba^ 

criar , ornar , enfeitar , compor. 

Arhaes ou Arrais jj^^í Arraies. O Capitão de huma 
embarcação, ou patrão de huma lancha. Deriva-se do 
verbo ,^v, rasa^ ser eleito por Cabeça, Chefe, ou Go- 
vernador de hum povo, familia , ou casa. Tomarão a 
embarcação dos Mouros ^ que o Arraes Sollmâo tinha 
mandado concertar. Damião de Góes Chronica d'^El'' 
Rei D, Manoel. Part. IV. cap. ii.^pag. i8i. 

Arras ^\ Arra» Pensão, ou porção de dinheiro, que o 
marido promete á sua esposa nos contratos esponsalicios. 
Alguns querem que este nome seja derivado do Grego , 
outros do Pérsico ^, ^^^^ porém o mais provável he ser 
do Hebraico ^r^?^/^»" promessa , pinhor da palavra , pa- 
cto, e ajuste entre as pessoas. Castello. 

Arrátel \h^\ Arratle. Pezo de doze, ou dezeseis on- 
ças, he o mesmo que huma libra. Bluteau deriva este 
nome da voz rath ratai ^ e diz que he Arábica, e que 
Jie pezo de dois arráteis; pois he nome que os Árabes 
não tem ; nem semelhante voz , se acha nos Dicclona- 
rios daquella Nação. 

Arre ^j .^ Arrie, (Termo de arrieiro) Voz com que se 
costuma incitar os jumemos, e beatas de carga para que 
andem. Deriva-se do verbo ^\ arra mover-se , andar , 
caminhar. 

§ Arrecife {__k.^^\\ Arracif. O banco, ou escclho de 
pedra. E na venta da banda da Arábia tem arrecife 
de pedra. Couto Dec. V. cap. 3. 

§ Arrecob ^^^y^SyW Arracub. O cavalleiro. Aldêa na 
Provincia d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Bra- 
ga. Cardoso, 

§ Arrefaçar ^j^^j^ Arrahaça. Abaixar, abater de pre- 
ço. Moraes. 

Arrefens f^^^\ Arrahni. O penhor que se dá por al- 

gum 



AK n 

gnm escravo, ou prisioneiro de guerra. Derlva-se do 
verbo ^^^^ rahana penhorar, dar alguma cousa em 

reféns, Tan^bera íie nome de huma Aldêa no Reino do 
Algarve , significa , AJdéa do reféns. 

§ Abrem AL _3Uy^ Arremal. Os areaes. AIdéa e Serra 
na Província da Estremadura, Patriarchado de Lisboa. 
Cardoso. 

ArRífana Ajlsrvj^ll Arrahána, Villa na Província da Bei- 

■^Ta , Bispado de Penafiel , significa Horta. Este nome re- 
petidas vezes se encontra no Alcorão, com esta mesma 
significação. Ha outra Arrifana na Província da Estre- 
madura , Patriarcado de Lisboa. Cardoso. 

Arroba «j^n Arroba. Significa a quarta parte. He pezo 
de 25', ou 32 arráteis, e vem a ser a quarta parte de 
hum quintal , seja quintal grande de 128 arráteis, ou 
de cem. Doriva-se do verbo de 4 letras ^^ rabbãd y 
dividir em quatro partes. 

Arrobe ^^S Arrobbe, (voz Pérsica ^^ robb.) O Mos- 
to do vinho apurado ao fogo. Diz Bluteau no I. Tom. 
do seu Diccionario pag. ^66. que arrobe na Lingoa 
Arábica significa a terça parte ; e que o mosto que he 
a matéria de que se faz o arrobe, depois de apurado, 
fica na terça parte ; porém he derivação extravagante; 
porque além de ser voz Pérsica, {a) a terça parte ^m 
Árabe he ^u solson^ e a quarta parte, he ^^ robôn. 

Arroz j.^\ Arroz, Espécie de grão bem conhecido. Al- 
guns Authores querem que seja voz Grega oryza\ po- 
rém a pronuncia Portugueza he mais conforme com a 
Arábica. Vid. CastcUo, 

g Arsenal ^AJLaiJ^b Darsand, Caza das obras, on dos 
officios. 

K 2 Ar. 



M AfTohc tambcm pode ser nome Arábico j e nasce do vírbo <__,j 
^Lba. Ad09tf.se , fazcr-sc doce &c 



"76 AR 

Arzea »^ijji Arzía. Lugar na Província da Estremadura, 
Patriarcado de Lisboa. Significa Cedral, ou lugar de 
muitos Cedros. Deriva-se do nome y^\ arzon o Cedro. 
Chorograph, Portugueza, 

Arzila 2Ò<y^y\\ Jrrazila. {a) Praça no Reino de Marro- 
cos. Foi'doDominio de Portugal na Conquista de Afri- 
ca. Significa cousa desprezivel, humilde, e pobre. De- 
riva-se do verbo _}'^j\ razala , desprezar , &c. Tam- 
bém he lugar na Provincia da Beira, Bispado de Coim- 
bra. Chorograph, Portugueza, 

AssACAYA UUumIÍ Assacaia, Nome de hum valle perto 
de Santarém. Significa regatos. Deriva-se do verbo j^ 
saca regar. Chorograph, Portugueza, 

§ AssACALAR \ijo Sacala, Burnir, pulir. Estimavao 

muito suas armas trazendo-as limpas , e assacaia- 
das. Couto Dec. IV. Liv. L 

AssAFARGE Vja.^^1 As Safar gel. Lugar na Provincia da 

Beira, Bispado de Coimbra. Significa Marmeleiro. Z)/V- 
cionario Geograph, de Cardoso, 

AssAFORA j;^^*^l\ Assahra, Lugar na Provincia da Estre- 
madura, Patriarcado de Lisboa. Significa Campina. Cho^ 
rograph. Portugueza, 

AsSAMEiçA ^A^LéiikJí Axxameiça, Aldêa na Provincia da 
Estremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa soalhei- 
ra, ou lugar exposto ao Sol. Diccionario de Cardoso. 

Assassino ^^l.,^^ '^Hassassino. ( voz Pérsica ) Os Assas- 
sinos erãocertos povos da Pérsia , e bem conhecidos na 
historia. Alguns Authores querem que sua origem fosse 
dos Karamates , que era huma Dynastia que durou 171 
annos. O primeiro Princepe que tiverao, foi Hossein 
sabah ^à^ quem tomarão o nome de^ Hossassinos\ o 

qual 

■ (a") Eu tenho encontrado este noms escripto em 'algumas historias Arar 
ticas de diverso modo ^ e da seguinte maueira ^Xa©) Assila, Cousa firme ^ 
instante, permanente* 



AS rr 
tjonl se estabeleceo primeiro na Província <3e Trak Pér- 
sica , no anno de 482 de Chrisro. Os nossos Historia- 
dores lhe dáo o nome de, Velho da Montanha tradiK 
zindo o nome de Chek por Velho, e Gebal por Mon- 
tanha , isto he Sj.ss^S iír;i Chek el jabal \ posto que o 

nome de ^^ Chek significa Velho ancião , neste lugar 
SC toma por Chefe, Princepe, ou Senhor de hum povo, 
Tribu, ou Familia, a quem os Árabes charaao ^yà 
Ctek. 

A profissão destes povos, era o voto de obediência 
que presta vão a seu Princepe de lhe obedecerem cega- 
mente, e de se matarem a si mesmos, se elle o mandas- 
se; e com maior vontade Iheobedecião, quando osman* 
dava para matar algum Princepe seu contrario, ouChris- 

; tao. Destes mesmos Assassinos forao os que matarão 

• publicamente o celebre Marquez de Monferrat emTri- 
poly da Syria ; a Conrado Imperador; ao Conde Ray- 
mundo, e a Eduardo irmão de Henrique 111. de Ingla- 
terra em 1271. Vid. Histor, of Ingl. pag. 345. E a 
historia dos Árabes pelo Abbade de Marigni Tom. IV. 
pag. ijS. na seguinte passagem. Hassassjn ^ ou As- 
sassin j d^oti nous avons pris le nomd'* Assas sin ^faur 
denoter ceux qui tuent de guet-appens. &c. 

O P. Bento Pereira , traz este nome na Prosódia ^ com 
a sua significação de certos infiéis, que matavão osChris- 
tíos por dinheiro , e a sangue frio. 

AssAQUiAT ci)U«U!^ Assaqutat, Vide Acequiat. 

AssoEiRA %y^y^\ Assoeiva. Aldôa na Provincia da Estre- 
madura, Patriarcado de Lisboa. Significa Imagem. De- 
riva-se do verbo ^^ sanara pintar; retratar , fazer 
imagens. Diccionario de dirdoso, 

§ AssuADA ^^:_jy:^\ Assuat. O clamor , a gritaria com 
que se pede soccorro. 

§ Ata í^ Hatta. Ate. Elucidário. Tom. I. pag. I5'5'. 

Atabal v^\ Attablo, Tambor, ou caixa militar. Em 

for- 



f% AT 

Portaç^i! são humas ciixas de cobre cobertas por hum 
só lado , e se tocao nas vésperas , e dias festivos ás por- 
tas das igrejas. Derlva-se do verbo j^^lo Tabbala ^ to- 
car tambor, ou atabal. O Vice-Rei o veio receber a 
bordo com bombardas ^ e som de trombetas , e at aba- 
les. Damião de Góes. Chronica d"* El Rei D. ManotL 
Part. 11. cap. 7. 

"^ Atabaque, outros Atambaque; porém mais próprio, 
Atabaq. ^Aii Atabaq. (voz Pérsica) O Aio, e Mes- 
tre do Princepe , o que o ensina , e tem cuidado na sua 
educação: tal foi Saad ibn zengi ^ que foi o primeiro 
que na Pérsia gozou desta dignidade, para reformar os 
Estudos, costumes , e ensinos dos Princepes d'aquelle 
Reino , o qual escreveo hum Tratado sobre este ponto. 
Vid. Rosário Politico pag. 215'. E volt and o- se para 
o Priftcepe \ para Atabaque seu grande privado , e 
para o Corchi baxi ^ que he o Capitão General dos 
Soldados &c. Govea Jornada da índia até Lisboa por 
terra. Livr. III. cap. 12. pag. 144. Sobre as excellên- 
cias deste nome, veja-se GoUio pag, 14. Pie mais pro- 
vável o ser voz Turca , e composta de ^:1 atd pai ^ e 
de ^j baq Senhor, que vem a ser pai do Senhor á se- 
melhança do íiome Hebraico abimalek* Usurpando os 
Árabes este nome , desde que a gente da Scythia fez a 
sua irrupção na Pérsia, Egypto, e nas Provincias visi- 
nhas. 

§ Ataca *5CxS1 Attecca. O cordão, ou atacador. 

Atafaes yxiW Attafar. Cinta larga de tecidos de cores, 
com franjas , que levão os jumentos , e bestas de carga 
em lugar de retranca. 

Atafona ^3^:í>iy\ Attahuna. Moinho, que moe sem ven- 
to, nem agua; mas he friovido por homens, ou porbes* 
tas. Deriva-se do verbo j.jacUs tdhana moer. 

At Al j A *:sx)U;!\ Attaija. São dois lugares na Província 
da Estremadura, Bispado de Leiria, termo de Tliomar. 

Si- 



AT 7^ 

S-gnifíca a coroada. Deriva-se do verbo ^^j tauaja co- 
roar. Chorograph, Tortug, 
Atalaia txWAS Attallaâ» Villa na Província da Estre- 
madura, Patriarcado de Lisboa, Significa lugar alto. 
Torre donde as vigias descobrem o campo. Lugar emi- 
nente. Deriva-se do verbo «XI5 tálea subir, e na VIIL 
Conjugação, he vigiar, olhar ao longe, descobrir cora 
a vista. Também se cliamão Atalaias os hcmens , que 
vigiáo os campos, fortalezas, praças , e presídios. Che^ 
gou d Mesquita pelas duas horas da noite ^ e logo 
foz suas Atalaias ao redor do campo. Damião de 
Góes. Cbronica d^ElRei D, Manoel, Part. IV. cap. 

Atambor jyjJie^S Attambúr. Vid. Tambor. 

* Atamobra %jy^^\ Almatmora. Aldêa no Reino do 
Algarve, termo de Tavira. Significa Cova , ou Cel- 
leiro subterrâneo, onde os Mouros costumao guardar 
seus trigos. Chorograp. Portug. O feitio das Matrao- 
ras , se pode ver no mesmo nome na letra M. 

* Atanor jyLiJl Attanur, Fornalha , ou Forno. O Ata- 
nor, he cova redonda, e liza por dentro, da altura dç 
8, até dez palmos, e larga á proporção. Nella costu- 
mao os Africanos, e Árabes do campo cozer o pSo, e 
assar a carne. He difFerente do forno; porque este hç 
fabricado de pedra e cal j e tem a bocca por hum lado, 
e o Atanor he cavado na terra , e tem a bocca por ci- 
ma, como o forno de cal. Este nome, só em Duarte 
Nunes se acha, e no numero dos vocábulos Arábicos. 

Atarafa tSS^S Attarafa. Vid. Tarrafa. 

Atarracar < '^j^u Tarraca, Verbo, (termo de ferrador) 
Extender ao martelo, atarracar as ferraduras. 

* At-ud C;^U1í Attabut, Arca, tumba, esquife. Deri- 
va-se da voz Hebraica tihota com a mesma significa- 
ção acima. Mandou aos Cavalheiros ^ que o não en- 
cerrassem até acabar^ e que o trouxessem comsigo 

em 



to AT 

em hum ataud. Duarte Nunes. Chronlca d'*ElReí D. 
Diniz , pag. 5-. 

Tambern he nome de huraa Aldêa na Provinda d'En- 
tre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Significa, 
o mesmo que o nome antecedente. Chorograph. Fortu* 
gueza. 

Ataviar, atavio ^.^LtaU Attiaba. (voz corrupta de 
taiaba ) Adornos, enfeites , compostura, preparos; do 

verbo < ^xlo taiaba. O Alcaide de Alcácer Kebir era 

o agente desta companhia ^ toda nobre ^ e mui bem 
ataviada. Damião de Góes. Chronica d^ElRei D. Ma-- 
mel. Part. III. cap. 70. 

* Atauxia if^^j^laW Attausia. Vid. Tausia. 

Ate' tic> haita. ( antigamente se escrevia atha ) Parti- 
cuia, que serve para limitar certo tempo, numero, e 
lugar. 

§ Atimar ^\ Atamma. Concluir, completar. Elucida-- 
rio. Tom. I. pag. 148. 

§ Atoar ^pi Atauah. Perturbar, estar atónito. Eluci^ 
dario. Tom. I. pag, 148. 

Auge ^^ Auge. (Termo Astronómico) He a parte su* 
perior do Excêntrico , ou Epicyclo ; e o ponto mais 
apartado da terra , em que pode estar o sol , e a lua , 
ou qualquer outro Planeta. Auge metaphoricamente se 
toma pelo mais alto gráo de qualquer cousa ; e assim 
dizemos N. está no auge da sua felicidade &c. 

A Origem desta voz , he Pérsica de que os Árabes a 
tomarão , e nós destes. Vid. João Gr avio. Compendio 
da Astronomia Pérsica. 

"* AxoRCAs A^^^^n Axxorca. São humas pulseiras de pra- 
ta á maneira de argolas , que as mulheres no Oriente , 
e Africa trazem nos braços, e pés por cima do calca- 
nhar. Deriva-se do verbo ^^^^ xacara que na III Con- 
jugação he encadear, enlaçar. Axorcas ^ manilhas^ e 
peças de prata y que a nora de Benduma despozada 

de 



AV 8r 

íe pouco trazia , e hum dos nossos soldados lhe cor- 
tou os braços ^ e pés para melhor lhas tirar. Damião 
de Góes. Chronica d'ElRei D. Manoel. Part. IV. 

cap. 39- . 

Blureau, seguindo o parecer do P. Guadix, deriva 
este nome da voz j^i; xarqui cousa do Oriente , sem 

attender que este liome se escreve com , ;, e aquelle 

com ^3, e cada hum tem diíFerente significação, assim 
como as letras, também são diíFerentes, ainda que na 
pronuncia soão o mesmo. 

O mesmo acontece entre nós com os nomes cella, 
cubiculo, e sella do cavallo; os quaes posto que na 
pronuncia tem o mesmo som , diíFerem nas letras ini- 
ciaes , e na significação. 

AvENBAÇA ,:5,i^ ^j\ Ebn-Baja. Apellido de hum au- 
thor Árabe , cujo nome era Abu-Bacar Mohammed , 
Ben-Baja, o qual foi o mais subtil de todos os filóso- 
fos Árabes. Trabalhou sobre Aristóteles, porque eile 
era da seita peripa tética. As suas obras forão traduzi- 
das em latim, e conhecidas por S. Thomaz, e por ou- 
tros Theologos peripateticos. Assim o diz Herbeloth 
na sua Bibliot. Oriental pag. 724. 
AvENZoAR jÁ>^^j\ Ebn-Zohr. Apellido de hum escri. 
ptor e medico Árabe, cujo nome era, segundo o Car- 
laz, Abu-Bacar, Ben Zohr. Deste faz menção o dito 
author no cap. 45- , quando trata dos médicos de lussof, 
filho de Abdclmuircn, aonde se expressa a seu respeito 
da maneira seguinte : foi hum dos seus médicos o Vizir 
(conselheiro) Abu-Bacar, Bcn Zohr , e vinha repetidas 
vezes á capital (Marrocos), na qual se conservava al- 
gum tempo, e voltava para a Hespanha ; mas afinal 
transferio-se para Marrocos com a sua família , e mo- 
1)1 lia , na qual permaneceo até que aconteceo a expedi- 
ção contra Santarém , em cuja batalha se achou. Era 
cllc intelligente na medicina, nas bellas letras, civiii^ 
/da^ic, iraio, e urbanidade^ ao que ajuntava a sciencia 

L do 



9% AV 

do direito, ô das cousas divinas; da historia dos dítosr, 
e acções do profeta , e da interpretação ; e conservava 
de mermoria, segundo diz Ben Áljadana, o livro deAn- 
nojari. Era em fim liberal, abstinente, e poeta. Fale- 
cco em Marrocos no dia 21 do mez de Dul-Kej-ja do 
anno ^<^y ( 1 199 ) , tendo então 94 annos de idade. 

Herbeloíh na sua Bibliotheca Oriental pag. 926 diz, 
que elle se chamava Abu-Maruan , Ben-Abdelmaleq , 
nome que no dito Cartaz se dá a outro dos médicos de 
lussof ., Ben Abdelraumen , contemporâneo de Avenzoar ; 
e por isso eu dou mais credito nesta parte ao Cartaz. 
Escreveo, segundo Herbeloth, vários tratados sobre me- 
dicamentos simplices e compostos, e o methodo de em* 
pregar os ditos medicamentos. 

§ Ayekroes ^^I^^í £^« Arroxa. Apellido de hum me- 
dico Árabe , cujo nome era Abu-Alimlid , Ben Roxd , 
o qual foi tido pelo mais hábil Doutor, Filosofo, e Me- 
dico, que os Árabes tiverão, ç o primeiro, que tradu- 
zi© Aristóteles do Grego em Árabe, mesmo antes dos: 
Judeos o traduzirem* Esta traducção Arábica, á qual 
o dito ajuntou hum copioso çomraentario, de que S. 
Thomaz e outros escolásticos se servirão , foi por nós 
vertida em Latim, antes mesmo de apparecerem os ori^ 
ginaes Gregos de Aristóteles, e dos seus commentado- 
res , segundo diz Herbeloth na sua Bibliotheca Orien- 
tal pag. 709. 

Delle faz também menção o Cartaz no cap« 45' , o 
qual lhe dá o mesmo nome; e foi contemporâneo de 
Avenzoar, e m.andado chamar por lussof, Ben Abdel- 
mumen, em 578 (1182) para residir em Marrocos na 
qualidade de seu Vizir e Medico y mas depois o nomeou 
Cadi de Córdova, 

% AvioMAR yç.s.^^*\ Ahiomar. Nome de hum Mouro, Se- 
nhor daquelia terra. Aldêa assim chamada na Provin- 
çia d'eníre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Car^ 

^ § Axo« 



A X 9í 

$ AxotAK ^Lil Axura. Obter , conseguir , sujíeitar ^ sub- 
jugar. Goíio, e Gigeo. O Capitão Mor aferrou de iu' 
ma Lanchara^ que logo a xor ou. Couto, Dec, VI. Liv. 
V. cap. 2. 

AzAFEMA *«^a*.yi Azzahma. Aperto de gente em lygar 
pequeno , e estreito ; também se toma por pressa , fer- 
vor, cuidado, diligencia &c. Deriva-se do verbo ^,^- 
zahama apertar, coarctar, restringir. 

AzAGAYA A3j\ svli Alchazeca, (voz corrupta) Lançt 

arrojadiça de que usao os Mouros quando montão a ca- 
Yailo. Deriva-se do verbo c-jk;^ cbazaca rasgar, pas- 
sar, ferir rasgando com lança, ou cora arma de ponta. 

Azambuja ^^vii Azzabuja. Villa na Província da Es- 
tremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa oiivai bra- 
vo , ou zambujal. 

AzAMOK^^jl Azmur, Cidade em Africa a três kgoas 
de Mazagão, Significa a Frauta , ou Flauta. 

AzAMBUjo ».=:>yjjí\ Azzabujo, O zambujo oliveira bra^a. 

♦ AzAQui j^^W Azzacá. Propriamente he o dizimo que 
se dá dos" fr actos que cada hum colhe das suas terras. 
O A%aqui , era hum dos tributos , que os Mouros pa- 
gavão aos Reis de Portugal , quando neste Reino erão 
tolerados j os qu-ies pagavão quatro qualidades de írir 
buto, a saber, tributo de cabeça, ou pessoal, que se 
pagava no primeiro de Janeiro, tanto por cabeça. O 
segundo era dos bens que possuiao , assim do gado , co^ 
mo das terras a que chamavão Alfitra, O terceiro, era 
o dizimo a que chamavão Azaqui, O quarto, era a 
quarentena, isto he, de quarenta pagavão hum de tudo 
quanto possuiao, Monarch, Lusit. Tom. VI. Deriva- 
se do verbo ^^j xacd^ que na 11. Conjugação he fa- 
zer esmola i dar os dizimos , offerecer dadivíi para re- 
"Conciliar o animo do Soberano j justificar-se , purificar- 
»c peio azequi. Mcdcdes amhn Alfitra e azaqui. Or* 
denação AíFonsinha. Moraes. 

L 2 A 



«4 AZ 

A esmola entre os Mahoraetanos , he de dois modos , 
huma he voluntária a que cliaraao ^'j^ sadaca^ que 
he de justiça; a outra he imposta pela Lei, que pro- 
priamente he tributo , ou Decima que se dá para a sus- 
tentação do Rei, e da guerra ; que elles também a tem 
por esmola, e lhe chamáo Azzacdt ^ termo mui repe- 
tido no Alcorão. Vid. Refutatio Ale or anis , por Mar- 
ratius. cap. 6. da esmola, pag. 19. 
§ AzAH y^s. Asar, Difficuldade , infelicidade , fortuna 

adversa. Catalogo de vozes Castelhanas, 
AzARClo . >>5^>^^ Azzairacun, Tinta vermelha de que 
usão os pintores. Também se pode escrever sem o arti- 
go ai. 
Aza ROLAS j^y^-SS Azzarur, Certas frutas do tamanho 
das sorvas. São de duas qualidades , brancas , e encar- 
nadas. O gosto he agrodoce. Em algumas Pharmaco- 
peas impropriamente lhe dão o nome Latino Mespilum , 
que he o das Nêsperas. 
AzEBO i_«^j01 Azzaibo, Lugar na Província da Beira Al- 
ta, Bispado de Lamego. Significa Lugar do Cabelludo. 
Deriva-se do verbo ^\' zàba ser peludo , ter muito ca- 
bello. Diecionario de Cardoso^ 
AzEBRE ^xAa!t Assabre, He o sueco de huma herva mui- 
to amargosa , por outro nome Aloé. Deriva-se do ver- 
bo ^AAí» sabara esperar , ter paciência. 
AZEDIA A,>^y\ Azz^aidia, Aldêa na Provinda da Estre- 
madura , Patriarcado de Lisboa. Significa cousa aug- 
mentada , ou accrescentada. Deriva-se do verbo ^jj z^a- 
da augmentar, accrescentar. Cardoso. 
Azeitão ^. ^^x^jil Azzeitun. Lugar na Prarincia da Es- 
tremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa olival, ou 
as oliveira. Chorograph, Fortugueza, 
AzbiT5 cij<iy\\ Azzait, Óleo da azeitona. Da mesma ma- 
ftçira o pronuncião os Hebreos zait, 

AZ'EI- 



I 



AZ Vy^ 

Azeitona ^jjyi^jl] Azzeitujj. Oliva , ou fructo das Oli- 
veiras. 

Azemel JUy^ Azzamal. Almocreve. 

Azemel ^\ Algeme (voz corrupta ) Ajuntamento, Ar- 
raial, Congregação &c. Mandou Nufio Feriíanâes d 
Lobo Barriga , que fosse ao Azemel de Abida , onde 
os Capitães das Cahildas ^ e Aduares tinhao as suas 
Tendas, Damião de Góes. Chronica d' El Rei D. Ma-- 
noel, Part. III. cap. 32. pag. 327. 

AzEMOLA jò^-w Azzamla. (voz Africana) Besta de car- 

AzBNHA íuX^í Assanha. Moinho de agua que serve para 
trigo. Ha também azenha para moer azeitona, e se cha- 
ma lagar. Deriva-se do verbo Surdo ^ sanna : que 
na II. Conjugação , significa amollar , aguçar, fazer 
dentes a huma roda. 

No foral, que D. AfFonso Henriques deo á Cidade 
de Coimbra , acha-se este nome escripto sem corrupção, 
Assania, Vid. Monarchia Lusitana, Tom. IIL Es- 
criptura XL 

AzE^NHAGA AJuy\ Azzancha. (voz corrupta) Aldêa na 
Provincia da Estremadura,. Patriarcado de Lisboa. Rua 
estreita, e apertada.; caminho entre duas paredes, ou 
matto. Deriva-se do verbo uJuj zanaca apertar, es- 
treitar. Cborograph. Portug, 

$ AzEQuiA mU^\ Assaquia, Rcgadeira , ou presa para 
regar as terras. Elucidário ^ Tom. I. pag. 15* 8. 

§ AzERBE v.^y^\ Azzarbe. A sebe. Segundo Moraes si- 
gnifica o paravcnto feito de ramos para amparar as ei- 
ras. 

5 AzEBVADA tj^j^\ Azerbia, O muro de madeira. E aU 
It quizer ao fazer huma azervada ^ em que pensavao 
à€ se sahar. Moraesj e nos Inéditos da Academia. '^ 

§ Azfi-' 



88 AZ 

§ AzsvAi* ^Xé-yW Az.eha!. As imrrruiadicias. Lugar na Pro- 
vinda da Beira , Bispado da Guarda. Cardoso, 

§ AzEVAR ^\ Asebar. A herva baboza. Duarte Nu^ 
nes de Leão. 

Az£NHAVKE^\u-^*yí Azzenjar. (voz Pérsica ^^j zçn- 
gir) matéria verde, ou ferrugem que de si lança o ara- 
me, e cobre mal estanhado, verdete. Na Pharmaço^ 

, pea se acha escrito Alzenjar , Tora. I. pag. 68. 

AzENiTH cJi^^J! Assúmt. Vid. Zenith, 

AííBviXE uâLji^ Azzebaoiõ. Pedra mineral, negra, e lev^. 
Deriva-se do verbo -j^^ sabbaja tingir alguma cousa 
de negro. Na Pharmac, acha-se escripto Azevael^e» 
Tora. I. pag. 74. 

* AzEZE x^j. fi Azize, Aldéa no Reino de Marrocos per- 
to de Tangere. Significa cousa estimada , e incompará- 
vel. Nuno Fernandes d'*Ataíde , mandou qtte fossem 
Sabre huma Aldêa chamada Azfze» Damião de Góes, 
Cbronica d^ElRei D. Manoel. Part. III. cap. 31. pag. 

338. 

Aziar ^\ ,vjí Azziar. (Termo de Alveitaria) Mordaça 

de ferro , ou de páo , que lanção ao beiço de cima de 
qualquer besta para estar quieta, quando a querem cu- 
rar, ou ferrar. Deriva-se do verbo ^j • zaiara^ lanhar 
o aziar a q^lquer besta, apertar. 

AzicATE iíCiiJí Axx acate. Espora de huma s<5 ponta de 
que usão os Mouros de Africa; vulgarmente chamada 
Pua. Deriva-se do verbo Surdo Xi xa€ca picar, mo- 
lestar j estimular, escandalizar, e não do Caldaico ha- 
zacat o aguilhão. Vid. Acicate. 

§|AziMELA ^X^yí Azzamela. Besta de carga , azemola. 
Elucidário ^ Tom, I. pag. ijS. 

t AziMUTH u:i*.ív^n Assamt. Significa o mesngD que Ze- 
nith. 

§ AzoBEiRA j^^tí^ Â&&aarur. Azarola , Nespa. Dá aqui 

o 



A2 ff' 

o notóe do ftucto a arvore. Elucidaria, Tora. I. pag. 
165. 
Azota ai^1J\ Azzauia, São dois lugares na Província da 

Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Signiíicãa angu* 
lo, ou canto. Diccionario Geographico, 

AzouGUE c— Vaj^í Jz'Zaibaq. {a) (voz corrupta) Senii- 
metal fluido*, e muito pezado. Deriva-se do verbo c^Vj^ 
%abaca ^ correr de hum lado para outro; ser inquieto, 
e vacillante. íia Pharmacopea acha-se escripto Alzai-- 
baq. 

* AzuAGos lJíS^^S Azzuaq, Nome de hum povo de Afri- 
ca 5 significa os enfeitados. Deriva-se do verba t V^j 
zuuaca^ ornar, enfeitar. Este povo he antiquíssimo na 
Africa, para onde passou da Pnenicia pela perseguição 
que lhe fez Josué filho de Nun, e como os Egypcios o 
não quizerão admittir no seu paiz, passou para Africa, 
e habitou na Província dá Libya muitos annos antes dí 
rinda de Christo, até que os Vândalos, e Godos con- 
quistara© aquella Província de quem forao siageitos. Is- 
U) se collige por huma inscripção que se achou na so< 
brcdita Província cm caracteres Phenicios sobre huijna 
fonte, que diz o seguinte. Nos sumus qui fugi mus, a 
facie Josué Latronis filii Nun, U Afrique de Mar-- 
vioL Livr. I. cap. 25*. pag. 71. 

Este povo , vive presentemente sugeito ao Rei de Cu- 
co, distante de Argel 130 milhas pela parte do Orien- 
te. Os mesmos Azuagos, suas mulheres, e filhos tra^ 
zem no meio da testa, ou no braço direito huma Cruz 
verde artificialmcnce feita com bicos de alfinetes. Aos 
Azuagos ficou este costume do tempo que forão sugei- 
f06 aos Godos para divisa entre os que erao Christaos, 
e Gentios; para o que, mandarão, que todos os que 

erão 

(*) No dialecto de iVkdina na Arábia cliamâolhe ó^'S^ Ataug. DerL 
yt^n do vcibo Arábico ó^j Zaif^a. Pintar com azougue. GoUo, 



8S AZ 

erâo Christâos fossem assignalados com huma Cruz ta- 
lhada na carne, dando-lhes juntamente com este signal 
hum privilegio de serem izenros do tributo, que os ou- 
tros pagavão. Esta devisa ainda se conserva entre este 
povo , ainda que nâo saibao a causa , somente tem por 
tradição, que são descendentes de Christâos. Vid. João 
Leo , Descr. de Africa, Part. IV. Os Mouros nesta 
Cidade ^ são infinitos ^ e de muitos géneros \ porque 
huns são Azuagos ^ que são descendentes de Chris- 
tãos ^ outros se chamão Andaluzes, Jornada de Mn-^ 
ca. ^ por Jeronymo de Mendonça. Livr. 11. cap. 15'. 
pag. 129. 

Azul j.^j:í Lazur. (voz Pérsica) Cousa azul. Donde os 
pintores , e lapidarios tomarão o nome da pedra a que 
chamão Lajpis lazuli ; e os Árabes , e Persas lhe cha- 
mão is^pp Lazuardi. 

Azulejo -,-^JOi Azzalujo, Espécie de ladrilho pintadp, 
e vidrado usado entre nós , e bem conhecido. Deriva- 
se do verbo J. / zallaja ser lizo , escorregadio. 

Ayxa aííac âixa. (nome próprio de mulher) A viven- 
te: assim foi chamada a mulher de Mafoma, e a mais 

querida entre as mais que teve. Deriva-se do verbo j-\ c 

âxa viver. Também he nome de Aldêa na Província 
d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga, que 
vem a ser AIdéa de Ayxa, Senhora ^ ou fundadora del- 
ia. Chorographiíi Pvrtugueza, 

Ayxa Anzures ^^^aí,z aí^ax: Ayxa ânsqra. Nome próprio 
da mulher de Echa Martim, Rei de Lamego j o qual( 
depois de vencido por Dom Affonso Henriques , se ba- 
ptizou com sua mulher, e a maior parte da «ua famí- 
lia; por cuja acção lhe deo D. AíFonso Henriques o 
dominio de Lamego , e seus limites para nelle viver co- 
mo se coUige da seguinte passagem. Ecba Martim^' 
Dominus Lameca . . , donationem quam nemo postnos 
irrunipat y neque violet ..... quam illifacio de tota 

ter- 



AT 89 

terra de Lameco quam ipse semper haluit àe suis 
patribus Sarracenis , qui ibi regnaverunt : ir quia 
ego tllum víci , ÍT prehendi cum Axa Anzures , cum 
multis feminis \ Ò" postquam erant ad meum velle 
xolíiit esse Christianus , tam ipse quam Axa Anzu^ 
res ^ do illis ^ ò^ suis posteris locum Lameca ^ é^ to^ 
tam suam, jurisdictionem &c. Chronica de Cister. 
Tora. I. Livr. V. Câp. i. pag. jjp. 

B 

§ D A B A sLlxI Loaba. Duarte Nunes de Leão. 

Babe juU«^ Èahe. Freguezia na Província de Traz os 
Montes, Bispado de Miranda. Significa portinha. De- 
riva- se de babon ^\ j a porta. Chorograp. Portug. 

Babegardo ^jey^s v_,\_j Babelárdo. AIdéa na Provincia 
da Estremadura ^ Patriarcado de Lisboa , termo deTho- 
raar. Compoem-se de í_,L-j babe a porta, e ardo ^^ 
largura , significa porta da largura. Diccionario do 
Cardoso. 

Baceca s^j\ j Babeca, Lugar na Provincia da Estrema- 
dura , Patriarcado de Lisboa. He nome composto de 

^\ * babe a porra, e do affixo, ou pronome pessoal 

da segunda pessoa ^5 cd tua \ e faz o composto de tua 
porta. Chorographia Portugueza. 

§ Bachari ç-r,U;j Bãxari, He huma das festas, que os 
Mohammeranos annualmcnte celcbrao. Tendo ElRei 
ordenado ^ que a festa , a que chamao Bachari se ce- 
lebre em memoria do sacrifício de Abraham , e docar^ 
neiro , que elle ofTereceo por seu filho Esac. Bar. Dec, 

Bajal ^j^ Baçíil. Freguezia na Provincia de Traz oà' 

M Mon- 



po B A 

Montes, Bispado de Miranda. Significa ceboUal , ou 
lugar das cebollas. Chorographia Portugueza, 
Bácoro ^^Kj {a) Bocairo, Nome diminutivo de ^k^ ba-^ 

cron o boi. He o mesmo que novilho. Os Árabes cha- 
mâo bocairon a toda a cria que he pequena. 

Badajos g^^xJl^tjkj Baladelaixe. Cidade na Província da 
Estremadura de Gastei Ia sobre o Rio Guadiana. He no- 
me composto de ^^j belad o paiz, e do artigo £•/, e do 
nome jí^aj- aixe o sustento, ou alimento , e vem a ser, 
terra do sustento: assim lhe chamavão os Mouros, e 
seria pela fertilidade de seus campos. Vid, Monarch. 
Lusitan, Tom. II. cap. 1.7. e U Afrique de MarmoL 
Tom. I. pag. 208. Mas o Geographo Nubiense , escre- 
ve este nome <^^ALij Badalius , e os nossos antigos as- 
sim o pronunciavão ; e por isso me inclino, a que o no- 
me nâo venha daquellas palavras,; com tudo os Mouros 
pela fertilidade do terreno lhe chamavão por antono- 
másia terra dos mantimentos. 

Badana ajj<j Badane, {b) A extremidade da pelle , ou- 
da. carneira , que he muito fraca, e de pouca utilidade. 
Deriva-se de ^ ^^ badan o corpo de qualquer maté- 
ria; pello, couro. 

Badim (. yj^^ j Badim. Freguezia na Província d'entre 

Douro e' Minho, Arcebispado de Braga. Significa prin- 
cipiada. Deriva-se do verbo ts^ bada começar, prin- 
cipiar. (Jhorograph, Portugueza, 

Bafari -,L_:^j Bohari. (Termo de caçador) Espécie 

Çrt) PersLiado-me ter havido engano em dizer-se que Bácoro he o mes- 
mo que novilho , assim como na sua ecymologia , porque Bácoro entendo 
eu ser pequeno porco fundado nos nossos diccionarios , o qual pode ser Ará- 
bico do nome y^j Baqro que significa cria nova de i até 2 annos. 

(Jf) Badana talvez seja antes o nome Arábico Á'jlkj Baiana^ que sig- 
nifica forro , e também as pelles curtidas das ovelhas , que servem para for- 
cos dDs çapatos. 



BA 91 

"de Falcão assim chamado, algum tanto avermelhado. 
Também he nome de cerras aves de rapina , que passao 
o mar, significa cousa ultramarina. Deriva-se de ^^^^ 
bffhron o mar. Bluteau. 

§ Bafeta* jui^ Boftd, Certa qualidade de panno de al- 
godão da índia. 

Bagueixe ^í^^svj Bachueixe. Lugar na Provinda de Traz 
os Montes, Bispado de Miranda. Nome diminutivo de 
Jt.:ksj bochxon o buraco. Significa buraquinho. Deriva- 
se dó verbo jc.s:aj bachaxa furar, abrir buraco. Cho- 
rograph. Portugueza. 

f Bahabes íSjUj Bahari. Certo pezo da índia, que con- 
tem iresentos arráteis dos nossos. E que ElRei de Co- 
lombo era contente de ser vàssallo d^ElRei D. Ma- 
noel com o tribi/to dè trezentos Baharis todos os an- 
nos. Barr. Dec. III. Liv. II. 

% Bahabin ^^3í\j Bahrain. Dous mares. Nome de hu- 
ma Ilha fronteira deCatifá , cujos moradores sâo Mou- 
ros e Árabes. Barr, Dec. III. Desta ilha tomou An- 
tónio Corrêa o apellido díe Baharin , a qual ElRei D. 
[joão II L lhe deo ^ e d sua familia, BI u tau. 

§ BaJU ^^ Badju. Certa espécie de roupão, de que ais 
mulheres muito usavão , e de que algumas ainda usão 
nas nossas Provincias, aonde lhe dão este nome. ElRei 
de Calecut estava vestido com hum Baju branco de 
seda e ouro ^ sentado em hum Catei. Damião de Góes, 
Chr. d' El Rei D, Manoel y?'^vx. I. cap. 14. 

Balcam iô^ju Balicana. ( vò^ Pérsica) Rótola de ma- 
deira , ou de ferro de huma janella. Entre nós he va- 
randa com grades, ou sem dias , que servem de guarda 
ás janellas. Castello. 

Balde, cousa de halde ^X^^k^ Rateie, (voz corrupta) 
Cousa váã , frustrada , baldada , sem utilidade. tJeriva- 
sc do verbo ^^ batãlà^ ser ocioso^ feem pf e^ftJmo , sem 

" talor , iMitil. * v. -' 

M 2 Bal- 



^92^ . BA 

Baldio, campo baldto ^\[j Baledon. Campo ou terra 
inculta-, lugar agreste, sem cultura. Deriva-se do ver- 
bo j^L balada , habitar em lugar dezerto , e sem cul- 
tura. Também he nome de huma Aldêa na Província 
do Alem-Tejo , Arcebispido de Évora. Significa a mes- 
ma cousa. Chorograph, Portugueza, 

Baleide «jsAj Baleide. Aldêa na Província dar Beira , 
Bispado de Coimbra. Nome diminutivo de ^L bala^ 
don terra, Villa &c. e vem a ser terra pequena. Tod:ís 
as mais Aldeãs deste nome significão o mesmo. Vid. 
ficcionar lo Geographico de Cardoso. 

Balio j, Ualío, Senhor Príncipe, Heroc, Nobre. Deri- 
va-se do verbo J^ ualla. Constituir alguém era digni- 
dade, Principado, ou Senhorio. 

Bluteau seguindo o parecer de alguns Authores , de- 
riva este nome de Bal o Guardião; ou do Toscano Ba- 
lia o poder, ou finalmente do Italiano Bdlia a ama; 
porém he mais provável a derivação Arábica que lhe 
dou, não só pela significação do verbo, donde se deri- 
va, mas também pela pouca corrupção da pronuncia. 
Vid. Gollio^ e Castello. 

§ Balouta 'iis^j Balluta, Bolota. Nome de duas Aldeãs 
na Província de Traz-os-Montes , Arcebispado de Bra- 
ga. Cardoso, 

Bálsamo ^^l Balsam. (voz Pérsica) Este nome não 

só significa Bálsamo . . ^l«,L entre os Árabes, e Persas, 
mas também qualquer'^oIeo aromático. Vid. Herbelot 
pag. 191. e Bailey Diccionario Etymolog, Anglico 

Latino. 

Baluta »]o^\j Balluta. Aldêa na Provinda adentre Dou- 
ro e Minho, Arcebispado de Braga. Significa sobreiro, 
ou azinheira , que dá bolotas , ou as mesmas bolotas. 
Diccionario Geographico de Cardoso. 

§ Banco ^Uj Uanco. Nasce este nome do verbo ^^ Ua-^ 



BA 9:? 

núca 5 que significa fixar o assento. Duarte Kuties de 
Leão, 

§ Banda jjj^ Banda, Bandeira , ou banda de Oflicial. 
Cat, de vozes Castelhanas. 

§ Bangue ^ Bang, Meiraendro. Moraes diz que he 
certa espécie de canamo, com cujas folhas se embebe- 
dâo os índios. 

§ Baque «5^ Uaqdo, Queda , cabida. 

Baraço ^^^ Maraçon, Cordel , corda delgada. Deriva- 
se do verbo ^j^yt mar aça ligar, atar com cordel. 

Barão ^L Baron, ( voz Hebraica ) Bar, Cousa justa, 
pura, limpa de toda a mancha. Em Árabe significa o 
mesmo. Alguns Authores derivão este nome da voz 
Grega, cousa grave, solida, e que tal deve ser o Ba- 
rão. 

Barato y^ioKt^BardteL (voz Pérsica) Soborno, cu da- 
diva que se dá de graça : no jogo , he porção de dinhei- 
ro, que dá gratuitamente o taful ao jogador, ou ás pes- 
soas , que o tem servido no jogo. 

Barbaioon «xjIj^ Barr baidon, Freguezia na Provincia 
da Beira, Bispado da Guarda. Nome composto de ^ 
barr o campo, e de ^L» baidon destruido^^ estragado, 
arruinado, e significa, campo arruinado. Diccionario 
Geographico. 

Barbkita Ckxj w Barr baita. São duas Aldêas na Provin- 
cia d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. He 
nome composto da ^ barr campo, e de cIa^j baita a 
casa. Significa o campo da casa. Chorograph,' 

Barcarena Uj^í'^ Barr carreina. Lugar na Provincia 
da Estremadura, Patriarcado de Lisboa. He nome com- 
posto de y^ barr terra, € ^ carra habitar, e do afixo 
U na nós, e vem a ser, terra da nossa habitação. 

BARcouqo ^^iya Barrcouço, Lugar na Provincia da Bei- 
ra, Bispado de Coimbra; Corapoem-se de ^ barr cam- 



^94 ^ A 

po , e de ^-^^^ causòn o arco , e vem â sef , campo do 
arco. Chorog. 

'§ Barkakha XÔJ.J fornia. Vazo de barro com gargalo 
estreito. 

Barregana a3Kjj.j Bar gana. (voz Pérsica) Espécie dé 

" tecido de laã assim chamado. Gollio pag. 263. 

Barria ^^^j Barria, Aldêa na Provincia d'entre Douro 
e Minho, Arcebispado de Braga. Significa campina, ou 
dezerto. Chorograph, 

Barrio iSyJi Barrio, Aldêa na Provincia da Estremadura^ 
Patriarcado de Lisboa. Significa cousa campestre, al- 
deaâ, de2;erta. Chorograph. Portug. 

§ Barria , e Barrio i^yj Barria ç^^ Barrio, Lugar in- 
culto , deserto. Nomes de diversas Aldéas na Provincia 
d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. C^r- 
doso. 

-§ Barroca ^^^ Borca. Terra inculta cheia de penedia , 

e cascialho. 
, § Batea i^xloU Batia, Vaso d^ barro bojudo. Moraes diz 

' 'íer hum vaso de madeira como alguidar côm fundo aftt- 
hilado, que serve para a lavagem do ouro, que fica no 
fundo, quando se lava a terra. Gollio dandò-lhe a pri- 
meira significação, accrescenta que serve para pôr vi- 
nho na meza ; e por isso eu creio ser a botija , a que os 
Mouros dão este nome. ^ ^^y-^S "^.'i^f 

* Bátega as:\aÍ£>j Batecha. Melancia. He voz Arábica, 
e não Portugueza , como advertio Laguna, comentando 
Dioscorides. Livr. IL cap. 124. Vid. Bluleau, 

§ Bátega hIí^- Butaga. Prato, ^escudela, ou crizol, era 
que se porificão os metaes. O vis^orey mandou cavair 

'^\ çspaços d'*ÉÍRei todos para ver ^ se achava os the^ 

^ '-'louros ^ que nEo achou iy ^ o mesmo fez ao Pagode 
grande^ qm\aU'i està'òià ^^emtiue \^e aâ^ 
Ídolos de ouro e prata gí-a-fid^:^ è pequenos , c^undieiro^'., 

bátegas y&c. Couto ^Dcc. VI. Lír. IK. cap. 17. 

* Ba- 



* Bátega (j) ^^[j Bàtea yOw Bateja. Prato côvg, ti- 
gella , ou sopeira á semelhança de gaiTiClla. GoUio tem 

. esta voz por estranha , e a deriva do Pérsico , e lhe dí 
a significação de vaso de barro que eos«tumão os Per?as 
encher de vinho, e pôr sobre a meza; onde cada hum 
enche a sua taça. Vid. GolL pag. 279. 

jAXA^.Lát -P^^^'». (voz Turca) Dignidade que corres- 
ponde á de Governador de huma Cidade , ou Provincia. 
Deriva-se de jXj Pdx a cabeça , por ser o Baxa cabe- 
ça daquella Provincia, ou Cidade pelo poder que lhe 
he concedido. 

* Bazar JjXj Bazar, ( voz Pérsica ) Praça ou Feira , on- 
de- se vendem todas as castiis de mercadorias ; donde de- 
duzem o nome de ^^j\áj Bazarcdn negociantes, ou 
itiercadores. ElRei se recolheOy e o Bazar se leDan^ 
tõu, Fernão Mendes Pinto. cap. 2. pag. 13. 

Bazapuco á^J^j^j Bazaraq, ( voz Persiea ) Moeda da 
Pérsia , e da índia. Vale menos de hum real dos noa-^ 
8os; de sorte, que hum vintém na índia tem doze réis, 
e este tem quinze bazarucos. Neste Inverno por haver 
falta de bazarucos , mandou o Governador fazer ou- 
tros mais pequenos, Andrade. Chronica d^JElRei Z). 
João 11. Part. III. cap. 97. pag. 131. 

* Bec. ^^ Beiq. (voz Turca) Dignidade, que corres- 
ponde â de hum Capitão. Era nesse tempo Capitão em 
Catifa Mahovted Bec , Turco de na^ãú , e grande ini^ 
migo dos Portuguezes. Couto. Década VII. cap. 10. 

EDEM ^. ^o*J Baddn, Espécie de capa com que os Mou- 
ros se coÊrem. Deriva-se de j. >^j badana cobrir o cor- 
po , vcstir-se. Vinha vestido a moda Mourisca , cami- 

za 

W Parece-me mais própria a ctymologia que eu dou a este nrnie de- 
ijvando-o cb nome Butaj^a , porque o nome batea he differciite, do qual 
pouco acima fa^o também mcnqáu 



96 BE 

za branca^ e seu hedem em cima. Barros Década III. 
foi. 8o. 

* Beduin ^^òsi Badauí, Homem rústico, que vive no 
campo. Os Árabes Domésticos, que vivem nas Povóa- 
çtíes, chamão Beduins a todos os que vivem no campo. 

Com pouco fundamento, diz o P. Fr. João dos San- 
tos na sua Ethiopia Oriental. L. V. cap. 17. que os- 
Beduins sáo pastores de gado, porque ainda que muitos 
destes o sejâo, o termo he mais amplo, e comprehende 
todo o que não he da Cidade. 

E muito menos são os moradores da Ilha Socotorá 
como diz Joinville no seu Vocabulário. Tom. VIL e 
Bluteau segue o mesmo parecer. Vid. Tora. II. de seu 
Diccionario. Beduins , são os Mouros , que vivem no 
interior da terra. Barros Década I. foi. 184. 

§ Beduin (^w^ou Baduin, Camponezes. Aldêa na Pro- 
víncia d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. 
Cardoso, 

Beitareins ^jij^ia^^^ Beitartu, Freguezia na Província d* 
entre Douro e Minho. Os Ferradores, {a) Deriva-se 
de ^Li/>j haitara ferrar. Chorograph, Portugueza, 

* Belauan t . *Uc , ,j Benâuãn, Aldêa no Reino de Afri- 

ca , termo de Tangere. Significa Aldêa do filho de re- 
petido. Nome daquella família. F^ porque estes Alcai- 
des estavão em huma Aldêa forte chamada Belaudn» 
Damião de Góes. Chronica d^ElRei D, Manoel, Part. 
III. cap. 5-. pag. 377. 
§ Belazima »^jyíi csXj Belad-hazima. Paiz destroçado. 
Nome de huma Aldêa na Beira , Bispado de Vizeu ; e 
também de hum Lugar e Rio no Bispado de Coimbra. 
Cardoso, 

Bel- 



(a') Significa propriamente alveitares, e o verbo, donde se deriva 
exercer a alveitaria , ou a arte vôterenaria. 



B E 97 

BELDROEGAS íSSjòSj Baldoraca. (voz Pérsica) Hortaliça 
bera conhecida. 

* Beledulgerid joj^í ò^^j Belaãelgerid. Região em 
Africa , antigamente charaada Nuraidia , ou Getulia ; e 
por ser abundante de palmeiras os Geographos lhe dão 
o norae de Dactylifera , que produz muitas tâmaras. 

He nome composto de ^^ belad o paiz, ou região, 
e de jo^a. girid as varas, ou ramos da palmeira. Blu- 
teau traz este norae somente com a significação de va- 
ras, ou ramos seccos da palmeira, e não faz mensão do 
primeiro nome ^'^ belad o paiz. Vid. o mesmo Tora. 
11. pag. 123. 

Beleguins ^^L Baleguin. O official inferior de justiça , 
que prende'; vulgarmente quadrilheiro, ou esbirro. De- 
riva-se do verbo íJlj h alaga ^ que na II. Conjugação 
significa trazer^ acompanhar, guiar, lançar mão a al- 
guém. 

§ Beleguins ^^ Belagui, Chanelas mouriscas. Acha- 
se este nome"na primeira carta d'ElRei D. AflTonso IIL, 
pela qual absolveo os Monges de Alcobaça da obriga- 
ção que tinhão de dar aos Reis de Portugal hum par de 
Borzeguins, ou huns Beleguins a sua escolha. Liv. L 
das doações pag. 30. 

* Benabecete ^^UxJí^^^ Benelahbaci. Porta da Cidade 
de Marrocos. "Tcraou o nome de huma grande Mes- 
quita , que está fera dos muros da dita Cidade , dedica- 
da a Benabbas. Também lhe chamão a Mesquita de 
lJ^Míí^ isòsj^ Cidi Elabbas. 'Nuno ã^Ataide ^ com os Xe- 
ques assentarão de hir primeiro atacar Marrocos fe-- 
la porta chamada de Benabecete, Damião de Góes. 
Chronica d'ElRei D, Manoel. Part. III. cap. 74. pag. 

424. 

Também he nome do Castello que está "na Villa de 
Alcobaça defronte do Mosteiro. Vid. Monarch, Lusit. 

N Toiíu 



9» BE 

Tom. II cap. 28. pag. 375-, da doação que EiRei D. 
Aftonso Henriques fez áquelle Mosteiro. 
§ Benalberguiís ^i^í ,^^ Benalbargax. Apellido da 
familia senhora daquella terra. Nome de huma Fregue- 
zia na Província do Alem-Tejo, Termo de Évora. Na 
Cidade de Rebate em os estados de Marrocos ha huma 
das suas mais distinctas familias com este apellido. 

* Bena M^quAR ^^^.cL* ç^_yj Ben mexuar. Nome de famí- 
lia. Os descendentes do aconselhado. Saquearão todas 
as Al dê as até a Serra de Tangere , e a que faz ros- 
to contra Benamaçuar. Damião de Góes. Chronlca d* 
E/Rei D, Manoel. Part. III. cap. 75'. pag. 42o. 

* Bena mira s^a^í ^^jj Ben amira. Nome de huma famiw 
lia de Africa. Os descendentes da Princeza. Na bata- 
lha morrerão alguns dos de Alibentafuf^ em que en- 
trou o Xeque dos deBenamira. Damião de Góes. Chro- 
nica ã^ElKei D. Manoel. Part. III. cap. 5-1. pag. 380. 

* Benamita a>c (j^j Benâmeta. Nome de família. Os 
primos. Mandou o Almocadem dois Mouros de pdz , 
para saber onde estava Alhella (o Arraial) de Be^ 
namita, Damião de Góes. Chronica d^ El Rei D. Ma-- 
noel. Part. IV. cap. 4. pag. 5*27. 

* BfíNANiFA ^Ujb^ ^^yj Benhanifa, Nome de huma famí- 
lia de Africa. Os da familia de hanifa. Tomado o des^ 
pajo lhe poserão o fogo , e ds mais Aldeãs até a de 
Benanifa. Damião de Góes. Chronica d* El Rei D. Ma- 
noel. Part. IIL cap. 75". pag. 426. 

Benasafarim ^^^^l^^ ^^ Benassaharin. Freguezia no 
Reino do Algarve, Termo de Lagos. Significa a dos 
feiticeiros. Deriva-se do verbo ^«^^ s abara encantar^ 
enfeitiçar. Diccionario de Cardoso. 

Bentcatel _\jU ^^j^ Bencatél. Aldêa na Província do 
Alem-Tejo, Arcebispado de Évora. Significa Aldêa do 
filho do matador. Deriva-se do verbo y^ catalã ma- 
tar. Chorograph. Fortugueza. 

§ Ben- 



BE 99 

Ç' BekcAtel x:l3 ^^yj Ben-CdteL Filho do matador. 

Freguezia , Quinta , e Ribeira deste nome no Termo de 
Villa Viçoza. Lê-se na historia do Conde da Ericeira, 
que entre o povo desta VilJa corria a tradic^^ão , que o 
I." Duque de Bragança, que entrasse na dita quinta 
deixaria de ser Duque; e que tendo entrado D. João IV.; 
por isso deixara de o ser , por ter sido acclamado Rei. 

§ Ben FARRAS y-^^/^j Benf arras. Filho do cavaileiro. 
Nome de huma Aldêa no Reino do Algarve. Cardoso. 

* Benamkt tjLt^L. ^j Bendhmed. Nome de huraa familia 

na Provincia de Ducala, Reino de Marrocos. Pêro di 
Menezes determinou correr o campo de Ben ame t, Da- 
mião de Góes. ilhronica d^ElRei D. Manoel, Part. IV. 
cap. 49. pag. 5-4. 

* Benge, ou Bebengi ^;j Bengi. Herva salutifera. Os 

Latinos lhe chamão Apollinaria. Vid. Pharmacopea. 
Tom. I. pag. 75-, e Avie, cap. 30. pag. 84. 

Berberes ^^ Barbar, Sáo os habitadores de Berbéria. 
Deriva-se de ^ barron, O campo , dezerto. &c. 

Bertel _xj^ Barrtéll. Aldêa na Provincia da Beira , 
Bispado do Porto. He composto de y barr o campo, 
e de ^ téll o outeiro , e vem a ser , campo do outeiro. 
Chorograpb. Portugueza. 

Bertarouca iCi^j^yj Barrtaruca, Freguezia na Provincia 
da Beira, Bispado de Lamego. Campo trilhado, ou fre- 
quentado. Chorograpb, Porttigueza. 

Betuaria AjyjC^*j Beitbaria. Freguezia na Provincia da 
Estremadura, Patriarcado de Lisboa. He composto de 
Caaj beit a casa , e de ^^j barria o campo. Casa do 
campo. Chorograpb, Portugueza, 

Bezuak, pedra BtzuAR^Uy^l^ Badzahar, (voz Pérsi- 
ca) He pedra contra o veneno. He nome comprsto de 
il^ bãd a pedra , e de ^Uy zahar o veneno. O P. Ben- 
to Pereira na sua Prosódia lhe dá a significação de Re^ 

N 2 g/- 



roô B I 

gha venenl Junto d Cidade, ha huma Serra, e neU 
la se cr ião certos animaes em cujo bucho se acha a 
pedra chamada bazar, ou bezuar \ muito estimada 
dos Persas , por ter virtude contra o veneno. Itinerá- 
rio de António Tenreiro, cap. 3. pag. n^di. 
§ Bibe í^.^kj Bib. (voz Africana) Ave de arribação de 
côr negra, collar branco, e com popa. Delias appare- 
cem muitas no inverno nas nossas Províncias do Sul. 
§ Bisnaga ^UUa*m^ Bastinag. Herva bem conhecida. Cat. 

de vozes Castelhanas. 
§ Bizarria *j^Uo Bexaria. Elegância, gentileza, garbo. 
E com outras bizarrias e soberba , de que aquella 
barbara nação usa. Couto , Dec. VI. Liv. I. 
BoFAKiNHEiRo »òA\ yi Bulhenna, Os Castelhanos o pro- 
nuncião Bohenero. Covarruvias deriva este nome Cas- 
telhano Bohenero, e diz, que vem da voz Bufos, que 
eráo huns toucados, que antigamente seusavâoemHes- 
panha : Porém se nós attender-mos aos costumes, e idio- 
tismo dos Árabes, veríamos, que não significa outra 
cousa , senão o vendedor de Alfena , ou Alhenna \ pri- 
meiramente pelo quotidiano uso que lhe dão, servindo 
de enfeite ás mulheres , raparigas , e crianças ; e pela 
outra parte , que o nome ^j Bu denota propriedade , 
occupação , ou posse de alguma cousa ; como também 
ás vezes se toma por, qui qu£ quod. Donde se collige, 
que pela frequência de andar apregoando ( como he seu 
costume ) Alfenna , Alfenna , lhe chamão Buhenna , don- 
de os Castelhanos tomarão o nome Buhenero, enós Bo- 
far inheiro. Veja-se a nota sobre o nome ^ bu Q ^\ abu> 
no principio desta obra. 

§ Bolota »}^y\.j Balliíta. Fructo das azinheiras, e dos 
carvalhos, 

§ Bonito íT^aíaj Bainito. Nome de peixe. 
^ BoNN ^^.i Bonn, O grão do café^ isto he, antes de 

ser 



B O 101 

ser torrado. Vid. Tharmacopea Tuhalen. Tom. L pag. 

BoRNi ^\yi Barrani, Espécie de Falcão mais ágil , e for- 

, te. vid. Origem da Lingua Portugueza. por Duarte 
Nunes. 

§ Botija j^^l Batia. Vaso bojudo com boca estreita. 

Bringela ' iic*j>lj Badanjan. ( voz corrupta do Pérsico ) 
QjLar*Xy Badejtjan. Fructo de huma planta de horta 
bera conhecido. Diz Bluteau no II. Tomo de seu Dic- 
cionario pag. 107. que segundo alguns Authores, as 
BringelaSj são huma espécie de Mandragoras , quando 
estas são espécie muito difFerente , e que não servem se- 
não para o cheiro, e vista , e verdadeiramente são me- 
loensinhos de cheiro, a que os Árabes chamão ^^l^ 
xamrname ^ cousa cheirosa; os Africanos lhe dão o no- 
me de f^\ ^j Bate eh ennabi ^ melões do Profeta. Os 
Hebrcos lhe chamão Dodaim. Vid. Gen. C.XXX. , e 
aquellas se comem guizadas de muitos modos. No mes- 
mo Tomo, e pagina diz Bluteau, que segundo Diogo 
de Urrea se deriva o nome Bringelas, de ^^^j badan 
o corpo , e de /^^U. j^^ cousa maligna , ou diabólica 

Êelos máos humores que causão a quem as come. 
loRAX cJj^í Boraq. Os Persas lhe chamão ^.^^ borad. 
Espécie de Nitro. Vid. Avie, cap. 3. pag. 5-9. Ha ou- 
tra espécie de Bórax, chamado Kebuli que ^^^V he 
huma semente , e serve para purgar a fleuma , e"mâta as 
lombrigas. Vid. o mesmo Avieena cap. 39. pag. 1 10. 

BuFOARiA ajjÍ^^j Buhauaria. Lugar na Província da 
Estremadura , Patriarcado de Lisboa , termo de Alem- 
qucr. Compoem-se de Bu ^j pai, e de *j^í^=* hauaria ^ 
2i cândida , vera a ser , Lugar do pai da Cândida , no* 
me da sua possuidora. Cardoso. 

$ Buço «Jyú Boculo. A priracira barba que nasce aos 

rapazes. Deriva-sc do verbo vx^ Bacala. Vestir o sem-- 

bUnie de penugem, 

§ Buz 



§ Bu:^ ^3j Bus. Beijo, Osculo. A isto allude o Adagio: 
Foi-se sem Chuz , nem Buz. Elucidário. Tom. I. pag, 
217. 

§ Buxo jj^ju Boqço. Certa qualidade de páo bera conhe- 
cido. 

* BuziDAisr ^^òoj^yi Buziddn. Raiz de huma herva que 
nasce na Índia , vulgarmente chamada testiculos de Ra- 
poza. Avie, cap. 95'. pag. iio. 



c 



Aba Axjt^j Caba. Cenáculo, ou casa quadrada. 
Este nome tendo artigo, significa o Templo de Mec- 
ca 5 por ser fabricado de forma quadrada. Deriva-se do 
verbo t_^x^, caabâ fazer alguma cousa em quadro, ou 
quadrada. Bluteau. 

* Cava, ou Caba j^j^^x» Cdhha. Mulher má, adultera. 
Deriva-se do verbo c—^ cahãba viver á maneira de 
mulher pública , ou ter vida dissoluta. Derao este no- 
me á filha do Conde Julião pelos motivos , que se po- 
dem ver em Brito, Barros , Monarquia Lusitana, e ou- 
tros. Os grandes^ e públicos peccados ^ acabarão de 
encher a medida da sua condemnaçao ^ que a força 
feita d Cava filha do Conde Julião. Barros. Década 
I. pag. I. 

§ Cabaia ^jIxT Cabaia. Tecido de seda, fabricado na 
índia. O ^ei tem mandado fazer para aquellas pes^ 
soas ^ que lhe assistem^ humas vestiduras de seda, 
que lhe chamão Cabaia. Barr. Dec. II. 

§ Cabana iijlxj; Cahbana. Barraca , choupana. 

Cabidela Aj^xf Quebdía. ( Termo de Cozinha ) espécie 
de guizado , que se faz dos miúdos das aves de penna, 

par- 



C A IC3 

particularmente dos Peros, Os Árabes lhe chnmao ^j^x^j 
quehdía ^ guizado feito das entranhas, isto he, nioela , 
ngado , e forçura de qualquer rez. Deriva-sc da voz j^^f 
quebdón o fígado. 
* Cabilda, ou Cabila jJLaxK Cahila. Povo de liuma Pro- 
víncia, ou Tribu governado por hum Chefe. As cabi- 
las sáo próprias dos Árabes do campo \ cada huma he 
governada por hum Xeque a quem obedecera; porém 
todas tem sugeição ao Rei , e a quem pagão tributo, 
Deriva-se do verbo Wi cabeia , que na III. Conju- 

tação significa receber o governo , ser digno da eleição 
:c. Barros ^ Liv. I. Dec, I. fl, 19. 
Cacela jJunS Cacila. Villa no Reino do Algarve, ter- 
mo de Tavira. Significa , pastagem do gado. Chorog. 
Cacem Sant-Iaqo de Cacem, ^j^ Cacem. Villa na Pro- 
víncia do Alem-Tejo, Arcebispado de Évora. He no- 
me próprio de homem de quem a terra tomou o nome; 
Significa o que divide, ou repartidor. Participio do ver- 
bo ^^^ cdçama dividir, repartir. Cardoso, 

Também he noine de huma pequena Povoação na Pro- 
víncia da Estremadura , Patriarcado de Lisboa , no ca- 
minho de Mafra. Deriva-se do mesmo verbo, e signi- 
fica o mesmo, isto he, lugar de Cacem, 

Cacemes x^u Caceme. AIdéa na Província da Beira, 
Bispado de Coimbra. He nome feminino do masculino 
antecedente , e deriva-se do mesmo verbo ; de quem a 
terra tomou o nome de Aldêa de Cacemes, Choro gr aph. 

Caciz jj^w Cacís, (voz Syriaca caxixa) Titulo que se 
dá a todos os Sacerdotes Christãos do Oriente assim 
Gregos, Arménios, como Maroniias ; e náo aos Sacer- 
dotes Ma homcta nos como trazem os nossos Authorcs; 
porque nem os Turcos, nem os Mouros dão semelhan- 
te titulo aos seus Ministros da Lei: aos primeiros lhe 
chamao ^^ Xaicb , e aos segundos ^ajíí Faquíh, 

* Cadi ^^' Cddi. (e não Cadis como se acha ás vezes 



I04 C A 

escripto) Titulo, que os Mahometanos dão aos Minis- 
tros, e Juizes Civis, que julgão as causas por Sentença 
final. Deriva-se do verbo ^ Cada decretar, definir, 
sentencear. Bluteau, 

Cadima íc^joô* Cadima. Freguezia na Província da Bei- 
ra , Bispado de Coimbra. Significa cousa antiga. Cho^ 
rographia, 

§ Cadim ^jjô' Cadim, Antigo velho. Aldêa na Provín- 
cia d'entre Douro e Minho , Arcebispado de Braga. 
Cardoso, 

§ Cadimo ^^í Cadimo. Ardiloso, Ladrão velho, e mui- 
to exercitado. 

Café u^y Cahue. Pequeno fructo de arvore, assaz co- 
nhecida , depois de torrado , e moido , he que este no- 
me lhe compete. Vid. Pharmacopea Tubalens. To- 
mo I. pag. 217. Antes de torrado chama-se ^^^ Bonn. 

Cáfila ^Xili* Quafela. Companhia de mercadores , ou 
passageiros, que para maior segurança se ajuntâo e fa- 
zem jornada. Deriva-se do verbo vii* cdfala cami- 
nhar com segurança. For haver poucos dias , que os 
de Bulçaba tomarão huma Cáfila que vinha de Çafim. 
Damião de Góes. Chronica d'ElRei D. Manoel. Part, 
IV. cap. 4. e Barros y Liv. I. cap. 5'. 

§ Cahiz , ou Cafiz yjSa Cafiz. Certa medida de grãos. 
Havia Cahizes de i6 alqueires, e de 8. Elucidário» 
Tom. I. pag. 225'. 

Cafre ^.j^ Cafer. Infiel, incrédulo, homem sem Lei, 
nem Religião. Entre nós, os Cafres, são os Gentios da 
Cafraria. Deriva-se de ^ Cafron ^ o Dezerto, terra 
sem agua , nem herva. {a) 

Ca- 



(d) Os Mouros chamão Cafres (infiéis), tanto aos Christãos, como 
aos Judeos, e Gentios; e por isso me parece não ter lugar a dirivação ào 

nome ^w Çfíjron dezerto , mas sim do verbo jij" Çrfara, í^ão crer em 



C A 105: 

Caftan ^^L-kxS Coftán. (voz Turca) vestido talar, 

que os Orientacs trazem sobre os mais vestidos; e só 
se faz de seda , ou de tisso. 

Caiko g^u Cahera. He o nome, que os Árabes dão á 
Cidade Metropoli do Egypto. Significa Augusta, ven- 
cedora. Deriva-se do verbo ^* cahara vencer, affli- 
gir, sugeitar. Bluteau. 

Cahera s^ii* Cahera. Aldêa no Reino deFéz, Termo 
de Larache. Significa o mesmo que o nome anteceden- 
te : Determinou D. 'João de Menezes correr hum a 
Aldêa dentro da Serra ^ que se chama Cahera. Da- 
mião de Góes. Chronica d^ElRei D. ManoeL Part. L 
cap. 9^. pag. 128. 

Ca IDE »jc?U Caide. São duas Aldêas do mesmo nome na 
Provincia d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Bra- 
ga. Huma charaa-se Caide d*ElRei. He nome femini- 
no de jo\ 'i Caidon, O Governador, ou Capitão, e 

vera a ser Aldêa da Capitoa , ou da Governadora. D/V- 
c tonar to Geograph. do P. Cardoso. 

§ Calafate xí^* Calafat. Calafate, homem que exer- 
cita este officio. 

Calahobra s^I ajOií* Calatelhorra. Cidade Episcopal no 
Reino de Aragão , sobre o rio Ebro. He nome com- 
posto de í.tò3 cala Fortaleza , e de %^z^ borra a livre. 
Vid. Geograph, Nubiens. 

* Cala IATE ci>U *jdí Calataiate. Cidade da índia no 
Reino de Calecut. Compoem-se de ^s cala Fortale- 
za , e de aiate ^^\ t\ as maravilhas. Fortaleza das 

maravilhas. O que não fez o Xeque de Calaiate. Da- 
mião de Góes, Chronica d^ElRei D. Manoel. Part. 
IV. cap. 80. pag. 5*90. 

§ Calaim ^ys Calaim. Moeda da índia do valor de 
^' O 60 

^^^^^lOeií-lo, s<r in)^>io, incrédulo, ou ingiato para cem o seu beirfei» 
tor. 



|o6 C^^ 

ç*iÍ3 réià d^ noésa moeda. Amoeda que a;qui corre cha^ 

l,-.ina-ss Çalaim, Erhiopia' Oriental, Liy. 11. cap* 8., O 
mesmo nome dao ai li a certa, espécie de estante rafais £- 

]^ ç^q^ do que a da. Europa. 

§^Ç.^ L^^UJCjAiV ^^y^'^;,., Cal and ar ^ ( voz Pérsica ). Homem 
despresador do mundo, que vive de esmolas, e veste 
somente roupa de lãa. E foi-se Badur par esse Indus^ 

. tão assim em^ trage de Qalendar. Couto, Dec. V. 

Cal^taul) . ^ .^\ ^^.u Calataiúh^ Cidade de Hespanha no 

,,JB.eina de. Aragam. He composto de »xXi Fortaleza , 
crde^ ^^^>. -^/^^ Job , seu fundador. Fortaleza de Job. 
Vid, Geograph, Nubiens. 

Calatrava ^SyiW *xXs Calat el ter aba ^ Cidade de Hes- 
panha^ rm Castella a nova , Reino de Toledo. Com» 
poera-se de ^^Xi* cald Fortaleza, e de ^\y Terabay a 
terra. Fortaleza de terra. Foi assim chamada pelos 
dois grandes outeiros de terra que tem aos seus lados. 
Geograph» Nubiens* (/í) 

Calecut o/>í^ Cahcut. ( voz Pérsica ) Cidade na In- 
dia' 5 significa, plantas q;uentes. Foi assim chamada pe* 
las grandes producçoes de especiaria .que delia se co- 
; Ihem. Vid. CastelL Tom. I. pag. 424. 

§.,Calha'o p^'è Colido, Seixo. Golio. 

* Califa ^juU Chalifa. Significa successor hereditário. 
He titulo de Dignidade suprema , com poder absoluto 
f era todas as imterias concernentes á Religião, e gover-- 
,. no politico». Os antigos Sober.inos Árabes gozavão des- 
^ te titulo, e ainda hoje os Reis de Marrocos; pelo qual 
' se flrzem descendentes-, e successores do seu Profeta Le- 
gislador., Deriva-se do verbo uJlX^ chdlafa , deixar 



(tí) o Cartaz chama-lh^ ^jj XxXJí Calaat-Rabáh. Fortaleza de lucro » 
ot) interesse, porque o 2P nome deriva-se do verbo ^>j lucrar, interes- 
sát. O mesmo 2.-' nome sendo a vogal da i.^ consoante ó^significa mono, 
ou cabcico, vindo a ser {"ortalez* do mono, ou cabrito. 



ff^àepm de si sncce3S0T:^QSi}wrà€ho.'BIítteM^,'}e:M^r' 

Gamelo ^♦^ Júmalcn, {vok Syri^Ca) Arfímal conhe- 
•^xidoi OsíGjifgos disserão Káraelos, mas na mdlior^opi- 

niâo, vem da voz Syriaca. \«nq .m 

Caíhz ^^3Í5^5- Camisa. Turiica de linho, que se ípa^^^pot* 

baixo dos roais vestidos. Faria quer , que seja palavra 

•BPlitoícaV poirém elia he sem duvida Arábica; por isso 

no Alcorão no cap. de José vera mais de huma vez. 

-^ Ora os Godos nâ o consta ^ que fossem a Arábia v neià 

. .os Mouros a levarão de Hjespanj^a, pois ajtidà, a! nao ti- 

.t/nhão invadido j Jogo , be><XTio que:* 4^ixará0 e^ ,Bor- 

tugal quando a |)GSS42vrãot ,, ■, : /^ r- - — 

§ Candeia \j^^LandUí\Êlucidarh^y o^m. l. ,^zg, 

232. t» -i ,^a^h-nO ^v.v^.^-A^ 

Gandil ^jjs» CandiL Laaipadá; doade ndadíEivainôl 

o nome candêa. .^Vt;?^ r- 

§f:GANDiz ^ò^ Candis, (voz Pérsica) Certos ceinScs fea)- 
■ tos de folhas de palmeira , cada hum dos -quaes leva^ 20 
alqueires. Recolheo-se em cada Almaàem dn Forta- 
lecia àms mil Cafidiz de arros^ Couto j Dec;;Vi;iLi^, 
IX. cap. 6. '.'i . -i. r/!;,-,.. :: j \i ir/ 

5 Canibo 4^5 Cahntbí>. Linho cânhamo* Este: ;cncontíá> 
- se assim escripto repetidas vezes nás Dec.; de fiartc6;> 
Cafa \^^^i Capa, {voz Pérsica) O capotej, í)U capíi. Bes- 

pan. câip^. Castelloye Gêllí4), - . ^ i ^ - ,i\ ' 
5 Camamelo ^3L«rt^ i^ Cora-mohallâ.'^ V^ocç beití dònhe^ 

* eido. He composto. do nottièt^}' tí^r^^r esfera , ide'"J:Ív^ 
' \MdbaUa, XLou^^áxkèyCàè. àei^G^e^Càsiêlha^iík- 
Caravana ^^'^^^9 Carauan» ( voz Pérsica ) Huma co- 

mitjya de gent e ^ de m ercadores, viandantes^ cu Pere- 
grinos, que para maior segurança vao juntos. 

• ('••—--■-'■* V ■ ^^ Caravan sat^aL ,( voz Per- 

, { ' aDto, oi>de seretolhtim es pa^ 

^>iro8. Comf^O€H3ii est« nonw de ^^\^J^, car/Jt^anm 

O 2 CO- 



io8 CA 

comitiva, ou viandantes, e de (sS^^ sarai a casa, ©u 
aposento; quer dizer, casa onde se recolhem os passa- 
geiros. Junto d Cidade passa hum rio , ao pé do qual 
ha huma caravançara. Itinerário de António Tenrei- 
ro, pag. 366. 

§ Carcajada A4it^* Cahacaha. Risada iramoderada, des«» 
composta. Cat. de vozes Cast, 

% Carcabejar y,-^ Carcará. Carcarejar a galinha, o« 
outra ave. Golio. 

Caria ^^ Caria. Aldêa na Província d'entre Douro e 
Minho, Arcebispado de Braga. Significa, Villa, Al- 
dêa , Povoação &c. Os Hebreos também dizem quiria. 
Todas as mais Aldêas, e Lugares com este nome si- 
gnificão o mesmo. Vid, Diccionario Geograph. do Pj^ 
António Cardoso , e a Choro graph. Portug, 

Cariophyllo _Xij^- CoronfoL Cravo da índia. Os Fran- 
cezes. Girojle. 

Carmim ^a^_^' Carmim, (a) A graâ de que se faz a côr 
vermelha.' Os Hebreos lhe chamão quelmez. Vid. Avi-- 
cena Livr. I. cap. 389. pag, 138. 

Cabmezim iS'y0^ Carmezi. A côr encarnada , muito vi- 
va, e dá lustro ás mais cores. 

Caknachide i\ i^S ,,^^ Carnexate. Lugar na Província 

da Estremadura, Patriarcado de Lisboa. Significa pon- 
ta, ou corno da ovelha. Compoem-se de ^^^i carn. a 
ponta, e de j|'\ ^ xdte a ovelha. Cardoso. 

Carnide »a3^ Carniet. Lugar na Província da Estrema* 
dura. Patriarcado de Lisboa. Conjunct^ á outra, vizi- 
nha de outra Povoação. Deriva-se do verbo ^^^ cá^ 

ra- 



Ça) Persnadó-^me que o- í>ome Carmim se deriva dònome Arábica v^j5 
0ferme^ , que significa uraã ; e com tanta, mais razão , por não se encoa*- 
^ Q nomç ^>^^. Carmitiinos dicçioHariOo Ariábicosà 



C A loçf 

fana unir , ajuntar huma cou?a á outra. Cf:orograp. 

Portugueza e Diccionario de Cardoso. 
§ Cafnota \^^ ^js Cnrnoata, Lado, ou ponta da pfa- 
. nice. Nome de hum lug^r no Termo da Castanheira 

• na Província da Estremadura. Cardoso. 

Carkada CAPR/^qA, E C/^BPAPATQ ^s\^ Carpida. Inse- 
ao que se merre no? cães, e animaes. Os Árabes nâo 
fazem distincção entre as carraças, e carrapatos, ainda 
que s^^jão de diíFcTcnies espécies. Dtrriva-se do verbo ^ j» 
c arada criar, ou produzir carrapatos. 

Cártamo y,)c^ Cartamon. Assafroa, planta, cuja se- 
mente he purgativa. Vid. Pharmacopea luhaL 

§ Cartaz ^^^ Cartaz. Salvoconducto. Moraes. 

\ Casfa 'ix£ts> Hasseba. Caspa da cabeça. 

♦ Cata J^ Cata. Espécie de ave de arribação, que se 
cria na Arábia. Ainda que muitos dizem que taes aves 
não as ba. Vid. GolL pag. 1943. Bluteau. Tom. II. 
pag. 203. t Avicen. L. I. cap. 180. pag. 12 r. 

♦ Catar ^ Catar, Quantidade de bestas de carga, que 
os Almocreves costumão ter, a que chamão recova, ou 
recua.. Deriva-se do verbo ^ catara guiar muitas 
besta? prezas humas^ ás outras , levar pela arriata. Ha 
nesta terra muitos recoveiros : Tem cada bum sete , 
quatorze^ ou vinte e buma bestas \ a cada sete lhe 
cbamão Cíitar que quer dizer recova \ e dizem , he 
recoveiro de hum , ou mais Catares. Itinerário de An- 
tonio Tenreiro, pag, 378. 

* Catel _jz^. Catei. ( voz Pérsica ) Na fingoa do» 
rústicos daquelta Nação he cadeira , ou a?sento de ma- 
deira. FlRei lhe acenou ^ que chegasse para o catei ^ 
e o mandou sentar. Damião de Góes. Cbronica d'*hU 
Rei D. Manoel. Part. I. c. 41. pag. 49. 

* Catual _3'j:^> ^^^^o^» (voz Pérsica) Dignidade > 
que corresponde i do Governador de huma Praça, ou 
Fortaleza. Vid. Castello. Tum. l. pag. 440. 

5 Ca- 



if<3f CA 

§ CA^Jíin"J^j^irfCatur, (voz Pérsica) Embarcação peque- 
na armada em guerra. Ordenou , que se fosse sobre o 
^^rio^ e ijur os Catures 'vigiassem por ambôs os iaãos^ 
ij.- Andrade. Chr.d'ElRei D. João ÍIL part. I. cap. 66. 
Gazelas ^w- í Gazela, Lugar na Província da Estrema- 
•'diira, Patriarcado de Lisboa. Significa lugar da fiad-orai 
oi:Periva-se do verbo _ji^s Gas^a/a R^r. Cardoso, 

CJÍA.FARO iSj\ ^ Sâ^hari, Espécie de Falcão, semelhante 

ao Açor. Bluteau, 
Çafaro (s} :^ Sahario. Qom2i remota da gente, rude, 

- buçai , bravia.; Sendo Çafaro do nome deChristão, sub^ 
meteo seu entendimento em obsequio de ChrisP». ^v^ 
ros. Década. I. cap. i. pag. 171. vvr'4V> 2 

* Çafy, ou Qafim J^\ Asfy, Praça no Reino de Màrj^ 

roços, Provincia de Ducala sobre o Oceano Atalaíiti^ 

CO. Foi sugeita a Coroa de Portugal. He formula «de 

dor. Significa i>& 5 minha dor; minha pena, ou lastima. 

Veja-se a causa da Etymologia deste nome na Geogra- 

^,ph, Nub. na descripçíio da Lusit. Çafim a que os Mou^ 

ros chamão Azafi* Darniap de Góes. Chvonica d''^l~ 

pcj^ei D. Manoel, Part. IL cap. 18. pag. 186. 

f Cala yCk*£> Saláh^ Oração,, deprecação. Deriva-se do 

^ ' verbo SjL,^^ j-^V//? orar^^rezar*'^ deprecar. Cinco vezes 

^^^.frequentlo os Mabometanos. ho dia este acto de Reli- 

- 'giâo ; a sâblsr, ao romper da alVà , a que chamão ^^n!^ V^l^ 
'^Salatel sóbbi , Oração da rhWdrugada. Ao meio dia e 

se chama, j^íii\ 2X0 Salatef dqhri ^ Oração do, mfios 

^^^' dia. A's quatro da tarde , chamada -^^«j^ s!^^ Sal atei as- 

^riJi Oração da tarde \ ao Çol , posto , a que chamão 

Jv«-r^^^^^ '^"^0 Salat el megreb y Qvãçúo do Sol posto ^ e 

as oito, ou nove da noite , a que chamão ^^xJl jsíV/í? .í^- 

lat elâxé ^ Oração da prima -Doâte. Não aponto neste 

lugar a substancia da Oração nem as ceremonias por 

pertencer á outra matéria. Sabem ao pi€$ ;^ que se la- 

■■^'■'y vão 



ÇA III 

ixão na a^^ua- àà lagoa ^ e fa^tfi o ÇW^'. 'DamrSo de 
Góes. Chronica d'ElRei D. ManwL^^rU II. cap; ii. 

♦ CJala ben cala X\,k:, ^j 11^ Sãléh ben saléh. Nome 

^ próprio tíe homern. Significa o Justo filho do Justo. De- 
í-*riva^se do verbo ^^ saleha ^ ser justo , perfeito, coín- 

pleto. Queimarão duas formosas Mesquitas , .e las^ 
casas de Cala hen Cala , que foi Alcaide dè ^epta. 
Damião de Góes. Chronica d^ El Rei D, MaiwcL rart. 
III. cap. 75r. pag. 426. 

f Çaloyo (5^1u. Çalauio, Çalatino , homem, natural de 
Çalé, Cidade maritima da Mauritânia , donde creio cjue 
se deriva o dito nome em razão de alguns dos^éus' ha- 
bitantes terem vindo talvez povoar os subúrbios déLiá- 
boa. í 

Çanefa íÀAlm Sanifa. Peça do cortinado que se atrtíVes- 

• sa no alro da portada , e chega de huma periia â ot>tra^ 
' costuma ser de seda , lenço &c. 

* CJanonà yy^ Sarjuna, ( voz Chaldaica ) senonita a 

• andorinha , Bluteau, 

CJapato cL^jyM Sapaton. O calçado^ que a gente traz nos 
pés. Deriva-se do verbo ^ix*^ sapata calçar. 

* Çai^afo < i\ya Sarrafo. Cambiador , ou permutador 

de dinheiro. Nummulario. Deriva-se do verbo ( 5^^ 

çãrafa trocar, cambiar hum dinheiro por outro. Na 
Cidade ha muitos ^ e mui ricos mercadores e muitos 
çardfos. Itinerário de António Tenreiro; cafi. 1. {íig. 
349. ^ • '' ■•- ■ 

§ C^abamaqo {^Ji^j^ Sarmaco, Rabão silvèísfr'e. 

* CEiFAniN ^^^\ eJÍA^ Ceifaddin. Nome profjrio, e com- 
posto de jJía^ Ceif z espada, e de ^^.j:> Diti a Reli- 
gião, espada da Religião. Que elle depois do Rei Ce i'^ 
fad/fí ser morto ^ alevaritara este ^ qtie agora goiíer- 
na. Commentar. de AfFonso d'Albuquerque. Tom. IV. 
Part. IVr cap. 33. pag. 171. 

t Cjufar ,^j^^ Assaja. Ccifet a'SQara íiâ(i>^ optando ain- 
da 



Ill C E 

da bera madura. Na Província do Alem-Tejo pronun- 

cíâo este nome com menos corrupção, dizendo acei-^ 

fan 

Ceife < ir,*^ Ceife. Rio na Província da Beira, Bispado 

, de Lamego. Significa espada. Chorograpb. E ribeira 
na Estremadura. Cardoso, 

Celga, ou Acelga l-aX**, Celcha. Hortalice conheci- 
da. 

Celisc ^aU Çalim. Aldêa na Provincia d*entre Douro e 
Minho , Arcebispado de Braga. He denominada pelo 
nome de seu possuidor. Significa salvado , livrado. JO/V- 
cíonario do A Cardoso. 

Cemide SÒVA4.-M. Cemide. Aldêa na Provincia da Beira , Bis- 
pado de Coimbra. Significa a flor da farinha. Cardo* 
so. 

* Cerame h^\j,^ Çarame. Lugar sombrio , e ameno. De- 
riva-se do verbo ^^^^ çarama cortar ramos para fazer 
huma cabana , ou cobrir algum lugar. Foi levado até 
o cerame y onde estava o Rei ^ em lugar sombrio fo- 
ra da Povoação , no qual vai passar o verão , como 
nós o fazemos nas quintas. Damião de Góes. Chroni- 
ca d'ElRei D. Manoel. Part. L cap. jS. pag. 96. 

§ Cerome ^^y.^ Salahame, Espécie de capa , de que mui- 
to usão os Mouros. Elucidário. Tom. L pag. 262. 

Ceroulas _J\^^^ SeruâL Espécie de calças, por outro 
nome menores^ Deriva-se do verbo de 4 letras ^^y^ 
sârauala vestir ceroulas. Os Persas dizem ^\^yi^ xe^ 
rual. He voz Arábica ^ e não Castelhana Qaraguelas ^ 
nem Grega S ar abai a como diz Bluteau no IL Tom. 
do seu Diccicnario. pag. 25^2. 

§ Chabandar jjjo sU Chah-bandar. (voz Pérsica) Se- 
nhor do perto. Os authores desta informação forão o 
Chabandar de Gozar ate , e o filho de hum poderoso 
Lao de Malaca. Damião de Góes. Chr. d' E/Rei D. 
Manoel, Part. IIL cap. z, 

Cha- 



CR iij 

Chafariz ^^^\^;i Xacárige. ( voz Africana ) Fonte de 
agua cora bica^, ou sem dria. fiH) 

Chaga i^^ Xaga, (voz Pérsica) Cortadura, ferida, oil 
nascida*. Vid. Castello, Diccion. Heptagloto. 

€hamar verba çg^ Xamnta. (voz Hebraica) A:<íwá: cha- 
mar,- cu nomear alguém por seu nome. Em Arabe si- 
gnifica o mesmo, só mudada a letra x por s S/imnta\ 
donde derivão a voz ^^^V esmon o nonie j e por isso po- 
de derivar-se do Arabe ^^^^^ Santma. n/^é , jj^. 

Chanouca j3^ Xanouca. Aldêa na ProVincia do Alem- 
Tejo , Arcebispado de Évora. A frírca. Deriva-se do 
verbo í_Jíjlí xanaca pendurar pelo pescoço, enforcar, 
Chorograph, Portugueza. 

* Charabe L^ Cahrahe. (voz Pefíica ) O Alambre. 
Vid. Castello Diccionario Pérsica ^ e Hept agioto ^ e 
Pharmacop, TubaL Tom. I. pag. 83. 

Charquezas *A5yi Xarqumt. Nome pátrio, cousa Orien- 
tal. Derivado de < %y- xarcon Oriente. E ynandou en- 
trar logo Oito das suas Damas Charquezas de Na- 
ção ^ mui bem concertadas ^ ehojiestas. Godinho. Via- 
gem da índia* hivr, III. cap. 12. pag. 146. 

§ Chabquezes ^yj,j3jÁ Charquin. Orientacs. Paliou a 
dous Mouros da sua caza muito determinados , que 
erão Cbarquezes. Couto , Dec. VII. , Liv. IX. , cap. 4. 

§ Chavica i^í^ Chabeca. A rede de pescar, e de caçar. 
He também o nciDe de huma Aldêa no Algarve. Car- 
doso. 

% Chedda ,j^ Chedda, Adversidade, angustia , aflicçao. 
Nome de duas Alvicas na Província dcTraz-os-Montes, 
Arcebispado de Braga , de outra na Provinda da Beira, 

P Bis-: 

(O He ei^ano dirivar o noAiè chafari? do supposto Arábico Xôcari^e 
o ()i>al senáo encontra nos dlccionaiio»; e por isso creio que se deriva do 

'^^'^ ^TÍJ^V» Sthrige f qiMJ figni^c» depoíito de agoa, ou tanque. 



IT4 C H 

Bispado de Leiria, e de hiiraa Serra , que começa em 
Cascaes 5 e acaba em Monte-junto. Cardoso. 

§ Chifarote s^ii; Chofrat. Cutello, ou folha de espada, 
Golio^ Menisque. 

§ Chifra s^lú Chafra, Raspador. He o nome de hum 
ferro , com que os livreiros , e os correeiros desbastão 
os couros. 

Chita Ca^ Chit. (voz Pérsica) Panno da índia pintado 
de matiz, bem usual, e conhecido entre nós. 

§ Choça ^^^^ Gossa, Cabana dos pastores, e dos guar- 
dadores dos meloaes , e das vinhas. Golio, 

§ Chorro ^ii Garro, Chorro de agoa. Nasce do verbo 
yzL Garra correr a agoa com ruido. 

§ Choutar is^^ Xauta, Andar a besta de chouto. 

§ Chouto ^^^ Xauto, O chouto do cavallo. Golio , e a 
Abulfeda. 

CiD ^^^ tSVW. Senhor. Titulo de honra. Deriva-se do ver- 
bo :^\^ sa da áommsir y senhorear, governar. 

* CiD Mombaraque éJ.xÀkxm Sid Mobarac[ue. Nome 
próprio. He composto de «i^^ sid Senhor e de áj^x^ 
Mobaraque abençoado, ou bento. Deriva-se do verbo 
XLj baraca abençoar. Acodtrao logo dois Capitães 
poderosos ^ chamados V mie ao , e Cid Mombaraque. 
Damião de Góes. Chronica d'ElRei D, ManoeL Part. 

• IV. cap. 104. pag. 124. 

CiDE }íj.,.VAN Saide, Nome feminino do masculino antece- 
dente. He lugar na Província da Beira , Bispado de 

'Coimbra. Lugar da Senhora. Choro gr apbia Portugue^ 

K za, 

§ CiFA í^xjU Çaifa. Área sutil , fina. Moraes. 

§ Cifra ^^i^ Sefra. Nota Arithemetica. Golio ^ Menis^ 
que , e outros. 

Ciranda «^^^ Saranda. Instrumento de pedreiros de 
que se- servem para cirandar a caliça miúda. Ha ciran- 
da de junco com arco á feição de peneira com que ei- 



ra n- 



CO 115' 

randao a cal branca para guarnecerem as paredes. De- 
riva-se do verbo ^^ sarada encadear, enlaçar, tecer 
íiuma cousa com outra. 

* CoFos ( ií Coffon, (voz Pérsica) Espécie de escudos 

de couro dobrado, de que usao os soldados na Pérsia. 
Trazem huns escudos a que chamcio cojos. Itinerário 
de António Tenreiro. Trazem huns escudos feitos de 
seda ^ e algodão a que chamao cofos ^ muito fortes que 
ús não passa nenhuma frecha. O mesmo António Ten-- 
reiro. cap. i. pag. ^^c^, e Castello. Tom. 11, pag. 
1780. 

Coifa t.s.^s Coufa. (voz Hebraica cofé^ Espécie de co- 
bertura da cabeça á maneira de rede. 

*^ CojB asvxi* Cofje. (voz Turca) (^) corresponde ao no- 
me X^iiúvíO pr£tor. El Rei de Calecut ^ mandou fazer 
bum Castello de madeira por conselho de Coje Aly, 
Damião de Góes. Chronica d^ElRei D, Manoel, Part. 
1. cap. 91. pag. 119. 

§ CoLHAUO i03 Collato. Outeiro , Cabeço do monte. Mo- 
raes. 

§ Colmeal ^rs2<\\ ^j\^ Coarmennahal. He nome com- 
posto de ^i^ C//<2r cortiços, da propoziçao ^ Men 

de , e de v^: l^ahal Abelhas , isto he , cortiços de 

abelhas. Os Hespanhoes pronunciáo este nome com me- 
nos corrupção , porque dizem colmenal. 

§ CoLocAsiA j^lKJúí Cole as. A colocasia, ou fava ^o Egy- 
pto. y-.f.5'.vi'.yn ..4 

§ CoLOTos ij^Xsi Gcllot. Nortie de huma tribu ' de 'AVa- 
bes, que h.ibita nos carhpos de Alcer-quibir. CTr. ^^' 
hlRei D. Ijoão 1J.^C2^Y^. ^^. O 

Cominhos í^^^ss> Cammún. Espécie ^ ou qualidade de 

P 2 CS- 



< 



ser a voz Heróica n^^^< Gauajo', e assíiti a pfrtiuncião 



*^'' ' s e fllouros em Argel e 'i^uiies. 



irô CO 

•especiaria bem conhecida. Deriva-se de Hebraico. (7^- 
mon, 

§ CooMA 'y,^^ Cuma. Valor, compensação. Todas as 
coomas e penas destes soutos se repartem por esta 
guysa. Foros de S. Martinho de Mouros nos inéditos 
da Academia, pag. j^o. 

Copa, e Copo ,_,^f^ Cup. (voz Pérsica) Inglez a cup, 
A copa , se pode tomar em dois sentidos ; o primeiro 
•pela casa onde se trabalhão , e se preparão as conservas 
de doces &c. O segundo, pelos vasos, e mais serviço 
da mesa , seja prata , ou louça. No Testamento d'El- 
Rei D. AfFonso Henriques, e D. Sancho I. e outros 
vem repetidas vezes este nome et meam copam auri ^ 
et argenti &c. Vid. Manar eh, Lusit, Tom. IV. pag. 

^ § Copa >yj Cobba. Pequeno apozento , ou çaza. Cat. de 
vozes Castelhanas. 

* CoPTi ^tiA5 Copti, Unguento copti isto he Egypmco. 

Vid. Pbarmacopea Tubalense, Tom. I. pag. 85'. 

* CcPTos, ou CoPHTos j^j^i Coptt, Povo , OU Nação 
assim chamada natural do Egypto. Castello. 

§ CoRGHA 'i^^'i Caxra. Cortiça. He a casca exterior que 
se tira das sòvereiras. 

* CoRGí BAXt ^;iU ^^j.^ Corgi BaxL (voz Turca) Di- 
gnidade, que corresponde á de Capitão General da Tro- 
pa. E volt ando-se para o Princepe , e o Corgi Baxi ^ 
que mais estima &c. Godinho, "fornada da Índia. 

Liv. III. cap. 12. pag. 144. 
CoRDovAM jUi^yí Cortobani. O couro do bode, ou da 
cabra cortídô. Os Árabes , derivao este nome da Cida- 
de de Córdova, a que chamão ^xb^' Cortoba , yov s^ 
fabricarem primeiro naquella Cidade; á imitação do^ 
Marroquins, por se fabricarem em Marrocos; e vem a 

ser Cordovense, e pela corrupção do vocábulo se cha- 
mão 



C o Í:i7' 

imo cordovao , isto lie só trocada a letra t ^ por rf ^ (Ç o 
h por // Castello. 

§ Cot AMA 5L«ur Cotãtna, Cousa occulta. Aldça na Pro^ 
vincia d*entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. 
Cardoso, 

§ CJoTEA -via** Çatúh. Eirado, varanda. 

t CoTío ^y^ Cotnon. He o pello fino, que se tira do 
panno de linho , raspando-o CQm huma faca , ou que se 
ajunta ao pé dos teares, e a lanugem que coldre o pece- 
go, niarmcllo, &c. Este vocábulo com o artigo \^\ AL 
ou sem elle signiíica propriamente o Algodão, 

§ Coto ^^ Catão. Cotos das raaos , pés , ou azas. Go" 
lio, 

CoTONiA x^iki* Cotnta, Panno da índia tecido de algodão. 

CoTONiA ^A^Jai* Cotnta, Marmelo Pharmacopea, Vid. 
Tora. I. 'pag. 85. 

Couços j^^- Caupn, Freguezia na Provincia da Estrema- 
dura , Termo de Thomar. Significa Arco. Deriva-se 
do verbo ^^\i Caça extender o arco. Cardoso, 

Cuba í;>í Coha, Villa no Bispado de Beja. Significa Tor- 
rinha.' Chorographia Portugueza, Mappa de Portu- 
gal &c. 

CuBEBAi) íuU^s Cubãha, Espécie de semente aromática, 
e medicinal , semelhante á pimenta , e por ser muito 
quente, os Médicos Orientaes , lhe chamão ^^^\ <-^i* 
babbel anis y SQmQiUQ dos noivos. Avie. cap. 134. pag. 

§ Cus -^r Cuz, Jarro, taça. Constellação. Voz Astro- 
nómica. Bento Pereira, 

§ Cubo .^.^f Cubo, Pipote para acarretar, ou tirar agoa. 
Golio. 

§ ÇuMAQFE c-JUw- Çommaq. Arbusto muito usado nas 
tintas, c cortumcs. 

§ CJuRBÀo ijia Sorraton, Bolsa de couro, de que usão 

os 



ii8 . - CU 

OS pastores, e em que se traz o dinheiro, e o ouro em 
pó. 

Cuscus ^Ca**s» Coscus, Certa comida de todo o povo 
de Africa, feita de farinha. Em Portugal he conheci- 
da. Bluteau, 

* Cyphi ( XKm Ceif, Espécie de perfume fortificante. 

Também s'ignifica Trocisco aromático. Pharmacopea 
Tubalense. Tora. I. pag. 89. 



D 



§ jlJ a d o ^i Daddo. Dado de jogar. GoUo, 

§ Dainaca M\kip Dainaca. Espécie de embarcação, em 
que se navega no rio Tigre em Babilónia. Sobre a mi^ 
nha viagem me concertei com o Defiaqueiro por 900 
reis, Godinho , Viagem da Índia por terra até Por^ 
tugal-, cap. 17. pag. 1000. 

Damasco < 'On^^ Damesque, (voz Pérsica) Espécie de 

seda , que se tece na índia , Itália , Castella , e outros 
paizes &c. 

* DfiBUL ^^i^ DehuL Tisica , chaga no bofe: Item, tris- 
teza, disgraça j infortúnio, calamidade. Avie, cap. 2, 
pag. 26. 

§ Debuxar ^^ Dabaja. Formar, ornar, abrir estam- 
pa. Golio, 

§ Debuxo ^Lí Debajo. 

§ Degeb -,-«>^l-=. Jadeb. Arrebatador, A sua corrupção 
está em antepor-se a 2.* syllaba a i.^ Nome de hum rio 
no Termo de Évora. Cardoso. 

§ De.heb U-.WÔÍ Daneb, (voz Astronómica.) Cauda Es- 

trel- 



DE 119 

trella da i.* grandeza na Cauda de Cysne. Bento Pe- 
reira. 

* Dekbe ^__,^i Darbe, Caminho, ou beco entre duas pa- 
redes. Fomos aposentados na 'Judiaria em huma rua 
chamada Derbe, Jeronymo de Mendonça. "Jornada de 
Africa. Livr. II. cap. 16. pag. 131. 

§ Derme ^j^ Derhem. Moeda de prata do valor de 80 
réis da nossa moeda. A moeda mais corrente no Ser^ 
tão he o sal , (lue tudo he de pedra : hd pedaços de pai- 
mo ^ e de trez dedos de largo ^ que vale bum derme. 
Couto, Dec. VIL cap. 7. 

* Dervixe, b Dervis (jio^^^ Daruixe. (voz Pérsica) Po-í 
bre , mendigo , despresador do mundo. Os Dervixes , 
são certos Mahometanos, que estão espalhados por to- 
da a Ásia. Correspondera quasi aos nossos Ermitães: 
vivem solitários, e sustentao-se de esmolas que pedem, 
andáo vestidos de pelles de ovelha, todos rapados, até 
as mesmas barbas (contra o costume dos Mahometa- 
nos) para maior desprezo seu. Na índia, tem domici- 
lio certo , e vivem em Communidade á maneira de Re- 
ligiosos. Godinho , Bluteau , e outros. 

§ DiAFA i^L^ Diafa. Banquete, convite. He a comida, 
ou aquilloque se dá aos trabalhadores de mais do seu 
jornal no fim de qualquer trabalho. Moraes. 

§ Dinheiro ^Ujà Dinaro. Nome genérico de toda a moe- 
da corrente, d Ho. 

§ Dique < íj^á Daique. Lugar estreito, apertado , com- 
primido. Golio , Gigeo, e outros, 

* DivAN /.O^jà Divdn. Concelho, Senado, [Tribunal, 
onde se ajuniáo os Ministros de Estado. Na Corte de 
Constantinopla, he o Tribunal , onde o Gram Vizir, 
com os mais Ministros do Império se ajuntao para con- 
ferir se bre qualquer negocio do Estado. Divan , tam- 
bém significa, o mesmo acto do concelho, e o despa- 
cho^ que nelle seda, isto he a mesma consulta. Fm 

ai- 



I20 D o 

algumas terras marítimas o Divári he a casa, onde se 
despachão as fazendas e mercadorias , e se cobrao os Di- 
reitos Reaes, á maneira das nossas Alfandegas-, donde 
os Italianos deduzem o nome Dogana, e Doana, e os 
Francezes Ia Douane. Deriva-se do verbo y\^ dana 
que na 11. Conjugação significa, colligir escnptoSj es- 
crever , ou fazer memoria de tudo o que se passa. 

§» Dobadoura ^j^^í, Dauara. Couza que anda á roda. Go^ 
lio. 

§ Dobar ^^b Danar. Andar ao redor, em giro. Golio 
Minisque. 

t Drogman ^^>Uí=»P' Torgeman. Interprete. Os que igno- 
rão a lingoa Arábica assim Ihechamão; e também Tru- 
cheman, dragmano, turcimão, turgimão, &c. 

DuRAZios ^\j^ Duraqueno. Espécie, ou qualidade de 
pêssegos. 



E 



Bano,ouEvano( voz Hebraica hehnim ) Ma- 
deira de certas arvores , que se cria na índia , e Erhyor 
pia. He negra, muito dura, e pezada. Castello. ^ 

^ Ebenabeci ^^^lx«j\ ^^.j Benela bhact. Do filho do Ab- 
'' baci. He o nome do Castello , que está defronte do Mos- 
teiro de Alcobaça , de que Dom Sancho o I. fez doa- 
ção perpetua ao dito Mosteiro , como se vê na Escrip. 
11. do Tomo IV. Monarch. Lusit. onde se acha es- 
cripto Ahenabeci. 
* Elghe ^Xc £/?/. Novo convertido , renegado, Prosé- 
lita. Deriva-se do verbo ^c âleja passar de huma 

^ Re- 



EL 121 

r' Religião para outra. Os Arcabuzeiros de cavallo ^ que 
regia Ahmet Letaba , Elcbe Genuez. Jeronymo de 
Mendonça , Jornada de Africa, Livr. II. cap. 15-. 
pag. 123. da perda d'ElRei D. Sebastião. Também he 
nome de huma Ribeira no termo de Thomar, Choro- 
grapb. Portugucza. 

Elexir ^*m^3Í^\ Alacsir. A quinta essência. Castello. 

Ema ju«U3 Neâma^ E não Heama como escreve Duarte 
Nunes. He ave de extraordinária grandeza. Posto que 
o P. Eusébio Niesimberg, na sua historia natural , diz, 
que a criação destas aves he na Ilha Maluco, e C^ama^ 
tra , com tudo, a meu ver, he mais abundante no de- 
zerto de Zara^ ou Sahara^ na Provincia da Lybia, 
não muito distante da Cidade de Fez, pelo grande lu- 
cro, que os moradores daquella Cidade tirão da com- 
pra das pennas destas aves, que os de Zara trazem pa- 
ra vender. 

A criação das referidas aves no dczerto , he cousa 
maravilhosa ao dizer dos Árabes •, pois nunca põem 
mais que 20 ovos, e estes em dois lugares , porém huns 
perto dos outros. Quando chega o tempo de chocarem 
cobrem somente dez , e os outros dez os enterrão em 
arêaj chegando o tempo de tirar, descobrem os que es- 
tão enterrados na arêa, e com o bico os quebrão todos, 
e os deixão apodrecer, e criar bixos , para nelles terem 
os filhos que comer em quanto são pequenos. 

Em Marrocos, Fez, e Maquines, ha grande quanti- 
dade de Emas; porém não fazem criação, mas os Mou- 
ros depois de terem juntos alguns ovos, os enterrão em 
huma esterqueira, que com o calor, passado o tempo 
necessário tirão; e então os crião como os pintos dos 
penis, outras vezes os comem, e de ordinário, mechi- 
dos com manteiga ; e quando isto acontece nunca os que- 
brão \ mas fazem-Ihes hum furo por onde deve escorrer 
o que tem dentro, ficando as cascas inteiras para as da*- 
rcm, ou venderem. 

a § Ema- 



r2^ EM 

Ç Em AMO ^Ul Emamo. Prelada, Ministro, que preside 
á oração dos Moh a m metanos. Po"^ baver em cada mes^ 
quita hum dos principae^ sacerdotes ^ aquém chamao 
Emamo. Barr. Dec. I. Liv. III. cap. 2. 

Endívia n^^y^j^ Tlondeha. Chicória , hortaliça. He voz Ará- 
bica não obstante, que a deriva Bluteau do Italiano, ç 
diz, que estes a tomarão dos Castelhanos. Veja-se L/?^- 
renço Franciozini no seu vocabulário Italiano , e Cas- 
telhano, que a deriva do Arábico. 

§ Enxaqueca ^'íajIí Xaquica, Dor de enxaqueca. Golio^ 

§ Enxiravia ãjJí^j* Jauareba. Socos , escarpins. Em 
todos os casos ^ em que alguma mulher for condemna* 
da por alcoviteira ^ e não haja de morrer ^ ou hir de^ 
gradada para o Brazil , traga sempre polainas , ou 
enxiravias. Ordenação do Reino, Liv. V. tit. 32. ver- 
so 6. 

§ Enxovia ^•jjl;^ Xauia, Nome de huma Província da 
Mauritânia próxima aSalé, e Rebate. Com grande ris-- 
CO seu for ão espiar certos Aduares de mouros da En-^ 
ocovia. Chr. d'ElRei D. João II. cap. 27. 

§ Enxovios ^j^U Xauiin. Mouros naturaes da Provín- 
cia de Xauiai Vierao dos mouros ^ segundo ho testi^ 
munho dos Alfaqueques dez mil de cavallo^ e ate no-^ 
'venta mil de pé dos Enxovios. Chr. d'ElRei D. Duar^ 
te cap. 26. 

Escarlate oV^-. Scarlat, (voz Pérsica) Panno encar- 
nado , que da mesma cor tomou o nome. Castello. 

Espinafre '^\xJ\ Fsfanech. ( voz Pérsica ) Hortaliça co- 
nhecida. Alguns o derivão do Grego bárbaro. Sed à^- 
Arabicum ^& Grecum d Pérsico manasse. Gollio^ 
pag. 102. 

§ Estancar ^z^ Estanca. Estancar, vedar, ou parar 
o sangue , ou a agoa. Golio. 

§ E3T0ÇA ii^k^) Estobba. O grosso do linho. Golio. 



"? 



F 



5 X^ A q A M E ^u^». Kassan. Cavallo. Supplemento ao 
Tom. II. do Elucidário , pag. 40. 

5 Fadia irsiá Feddia, Couza de prata, ou feita deste me- 
tal. He nome de certa moeda , que corre na índia , Azia , 
e Palestina do valor de vinte a vinte e cinco réis danos* 
sâ moeda. Ainda gastai: a por dia quarenta mil Ftf- 
dias. Barr. Dec. II. cap. 9. 

* Falaca uJOi Falaca, Instrumento com que segurãò 
os pés, quando os Turcos no Oriente querem castigar 
algum delinquente com bastonadas, ou pancadas na so- 
ja dos pés. Diz Bluteau , que o Falaca , he humâ taboá 
com dois furos em que se metem os pés do deiinquen* 
te, e com hum páo , ou vergalho lhe dão até cem pan- 
cadas: porém o Falaca verdadeiramente he hum páo ro- 
liço do tamanho, t grossura de huma vara de medir; 
no meio da qual ha dois furos, e entre hum, e outro, 
hum palmo de distancia , e por elies se passa huma cor- 
dinha com dois nós nas pontas para não escapar, de ma- 
neira , que fica fazendo hum bolço, ou laço; por onde 
fiíz^m metter os pés do réo. O modo de dar este casti* 
go, he da maneira seguinte. Estando o criminoso senta- 
do no chão, c os pés mettidos no laço, pegão dois Offi*- 
ciaes de Justiça nas pontas da vara , e l<ívantão-a para 
cima , enrolando a corda para segurar os pés : com esta 
acção, fica o miserável deitado de costas, e os pés le- 
vantados; outro Official com vara de marmeleiro da 
grossura d* ' " la Ihedá, cincocnta, até cera, 

ou mais pa: . , -i dos pés. Feita a exectição o 

Ctz le- 



í 24 F A 

levão para a prizão , e o curão com vinagre , e sal , fi- 
cando na prizão até que se cure. 

Esta casta de castigo, que os nossos Européos cha- 
mão bastonadas, só aos Christãos, ejudeos do paiz o 
dáo , quando não são sentenciados á morte. Já os Afri- 
canos usão de outro modo de dar bastonadas , e vera a 
ser j o que se sentencêa a ellas , he suspenso por quatro 
Mouros pelas mãos, e pés , e cora a barriga para baixo 
lhe dão cora hura páo da grossura de huma bengala nas 
costas 5 pernas , e assento , ou com hum flagelo entran- 
çado de corrêas de couro cru. {a) 

Faleta í^xXi Paleta. Freguezia na Provinda da Beira; 
Bispado da Guarda. Significa Escapada. Deriva-se do 
verbo c^Xi falata , soltar , largar , deixar, escapar , 
Chorographia Portugueza, 

Faletia ^/^Alli Paltía. Lugar na Província da Estrema- 
dura , termo de Ourem. Significa a Solta , desatada do 
verbo ij^^Xi falata soltar, largar, deixar hir &c. 

§ Falir ^j^íí\ -^falla. Falir , destituir-se de bens. Golio^. 

Falua j^f^Xi Paluca, Embarcação pequena de remos. De- 
riva-se do verbo ^Xi falaqua , correr com vehemen- 
cia , cortar as ondas com a carreira. 

§ FanIo '9 Pannon. Nome de certa moeda da índia 

do valor de 25* réis da nossa moeda. Que El Rei de 
Calecut daria toda a pimenta , que houvesse no reino 
pelo preço de ^zf anões ^ que 12 valem hum Parddo, 
Chr. d'EiRei D. João III. Part. III. cap. 71. 

§ Fanfarrão ^U^i Parfaron, Homem fallador com ex- 
cesso, e de cabeça leve. Golio. 

§ Fanhozo ^^^\ Ahhanno. O que falia pelo nai*iz. Gí7- 
lio, 

* Faquir ^Ki Paquir. O pobre. Entre os Mahometanos 
significa penitente pobre. Deriva-se do verbo ^n faca* 

ra, 

(/) Os Africanos também usão algumas vezes da falaca. 



F A 125' 

f/í, que na VIII. Conjugação, significa, cahir era po- 
breza , indigência , e necessidade. Pêro de Menezes , 
determinou correr o campo de Faquir. Damião de 
Góes. Cbronica ã*ElRei D. Manoel. Part. IV. cap. 
49. pag. 5'40. W 
§ Faraó c^li iareaon. Presidio, refugio, gente de soc- 
corro e reserva. Assim se chamava a Cidade de Faro. 
Tomada a Cidade de Faraó aos Mouros , El Rei D, 
Affonso HL fez doação de todos os herdamentos , que 
Abuzala , governador daquella Cidade , tinha em to^ 
do o Algarve , assim elle , como sua mulher Zaforo- 
va a Esteves Annes seu Chanceler Mor. Chr. d'^El^ 
Rei D. JÍffonso IIL por Rui de Pina, cap. 11. pag. 
22. Na Clir. d'ElRei D. Affonso V. pelo mesmo au- 
thor cap. 139, se acha o mesmo nome escripto da ma- 
neira seguinte : Faarao. 

§ Fardo ^y Fardo, Fardo, ou costal de qualquer cou- 
sa. Golio ^ e outros. 

* Fares ^j^U Fares, Nome próprio, ainda que appella- 
tivo. O cavalleiro. Deriva-se de ^y fards o cavallo. 
O Xeque de Xarquia mandou seu Irmão Muley Fa- 
res a Portugal ^ com hum prezente a ElRei D. Ma- 
noel y e hum recado de obediência^ Damião de Góes. 
Chronica &c. Part. IV. cap. 5'9. pag. 5'5'4. 

Fareja *jçv^ Fareija, Frcguezia na Provincia d'entre 
Douro e Minho , Arcebispado de Braga. Significa o 
prazer. Deriva-se do verbo ^-^ faraja , ter gosto, pra- 
zer, alivio. Chorographia. 

§ Farfalhar ^^ Farfar. Dizer mal , amotinar , ser 
muito fallador. Golio. 

Fakrejal JUjji FarrejaL Lugar na Provincia da Es- 

tre- 



C4 Alguns sábios e doutores Mohamnnetanos usâo na f^rma das suat< 
c»tii do nome Alfaquir no sentido de desprerador do mundo, e das sua» 



tió F A 

tremadura , termo de Leiria. He tiofilè composto de ^^ 
farf a fugida, e de Jl^ rejal os homens, A Fugida 
dos homens. 

§ FarTaIc Si\£>yi Fartaq. Povo da Arabea , súgeito a El- 
Rei de Caxem. Pedio-lhe que tomasse a guarda da^ 
quella cidade por sua conta e de seus dous filhos corri 
trezentas Fartakes. Couto , Dec. VI. Liv. II. cap. 9. 

Fasquia ^^^sv^? Fascbia, Sarrafo de madeira, ou taboa 
serrada em tiras. Deriva-se do verbo ^^ fasacha ra- 
char, dividir, abrir pelo meio. 

Fatia Xaí Fatta. Pedaço de pão cortado com faca. De- 
riva-se do verbo c^ fatta cortar, partir, migar pão 
para a sopa. 

* Fátima í;^U Fatema. Nome próprio de mulher. Lu- 
gar na Província da Estremadura , Bispado de Leiria. 
He nome de huma Moura Senhora de Ourem , que de- 
pois de baptizada se chamou Ouriana, e casou com Gon- 
çalo Henriques, homem celebre daquelle Século em Ar- 
mas , e Poesia. Vid. Ásia Portugueza, Tom. III. Part. 
III. cap. 6. : E de outra Fátima Moura , que foi capti- 
vada na invasão , que os Portuguezes fizerao na madru- 
gada do dia de S. João na Villa de Alcácer do Sal. 
Vid. Chronica de Cister, Tora. I. Livr. VI. cap. i. 

P^g- 713- 

* Fen ^ Fann. Modo, Doctrina, Tractado , Secção, 

parte de huma obra. He o titulo que Avicena dá a qual- 
quer Tractado da sua obra. Viá. Bento Pereira y sobre 
este nome , na letra F. Gollio , e Castello, 

§ FiSTiGO ( 'ÍAM*,h Fostaco, Fistico, espécie de pinhão. 

Moraes. 

§ Fofo c^jUíí Hofafo, Fofo, Leve. Golio. 

Folques < XXi Falque, Freguezia na Provinda da Beira, 

Bispado de Coimbra. Significa Divisão. Deriva-se do 
verbo » 'i\3 falaca dividir pelo meio. Chorograph, 

* Formão (^Uj.i Formdn» (voz Turca) Decreto, Gaf^ 

ta 



ta Regia , Diploma. E nôs deu hum formão para nos 
darem as cousas necessárias, Godinho. Viagem da 
índia. Lirr. IIL cap. 12. pag. 142. 

^ FoRHAR ^ Farra, Forrar o vestido. Gdio, 

$ Forrar ,^p. Barrara. Dar liberdade, cana de alfor- 
ria. 

S Fortuna ^3.v:y Fortuna. Este nome ^ntre os Africa- 
nos significa temporal , mi borrasca do mar. Algans dos 
nossos escriptores tem usado delle no mesmo sentido, 
como se vé no seguinte exemplo: Ehi (Lages) recolheo 
ElRei o Conde de Odemira ^ e o Almirante ^ donde 
contra o conselho de todolos Pilatos e mareantes par- 
tio com assaz fortuna de tempo, Chr. d*ElRei D. Af- 
fonso V. cap. 148. 

* FoTA jiirp Futdh. Tecido de lã , ou de algodão , e se- 
da com listas, do tamanho e feitio de huma cinta. Os 
Orientaes a trazem enrolada na cabeça por Turbante; 
outros a trazem no pescoço com as pontas cabidas para 
baixo por causa do frio. Os Nobres trazem Fotas na 
cabeça com cadilhos de seda, Damião de Góes. Chro^ 
nica d'ElRei D. Manoel. Part. I. cap. 38. 

FrangXo -.^^ Farruje. (voz corrupta) O frangão , gál- 
io pequeno. Na Pharmacopêa acha-se escripto sem cor- 
rupção Farnigi. Tomo I. pag. 97. 

♦^ Franqes ^^ Frangi. Nome genérico , qiie denota to- 
das as Nações Européas; porém em particular os Fran- 
cezes. A origem deste nome, teve seu principio desde 
que S. Luiz Rei de França fez a guerra aos Egypcios, 
e ficou prizioneiro. Desde aquclle tempo ficarão com o 
nome de Franges, outros lhe chamâo Francos. Vid. 
CastelL Tom. L pag, ^4. Senhor ^ tu não tens bom 
conselho em querer guerra com os Franges. Comment. 
^ Aííbnso d'Albuquerque. Tomo L cap. 13. png. 50. 

Fulano í.^í Falam. Pronome, que se accommoda a 
todo o goncfo de pessoa, assim comoj hum tal, ou tal: 



128 FU 

sugeito. Os Hebreos dizem ^m, que significa o mes- 
mo. 

FuLUZ ^^V.5 Fuluz, Nome plural de ^Vi felson hum fu- 
luz. Pequena moeda de cobre sem cunho, nem sarrilha , 

. corresponde aos nossos reaes de cobre, porém entre os 
Árabes vale meio real, de modo, que hum vintém, tem 
quarenta fuiuzes. Deriva-se de ^^^Xi falaça cahir em 
pobreza , ou estar coberto de escamas como o peixe ; 
donde derivao também o nome Feluz escamas de peixe 
por serem os fuiuzes semelhantes a ellas. Castello. 



§ VJT Abar ^x^) Cahbar. Exaltar, engrandecer. Go^ 
lio. 

§ GabXo ^Ufc Abaon» Gabão, capote com mangas, e ca- 
puz. Golio, 

§ Gabela aJU» Quehala, Tributo, imposto. Golio, 

t Gado Ui Gando. Riquezas, bens. Dá-se este nome col- 
lectivo aos animaes, que se crião pascendo, para lavou- 
ra, serviço, ou sustento. Os Hespanhoes pronuncião es- 
te noaie com menos corrupção , dizendo : ganado ; e na 
Andaluzia o pronuncia o vulgo sem corrupção, porque 
diz : gando. 

* Gafar ^ Gafar. Pequeno tributo , que os Christãos , 
e Judeos do Oriente pagão aos Turcos debaixo de cujo 
dominio vivem. Duas qualidades de tributo ha naquel- 
le paiz , hum he certo, e annual , outro he accidental. 
O primeiro , he pago de seis em seis mezes , e he de 
três modos , e quantidades : os mais ricos pagão huma 
moeda de ouro por cabeça de varão em cada anno , e 
esta em dois pagamentos: os remediados, pagão três 

quar- 



GA 129 

quartinlioá , e os mais pobres dezeseis tostões. O segun- 
do tributo , he pago nas estradas , isto he na passagem 
de qualquer ponte á imitação da Barca de Sacavém. 
Cada passageiro paga 25: , ou trinta reis da nossa moe- 
da , eisto succede todas as vezes que passarem por qual- 
quer ponte. Deriva-se do verbo ^ii g^f^^a perdoar, 
remir, expiar a culpa , ou o crime. Chegamos a huma 
casa feita de madeira^ em que estavao huns Mou-- 
TOS ^ que arrecadarão o gafar dos passageiros. Itine- 
rário de António Tenreiro, cap. 46. pag. 388. 

$ GAFtBA, ou Gafeira ^i^ Cafd. Certa moléstia que 
acomette os pés do gado. Golio, Daqui nasce o nome 
Gafarias , de que trata a Ord. do Reino. Liv. I. tir. 
62 § (>^» 

§ Gaifaens ^^xA^ Gaifin. Medrosos. Assim se chama a 
Freguezia de S. Miguel , Bispado do Porto. Cardoso^ 

§ Gala jjb*. Hella. Vestido rico. Golio. 

§ Galan ^ Galam. Namorado, libidinoso. Cat. de 
vozes Castelhanas. 

§ GaliXo ^syf>Xk Galiun. (voz Turca ) Náo de duas 
pontes j ou de mais. 

§ Gauota AÍ5^i Galiuta. ( voz Turca ) Embarcação 
de vella e remos muito usada pelos Mouros para corso. 

Ç Ganak ^i Gania. Ganhar , utilizar. Elucidário. Tom, 
I. pag. 82. 

§ Ganhak ^i Gana. Lucrar , perceber utilidade. Golio ^ 
e outros. 

§ Ganho ^Ui Gando. Utilidade , proveito. Golio. 

* Garabia iúj^ Garhía. Cousa Occidental. Deriva-se de 
^^yl garbon. O Occidente. He nome de huma Cabila 
na Provincia de Ducála, era assim chamada, por estar 
situada na parte Occidental da dita Provincia. Compu- 
cha-se esta Cabila de cem Aduares, ou Povoações, nas 
quaes havia mil liomens de cavallo, e vinte mil de pé, 
íaga^âo-dc tributo a EJRei D. Manoel todos os annos 

R rxã 



(JR^ GÃ 

mil cargas de camelo entre trigo, e cevada, e quatro 
cavallos Vid. Â Chronica do mesmo Rei, Capriva^ 
' rãa hum dos prlncipaes Xeques da Xarquia , e & ven^ 
der ao aos da Garahia^ que andavao naquelle tempo 
em guerra com elles. Damião de Góes. Chronica à^ 
ElRei D. ManoeL Part. IV. cap. 40. 

* Gabbis (^j^i Garbiin. Os naturaes da Província deCar- 
Ma. Elogo se lhe ojfereceo occasiao de dois G ar bis de 
paz. Damião de Góes. Chronica d* El Rei D. ManoeL 
Part. IV. cap. 45» pag. 5" 31. 

Garram A j^^^c Garima, Nome verbal de ^^^i garamtp 
pagar o tributo. Garrama, ou Derrama, iie o mesmo 
que tributo, ou finta que se poera ao povo. 

§ Garupa xjSj^ Goraba, Garupa do cavallo, ou camello. 
Golio. 

Gato kK Cátton, Animal domestico. He voz Arábica, 
não obstante o querererai alguns que seja Latino barba-^ 
ro cattus. 

Gazela í^\v & Gazala. A corça , animal semelhante ao 
veado porém mais pequeno , e tem as pontas lizas. O 
sitio he abundante de gado vacum , veados y e gazelas ^ 
Barros. Década IH. 

* Gazua í^vfi Gazua. O acto de convocar a gente para 
a guerra , que se faz em defeza da Religião. Tambeii> 
significa em geral, qualquer expedição, e corresponde 
â nossa Cruzada* Mandou os seus Alfaquis apregoar 
gazua contra os Portuguezes, Brito. Chronica de Cis'^ 
ter. Tom. I. pag. 120. 

Gazua, Também he nome de huraa fonte no ternjo da. 
Viila de Viiiela Comarca de Coimbra. Significa ajun- 
tamento da Tropa, ou do Exercito. E do Valle bom. 
até dar na Fonte da gazua. Monarch. Lusit. Tom, 
II. pag. 35*0, escriptura da venda que o Mouro Ma- 
homed íiilio de Abderrahmán fez ao Abbáde de Lor- 
vão. 

Çlbjelim ^,Xx^ Jabalain. Freguezia nã Província d*en- 

tre 



tre Douro e MlnlK>, Arcebispado de Bra^a. Significa 
os dois montes. Deriva-se d€ _\f>^ jabalon o raonte. 

* Gebel zocar J^s .^^:^ Jabal zacar. O raonte da 
memoria, He nome composto de ^_Xx^ jabal o «lonte', 
e de ^^jS zacar a memoria, a lembrança. E passara 
junto a Ilha de Gebelzocar hum a J>era cintes do sol 
posto. Comra. de Aífonso de Albuquerque. Tora. IV, 
cap. 8. pag. 44. 

Gergelim ^-^^^ Jol%elim, Pequena semente, e bem 
conhecida de que se faz doce. Os Orientaes , delia ti- 
rão óleo como o da amêndoa , e se servem delle para o 
tempero do comer. 

§ Gezifat %^\=> Gfzirat. Assim se chamava a Cidade 
de Babilónia, (hoje Bagdad). Tomou aquelle nome, 
que quer dizer Ilha, por estar situada entre osdous rios 
Eufrates, e Tigre. AGeztrat he cercada pelos dous 
rios. Barr. Dec. IV. Liv. III. cap. f. 

Gibão ^^^^ Jobbaton. Espécie de colete. Deriva-se de 
*x^ Jubbaton. 

Gibraltar ^3^11, j,^^ Jabaltarik. Praça forte na bõca 
do estreito sobre o Mediterrâneo. Tomou o nome do 
General. Tartk ben zarca (Tariq 'filho da Azulada, 
appellido da sua fíimilia) que á instancia do Conde Ju- 
lião , e por ordem de Muça Governador de Africa veio 
â primeira Conquista de Hespanha , e como formasse 
seu exercito sobre este monte, Ihelicou o nome do dito 

General. He composto este nome de Va^ jabdl o 

monte, e de i^j^ Tartk nome do General , que por- 
corrupção lhe tirarão a ultima sylaba ik e fícou-se cha- 
mando Gibaltarr , e pelos Europcos Gibaltar. Vid. G€ú^ 
grapb. Nubiens. 
Os Mouros ás vezes lhe chamão ^^AiJ^ --U:?. Jabal 
^Ifathi, O monte da victoria, ou da Conquista. So« 
^te este ponto , pode-se ver o cap, 48. do Alcorão , clia- 
mado da victoria, pag. ójp. cujo principio o trazem 

R 2 05 



tp G 1 

os Mahometanos escripto nos seus Estandartes , em le- 
trás de ouro. Vid. O Prefacio do mesmo Alcorão por. 
Mar ratio, 

* GiNpi t^j^ Gendi. O Soldado. Os Gindis na índia 
r são como os nossos Soldados Auxiliares. Deriva-se do 

verbo ^^ janada ^ que na II. Conjugação, he ajun- 
tar , colligir gente para o exercito.. Castelloi 

§ Ginguiz-Kan ^.jyU^As^Â:^. Gcngiz-Kan. (voz Pérsica) 
Rei dos Reis. He nome de hum Soberano, nascido em 
Deliua no anno de ii5'4 da era Christã, o qual con- 

. quistou a Tartaria , Mogol , Pérsia , e grande parte da 
Moscovia. Os Soberanos da Azia anterior arrogão a si 
este titulo para maior grandeza , como se observa nas 
cartas, que escreverão a EIRei D. Manoel, e a ElRei 
D. JoãoIIL, impressas em 1789 pela Real Academia. 

^ Girafa ^s^^ Jarr af a , ou mSjJ. Zarafa. Animal as- 
sim chamado,. Outros lhe chamão Camelopardal , por 
ter o pescoço comprido , cabeça pequena , e pés altos á 
semelhança do camelo. Tem o corpo mosqueado de va- 
rias cores. Vid. Geograph. Nubiens. Descripçao da 
Africa , e João Leo Africano. 

* GiRAFALTE cL>U^^iij Zorafatc. ílspecie de Falcão mais 
. forte, e bem feito que os outros. Deriva-se do nome 
, ( iij^ Zarifon ^ bonito, bem parecido, elegante. i>fj*- 

tas Cabildas , e lugares ^ pagavao^ o que lhes tocavít 
soldo á livra ^ emais quatro Falcões Girafaltes pri^ 
maí. Damião de Góes. Chronica d'ElRei D. ManaeL 
Part. III. cap. 14. Vid. Duarte Nunes ^ Faria yC ou-^ 
tros, 

§ GoLiLHA íJLi Gí?//^. Espécie de prizão muito usada a 
bordo dbs navios para castigar os delinquentes^ G?/"..^^ 

. 'oo^es Castelhanas. 

GòMiA aa*^ ou Sebla, *JUa« Arma de arremesso, ou es- 
pécie de faca de mato. Abdel Numen tinha tratado a 
morte, de Alaz>raque.^ o qual foi por dois negros mor* 

ta 



GO ,33 

to ds Gomiadas, Godinho. Viajrem de Africa pag. 97. 

§ Goro _V3^i Garcalo. Ovo goro, Cat. de vozes Cas- 
telhanas. 

Gota cl,^^» G///. (voz Pérsica) Moléstia , ou raal , que 
accommctte as mãos , e pés. Os Árabes lhe chamao 
e:^í ^^ uajaâ el meluk moléstia , ou mal dos Reis. 
Os Inglezes dizem T^he Goute. Castello. 

Gbavao u-_>^^ GoraLcn. Vi lia na Província do Alem- 
Tejo , na Comarca do Campo de Ourique. Significa 
Corvo. Chorograph. Portugueza, 

§ Greba %jj\y^ jauareba. Soco, espécie de calçado. Gre- 
bas, ou grevas sao botas, ou polainas de ferro, de que^ 
se usava antigamente na guerra. Moraes» 

♦ Guadalabiar^Uj :íí ^!^ Uadelabiar. Rio de Hespa- 
nha, que passa por Valença. He nome composto de ^^L 
vdd rio , do artigo ai e de J^j\ ahiar os poços ; deri- 
vado do Singular ^j biron o poço. Rio dòs poços. Vid» 
"Lourenço FrancizinK 

Guadelcackr y£j^\ â!^ Vadelcaçar. Rio do Palácio. Es- 
te rio passa pelo Viscondado de Córdova. He nome com- 
posto, como o antecedente. Vid. Lourenço &c. 

GuADELERSE ^^\ :^^ Uadelorse. Rio no Reino de Gra^ 
nada. Significa Rio das Bodas. Nome composto. 

GuADELEjARA, OU GuADELXAKA %JÀ\ ^y^ Xladelhejara^ 
Cidade de Castella a Nova. Diocese de Toledo , e rio 
do mesmo nome. Significa Rio das pedras. He com- 
posto de uad o rio, do artigo ^/ e do nome plural he^ 
jara as pedras. Geograph, Nubiens. 

GuADBLHANAR ji;iJ! t^s^Uadelfandr. Rio no Reino de To- 
ledo. Significa Rio da Lanterna. He nome composto. 

. Vid. Lourenço Francizinu 

GuADELMEDiNA juL.jvJ\ ò\^ Uadelmedina^ O Rio da Ci- 
dade: corre perto de Málaga. Vid. Voeab. de Louren- 
fo &c. 
Cu/.DtLQUEBiR vAA^ÊaJ! iL TJadelquebtr, O Rio Grande^ 



Rio famozo, que atravessa toda a Andaluzia, tíe no- 
me composto. Geograpb, Nubiens. 

GuADFLUPE ^\ i,\^ XJadelâbh, Rio de Castella a Nova 
•e VilJa do mesmo nome. He nome composto , e signi* 
fica : Rio do Seio. Geograpb, Nubiens, 

Çi/ADIANA UL iil^ Uadiana. Rio de Hespanha, que de- 
pois de atravessar parte daqueile reino se mete em Por- 
tugal, e vai desembocar no Occeano. He composto de 
uad rio áQ ydna nome do mesmo rio-, e não de Gua- 
diana , cousa que se esconde como diz o P. Joáo Baptis- 

' ta de Castro no seu Mappa de Portugal. A letra G que 
este, e mais nomes tem no principio, he de mais; por- 
que os Árabes o escrevem , e pronuncião uéd e não guçd. 
Acha-se com menos corrupção em Duarte Galvão. Chro» 
nica d^ElRei JD. Sancho o L pag. 9. odiana. {a) 

§ GuAi (s^ Vai. Ai ! intergeição. Moraes. 

§ Guarida, Gaurita, Gkuta ^y^^l Guairata. Gruta, 
caverna, guarita para se recolherem os soldados. 

GuAZiL ^^^ ou ^Jj^^ uaziry ou uasil. Entre os Ára- 
bes , se pôde tomar este nome em dois modos , ou signi- 
ficados. O primeiro, (segundo a pronuncia Alvazir) 
pelo Ministro d'Estado, Conselheiro, que está ao lado 
do Rei. O segundo ( Aluazil ) aquelle que adquire al- 
guma graça , ou posto do Soberano : e segundo o senti- 
do que lhe dão os nossos Authores, significa o Meiri- 
nho Mór. Na índia , e Pérsia , corresponde ao posto do 
Governador dehuma Cidade. Oposto de Alguazil, cor- 
respondia antigamente em Portugal ao do Vereador da 
Camará. Vid. Manar eh. Lusit. Tom. VI. pag. 431. 
Fassados três dias ^ mandou o Governador recado ao 

Ení'- 

Ca) Na traducção da historia Arábica da conquista de Hespanlia pelo 
Alcaidç Abucassem, feita por D. Miguel de Luna, e impressa cm 1589, 

se diz que a etymologia do nome deste rio he de ^1^ Uad rio, e de *Jul3 
Daina ovelha : Rio da ovelha , por correr mansamente á semelhança da ovç* 
lha. 



'^^mhatxador , ifue ê Xeque Ismael havra por lem cotH^ 
viunicasse o seu negocio com elle , e com o Cuazih 

V Damião de Góes. Chronka d^ElRei D. Manoel. Part.* 
IV. cap. ia 

j GvfeicB c^ Gaice. Lodo, lama, barro. Na Africa, 
e Azia amassâo barro com palha, de que forn^ão ado- 
bes grosso^ do tamanho de raeio alqueire, e com eUes, 
depois de secccs ao sol , edificao as cazas e muralhas. E 
com9 os muras erao deGueice ^ os polouros ficaTao em^ 
bebidos nos muros. Chr. d'ElRei D, João 111. , Part. 
VIL, cap. 92. 

§ GuiAo 4íU Gaion. Bandeira. Moraes^ 

§ Gpiar jcfií Gaiada. Conduzir. 

Guita )eu^'Cbaita, Barbante cordelinho de linho. Deri- 
va-se do verbo Lu^ chat ata cozer, donde deduzem o 
nome istit Alcbaiate o Alfaiate. 

GviTAPBA \ja^ quitara. Instrumento musico de cordas» 
Castello. 

5 Gurguz j^ Jorcofí. Pão, ou estaca de ferro. Eluci'^ 
darto. Tora. IL pag. 27, 



H 

§ XX A M E L 3.^^ Hamel. ( voz Astronómica ). Cor- 
deiro. Assim se chama o signo de Aries. J^e^íío Perei* 
ta. 

* Hamet j,^i.< Ahmet, Nome próprio de homem. O mais 
louvável. O que 'vendo o Alcaide Hamet Laros ^ man^ 
dou alguns dos seus Cavalleiros, Damião de Cccs. 
Cbroiica d^I.lRci D. Manoel. Pari. IV. cap. 76. pag. 

f Hakmale ^^^ Ilarmal. A arruda silvestre. Hcrva^. 

com 



136 HA' 

com que os Árabes se esfregão para afugentar os espí- 
ritos malignos. Moraes. 
§ Haut cl>^ Hut. Peixe. O signo de Piseis. Bento P^- 
reira. He voz Astr. / 

* Hégira íí^:^í> Hajra. A Época dos Mahometanos*! 
Teve seu principio na fugida de Mafoma da Cidade 
^e Medina sua pátria, para á de Mecca sendo perse- 
guido pelos Oorachitas seus parentes. Significa, fugida, 
ausência, sahida da pátria. Deriva-se do verbo ^^J» 
hajara ^ deixar , repudiar, desamparar, retirar-se. 

Seria útil dizer aqui o modo de ajustar a Época da 
Hégira, com a do nascimento de Jesus Christo; porém 
ha tanta contrariedade entre os Authores a este respei- 
to, que para tratar isto com exacção, he presizo hum 
discurso mais dilatado ^ mas a opinião mais seguida , 
he que a fuga de Mafoma foi em 622 de Christo. E 
quem quizer sem trabalho ajustar aquellas duas Épocas^ 
use das Taboas de Monsieur de Langlet. 

* HoDAMô ^\ lác óddmQ, Cousa grande, maioral. De- 

^ riva-se do verbo ^^lic àzema engrandecer, magnificar 

Cada Igreja tem seu Caciz ^ a que chamao Hodamo ^ 
o qual não serve mais que hum anno. Godinho. Via-^ 
gem da índia. Livr. III. cap. 10. pag. 135'. 

* HuED EL BARBAR y^j^s ^^^ Úad el barbar. Rio cauda- 
loso de Berbéria ; tem seu nascimento no Monte Ata- 
las , e vai acabar no Mediterrâneo. Significa Rio Bar- 
barisco , ou de Barberia. Vid. Vocabulário de Louren- 

' ço Francizini. 

Hysqpo (voz Hebraica azob.) Os Árabes lhe chamao 
i^yJ^S Azz>of. Herva assim chamada. Castello, 



^3/ 



§J AciMO ^yj laumo. Dia. Os mouros^ que navc'^ 

gão no mar Roxo , repartem a sua largura em tre^á 
J a cimos ^ em cuja largura haverá trinta e seis ho-* 
ras. Barr. Dec. II. Liv. VIII. cap. i. 

§ Jaezar v^ Jahheza. Preparar, ornar. Golio, 

Jaezbs jL.4^ Jehaze, Os arreios , e mais adornos de 
hum cavaílo. Deriva-se do verbo -^ jahaza ^ ador- 
nar, preparar, ^rnar. 

Jalepe, ou JuLE^Cque parec* ser mais próprio.) kJ:^& 
Golapa» (voz Pérsica) Termo Pharmaceutico. Bebida, 
composta de agua, e charope rozado. He composto de 
^yg:. gul a rosa , e de ^\ ap a agua , e faz , agua ro- 
zada, ou agua de rosas. Castello, 

§ JalííS umJU. Jales. Assentado. Freguezia era Traz-os- 
Montes, Termo de Villa Real. Cardoso. 

* Janizaro ^r^ \ A*s^ ;\ Inquisario. (voz Turca) Signi- 
fica nova Tropa. Esta qualidade de Tropa , teve seu 
principio no Reinado do Sultão Murat primeiro do no- 
me-, o qual, tendo tomado a terça parte dos rapazes 
Gregos, que no decurso de alguns annos do seu reina* 
do se capti varão, os mandou criar, e depois instruir na 
Lei Mahoraetica, e depois na Arte Militar. Estando 
já bem instruídos em liuma e outra cousa, mandou cha-" 
mar a Hagi Bektaclie, homem muito estimado, e tido 
por Santo entre os Turcos, para que abençoasse a ac- 
va Tropa , e lhes dí^:^Q, alguma deviza, pela qual sepo- 
clettem distinguir dos mais Soldados, rlagi Bcktache 
depois de os abençoar á sua moda, cortou huraa das* 
mangas 4o seu roupão, e a poz na cabcja de seu Chefe 

S scr^ 



1^ JA 

servindo-Ihe de cobertura á cabeça como hum gorro, á 
maneira dos nossos estudantes .de Coimbra , o que todos 
CS mais assim fizerao, isto he trazerem na cabeça hum 
gorro de panno pendurado, ou cahido sobre os hom^ 
bros, da cor do seu uniforme, cuja instituição teve prin- 
cipio no ajino de 763 da Hégira, e 1361 de Christo. 
Vide Biblioth. Orient, de Herhelot. pag. 448. 

Dos mais costumes desta gente de guerra na Tur- 
quia ; de que maneira vinhao das Provincias da Euro- 
• pa pelos Turcos conquistadas; e como o Grão Turco 
os mandava criar , e depois os repartia pelas pessoas 
grandes da sua Corte, e de que modo os fazia janiza- 
ros , e depois subião a outros cargos maiores , se podem, 
ver em Gesnêro de rebus Tureicis y e Amustéro de 
OrigiJ^e Turcarum, 

§ Jaria ií^^u Jaria. Esorava, serva. Nome de huma 
quinta no campo de Coimbra. 

Jarha, e Jarro í^^ 'Jarra, Vaso de barro de boca lar- 
ga que serve para flores &c. jarro , vaso de barro , ou 
de metal que serve para agua ás mãos. 

Jasmin. (^♦/w-b Jasemin. Flor conhecida. He voz Arábi- 
ca , e não Hebraica como .aponta Bluteau no Tom. IL 
».*cie seu DiceionariOj nem se deriva de Jesmir , a viole- 
ta. 

Jaspe (voz Hebraica) Jasphah Pedra branca muito es- 
timada. Ha diversas qualidades 5 e cores de Jaspe. 

Javai.1 ^Xx^ Jabali. Porco bravo, ou montéz. Deriva- 
se de '_jcxs. j^bolon o monte , he o mesmo que dizer 
eousa do monte, ou montanhéz. 

* IqA BUBAQUER y^j^j^ *^ks. Iça buhãcri. Nome próprio 
de homem. Significa" Isau pai de Bacri. Neste tempo 
chegou Içabuhaquer homem principal de G arábia Da- 
mião de Góes. Chronica &c. Parr. IIÍ. cap. 14. p. 290. 

Jezida %ò^yy^ Yazida. Freguezia na Provincia da Beira , 
Bispado da Guarda. He nome próprio de mulher, de 
quem a terra tomou o nome. Significa augmentadora. 

De- 



J O' /j? 

Derivd-se do verbo ^|^ zada augmentnr , accrescentar ^> 
abundar. Cborograpbta Portugueza, 

§ Jogue ^r^^ J^g^i* ( voz Pérsica ) Nome que na Pér- 
sia e índia dao aos eremitães, e despresadores do mun- 
do, que Tivem no retiro dos montes. Badurfoi ter d 
cidade de Por , e dal li com trage de Jogue foi até a 
Cinde. Couto , Dec. VI. 

JoiA ^^^ Jauhar, Significa qualquer cousa substancial, 
que brilha , luz, resplendece, como são pedras precio- 
sas, peças de ouro &c. Alguns Authores querem que 
seja voz Pérsica yi>y^, ganhar a mina , donde se extra-í> 
he qualquer cousa de estimação; porém segundo Gol- 
lio, melhor se deriva do verbo Arábico ^a». jaharf 
manifestar, brilhar, patentear; donde derivao o nome 
iSy^y^ j^^barion ^ o lapidario. 

§ JcrrÔ^^ Jarron, Páo de jorro, ó qíle 'carrega hum^ 
carro, a que chamão Zorro, ou Jorrão, e servia para 
arrastar cousas de grande peso. Ainda hoje dizertaps 
Zorreiro o sujeito, besta, carro, navio, &c. , que se mo- 
ve de vagar , e como arrastado. Quem cortar madeira 
dos ditos matos ^ por cada hum páo de jorro , pague 
4C0 réis, Liv. vermelho de D. AíF. V. N. 38. Sup^ 
plemento ao Elucidário pag. 46. 

§ JubAo, cu Jib5o Xaj=. Jobbaton. Jubao, colete. Que 
de sedas os homens poder am trazer soomente jubSes ^ 
€ carapuças, Chr. d'ElRei D. João II. cap. 23. 



I 



K 

* jftk, A B k à^K^s Kebaq, (voz Pérsica) A perdiz. Vid, 
" jtivic. cap, 364 pag, i^j^ 

S 2 -* Ka- 



f4^ KA 

♦ K ACABE *xaV Ca^ahe. Cannavial de açúcar. Esta CU 
dade excede a todas as do Norte pela muita fruta ^ 
€ acucar que recolhe cada anno do seu Kasabe, Go- 
dinho. Viagem da Índia. cap. 2. pag. 10. 

§ Kalb . vV.v Calb. Coração. Bento Pereira, 

§ Km.belag«ab ^_,^H>çU(— ^U Calholacrab, Coração do 
escorpião. Signo celeste , ou estrella Iu<?ente em Escor- 
pião. He composto do nome ^i Kalb. Coração, do 
artigo \\ Al^ e do nome ^^is. Acrab. Escorpião. Ben- 
to Pereira. 

$ Kalbeleced ^j^S i k\9 Calbolaced, Coração do Leão* 

Signo celeste. Bento Pereira, 

^ Kam, gr AM kAM f,^\ :i Chdn. Titulo do Imperador 

da Tartaria , Gram''Kam da Tartaria. He o mesmo 
que, Grande Rei, ou Soberano. 

* Kanisat EL GORAB Kj\rx\^ Xm^aX^j Canisat el gorab, K 
Igreja do Corvo. He nome composto òq Kanisat a Igre- 
ja , <e de gorab o corvo. 

Assim chamavão os Mouros ao Cabo de S. Vicente 
no Algarve. Na Geographia Nubiense se faz menção 
desta Igreja todas as vezes, que o Author quer demar- 
car as distancias das Povoações. Como he notória a his- 
toria dos corvos , que acompanhavão o corpo de S. Vi- 

'ò cente , só porei esta passagem , que vem no Tomo IIL 
da Monarchia Lusitana , Escriptura XXV. no fim da 
qual diz: In loco remotissima^ versus Occidentem y 
qui Latine dicitur ad caput Sancti Vincentii de Cor^ 
'vo , Arabice Kanisat é^ gorab. id est Ecclesia Corvi^ 
E he o mesmo que o Author daquella Geograp. quia 
dizer. 

§ Kauaba L^^r Caharaha. h\2.mhve. Bento Pereira. 

§ Kazimo ^jj,s' Cadimo. Antigo, superior. He o nome 
positivo do verbo ^y:i Cadama. Exceder, preceder, 
levar vantagem. Soldos Kazimos ; soldos de prata:"* 
Kazimos ^ ouro Kazimo são termos, diz o Sábio Au-^ 

thoc 



K E i4r 

thor no seu Elucidário tom. II. pag. 69 , mui frequen- 
tes nas Escripruras , que entre nós se exararão no tem- 
po dos Sarracenos, e ainda depois, que do nosso paiz 
to rao expulsos. Kazimo, continua elle, quer dizer pu- 
ro, limpo, sem fezes ou liga; e em confirmação disto 
transcreve algumas passagens de varias Escripturas, e 
continua depois: eisaqui temos Soldo de prata Kazimo, 
Soldos de Kazimi , e vaso de prata purissima , que tu- 
do he synonimo, donde se vê, que menos bem se diz 
dever-se escrever Kazimi , ou Kazimo com d , e não 
com z: isto he, Kadimos , e Kademini, e o dizer-se, 
que se deve assim escrever repugna a todos os originaes 
Doe. dentro e fora deste Reino, era que esta palavra 
se acha, e não he de presumir, que todos absolutamen- 
te se enganassem. Não obstante tão judiciosas reflexões 
parece-me, que não pode ser outra a sua etyraologia , a 
ser o dito nome de origem Arábica , como parece. Eu 
não ignoro, que temos o nome positivo Arábico ^j-5 
Cazimo. Cousa inferior, vil, baixa, do verbo y- G/- 
zema. Ser de inferior condição, mais vil, somenos; 
mas estas significações não quadrão ao sentido das taes 
Escripturas , porque aliás diria eii , que trazia deste , e 
não daquelle, a sua etymologia , por não ter corrupçãa 
alguma* 

Kebla ifXj.9 Quebla. He a parte opposta a qualquer 
pessoa, para onde estiver virado. Os Mahometanos dão 
este nome ao Templo de Mecca , pela obrigação, ou 
preceito que tem de estarem voltados para aquella par- 
te todas as vezes que querem rezar , segundo o que se 
lhes manda no cap. 2. )^. 146. do Alcorão: por cujo 
motivo cm todas as suas Mesquitas ha hum nicho na 
parede , que corresponde á parte do Templo de Mecca , 
a que chamão Alquebla para o qual nicho estão vira- 
dos quando rezão. Nelle , não tem Imagem , nem figu- 
ra alguma, lao somente serve de indicio do lugar para: 
onJc devem estar virador. Dcriva-se do verbo \^ 



í4^ K E 

CaheTa ^ qiie na IV; Conjugação significa estar frontei- 
ro de alguma cousa. Bluteau, 

Keqtjenge 5 ou Alaquenge ^^d\ ^3 Cacange. Espécie 

de herva moura. Avie, cap. 369. pag. 138. 

* KiARGHAMBEii jj^^j\^^k:^ Chiãrxambar. Ganna fistula.. 

Medicam. Avie. e Pharmacopea Tubalens. Tora. L 
pag. III. 

* KiST ía^5 Quest, No Oriente , entre o vulgo , he bal- 
de delgado 5 e comprido, cora arco todo de madeira, 
onde os camponezes trazem o leite coalhado para ven- 
der j leva cinco quartilhos, ou canada e meia da nossa 
medida. E entre os Authores he certa medida dos sóli- 
dos , e coraprehende hura sá , ou quatro alqueires. Tam- 
bém significa certa porção do sustento da vida , queDeoí 
tem concedido a qualquer criatura. Vid. Avie. cap» 
386. pag. 138. 

% Kuz j^^r Cuz. Jarro, ou vaso de agoa. Norae de certa 
constellação, ouaggregado deestreilas, que fazem hum 
signo celeste. Bento Pereira, 



L 



A c A ^! Lacca. Espécie de tinta encarnada , que 
se faz do sueco de huma planta , e serve para a tinta 
^ -dos couros de cabra. Os pintores também se servem 
'delia para certas cores. 

Ha outra laca, chamada lacre de formigas que vem 
de Bengala , Pegú , e outras terras da índia Orientai 
' Vid. Pharmacop. Tubalens, Part. I. pag. 25* 2. 
Lacaio ^jíX^ Molqmon. Criado de servir, cuja occupa- 

cãp he bera conhecida. Significa engeitado, lançado ío^ 

ra. 



i 



LA 143 

ra , eíCposto. Derlva-se do verbo Ji] lacaã , que e^tpres- 
sa o mesmo. 

Herbelot, na sua Bibliotlieca Oriental, diz o segu.in- 

' te; La quais ^ enfant expôs é dont la mer est inconnuè, 
Les Espagnols ontfait de ce mot lacaio , é^' de cellui- 
€Í nous avons fait laquais Bibl. Orient. pag. 620.. 

Entre as muitas derivações que Bluteau no V. Tora. 
de seu Diccionario deste nome traz ^ a verdadeira , e mais 
conforme , he a que Jhe dou. {a) 

Ç Ladeira a^^jsJ.^ Al-bodura. Costa do monte. 

§ Ladbao Cadimo ^^y» Cadimo, Ladrão velho, e mui- 

f to exercitado. O j.° nome he Portuguez , e o 2.*^ Aran- 
hiço. 

Laquecíí íJuXc âquíca. Pedra preciosa de cor vermelha, 
semelhante á granada. Tem virtude para estancar ©san- 
gue. Bluteau. 

l-ACHE jTil Lacco, Composição de cera, e fezes da laca, 

' feira em páosj que serve para fechar as cartas, e seilar 
papeis &c. Castello. 

Lalim ^'S Lalim. Aldêa na Provincia da Beira , Bispa- 
do de Lamego, fundação de Zeidan Ben huin , Regulo 
daquella Cidade. Significa Irreprehensivel. Chorograph^ 
Portugueza. 

Lamenhi t§^^vl Lamenhi, Freguezia na Provincia d'en- 
tre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Significa, 
de quem he? Composto da particula _J /á: de, do in- 
terrogativo ^ vián quem, e do pronome pessoal fe- 
minino ^ hi ^ que muitas vezes se toma pelo verbo au- 
xiliar sum , es ^ fui , e faz o composto de que fica já di- 
to. Chorograp. 

§ Laques ^'3 Laques. Moeda da índia , que valia 1500 

réis 



^•) a etyiDologia mais própria ào nome Lacaio parece-me ser do no- 
tr^ Arábico »aSJ Laqtiio ^ qut significa liomem vil, «UsprcsivcJ , &c. Q^i^ 



t44 ^ A 

réis da nossa moeda. Qj/e El Rei de Portugal IhemaH-i 
daria dar do rendiynento do Fort o 400 Laques , que 
são óoo<;^ooo réis. Couto 5 Dec. V. 
Laranja ^3?v,L«5 Naranja. Fructo conhecido. Os Caste- 
lhanos o pronuncião sem corrupção. Naranja, 

. Larim ^jí Larim. Moeda de prata da Pérsia, que va- 
le três vinténs da nossa moeda. Da Cidade de Larira, 
tomou esta moeda o nome por se fabricar nella, assina 
como dizemos moeda Lisbonense, ou Portuense. Aqui 
se bate a moeda que chamao Larim e vale 60 reis-. 
Itinerário de António Tenreiro, cap. 3. pag. 360. 

* Lascarim ^sy^=>M^ Lascari, (voz Pérsica) Soldado de 
cavallo. ElRei de Narsinga, mantém á sua custa mais 
de vinte mil cavallos, e da sua mão os entrega aos Ca-» 
pitães para repartirem pelos Soldados das suas Capita- 
nias a que chamão Lascarins. Estes são recebidos em 
soldo, e cora grande exame; porque os fazem despir 
em huma casa perante quatro Escrivães, osquaes escre- 
vem seus nomes, de seus pais, da Provincia , do lugar, 
idade , e sinaes de cada hum : O que feito se lhes assen- 
ta praça, e a cada hum se entrega hum cavallo. Depois 
de terem praça assente, já mais poderáó sahir fora do 
Reino sem a licença d ElRei. Vid. Damião de Góes. 
Chronica d^ElRei D, Manoel. Part. IL cap. 6. 
Hoje vulgarmente chamamos Lascarim por desprezo 
a hum homem descarado, e de animo pouco humano, 
e assim dizemos, fulano, he máo Lascarim. 

Larache (jí;j!j.x!í Alaraix, Villa forte de Africa sobre 
o Rio Luque, que depois de atravessar o campo de Ca- 
cerquebir, se mette no Mediterrâneo. Significa as par- 
reiras, ou as latadas. He nome plural do singular x>iisj^fi 
ârixaton 2. parreira. Gr a cia de Mello ao amanhecer 
do dia seguinte fez metter as velas sobre a barra de 
Larache. Damião de Góes. Chronica d^ ElRei D. Ma^ 
noel. Part. L cap. 84. pag. 108. 

* Laquega i^Ss. âquica. He liuraa pedra lustrosa da cõr 



da laranja , de que fazem brincos , e entras obras ccmo 
anéis, guarnições de facas, e alfanges, os lapidarios ihe 
chamúo carfieola, Vid. GolL pag. 1112. 

♦ Latar \ Uxl\ Jlldtar. Appellido. Significa Drogiiista. 

Depois de D. João ser e?n Azanior , teve recado^ que 
o Alcaide Latar "vinha ao soccorro de Ducdla, Da- 
mião de Góes. Chronica d"" El Rei D. Manoel. Parr. 
III. cap. jo. pag. 377. _ 

Laudano /.^i^ Ladano. Composição que se raz do sue- 
co da papoula com outros ingredientes. Vid. fharma-* 
cep. Tub aléns, e Bluteau sobre a composição do Lau^ 
dano. Tora. V. pag. 16. e 53. 

Lazabim ^^jj^y aacvll Alãçãrin. Aldêa na Provincia da^ 

Beira , Bispado de Lamego , fundação de Zeidan , Re- 
gulo daquella Cidade. Significa as duas fortificações, 

Deriva-se do verbo ^\ ^ haçara , fortificar munir, 

Chorographia. 

$ Lazima is-^j^ Lazema, Cousa necessária , devida , e de 

obrigação. Que podia Adelkam mandar levar a Goa 
todos os annos trez mil Pardaos de fazenda sem, pa-' 
gar direitos , nem Lazimas. Couto, Dec. VL 

♦ Lela Makiam ^^xaUJ Leila Mariam. Nome de mu^ 
Iher. Significa cousa formosa , ou a formosa Mariam. 
Vid. Gollio pag. 2183. Tinha o Xerife huma irmaS 
chamada Leia Mariam. Jeronymo de Mendonça. Jor^ 
nada de Africa. Livr. II. cap. 16. pag. 138. 

♦ Lela quabir ^jyS»)Ji Leila quebira. Nome próprio 
de mulher. Significa a grande formosa. Havia eyn Mar- 
rocos huma mulLer Portugueza casada com Elche 
Vice-Rei de Ducdla , ainda que renegada , muito ami^ 
ga dos Portuguezes y chamava-se Lela quebir. Jero- 
nymo de Mendonça, fornada de Africa. Livro IL 
cap. 16. pag. 139. 

Lk7.irias %Sy^jz^ fazirdt. (voz corrupta) Ilha; ou terra 
ulcigadí^a, e cercada de agua. A terra em si he baixa y 

T alá^ 



M Lr 

' alagadiça ^ e retalhada com esteiros^ e rios como pd 
são as terras ^ qu^ por vocábulo Arábico chamamos 
Lezírias. Barros. Década I. foi. i8i. Duarte Nunes 
e Faria, escrevem sem corrupção, este nome Jeziral 
§ Lidar *xJ Ladda. Litigar , peleijar. iliJ^r^^^j-, 
LiMÂo ç^yç^K\ Laimtín. (voz Pérsica ^^^.ívaI) Fructo co- 
nhecido, 

* LocAFA ^saX! Lacaha. Multidão de gente, companhia., 
Tribu. Affirmão os Chronistas deste Reino ^ (da Pér- 
sia ) que em quatro annos morrerão a ferro dezeseis 
Locafas de homens , e cada Locafa , tem mil homens. 
Fernão Mendes Pinto. cap. 45*. pag. 5'4. 

* LoFADA ^^i! Lafaha, Rajada de vento, foracão, so- 
pro forte de vento. Deitarão huma lança no nosso Ga" 
liãOy a qual se apegou d véla^^ até que a sacodio hu^ 
ma Lofada de vento. Barros Década IV. foi. 94. 

* LoHOG c-J(x! Loôq. ( Termo de Botica ^ e Pharmaceu- 
tico ) Lambedor. Deriva-se do verbo t_jix5 laâca lam-i» 
ber: era Latira, he lingo. Pharmacopêa. 

§ Louco clíJ Loccdo, Homem louco, que injuria os ou- 
tros com pahvras. Golio. 

* LuLETEM. ^^'K^^ Lulèitein, Significa as duas pérolas. B 
àescobrio todos os portos\^ e Ilhas até a que se chama 
huletem. Comment. de Aííbnso de Albuquerque. Tomi 

- P:. Part. IV. cap. 25-. 



M 



M 



AgAoSo , otr MaíagXo ^^^s\^^^ « Maçochòn^ 

Fraca em Africa no Reina de Marroço?, Província de 



MA. 147 

Ducála. Significa agua morna, ou quente. Compõem- 
se de ^\^^ md a agua , e de ^^^c çochon quente. . 

* Maçal Va* Macei. O soro do leite, que escorre da 

quejo quando o carregao. Vid. Bento Pereira ^ ePhar^ 
macop. Tom. I. pag. 369. 

§ Magana íw^ Macana, (voz Pérsica) Espécie de tou- 
cado, de que usão as mulheres Persicanas. Foi ElRet 
Badur d praia ^ e mandou por duas mesas ^ huma com, 
dinheiro para aquelles que peleijassem , e outra conj^ 
Macanas y para os fracos que não peleijassem. Barn 
Dec. IIL Livr. VII. cap. 5-. 

§ Machad Alt ^cs^L^ Maxhad Aly. Lugíir do mar- 
tírio de Aly. Este era genro e successor de Mafoma , o 
qual tendo mandado publicar doutrina opposta á do Aí- 
corão , logo que foi acclaraado, não foi reconhecido 
pelos sequases de Mafoma; e reputando-o herege, lhe 
declararão a guerra, a qual durou por espaço de quatro 

, annos e nove mezes, até que foi morto: e ficarão cha- 
mando ao lugar , em que o matarão Maxhad Aly. ^oi 
trazido o seu corpo para alli , e os mouros lhe cha- 
marão Machad Aly. Barr. Dec. II. Liv. X. cap, ^. 

§ S. Miguel de Machede ^^^,^ Maxhad. Este ultima 
nome he Árabe, e significa lugar do martírio. Fregue- 
sia no Arcebispado de Évora , assim chamado. Cardo-* 
so. 

Macio ^^^ Maciho. Cousa li^a , plana , macia , sem as^ 
pereza. Deriva-se do rerbo ^u*^^ maçaha^ polir, ali- 
zar, alimpar. Gollio^ e Castello. 

•* Macrume x<^^^^ Macrume. Freguezia na Província 
d'entre Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Signi- 
fica cousa honrada , estimada. Deriva-se do verbo ^y^s 
carafua^quc na llí. Conjugação he, honrar, estimar. 
Cborog. 

* Mai>*açal x^^j.^ Madraça, Escola , onde se ensina a 
ler, e CKrever. Dcnva-se do verbo ^^^^^ daraça y esta- 

T z dar 



t4» M A 

dar a lição, decorar, repetir a leitura. Em huma nõtt-* 
te ^ estando os nossos Fortuguezes ^ que móravao na 
Cidade^ accommetterao os Mouros^ que estavao na 
Alfandega , no Hospital , e no Madraçal em que se 
ãefendião, lhe largarão o fogo. Damião de Góes. Qhro^ 
nica d'ElRei D, Manuel, Part. IV. cap. 79. pag. 585'. 
Madrid ^^:^^\_^ Maaj arit. C^'i\tú de Hespanha. He 
,, nome composto de ^u maa agua, e de is^^jarit cor- 
rente. Aguas correntes. 
^AFAMUDE s^^=s\-o Mahmude. Nome próprio de mulher; 
Significa Louvada. He Freguezia na Província d'entre 
Douro e Minho, Arcebispado de Braga. Deriva-se do 
verbo j^^::. hamada louvar. Chorograph, 
Mafra ^^.í^ Mahfara. A cova. Freguezia na Província 
da Estremadura , Patriarcado de Lisboa. Deriva-se do 
verbo ^^ bafara cavar, abrir cova. Cardoso. 
Magos ^^ Majiís, (voz Pérsica) ^y:^ Majás. To- 
* dos os Authores Árabes , derivao este nome do Pérsia 
' ' CO, e lhe dão a significação de Philosopho, ou indaga- 
dor das cousas occultasj só Gerardo João Vossio o de- 
riva do Hebraico mahgim da raiz ^^j^ ^ * buscar , exa- 
*' minar. 

Os Persas porém , tem, que assim se chamou hirm Pro- 
feta muito antigo, e foi o primeiro que revelou os se- 
gredos de Deos aos homens , e introduzio o cuko do- 
^ fogo na Pérsia, e Cbaldea ^ que durou por espaço de 
, : 400,anoos., até que Ornar. IIL Califa dos Árabes o ex- 

tinguio. Rosário Politico de Gencio^ pag. 533. 

^ Magzenia ^A^jliá Magazenia. Soldados. Morrerão 

logo ^00 Magazenias homens principaes. Chr. d'El- 

Rei<D. Joaò in. cap. 31. pag. 81. 

Mahamude xíi^sí AÍ^>&^^W^. (Termo Pharmaceutico) 

Herva vulgarmente chamada Escamonea. Medicamento 

r louvável. Pharmacop, Tuhalens. Tom. L pag. iiB* 

P Mahamudi tf^^*:ss Mahmudi. Moeda de ouro, e. de 



MA 'Í49 

prata da Tndía , e Turquia, que por ter o nome do Rei 
Mahmud gravado nella, se chama Mahmudi ; assim co- 
roo a moeda de Carlos se pode chamar Carlinos ; a de 
Affonso AíFónsins &c. Este Mahmud ^ era Rei de Gu-- 
%arate ^ e o primeiro deste nome, Barr. Decad. I. Li- 
vr. VIII. foi. 148. FMe lhe deu cem mil Mahamudis 
de prata. Couto. Decad. Vil. foi. 191. 
M.ALUCO éò<c Mameluco, (voz corrupta do nome an- 
tecedente) He nome próprio , ainda que appellativo, 
Muley Maluco era o Rei de Marrocos, que deu bata- 
lha a ElRei D. Sebastião, delle se falia a cada passo 
na Jornada de Africa, e perda d'ElRei D. Sebastião 
for Jerónimo de Mendonça , &c. Sendo o dito Rei pe- 
queno se auzentou para Constantinopla , e quando vol- 
tou, seu pai lhe mandou pôr huma braga de prata mui- 
to delgada no pé direito , chamando-lhe Mameluco , 
que quer dizer, Escravo. Vid. "Jornada de Jfrica, 
ÂÍAMELuco ^^ Mameluco. Escravo, possuído. Deri- 
va-se do verbo s^ maleca reinar ,^ possuir ; e como es- 
te nome he participio da passiva deste verbo, significa 
escravo , possuido de outrem. Castello. 

Os Mamelucos no Oriente , são os rapazes Cbristaos 
que se apanhavão na guerra, ou por tributo se davao á 
Forta Othomana. Destes os mais bem parecidos > erao 
roandados criar no Palácio para o serviço, c assistência 
do Grão Turco, acompanhai© quando hia á Mesquita , 
servilo á meza, e pegar-lhe na cauda do Coftán. Os 
Baxas, e Grandes da Corte, também costumão ter seus 
Mamelucos, á proporção da sua graduação. No Egy- 
pto , forão famozos desde que o Sultão Saladino , e seus 
descendentes os mandarão criar naquella Corte; osquaes 
pelos annos de 1250 de Christo se introduzirão no go- 
verno, c se fizerão tão poderosos, que não só occupa- 
rão os primeiros lugares, e dignidades, mas se fizerão 
formidáveis ás mais Nações, ate que Selim Imperador 
dos Turcos cm duas batalhas q^uc lhes deo^ m dcsbara- 

tOkU, 



içõ ' M A 

tou. Os navios erão guarnecidos alem da Equipagem 
por cincoenta Mamducos cada hum. Barr. Década 11; 
foi. 192. 

Mamora, ou Mamoros ^jy^K^ MaâmuTã, Freguesia na 
Província da Beira, Bispado de Viseu. Significa a Edi- 
ficada 5 OKI povoada. Deriva-se do verbo ^^ amara edi^ 
ficar, povoar, construir. Também he nome de huma 
Villa em Africa, termo de Alcácer Seguer, Reino de 
Marrocos. Levou nas suas instrucçÕes^ que acabada 
a Fortaleza de Mamora &c. Damião de Góes. Chro^ 
nica d^ElRei D. Manoel. Part. IV. cap. 6<). pag. 589. 

Mana' ^^ Manna. O Maná , segundo Galeno, he espe- 
, <:ie de mel, que se produz era as plantas. A derivação 
deste nome, foi quando os Hebreos virão a comida, que 
Deos lhes enviava do Ceo , admirados , perguntavão 
Imns aos outros , mannu , que he isto ? Como se; vé no 
Êxodo. ca^. id* if 15'. E desta palavra formou Moi-» 
sés Escriptor desse livro o nome Substantivo manno ^ 
de que usa todas as vezes que tem de fallar desta comi- 
da , e para se tirar de toda a duvida , basta ver o refe- 
rido Capitulo do Êxodo. Os Árabes por outro nome 
lhe chamão kjJsKIí s^í^ heluet el codra doce da Omni* 
potencia. Vid. Bibl. Orient. de Herbel. Letra M., ^ 
o Diccionario de Bayli. 

* Mancara i^^â^ Mancara. Campo na Província de Du* 
cala , Reino de Marrocos. Significa lugar da victoria. 
Ter o de Menezes ^ determinou correr o campo de Man* 
cara. Damião de Góes. Cbronica d"* El Rei D. ManoeL 
Part. IV. cap. 49. pag. 5'40. 

Mancebo <^^mJU Mansubon. O amante, ou namorado. 
Deriva-se do verbo u^^J> n acaba trazer á memoria o 
passado j louvar a amiga com versos amatorios. Vid» 
Gol lio. pag. 2338. 

§ Manchar ^i;^ Manchar. Estendedouro , em que sc 
pôenj os figos , e outras fructas a seccan 

^ . § Man- 



MA ■ I5»f 

§ Manchil y^sxLc MenjaL Fouce , ou cutello. Orthogr. 
de Duarte Nunes de Leão , e Fonceca, 

JáANCUBA AjyijLc Marictíba, Cousa cavada , ou furadaí 
Freguezia na Província da Estremadura , Patriarcado 
de Lisboa. Deriva-se do verbo çjcs nacaha ^ cavar, fu- 
rar, abrir buraco na parede. Chorog, Fortugueza. 

Mandel _j4>J-« ManàeL A mudada. Freguezia na Pro- 
víncia do Minho, Bispado do Porto. Deriva-se do ver- 
bo Jjô nadala ^ mudar huraa cousa de seu lugar para 
outro. Chorograph. Fortugueza. 

Mandufe *i^«M^ Mandufe. A sacodida. Freguezia na 
Província da Beira , Bispado de Viseu. Deriva-se do 
verbo c-j^ nadafa^ sacodir a lãa cora páo, carpan 
Chorog. Fortugueza. 

Mandil ^iJoJJL* MandíL Lenço, ou guardanapo. Era 
Portugal, b mandil, he pedaço de çaragoça , ou de bae- 
ta com que alimpão as bestas do pó. Bento Fereira, 
Também huns pannos^ralos como toalhas, de que se 
servem em diversos ministérios, e hum dellcs para po- 
rem na boca dos cortiços de colmeas, quando se trans- 
portão de huma parte para a outra. Os Africanos tam- 
bém charaão mandil a toda a espécie de toalhas. 

Mangil Vjs^;- Mangil^ ou Manchil. A Fouce. Ins- 
trumento rústico. Bento Fereira. 

$ Mantilha xL^xJLo Mandila. Cobertura de que usão 
as mulheres, e com que vestem as crianças. 

Mansubes í.^aL» Mansura. Freguezia na Província da 
Beira, Bispado de Coimbra. A soccorrida. Esta Fre- 
guezia tomou o nome de Almansur Rei de Marrocos ^ 
quando nella se alojou na sua retirada. Monarch. 
Lusit. Tom. n. pag. 361. 

Ç Manzelagb ^Wy^ Manzel-haj-je. Pouzada do pe- 

• regrino. Ficando Baltazar J^obo no rio de Manzcla* 
ge. Couto, Dec. VIL Liv. IV. cap. 6. 

M^c^uiA o^.fe^ MeçjfiiaL (termo de moleiro) Porção 

de 



t^i M A 

de trigo , que o moleiro tira para si da farinha que Paz^^ 
Deriva-se do verbo ^JL-^, cd/a medir. 

f Mar ^\ ^ Mar, (voz Syriaca 7nóro) Senhor Santo* 

Deos. Corresponde ao nome Latino Divus. He titulo , 
que os'Syriacos, e Maronitas dáo aos seus Bispos. Os 
Judeos usâo deste titulo mar , e o davao aos Doctores 
da Lei Moisaica \ porém dquelles que viviao fora da 
Terra Santa. Vid. o nome Arahi, Em quanto Alar 
Ahraham andava nessas peregrinações , Mar Jusepb 
vivia pacifico no Bispado. Jornada do Arcebisp. de 
Goa D. Fr. Aleixo de Menezes á Serra de Malabar, 
Livr. L cap. 3. pag. 8. 

t Marabuto \:ij\y9 Mor abeto. Monge , eremita Moham- 
raetano. Deriva-se do verbo iaj^ Rabat a. Estar firme, 
e entregar-se á devofão. 

Maragotâo (^lail^j Barracoton. (voz corrupta) Espé- 
cie de pêssegos, que nascem do enxerto do durazio em 
marmeleiro, chamados assim pelo muito cotão que tem 
a modo de marmelo. He composto de \^j barra por fo- 
ra, e de (^_y\3.9 coton algodão, que he o mesmo, que 
cheio por fora de algodão. 

§ Makafona íajUííM^^ Mara-haina, Mulher enganado- 
ra , infiel a alguém. Golio. 

Maravhdi (^\^j\y^ Marabetin. (a) Os Morabetinos erâo 
povo da Afaf)ia da Seita de AI7, Genro de Mafoma, 
cuja seita era opposta á de Ornar. Estes, passarão pa- 
ra Africa em companhia àe Abujauar, fundador da- 
quella seita , e depois passarão para Hespanha. Vid. L* 
Afrique de Marmol. Tora. I. pag. 283. 

He participio passivo do verbo kjj r abata ^ que na 
in. Conjugação significa pactear, consolidar, colligar, 

ta es 



(rt) Morabetin significa o mesmo que Almorabides. Veja-se o Cartaz. 
Como estes reinarão também nas Hespanhas , talvez esta moeda fosse cu- 
jdiada no seu tempo , e delles tomasse o nome. 



M A Tf3 

"taes erSo estes Morabetinos, firmes, e sólidos na sua 
seira, e opposros á de Oraar. ; 

O P. Marianna . no seu ..liv.ro de pmiderilus. d^ men^ 
surls ^ cap. 23. diz, que os Maravedis erão moeda dos 
^: Reis Godos, íjií^ reinarão era Hespanha ; porém esta 
Etymologia sedesvanece por muitos exemplos, que ipps- 
trao o contrario. Veja-se a Choro gr aph ia Bórtuguéza^ 
pag. 31T , e outros Authores, .V 

Também diz ,0 mesmo Marianna pem fundamento, 
Gue segundo a opinião de outros j quer dizer, despojo 
dos Mouros; porque Mofa os Mouros, e hutinos o 
despojo, da voz Franceza hutin ^ e que significa despo- 
jo dos Mouros,' o nome Maravedis, he o mesmo que 
Morabetin , e segundo a regra geral da mudança das le- 
tras ,. só se vè o ^ trocado por //, e t por d. Elles erão 
Mahometanos de Africa, que pFofessavao as Sciencias, 
e Virtudes. Moraes. Sua vida era quasi semelhante á 
dos Filósofos da Gentilidade. Delles ainda hoje se con- 
servão alguns no Reino de Argel, Tunes, e Tripoly;, e 
lhes chamáo Marabutos. Vide a Historia de Argel. 

* Mardecenque il;^^^ Marsanque, (voz Pérsica ,»5Cxwb v.<«) 
Escuma da prata, escoria. Pharmacopêa, ' ' 

Marfim _\JwU Nabjil. ( voz corrupta) Dente do Ele- 
fante. He composto de ^^L-j nab o dente , ou preza , 
€ de ^A9 fil o Elefante. Os Castelhanos dizem Mar- 

■ fil. * ,' ." , 

Margarita j^J^y^ Maruarid. (voz Pérsica) Pérola J 
- ou qualquer pedra preciosa. Vid. Castello. Biccioiiario 

Ueptagloto. 
Margem a^^ Marge. (Margem do Rio) Lugar abun- 
dante de hcrvas, pa^to para o gado, fresco, ameno &c. 

♦ Marlota i^^^ Marlota, Vestido curto de que usão 
os da Pérsia e índia. Huns são de seda, outros de laã. 

. Além disto lhe deo Mar lotas , e outros vestidos. Da- 

'V niiáo 



rf4 MA 

iniao de Go^s. Chronica d'ElRei D. Manoel. Part. I. 
cap. 37. pag. 12 1. 
§ Maroto ^^^ Marudo, Insolente, iramorigerado. Go- 
'■" lio. 

* Marquezita ly^=>y^ Marcazat, Pirites , pedra que 

* acompanha os veios de metal. Cada mina tem sua mar- 
quezita. A do ouro, he amarella ; a da prata he bran- 
ca, e á proporção os mais metaes segundo a cor, e qua- 
lidade de cada hum. Deriva-se do verbo • ^- racaza , 

* me na IV. Conjugação he, descobrir, ou achar mina. 
Bíuteau. 

ÍíÍIarrÃo ^i\yj Barrani. Porco pequeno. Deriva-se da voz 

^ \yj Barra cousa de fora, do campo, do monte &c. 

Maruan (^^\^yo Maruan. Nome próprio de homem, si- 
gnifica suave, agradável. He nome de huma Villa na 
Provincia da Beira , Bispado da Guarda. No anno de 
770 de Chri&ro, Maruan Mouro Africano a mandou 
povoar, e lhe deu o seu nome. Também he nome de 
hiiraa Serra na mesma Província vulgarmente chamada 
Cabeça de Maruan. O dito Mouro era Senhor de Coim- 
bra, e nella governava nos sobreditos annos. Vid. Mo-- 
narchia Lusitana. Tom. II. pag. 292. He também 
nome de huma Villa na Comarca de Portalegre. 

§ MàrvIo ^yj^ Maruan. Nome próprio de Mouro, 
Senhor daquella tei^ra. Nome de huma Villa na Pro- 

•V vincia do Alem-Tejo. 

^ A RUFE ^5, .R^ Maerufe. Cousa conhecida. Freguezia na 
Província d'cntre Douro e Minho, Arcebispado de Bra- 
ga. Deriva-se do verbo i_ij.s: derefa , saber , conhecer , 
apprender. Chorog. Portugueza. 

Mascaba, e Mascare a ^^}^^ Masehara. Mofa, es- 
cárneo, zombaria. Entre nós he caraça de papelão pin- 
tado ;v de que nas occaziòes de brinco, òu jogos se uza. 
Deriva-se do verbo _j.:^^ sachara ^ que na V. Conju- 
gação significa^ escarnec&r^ fazer zombaria. Castello^. 

Maz- 



MazmorrA x^jja^ Afatsmora. C^O^. Afrlcâfia)' Caza , 

► cpyg , ou prizpo subterrd^aea á maneira de luima grande 

cisterna, sera ar, nem claridade, mais do que lhe entira 

fja port^^, ou boçOí^ ft qp4l sç^rfcçha eopi hum alçapão, 
m Álarroços as Mazmorras são debaixo do Palácio d' 
ElRei. Deriva-se do ycrbo^^^ rdmara. Guardar, fe- 
char, esconder debaixo do chão; cobrir com terra. G/- 
rardo João Vossio , sem raz^o deriva este nome do 
verbo Hebraico Zamara ^ cantar, psalmear. He pois 
tão extravagante esta derivação, que sendo as mazmpr- 
ras prizoes horríveis, possao derivar-se de hum verbo 
que significa alegria, como he cantar, e psalmear. Vid. 
larvada de Africa, Liv^*. 11. capw 6. pag. 71, 

Massusa ^^^\ ^ Massas a» Freguezia no termo de Sen- 
tarem. Significa edificada , ou fundada. Mappa de Por- 
vtugal , pelo P. "^oão Baptista. 

Mastiga ^jCian-* Mastica, Rezina da aroeira , vulgarmen- 
te AJmecega. Vid. Pharm. TubaL Tom. I. pag. 12a. 

* Matamorba «^^,^la>o -^-^^^^^^^^. Celleiro subterrâneo *cni 
que os Mouros costumão guardar o trigo. As Matraor* 
ras, são do feitio de huma cister^ia, com três ou qua- 
tro braças de alto, e largas á proporção, eamaior par- 
te delias est^o no campo; nellas recolhera o trigo de- 
pois de debulhado, e limpo, em estando frio, cubrin- 
do-o com alguma palha , e terra por cima , e alli ás ve- 
zes se conserva, cinco, seis, € rtiáis annos sem corrup- 
çpo. Outras Matmorras, ha dentro das mesmas casas, 
c sao do feitio das outras. Deriva-se do verbo ^\o Td^ 
'mar a esconder debaixo da terra; enterrar por certo tem- 
po. Vorão avizados por dois Mouros , que vinbão bus-' 
car huma Mi^imorra de trigo. Damião dcGoe^. CUro-- 
nica d'ElRei D. Manoel. Part. III. cap. 71. 

t Matak cijy^ Mauata. Matar, Está na 2.* conjuga- 
çíío, porque na primeira, que he cL»U Mata^ signifi* 

. ca morrer, - ^ 

V 2 * Ma- 



^6 M Ãf: 

* MATE;nMÍAlPB'cfífíí5\\^Í^l^^'Í^ chab. (voz Persi-^ 
o.ca:Ttcrraa^dojogo do Xadrez) Significa, mata, oUmor- 

,r Sem .d.UAddav.-^te!íiôb:í^ áeídèríva^-dà^^^^^ Pe:rslca , não 
*ix)bsíaiité oljgmúáé trshúhoy e eontrariôdade que entre 
«>:éi tívèrao os Etymoiogisras, dos quaes só Bbcharto se 
Açonforma. çom.a verdadeira Etymologia , como se vê na 
o^^ii^Geogfiap.ySaf.itàtréí.- cap. 2. cujas palavras são 
í as seguintes :' Ff/ /g"<ír(f illud shac mat. Pérsica //;/- 
^ gti.a sonat ^ ■• Regem esse. rnortuum. E o mesmo s^lè 
c mrHístdr. Ssrracenica. rLiyf. ,U, ca:pwí^7. -pa^ 127. 
,; ainda que por , outras palavras. Sendo assim , sefn duvi- 
da dahi nos veio o verbo matar , e nao do Latim bar- 
^[y^í^io mactare. Os Hebreõs, e/ArÁbes usão deste mes- 
-^^^■^iyerbo 0^-0 mdta raatár, donde deduzem a voz 
cij^^ ^latíton do Hebraico ^wí)í a morte. Vid. Gollio^ 
--íCastello-y^iGuxvos Axiíhòres Árabes. 
íMateaca aK^u^ ' il/í7/^r^í*^,, Instrumento de taboa com 

- duas argolas de ferro, que maneado, faz estrondo. Nos 
^-Conventos, serve para chamar os Padres para o coro 
«.na Semana Santa, e quando morre algum Religioso, se 
., faz signâl com a matraca nos dormitórios. Deriva-se 

. do -verbo, cJj^lb^^^^í^ bater na. porca cora pedra,, oa 

- > O uso das» matrarcasfno ^Oriente he antiquíssimo I por- 
» que sendo prohibido aos Christaos daquelle paiz o uso 

dos sinos (excepto os do Monte Libano ) usão das ma- 
tracas para chamar a gente para os Officios Divinos» 
Domingos Macro no seu Hierolexic. pag. 60 r. depois 
de explicar o nome de matraca, diz o seguinte. Instru^ 
mentum inter Oriental es Gr ecos , quo ipsi utuntur 
"'" loco campan£ ^ nihil aliudest ^ quóim hasta binis maU 
leis percussa ^ ad indicendam Divinorum Officioruni 

- celebrationem , ut homines ^ mulieresque ad eam con^ 
veniant^c. Castello ^ e Gollio. 

JilATRAxiBAXi ,^iL c^>k^ Matraxihaxi. Aguadeiro mor. 



MA ^'5:7 

í)^He nome composto de ^^^\^^ matraxi odreiro, ê'<le 

^l^ baxi mór, ou principal, Costumao os Turcos''le- 

var a agua para o seu exercito em odres de vacca cor- 

í^'' tidos a que chamão kj.^,^ Mdtra y e aos que adminis-^ 

- trâo a agua para o exercito ^-.^ta^ , ou ^^y\^^ Sendo tera- 

- po deverão, costumao certos homens , vender pelas ruas 
► das Cidades, e Villas agua de alcaçus nesses mesmos 
" odres , como entre nós a limonada pelas ruas. Anàao 
, continuamente homens pela rua aque chamao matra- 
xi ^ com odres ds costas cheios de agua , vendendo em 

' taças de latão curiosamente lavradas, Godinho. Via^ 
gem da Índia. Livr. I. cap. 25'. pag. 161. 

* Mazagania *a;^s5 Machzanía. ( voz Africana ) A 

^^ Tropa, ou Soldados pagos, e não os Auxiliares que 
não tem soldo. Os Africanos, assim chamao aos Sol- 

*■ dados, que estão em actual serviço, e derivão este no- 
me de ^,^'J^ Machezan, Erário, ou Thesouro-, don- 
de se collTge, que são homens, que pertencem ao Erá- 
rio, e delle se sustentão , ou cobrão soldo. A poz elle 
vinha o Alcaide com sua Mazagania ^ (isto he com- 
panhia) como elles lhe chamao na sua linguagem^ 
Damião de Góes. Chronica d'ElRei Z). Manoel. Part. 
IV. cap, 44. 

§ Mazaganyns tJYAjylss Magazenin. Soldados. Aforre^ 
râo logo 50 de seus Mazaganyns. Chr. d'ElRei D. 
João 11. cap. 31. 

§ Mear ^u Maa. Mear o gato. 

$ Mec^amidas ^^jc«lei-« Mossamedin, Os naturaes da tri- 
bu de Mossamcda na Mauritânia, A ho tempo que hos 
Mouros ha que em Arábico chamao Meçamidas. Chr. 
d'ElRei D. AfFonso Henriques , cap. 23, pag. 30, por 
Duarte Galvão. 

§ Mecha ^i^i;^ Mac ha l. Mecha paru pegar o ^ogo, 

Mt-cBADB 5jJ^ Machadd. Nome de huma das portas 

dç 



f y« M K 

de Évora. Significa porra do Ímpeto, da Irrupção, do 
accoramcitlmento &c. do verbo j^ xadda. 

§ Medalha xiu^ Metçala. Figura, descripção. Qolio. 
^ÍEDiNA ^jà^^ Medina, A Cidade. Vid. Alvnedina, Os 
Mouros chama vâo a Medina Celi, j^^ao-J^ aâja^ Medi^ 
nat ai meida. Cidade da meza , por acharem nella hu- 
roa meza detrespés, feita dehuma só esmeralda, quan- 
do a saquearão na primeira invazâo que fizerao em Hes- 
panha. Vid. V Afrique de MarmoL Tom. I. Livr* 
II. pag. 162. 

§ Medinat Enabi f^]\ ti^cs^ Madinatonahi, Cidade do 
profeta. Ao outro dia avistarão Madinat Enahi ^ que 
'vulgarmente hé chamada Medina^ e he o lugar do 
nascimento de Mafoma» Godinho, Viagem por terra 
a Portugal ^ Q^^p l. pag. 5-4. 

§ Medronheiro í?aj^^Is.« Metrunia. Arvore bei;» conhe- 
cida. 

* Medruzan j^^jòs^ Madruzon, (voz Pérsica) As jun- 
cturas, ou costuras dos ossos, ou casco da cabeça. Avi* 
cen* cap. i. pag. 10. 

Meduza k/^^x^ Meduza, Herva, chamada Estoque. Phar" 
ynacopêa TubaL Tom. I. pag. 120. 

MeimÂo /. ^^^U Mamun, Nome próprio de homem. O 
conservado, seguro, guardado. Deriva-se do verbo ç^^^S 
d mana. Estar seguro, firme, constante, conservado. 

He Freguezia na Provinçi^ <Jo Minho , Bispado dQ 
Porco , que do Senhor , ou fundador tomou o laoíjie* 
Chorograph. Portugueza. 

Meimoa ^s^^U Mamona. Nome próprio de mulher. Fre- 

•%Q;guezia na Província do Minho, Bispado do Porto, De- 
riva-se do verbo antecedente, e significa o mesmo. Gho^ 
rographia Portugueza. 

Melecas a*^a.)u Maliça. Lugac no Patriarcado de Lisa 

boa , 



ME Y5^ 

boa, e Rio do mesmo nome. Significa cousa macia, 
branda, plana j também significa vasio, despejado. 
^ M.hLq{}iT AS A,^Mt'/qíi ia. Realistas. Deriva-se do ver- 
bo JJLo w/7/tfr/7 , governar 3 reinar, dominar. No Orien- 
te di-se o nome de Melquitas aos Arménios , e Syria- 
cos , que nao sendo Gregos se unirão a elles , e abraça- 
rão a sua doctrina. Quia Iniperatoris sententiam su7it 
secuti , vocati sunt Melquita. Histor, Eccles. Tora. 

. I. pag. 47?- 
t,..MERcuzAN ry^iyo Mãrcuzofí. A juuGtura fixa, e bem 

unida que os dois ossos do casco da cabeja , fazem en- 
tre si. Âzic. cap. I. pag. lo. 

* Mekcultem ^- jJ ^ Mor cul tema. Nome de lugar 
em Africa perto de Azamor. He composto de dois Im- 
perativos, e de liuma particulu, ou adverbio de lugar; 
a saber, de ^ vior vaite, do verbo ^ marra hir, e 

de ^ í^ír/come, do verbo j^5\ aeala comer, e do 

adverb. ^ tema alii nesse lugar, e faz o composto de 
vai comer ahi , ou nesse lugar. 

Mesejana aJLs^v^^ Masjana. Villa na Província do Alem- 
Tejo, Bispado de Beja. Significa, prizâo, ou cárcere. 
Deriva-se do verbo i^sss^ Sdjana encarcerar , metter 
em prizão. Na historia Sebastica cap. i8, foi. 27^ 
acha-se este nome sem corrupção alguma, como se vê 
na seguinte passagem: De Beja foi E/Rei ( D. Sebas- 
tião) a Messagena ^ e virão a maior parte do campo 
de Ourique. 

Ha outras duas Mescjanas, huma no Algarve, ter- 
mo de Tavira , outra no termo de Santarém. Todas 
significão o mesmo. Choro gr aphia Portugueza. 

MiíSQUiNHATE aj^C-,-* AíasquÍ7iat. Frcguezia na Provín- 
cia a^^nire Douro e Minho, Bispado do Porto. Lugar 
da pobreza. Deriva se do verbo ^, *^^ sdcana que na 
VIU. Conjugação significa ser pobre, indigente, neces- 
sitado. CLorograp. Fortugueza. 



í6ó ME 

Mesquinho ^í^'^ Masquino, Pobre, mísero, indigente, 
Deriva-se do verbo antecedenre. /t 

Mesquita c^^^^ Masejad. O Templo, ou lugar àê 
adoração. Deriva-se do verbo os:s\a** sejada adorar prós- 

"'trado por terra. Este nome, primeiramente foi pronun- 
ciado cora o G forte Mesgad\ e depois Mesguida , e 
daqui a prolação vulgar Mesquita, dando mais força 
ao ^,:fazendo-o t. Quamabrem verti potefl Latine 
orationum , seu locus adorationis , uulgo dicimus' 
Moschea^ seu Mesquita. Mar ratii Refutatio Alço* 
ran» pag. 47. -• ouzv 

t Messias ^^^ MassiL Ungido. Golio diz que .para 
significar M^essias deve levar o artigo \;\ Al ^ dizendo- 
se Almas si h. 

Metigal _Jlx-ix) Mete dl. Certo pezo de qUe usão os ou- 
rives, e contém huma dragma , e dois terços. Os Afri- 
canos chamão Metcal a hum dinheiro que tem dez tos- 
tões da nossa moeda , ou por outro nome. Ducado. E 
se concertou por trinta Meticaes de ouro pezo da ter-* 
ra^ (Moçambique) que vale cada htnn 420 da nossa, 
moeda. Damião de Góes. Chronica d"* El Rei D, Mã" 

'. mel, Part. I. cap. 37. 

f Mexuar ^í^^^ Mexuar. Era Africa o Mexuar, he a 
praça onde ElRei dá audiência aos seus vassallos, e man- 
da fazer a execução de qualquer castigo. Deriva-se do 
verbo ,^Li; xavara ^ dar conselho, determinar, definir 
qualquer cousa. Os quaes forao prezos ^ e levados ao 
Mexuar com grande estrondo. Jerónimo de Mendon- 
ça. Jornada de Africa, Livr. III. cap. 4. pag. 158. 

* Mezalquebir ^xT _3y^ Manzalquehtr. O aposento 
■ grande, ou hospederia. Sitio em Africa, termo de Du- 

cála. Dice Pêro de Menezes ^ que o primeiro negocio, 
era pôr o cerco a Mezalquebir. Damião de Góes. Chro-- 
nica d'ElRei D. Manoel, Part. I. cap. 52^ pag. 64. 

* Mezquerat sj.^òs^ Ma%carat. Lugar da lembrança 

He 



M I j6i 

He nome de bum lugar perto de Azaraor. Deriva-se do 
verbo ^^.3 2:/7r/7r^ lembrar- se, trazer á memoria. To- 
mada esta resolução , partirão de Mezquerat depois^ 
da cêa, Damião de Góes. Chronica d'ElRei X>. Ma- 
noeL Parr. IIL cap. 74. pag. 424. 
MiKA A*^ Mibah, (voz Pérsica) termo Pharmaeeutko. 
Xarope de marmelo. Fhar, Tom. I. pag. 85'4. Miba 
verdadeiramente , he o amagó que se rira do marmelo^ 
com as pevides. 
^ MíDAN f^ò^^^ Middn. Praça , onde asnaçóes doOriçn- 
-;te costumão fazer suas escaramuças a cavallo, dando 
.'carreiras, arrojando huns contra os outros humas peque- 
nas, e curtas lanças de arremesso. V terão com os Mot4* 
ros d espada em hum Midan de arêa ^ que estava jun- 
to ao lugar. Comment. de AfFonso de Albuquerque. 
Part. I. cap. 63. pag. 333. 
§ Midan ^^^j^a^ Midan. Palestra. Lugar dos exercicios 
do corpo para a m.ocidadc. Nome de huraa Freguezia 
no Termo de Penafiel. Cardoso. 
MioMA *^yu) Matlma, A alagada , ou inundada do ver- 
bo ^. Freguezia na Provinda da Beira, Bispado de Vi-» 
seu j e Rio ihi que significa o mesmo. Chorographia* 

* MiR j^\ Emir. Nome appellativo. Principe, Comman- 
dante, Governador: Também denota honra, e nobresa 
de Sangue Real. Mir Mahomed z>aman\ descendente 
dos Reis de Dely , que havido possuido o Reino de 
Camhaya. Faria. Ásia Portugueza. Tom. I. Parr. IV. 
cap. 8. 

♦ Miram ULiM ^^^^^\j^\ Emir El mumenin. Titulo 
que os antigos Califas Árabes ajuntavão a seu nome pró- 
prio , e ainda hoje usão os Reis de Marrocos, He no- 
me composto deJ^^^ Emir ^ Imperador, e do artigo 
i2/, e de (jj^^^ os crentes-, Imperador dos crentes, do 
verbo ^í amara imperar, mandar j e de ^\ dmana 

X cref'. 



' i62 Mi 

crer. Mtrahnnmenin ^ c[ue nós corruptamente chama* 
mos MiramuUm, Barr. Década í. foi. 2. 
Mirra ^^.-0 Morra, Cousa amargosa. Sáo varias as opi- 
niões sobre a Etymologia deste nome. Huns o derivâo 
do Grego i\^r<9 , outros, com quem concorda Vossio, 
o derivão do Hebraico mórr cousa amargosa , e desta 
voz , a de hamorr a Myrra. Castello, 

* MiRQUEBiR ;^.x^, y^^\ Emir quebir. Grande Princepe, 
He nome composto de Emir, Princepe , e quebir gran- 
de. Todos tinhão por costume hirem de manha ver 
Mirquebir ^ e fazer-lhe Calema. Francisco de Andra- 
de. Chronica d^ElRei D, João IIL Part. I. cap. 24. 

Mitra. Não obstante o que diz Bluteau , que segundo 
Scaligero, he voz Syriaca, e que corresponde á Diade- 
ma dos Gregos, ou Touca, que nos antigos Sacrifícios 
da Gentilidade Romana , os Sacerdotes traziáo na ca- 
beça , he voz Hebraica Mitron, Cucullus ^ hardocu cuh 
Jus \ Capitis tegmen ^ quojudei in luctu olim utehan^ 
tur ^ i^ adhuc hodie quibusdam inlocis, Castello Dic^ 
cionario Hept agioto. Tom. II. pag. 2041. 

t MocADAM ^^isjui Mocaddam, He o mesmo que Almo^ 

cadem; e só com a difFerença deste estar com o artigo 

* MoçAFO < x:^^^ Moshafon, O Livro , ou Código Sa- 
grado ; e restricto este nome com o artigo ai significa o 

Alcorão. Deriva-se do verbo ( %^ sdhafa escrever, 

compor, ou collegir livros. O que assentado ^ El Rei ^ 
e seus dois Governadores jurarão no Maçafo da sua 
hei de manterem as pazes , assim como as tinhão 
confirmado, Damião de Góes. Chron. d'ElRei D. Ma- 
noel, Part. II. cap. ^^, 

* MoGAMO ^L-jLo Mocamo, Casa , ou Lugar Sagrado \ 
e de respeito. Tem por toda a Ilha muitas Igrejas ^ 
e Mesquitas a que chamão Mocamo, Godinho. Via- 
gem da índia Livr, HL cap. lo. pag. 135'. 

§ Mo-. 



M O 1^3 

$ MocAKRAUAT tLjV,^5^ Mocarrarat, Imposto , tributo. 

Qtie elle não tenha âe fagar aos Reis as Mocarra^ 

rat ^ nem aos príncipes ^ seus vizires. Couto ^ Dec, 

V. 
§ MocAT ^::^.liLo Mocat. Alimento. O pao que se come 

em Salsete ke milho misturado com arros , e lhe cha-' 

mão Mocat, Ethiopia oriental, por Fr. João dos San* 

tosy Liv. I. cap. 40, pag. 9. 
MociFAL \x^^ Mósfal, Freguezia na Provincia da Es- 

rrem.adura , Patriarcado de Lisboa. O lugar baixo, ou 

* inferior. Chorograph, Portug, 

* AIoDAFER yji^ Modafer. Nome próprio de homem, o 
vencedor. Deriva-se do verbo ^iij dafara vencer; al- 
cançar o inimigo. O Raiz Noradim entrou no batel 
de Lopo Vaz com o Raiz Modafer, Comment. de Af- 
fonso de Albuquerque. Tom. IV. Part. IV. cap. 32. 

§ Modelo ^it^ Metçalo'. Exemplar, forma, modelo. Go^ 
lio. 

Mofa CEM ,. j^as Mohacen, Pequena povoação na Pro- 
vinda da Estremadura, Patriarcado de Lisboa, junto a 
Caparica. Significa, Lugar do Barbeiro; derivado do 
verbo ^^^»**^ bacana fazer a barba. Chorographia Por- 
tug, 

* MoFTi ^^ci^ Mofti. Titulo, e dignidade, que corres- 
ponde á do Regtdor das Justiças. Derivasse do verbo 
is^s fdta responder com juizo, e justiça , decidir qual- 
quer causa, ou questão, julgar, fazer justiça. 

Na Corte doGrao Senhor, ha hum Mofti principal, 
e he o Summo Interprete da Lei , que decide todas as 
questões cm matéria Civil, e Criminal, de maneira, 
que quando os mais Juizes dão hnma sentença finai , só 
ao Mofti se pôde appcJIar. Nas mais Cidades, alem do 
Cady , que he o Juiz, ha hum Mofei para a decisão das 
causas. Blutcau. 

X 2 Mo- 



f«4 MO 

J^ogadouro^^aK^ Macaduron, Nome próprio de homem. 

. Significa cousa fatal, inevitável , e destinada. 

Viila na Provincia d'entre Douro e Minho, Arcebis- 
pado de Braga , que do sugeito que neila viveo , ou pos- 
suio , tomou o nome. A mesma prova temos no nome 
da Praça do Mogador em Africa , a que os Mouros 
presentemente chamáo %y^^\ Assoeira cousa pequena, 
eunida, ou junta. Antigamente lhe chamavão Cidi Mac-- 
dur, j^^i^ t5*XA^- Nome de hum Mouro, que entre el- 
les , era de boa vida , e está enterrado em huma Ermi- 
da nos arrabaldes daquella povoação, de cujo nome de- 
duzirão os Marítimos , e os nossos Européos o de Mo- 
gador em lugar de Cidi Mac dor. 

MoGRlo yx^ Mogron. Lugar na Provincia d'entre Douro 
e Minho, Arcebispado de Braga. Significa cova, lapas, 

ou cavernas. Deriva-se do verbo ^\ ê gdra subaaergir- 

se; descer para lugar baixo e fundo. Diccionario Geo^ 
graph, de Cardoso. 

* MoHAMEDELHAMAR yj^*S>\ Js^^ Mohamedelahmar, No- 
me próprio de hum Rei Mouro, cuja raça reinou por 
muitos annos em Granada. Significa Mohamed o Ver- 
melho, Vid. Guerra de Granada. Mohamed Elahamar ^ 
deripuit Colimbriam í^ totam regionem &c. Monar- 
eh. Lusit. Tom. II. pag. 283. 

^ MoHARRAM ^y^ Moharram. Nome do primeiro mez 
dos Mahometanos, em que lhes he prohibido o pegar 
em armas, nem fazerem guerra oíFensiva. Significa cou- 
sa prohibida , illicita , não permettida do verbo ^^^-* 
harrama prohibir. Assentou em lhes dar batalha no 
dia seguinte ^ que era o terceiro do mez de Mohar^ 
ram aos <^i da hégira, Monarch. Lusit. Tom. IL 
pag. 271. 

Moleque ^^ÍA^ Molaique. O escravo. He nome dimi- 
nutivo de Mamluco escravo pequeno. 

% MoKABiTA, E MoRABiTO, O mesmo que Marabito. 

§ MON- 



M O 165- 

( MoííCADA tjjtu MoTJcada. Libertadora, ApelHdo <k 

huraa família distincta em Portugal. 
§ MoNQUiM ^^ Mênqueni. Vingador. Apellido do Se- 

^- nhor daquella terra. Freguezia na Provinda de Traz- 

' os-Montes, Arcebispado de Braga. Cardoso, 

Ç MuDBAGE gljj.^ Modbage, Roupa rica pintada^'>ou 

debrocado. Trez capas ^ una de ciclaton ^ et alia. mu- 
dhage , et alia de uno demi , et acitara de mudhage. 
Documento de Paço de Souza. Elucidário. Tom. I. 
pag. 48. 

* MoTiBAs ^Syi^ Metrds. Sitio em Santarém assim cha- 
mado, significa o feixo, ou segurança de huma porta, 
casa ou lugar. Também significa a tranca, com que se 
segura huma porta. Deriva -se do verbo ^J^y3 taras a se- 
gurar, trancar, fechar huma porta. Tomarão o sumi- 
douro entre Motiras ^ e a fonte da tamarma. Duarte 
Galvão. Chronica d^ El Rei D. JJfonso Henriques, cap. 
28. pag. 37. 

* Mu AZ ]à^yt Mauãz. Freguezia na Provincia de Traz 
os Montes, Bispado de Miranda. Significa, lugar da 
advertência. Do verbo ]àcy uaâza. advertir, aconselhar, 
ejiortar. Chorograph. 

* MiLANA ViH^^ Mulana. Titulo, que os Africanos dão 
aos seus Ministros da Lei. He voz composta de Mula 
Bemfeitor, Senhor , Heroe, Sábio, Director &c. , e do 
pronome pessoal U na nosso, e faz o composto de Se- 
nhor Nosso, ou nosso Director. ElRei tinha comsigo 
hum Caciz seu Mulana , que elles tinha o por Santo. 
Fernando Mendes Finto. cap. 3. pag. 7. 

* MuLEY NACBR yoKlus^i^^ Muley nacer. Nome próprio 
de homem. O Senhor auxiliador. Deriva-se de Muley 
Senlior, c de nacer o que soccorrc, auxiliador, do ver- 
bo ^ naçar auxiliar. Os Capitães erão quarenta ^ 
em que entrou Muley nacer. Damião de Góes. Chro- 
nica d* ElRei D. MatioeL Part. IIL cap. 70. pag. 4i(;. 

V Mw- 



t6ó mu 

Múmia ^^^^^ Múmia. Em Pérsico significa corpo, oií 
cadáver 'secco , e mirrado. Em Árabe, he corpo embal- 
samado. A múmia em todo o Oriente he a parte carno- 
sa do corpo humano, que fica enterrado nas arêas da 
Arábia dezerta , quando os Mahomeranos vão á pere- 
grinação de Alecca, que por causa dos grandes, e re- 
pentinos ventos que se levantao naquelJes sitios , fícáo 
muitos enterrados, e ahi se mirrão; e na volta da pere- 
grinação os achão jâ descobertos por outros ventos con- 
trários. Destas partes carnosas, que ordinariamente são 
as coxas das pernas, usâo os Médicos Orientaes , desfa- 
zendo huma pequena porção em agua morna , e a dão a 
beber para as quedas, epizaduras, que he remédio mui- 
to efficaz. 

Ha outra qualidade de Múmia, que são os corpos 
das pessoas grandes, que os antigos Egypcios enbalsa- 
mavão assim, e os conservavão livres da corrupção por 
mais de dois mil annos , como ainda se achão alguns na 
Cidade de Memphis perto do Grão Cairo; o que se pó- 

■ de ver no Diccionario EtymoL de Baylei na voz Mú- 
mia. 

* Musa » ;^^ Moza. Espécie de arvore , semelhante á 
bananeira, e dá huns fructos mais pequenos que as ba- 
nanas do BraziL Cria-se na Ilha de Chipre. Palestina, 
e Egypto. Bluteau largamente descreve afeição, e qua- 
lidade desta arvore , e diz , que os Authores Portugue- 
zes lhe dao vários nomes. 

Marracio, notando o verso 32 do cap. yó do Alco- 
rão, diz, que também os Árabes lhe chamão talhe ^ e 
continua. H^c arbor Arahice vocatur Muz^ &* ta- 
lhe ; est autem magna ; quamobrem néscio cur inter 
parjdisi delicias eam reponant ^ nisi forte quia um- 
brifera est ^ <^ fructus ejus dulcis Scc, 

MusARABES ,_^^c(j^] Nusdrab, Meios Árabes, isto he em 
quanto á lingua , e costumes, e não á Religião. Deo-se 
este nome aos Christãos due vi v ião entre os Árabes em 

Hes- 



MU \67 

Hespanha , e lhes eráo sugeitos. Bluteau deriva este i1o- 
me de Muça , e diz que significa Cliristao. O nome 
Christão na lingua Arábica, he Naçarani ^ e não Mu- 
ça. Diz também, ou de Muça, Capitão dos Árabes, 
que alcançou a ultima victoria de Dom Rodrigo Rei 
dos Godos; ou do Latim corrupto rnixti Árabes ^ cu- 
jas derivações são pouco verosimeis. Elle lie home com- 
posto de ^ja^ Nuce meio, e de .^ ^^ ^ Árabe ^ Arábio, 
meios Árabes. Castello, 

* MusLEMAN ^^IJu^^ Muslemân, Nome que se dá a to- 
dos os Sectários da Lei Mahometica. Significa os en- 
tregues. Deriva-se do verbo A,^ sallama cujo passivo 
faz Muslem. Taes forao todos os Christãos, Judcos, e 
Gentios, que se entregarão á nova seita , e pela profis- 
são que fazião, confessando publicamente a unidade de 
Deos , e legação de Mafoma , íicavão admittidos á lei, 
gosando dos privilégios, e seus bens livres de todo o 
tributo. Isto mesmo ainda hoje se pratica com os mise- 
ráveis que deixando a sua lei, professão a de Mafoma, 
cuja ceremonia não consiste em mais do que em dizer 
em alta voz diante do Ministro daauella lei , e três tes- 
temunhas. ^\ ^y^j ^.^^ au! y\ a"^!^ Não ha Deos se não 
Deos, Mafoma he o legado de Deos. Dito isto por três 
vezes, logo o circumcidão, e fica feito Mahometano^, 
sem outra ceremonia mais. 

§ MuzLtMu JL^.4 Mosseleyna, Mosselemano , Mouro. 
No Elucidário tom. 2.** pag. 167 se acha este nome 
cora a significação de rústico , bárbaro, incivil. 

* Muçamui:es ,.>.^Uj^ Muçaurí. He povo de Africa, 
que occupava a parte mais Occidental daquella Região , 
que comprehende as quatro Provincias, a saber, Hea , 
Sus, Gezula, c Marrocos; cujo Rei era Muça. Vid. 
L^ Afrique de MarynuL Tom. I. pag. 69. Em 1147, 
os Mouros ^ que se cbamavao Mu^amudes ^ entrarão 



x«8 MU 

em Hespanha. Montrch. Lusit. Tpia..III. pag, ji. (a) 



' jf U I In ■ 



N 



Wk 



N. 



A c A R ^K; Nácar, (voz Pérsica) pintura , effigie 
ornato de varias cores; a amiga formosa. Em Portu- 
guez, he a côr vermelha; termo muito usado entre os 
Poetas , que dizem , o nacarado rosto ; as nacara das fa- 
ces. &c. Bluteau. 

§ Nachazar ^j^ jíjô Naachazar, Esquife de Azar. ( voz 
Astr. ) Significa a Barca, constelação. Bento Pereira, 

Nadir ^íij Nadir, (Termo Astronómico) He o ponto 
inferior do Hemispherio, opposto ao ponto Vertical, 
ou Zenitii. 

§ Nahar y^i Nahar. Rio. (voz Astr.) Nome de huma 
Constelação de jj estrellas. Bento Pereira, 

Narcizo u^^y Narges. Flor conhecida. Em Pérsico, 
também se diz q^^jj Na^rgues, Castello, 

* Nasarani ^j^yK3^ Nasrani. Christão, isto he Nazare- 
no. Deriva-se de tfj^li naçarion Nazareno. Taes fo- 
râo chamados os primeiros Christãos no Oriente. A ou^ 
tra vigia , quando conheceo , que erao Christãos \ co- 
meçou a bradar , Nasarani , Nasarani , Christão , 
Christão, Duarte Nunes. Chron, d^ElRei D, Ajfonso 
Henriques na tomada de Santarém. 

* Nataf c_5l.ía5 Nataf, Espécie de terra mineral e oleo- 
sa , de que em algumas terras da índia se servem , co- 
mo 

(<i) Deve ser í^^ò^^\.a^ Moçaimduna. Naturaes de Moçamcda. V»^ 
c»p. 29 , e j i do Cartaz. 



NE 1^9 

mo entre nós do carvão de pedra. Deriva-se do verbo 
i^iLi: natafa derramar de si alguma sustancia. Itinerá- 
rio de António Tenreiro, pag. :^68. 

§ Negaça 'gJ;Xjs=^ Negacha. Chamariz, pássaro que ser- 
ve para chamar os outros. 

§ NtMER yç^ Nenir. Tigre. ( voz Astr. ) Cerca conste- 
lação. Bento Pereira, 

* Nerdi, ou Alnahdi ç^a^ Nardi. Os ossos da sola dos 
pés. Avie. cap. 30. pag. 15*. 

§ Nezules _J.y Nozul. Habitarão. Nome de huma 

Freguezia no Termo de Thomar. Cardoso. 
Nora s^^lS Naúra, Maquina Hydraulica , que serve de 
. tirar agua dos poços , cisternas , e rios. 

* NoRADiN crr^Mj^ Nuraddin, A luz da Religião. He 
nome composto de^^ nur a luz , do artigo ai óq, e de 
^^ din a Religião. A luz da Fé, ou da Religião. As 
cartas erao assignadas for El Rei Ceifa din ^ e pelo 
Arraes Noradin Guazil Mór. Damião de Góes. Chro- 
nica d^ElRei D. Manoel, Part. II. cap. 3^. pag. 224» 

NuADAR^bi^^ Nuaddr. Villa no Alem-Tejo Arcebis- 
pado de Évora. He nome composto de ^j nua bus- 
car, e de^b ddr a. casa, e faz, Buscar a casa. ChorO" 
graphia Portugueza. 

Nuca ,yii Nucra, A parte superior do cachaço. He pa- 
lavra Arábica, não obstante o parecer contrario de al- 
guns Authores. Vid. Avie. Part. I. cap. 9. &c. Dizr 
Bluteau , que segundo as mais saãs opiniões, se deriva 
do Latim Nucuia j porque tem semelhança da nóz; e 
que não se devem derivar as vozes de tão longe , nem 
das semelhanças das palavras, e que ha regra certa para 
a Arialogia, c derivações das vozes; c para provar a 
sua opinião, traz a authoridade de Causabono no seu 
Tratado da Satyra; fallando das palavras Hebraicas. 
Rotzojíy Atzila y Messura , que á j/rimcira vista pare- 
cera derivadas do Latim, Ratio ^ Axilla Mensura^ e 

Y ' que 



i^jo NU 

que o mesmo succede em muitas palavras Pérsicas 'Pro^ 
der ^ Fader , M^der , que parecera Inglezas, mas del- 
ias nenhum bom Etymologico dirá que são originarias 
da Pérsia. Mas hum , e outro certamente não diriâo se- 
melhante cousa se ouvissem, ou lessem a João Gravio 
Castello, Walton, e outros graves Authores, que fo- 
rão insignes Professores das linguas Orientaes , que se- 
guem o contrario. Veja-se o prefacio desta obra , sobre 
este ponto. 
^ NuNGED ^^ Nauaged. Os dentes molares. Avic^ 
cap. j. pag. n. 



o 



o 



C c A »:í^\ Occa. ( voz Turca ) Certo pezo de que 
se usa no Oriente , e na Grécia. Contém 40 onças , que 
fazem dois arráteis, e meio dos nossos. Gollio ^ e Cas- 
tello. 
\: Odia ^,,xj> Hadia. Presente, dadiva. Nasce do verbo 
isòsí>\ Abada oSQVQcer dsiáivâs, He frequente nos nos- 
sos Escriptores da índia , nos quaes se encontra algu- 
mas vezes escripto Adia ; e por isso com. menos corru- 
pção. 

* Oleid AHMEr j^;vs»í jvo!_5 Uekíd ãhmed. Nome de ou- 
tra família que era sugêita , e pagava igual pensão a El- 
Rei D. Manoel. Item ^ a familia de Oleidahmet pa- 
gará mil cargas de camelo em trigo , e cevada , e qua- 
tro cavallos bons, Damião de Góes. Chron, ibi. 

* Oleidambram Díscaui ç^^Um, ^^j^s. ^r}^ Ueleid âyn- 
rdn el sequaui. Nome de outra familia ,' na mesma Pro- 
víncia também foi sugeita á Coroa de Portugal, e pa- 
gava a mesma pensão. Da mesma sorte a familia de 
Oleidambram Discaui pagara annualmente mil car^ 

gas 



OL 171 

gas de camelo entre trigo , e teuada , e quatro cavaU 
los bons, Damião de Góes. Chronica. Parr. III. cap. 
35'. pag. 341, 

* Oleidamita *^c s^\^ Ueleid ãmmeta. Os primos. No- 
me de huma família na sobredita Província, que paga- 
va também a mesma quantia de tributo. Igualmente 
pagará a família de Oleidamita mil cargas de tri^ 
go, e cevada^ e quatro cavallos, Damião de Góes. 
Cbron, ibi. 

* Oleiuamran 4^1j4* j^^ Z^eleidâmrdn, Nome de hu- 
ma família que ainda existe na Provinda deDucála, 
Reino de Marrocos, a qual foi sugeita aElRei D. Ma- 
noel. E que a familia de Oleidamram pagara mil 
cargas de camelos ^ metade de trigo ^ e metade de ce^ 
'vada , e quatro cavai los bons. Damião de Góes. Chro» 
nica d^ElRei D. Manoel. Parr. 111. cap. 35-, pag. 34r, 

* Oquia iu5^ Uaquia. Huma onça. Deriva-se do verbo 
^^ uaca ,* pezar por miúdo. Os Africanos de Marro- 
cos, tem certa moeda de prata a que chamão Oquia, e 
os nossos Européos que lá vivera , onça : tem o valor 
de 90 reis da nossa moeda Portugueza. Na índia ha 
outra moeda de curo de valor de 4800 reis do nosso di- 
nheiro, a que também chamão Oquia. A todos quatro 
nos mandou dar vinte Oquias de ouro , que são 240 
cruzados. Fernão Mendes Pinto. cap. 2. pag. 60. 

Ota Us^ Uata. Lugar na Província da Estremadura , Pa- 
triarcado de Lisboa. Os baixos, ou cousa baixa. Deri- 
va-se do verbo ^^^ udtta abaixar. Chorographia. 

§ Ourique Ju^\ Ònque. He nome de Lugar. Vil la as- 
sim chamada no Bispado de Beja. Cardoso. 

OxALA aJJ' \ iJí Enxd allah. Se Deos quizer, praza a 

Deos, queira Deos. He voz composta de verbo, nome, 
e partícula. Da partícula ^^l en si, do verbo ^u xd 
querer, e do nome ^\ allab. Deos. He voz Arábica, 
c não Pérsica como diz Biuteau no seu Diccionario. 

Y 2 P. 



17% 



X A p A G A I o ^U.iAj "P apagai. Pássaro bem conhecido. 
He voz Arábica , não obstante a Etyraologia extrava- 
gante que Aldrovando lhe dá ; dizendo que se deriva de 
papo ^ e gaio ^ porque ti ene el papo gaio ^ esto es ^ va- 
rio en colores , y alegre por la alegria , que causa 
mirando le\ e diz mais, que chama-se este pássaro as- 
sim, porque he como o Papa, e Rei das aves, ou por- 
que hum papagaio , he presente digno de se offerecer a 
hum Papa : e que excogitárão os curiosos esta Etymolo- 
gia por não acharem Analogia alguma do papagaio, 
Gollio, pag. 213. o traz com esta significação Psitta- 
cus , vox ília Africana est , unde Hisp. Papagaio. 

Paparaz ^yi cj^i. Habberrds, A herva chamada pio- 
Iheira , cuja semente mata os piolhos. He nome com- 
posto de C--A-. habbe a semente, do artigo ^/ de, e de 
jj^V, rds 2L cabeça. Semente da cabeça , ou para a cabe- 
ça. Os Castelhanos o pronunciâo, habb arras. Vid. vo- 
cab. de Lourenço Francesini , e Bluteau. Tom. VIIT. 
pag. 103. 

Paraizo ^j^^i^ Fardoson. Baylei deriva este nome do Gre- 
go, ou de Hebraico, e nao obstante achar-se também 
em Xenephonte elle he propriamente Pérsico ,e se pro- 
nuncia (j^^i^3 phardós^ com as seguintes significações: 
Hortus ^ Paradisus , Beatorurn sedes. Vid. CastelL 
GolL Alcoran^ e outros Authores Árabes. 

Parasanga g\v.^s Pharsanega. (voz Pérsica) ^^i^ji phar- 

Sting^ Medida itinerária, contém três milhas^ ou doze 

mil 



PA I7f 

mil covados de distancia. Também significa intervallo 
de tempo, quietação, tempo prolongado. 

Bluteau sem razão alguma critica a João de Barros, 
e diz que este Author corruptamente çszvQVQrz pbarsan^ 
gã ^ de cuja critica não teve rasao , porque assim se es- 
creve, e pronuncia em Pérsico, somente com a differen- 
ça de estar a letra , ou letras ph ^ em lugar do/*, e a 
rasão desta mudança lie, porque o ph tem a mesma 
força, e valor do/*, e vale o mesmo dizer Joseph, ou 
Josef. 

Pateo *:5svlaj Tathãton, (voz corrupta , e Africana) Ter- 
reno descuberto , cercado de muros , que faz parte de 
hum edifício. Gollio , e Castello, 

Pato ti^ Batton. Ave domestica, e bem conhecida. Es- 
creve-se este nome com E , e não com P ; porque os 
Árabes não tem no seu Alfabeto a letra p^ porém os 
Turcos 5 e Persas a contão no seu Abcedario. 

Pendão jJj Bendón. (voz Pérsica) ^^jsjo Bendon, O Es- 
tandarte. Gollio lhe dá as seguintes significações. Ve» 
xilhiyn magnum , unde Latino bárbaro Bandum , Ú^ 
Hispan, Bandera, Em Portugal o Pendão he hum gran- 
de Estandarte farpado, que as Irmandades, e Confra- 
rias levão nas Procissões. 

* PiR BECi X^J ^í Pir ^^C' (^oz Turca) Dignidade Mi- 
litar, que corresponde a de hum Coronel. He nome 
composto de y Pir primeiro , ou único , e de ^^^ Bec 
Senhor Governador, General, Coronel de hum Regi- 
mento. O Pir Bec mandou no outro dia desembarcar 
a sua artelharia de bater &c. Francisco de Andrade. 
Chronica d'ElRei D. João IIL Part. IV. cap. 93. 
pag. 108. 



a 



174 



\J U E L F E s ^iX^ Quelfe. Freguezia no Reino do 
Algarve. Significa cousa malhada. Deriva-se do ver- 
bo ( ix^s cdlefa ter a cor negra misturada com man- 
chas amarellas. Choro gr aph. Portugueza. 

§ QuiçAES ^yXS Quiace. Bolças. Na Azia, e com es- 
pecialidade rios Dorainios do Gram-Senhor uzao deste 
termo para significarem , que qualquer homem he , ou 
era rico \ e no mesmo sentido , em que nós dizemos fu- 
lano tem, ou deixou tantos mil cruzados. Cada bolça 
tem 500 sequins, e cada sequim vale 1600. Alem de 
yoo quiçaes , que pagava todos os annos ao Turco &c. 
Barr. Dec. IV. Liv. X. cap. 2. 

t Quilate i^^^^k Quirat. A semente da alfarroba do pe- 
zo de quatro "grãos. He o nome do pezo , que exprime 
os gráos da perfeição e pureza do ouro, dos diamantes, 
&c. 

§ Quinta íí;^ Gennat, Qi^iinta , fazenda. A corrupção 
deste nome consiste principalmente em ter a letra q em 
lugar do g. O Padre Figueirca no seu comentário tom. 
2.** pag. 439 diz: Os Caldeos e os Árabes chamão d 
quinta Gennat , donde nós os Luzitanos tomamos o 
nome Quinta. 

Quintal ^\ Ia;Li» Quentar. Pezo de cento, e vinte arrá- 
teis. No Oriente, e Africa, ha duas qualidades de quin- 
taes j hum de 120 arráteis a que chamão grande, e ou- 

^ tro pequeno de cem arráteis. Deriva-se do verbo de 4 
letras ^laii' cantara ajuntar muito dinheiro, accumular, 
ou amontoar riquezas. 
Os Africanos de Marrocos dão a este nome a signifi- 
ca- 



cação de Centenário, seja era cousas depezo, ou em 
numero, assim quando querem dizer cem Ducados, di- 
zem hum quintal de dinheiro. Castelio ^ e Gollio, 
* QuiRAT y\y3 Quirdt. He a semente da alfarroba , que 
tem o pezo de seis grãos de trigo de que usao os ouri- 
ves , e os boticários. Castello, &c. 



R 



R 



A B E c A v_,\ ^^ Rahaba. (voz corrupta) Instrumen- 
to musico de cordas, e arco. Vid. Arrabtl, 
♦ Rabbi ^^ Rahbi, (voz Hebraica Rabbi Senhor) He 
hum dos titulos, que os Judeos davão aos Doctores da 
Lei Moisaica. Vid. A rabi , e mar. E porque soube por 
hum Judeo por nome Rabbi Abraham , que alguns 
da Cidade os quer i ao matar &c. Damião de Góes. 
Chronica d'ElRei D. ManoeL Parr. II. cap. i8. 
Rabique c-JL,^^ Rauique. O h trocado por u. O enfei- 
te do rosto; assim chamão na Beira aos enfeites que as 
mulheres póem no rosto. Deriva-se do verbo l \^^ raua^ 
ca enfeitar o rosto, ornar para parecer bonito, branco. 
Bento Pereira, 
§ Raça f^j^j Raiça. Principio, origem. Golio. 
$ Rafece ijoj^j Rahes. Fácil , barato. Acha-se com a 
primeira significação no tom. I. pag. 283 da collecção 
de inéditos da Livraria de Alcobaça ; e cora a segunda 
no 1.° tom. da mesma obra pag. 199, assim como no 
manuscrito, obra de Moral, que existe na mesma Li- 
vraria, traduzida do Castelhano em 1399, onde se lê 
no cap. 77 : Comprar pan , ou vinho Refez , e vender 
garo. Com esta mesma significação se acha no Eluci- 
da?- 



176 R A 

dario. Tom. 2.® pag. 275'. E mudando^ ou fazendo» 
se a dieta moeda mais refece , que lhe dem , e paguem 
o verdadeiro valor de como ora corre. Doe. do Salva- 
dor de Coimbra de 1422. Vender a refece \ comprar 
as mercadorias mui refeces : he o mesmo que comprar, 
e vender por hum preço muito vil e baixo. Cod. Af. 
Liv. IV. Tit. II. § 4. Tir. IV. §1. 

t Rak 6;l2* Hareq. Cousa que queima , e abraza. He a 
aguardente extrahida do coco, e do arroz na índia. 

t Ramadan ^j\.à^j Ramadan. Nome do nono mez Ará- 
bico, era que os Mohammetanos jejuão. He huma es- 
pécie de Quaresma. Elles não comem , nem bebem era 
todo este mez desde o romper da Aurora até ao Sol pos- 
to; mas como comera e bebem toda a noute, só se lhes 
faz sensível a falta de agoa , quando o dito mez cahe 
no verão , como acontece muitas vezes , porque sendo 
os seus mezes lunares, tem os seus annos menos onze 
dias do que os nossos; e por isso o tal mez vai corren- 
do por todas as estações do anno. 

§ Ramel j.^j Ramel. Área. Deo-se o combate nas AU 
de as , e se juntarão os mouros de pé junto á Ribeira 
de Ramel. Tomada de Tanger, pelo Conde da Ericei- 
ra , pag. 104. 

§ Raseleged Av.^5íy^r, Rasei aced. Cabeça do Leão. (Voz 
Astr.) Estrel la fixa na cabeça de Leão. Bento Pereira. 

§ Rasalgesi is*sà.\ (j^^j Rasolgedi. Cabeça do cabrito 
( voz Astr. ) Estrella fixa na cabeça de Hercules. Bento 
Pereira^ 

§ Raselhagel _já-1,j^^^ Rasol-hageL Cabeça da perdiz 
(voz Astr.) Estrella da segunda grandeza. Bento Pe^ 
reira. 

* Rauand j,3_ji^ Rauand. Ruibarbo, raiz medecinal, e 
bem conhecida. Avie. Liv. III. cap. 7. pag. 25-5'. faz, 
ou deduz este nome do Pérsico j^j^-js. rhabarbar ^ que 
significa , a mesma cousa. 

T Rb- 



RE ^^^ 

t Recamar ^^ Kacama. Marcar a roupa , bordar á agu- 
lha. ^ 

RtCAiMO ^^Uj Bxcam. (voz Hebraica) Ra quem. Borda- 
dura cora ouro, prata , ou seda. Obra de recamo. 

Recova aj^^ Rocoba, Comitiva de homens a cavaJIo; 
he o mesmo que Cáfila. Em todo o cayninho se encon^ 
trarão mercadores da recova^ e Cáfilas, Itinerário 
de António Tenreiro, cap. 5'j. pag. 392. 

RficovEiKG ^y^sj Recobe. Tiradas as letras formativas 
etro , fica recobe , o b mudado era u. Significa Almo- 
creve, arrieiro, que guia as bestas de carga. Deriva-se 
do verbo 4-a^)j raceaba dar cavalgadura , ou besta pa- 
ra montar. 

$ Redor ^^^ ^^ Raddodor. He voz composta do verbo 
^^ Rad voltar , e da prop. ^^^ Dur a roda. 

§ Refém ^.^U, Rahan. Penhor. 

Regueifa 2juxj Regueifa. Pão pequeno. Nome diminu- 
tivo de ^jLí, reguifon. Hum pão. Na Província do 
Minho, a Regueifa, he huma rosca feita de massa de 
pão alvo. Ha roscas grandes, e outras mais pequenas, 
que de ordinário se fazem na Cidade do Porto, e Bra- 
ga. Bluteau, 

Remel \^^ Ramel. O areal. Lugar no Reino de Afri- 
ca perto de Larache. Correrão a Costa a través de 
Alcácer Seguir no lugar ^ que chamãd\ Remei, Da- 
mião de Góes. Chronica d^ElRei D. Manoel. Part. IV. 
cap. 5-7. pag. 552. 

Resma jujj Rasma. Resma de papel. Deriva-se do ver- 
bo ^,j^ razama ^ arrumar apertando, colligir, ajun- 
tar muitas folhas em hum só corpo, arrumar, ordenar 
succcssivamente. 

§ Retama i^- Ratama, Giesta. Soares. 

§ Rbvez j^^j Rabaz. Infortúnio, fortuna adversa. 

^^'^ u^)jRdz, Geralmente, significa cabeça j porem quan- 

Z do 



178 RE 

ào se falia emaniraaes, denota numero singular de qual- 
quer qualidade; por exemplo , quando querem dizer, 
hum boi, explicão-se por este termo , ^L^|^ rdz ba'* 
car huma cabeça de boi, isto he hum só boi: j».;jc (j^^ 
Rdz ganam ^ huma cabeça de carneiro ; hum carneiro 
V^.^ y^5^ rdz chail cabeça de cavallo, hum só cavai- 
lo. A's vezes entre nós se pratica a mesma fraze, quan- 
do dizemos, fulano tem tantas cabeças de gado. 

t Rezina i^;^^ Ragina. Golio. 

§ RiGEL ^^j RegeL Pé. (Voz Astr. ) Pé esquerdo de 
Orion. Geografia de D, Caetano de Lima ^ fl. 84. 

* RiHANA A^lsnj^ Rihana. O Horto. Aldêa perto de Ar- 
zila , Reino de Marrocos. Acodirao todos os da Serra 
de Alfarrobeiro , e da Rihana , que todos não fizer ao 
mais ^ que verem levar suas mulheres ^ e filhos capti^ 
vos, Damião de Góes. Chronica d^ El Rei D, Manoel. 
Part. III. cap. 35-. pag. 341* 

§ Rincão ,.^r. Rocon, Canto, rincão, Fonceca ^ e outros. 

§ Riqueza ». :j,r. Raquiza, Thezouros escondidos na ter- 
ra. Cat, de vozes Castelhanas, 

Robe ^_^ Rohho. He o çumo da fruta cozida até que ad- 
quire a consistência do mel liquido. Pbarytiacopêa. Tom. 

Roga ^^^^ Roca. Instrumento era que as mulheres fiâo 
linho, iaã, e algodão. Duarte Nunes, e Faria derivao 
este nome de Arábico Lusitano ^ porém elle não tem 
esta origem. Vid. Castello. 

§ Roias ^L^^ Rui as. Chefes, principaes. Repartirão 
todas aquellas provindas entre si , tomando o titulo 
• de Roias. Couto, Dec. V. 

RoMAÂ . ^U^ Romman. Fructo conhecido, por outro no- 
me granada. Em Damasco, Cidade da Syria foi adora- 
do antigamente o Deos Rimon, que trazia na mão di- 
reita huma romaã, para mostrar, que elle era o prote- 
ctor daquelle povo, isto lie os Caphturins , osquaes tra- 

zião 



RO if^ 

ziao esta fruta na sua cota de armas. Vid. Diccionario 

de Baylei na palavra Rimon. 
ft^oPiA ^^^ Ropia. ( voz Pérsica ) Moeda do Mogol , e 
- corre na índia. Vale 400 reis do nosso dinheiro Portu- 

guez. Vide Castello. Tom. I. Colun. III. pag. 295'. 
Rouba B verbo e Roubo (^>í^^ Robudan, (voz Pérsica) 

Ser ladrão, furtar, Castello. Tom. I. pag^. 289. 

* Ru MECA o ^\ si^^j Rumichdn, Voz composta de 

i5-*íj ^^^'^ ^ ^r^g^ > O" ^3 raça dos Gregos , e de . , ^\ 2;. 

cban que na lingua dos Tártaros, significa Senhor^, po- 
tentado , e vem a ser o potentado , ou Senhor da raça 
dos Gregos. Vid. a origem dos Rumes no nome seguin- 
te. Conhecendo pois Rumecao oestadoemquenos acha^ 
'vamos pelos poucos defensores , que occupavão os pos^ 
tos &c. Vida de D. João de Castro num. 66, pag. 122, 

* Rumes ^^j^^^ Rumin. Nome genérico, e significa Gre- 
go. Os Rumes da índia tão celebrados na historia , tra^ 
zem a sua origem de hum valeroso Capitão Grego, o 
qual depois de abraçar a Lei Mahometica, se chamou 
Mustafá, e occupou a Dignidade de General de huma 
armada que o Grão Turco mandou para soccorrer a 
praça de Dio ; e como este General fizesse alguns servi- 

Íos a Badur Rei de Cambaya, lhe deo a Capitania de 
laroch , sita no seio de Cambaya , e outras terras consi- 
deráveis , com o titulo do Senhorio dos Rumes. Vid. 
Ásia Portugueza. Tom. I. Part. IV. cap. 4. pag. 289. 



^AbÃo (.^^á *c Sabun. Alguns Authores deduzem 

esta Y02 do' Alemão Seipp , ou Sàffe\ e o mesmo refe- 
re Vossio Livr. I. cap. 2. de iitiis sermonis : porém 

Z 2 Cas- 



t8o S A 

Castello Tom. L pag. 389. quer que esta voz seja Ara-^ 
bica, e diz o seguinte. Vocabulum hoc Arahicum est 
pluribus linguís , ut tnquit Logatt. 27 usitatum. 

* Sabadin j^^jjOí XXV* Sabe eddin. Nome próprio de ho- 
mem. Significa Leão da Fé, ou da Religião. He com- 
posto de xA-w sabe o Leáo , do artigo ai ^ e de ^^ 

dln a Religião. O Governador ^ mandou pôr o cerco â 
Fortaleza d'*ElRei de Ormuz em que estava por Ca^ 
pitão Raiz Sabadin. Francisco de Andrade. Chronica 
d^ElRei D. João IIL Parr. I. cap. 2. pag. 22. 

* Saca ^^5\ ^ Saca. ( termo antiquado : voz Africana) 

O direito, que se paga das fazendas, ou géneros, que 
se transportão nas embarcações. Vid. Ordenação do 
Reino. 

§ Sagre y^^ Sacre. Huma espécie de falcões assim cha- 
mados. 

Sado j,,^ Sado. Nome do Rio de Alcácer do Sal. Si- 
gnifica cousa feliz, rica, e abundante, Chorograph, Por* 
tugueza. 

§ Safar ^Âo Saffar. Desembaraçar, despejar a caza, o 
navio , &c« 

* Safena ,^AÍ^ ^ Safina. ( Termo Medico ) A vêa sa-> 

fena, he a que está sobre o joelho , e se divide em três 
ramos , e corre também pela barriga da perna interior- 
mente até o peito do pé , e dedo grande. Os Médicos 
lhe chamão vêa Saphena. Bluteau. 

Safio U« Saflío. Peixe de pelle assim chamado. He se- 
melhante ao congro. Chama-se safío, ou saflto^ por se 
pescar no fundo do mar. Deriva-se de Um. seflon lu- 
gar baixo , fundo , e inferior. 

Safira (voz Hebraica j-^y^r) Espécie de pedra preciosa. 

S AFORA s^:^ Safara. Freguezia na- Província do Alem- 
Tejo, Arcebispado de Évora. Significa campina. Cho-* 
rographia Portuguesa. 

§ Sa-. 



§ SafobX J^iPi^y&tfrií. Dezerto, campo inculto. Os Alar- 
ves eh a mão s afora d terra que he toda coberta de pe- 
dregulho miúdo em modo de área grossa. Barr. Dec. 
I. Liv. III. cap. 8. 

Sagapejo, ou Sagapeno ^âaaÍ^ Sagapenage, Em Pér- 
sico íIaaÍ*». sagapina, ( Termo Pharmaceutico ) Espé- 
cie de gomma muito usada nas boticas. Em Latim sa- 
gapenum. 

§ Sagena y^^ Sagena, Cárcere, cadea , prizão. Moraes» 

♦ Sagres Ji^ Sacron, Espécie, ou qualidade de peça de 
artilharia assim chamada. Baylei julgou, que era nome 
Hespanhol, sendo originalmente Arábico. Vid. Sacro. 

SaguXo, outros XaguÂo /^»^ Sahnon. (voz corrupta) 
Pateo destelhado, no meio, ou no interior das casas, 
para onde correm as aguas da chuva. 

Salamandra ^^.^ Samandara^ Bicho reptil , quasi co- 
mo lagarto, de côr negra, com manchas amarellas, tar- 
dio no andar, e moUe. Alguns Authores querem que 
seja voz Grega; porém Camuz , GoUio, e outros Au- 
thores a fazem Arábica. Vide Gollio. pag. 1218. 

* Salema, ou Salama ^%^ Salama. Saudação, ou 
comprimento com que os homens costumão saudar-se. 
He voz Arábica , e não Turca como diz Bluteau no seu 
Diccionario. Os mais lhe vierao fazer a sua Salema ^ 
que he como entre nós beijar as mãos aos Reis em re- 
conhecimento de Senhorio, Barr. Década IV. foi. 415'. 

§ Salema Lc*^^ Hall ama. Nome de hum peixe bera 
conhecido. 

Saluquia *ô'^ Saluquia. Nome próprio dehuma Mou- 
ra, filha de Bu hasstín (^ys>, ^j Senhor de muitas 
terras no Alem-Tejo, a qual era Alcaidessa do Castel- 
lo de Moura, significa a engenhosa. Chorograph. Por- 
tugueza. Tom. II. pag. 477. Também he nome de 
Aldéa na Arábia Feliz, e de huraa Cidade na Grécia» 



Vid. Qollio, pag. 1204. 



Saaí^ 



rR^i S A 

Sambuco eJJ^-M.-uw SamhucQ. Batel, ou lancha de que se 
servem na índia, ou pequena embarcação costeira. Cas^ 
tello ^ Gollio ^ e outros. 

Sameiça »^^^^ Xameiça, Lugar descoberto, e exposto 
ao sol. Freguezia na Provinda da Beira, Bispado de 
Coimbra. Choro gr aph, Portugueza, 

Sandalhas (voz Hebraica) SandeL Espécie de calçado 
de que os antigos usa vão. C as te lio. 

Sândalo ^òsk*a Sanãalon. Páo aromático. Os Mahome» 
tanos usão delle queimado para os perfumes. Outros o 
misturão com o. tabaco de tumo para lhe dar bom gos- 
to , e cheiro. Os Mouros da índia levao o Sândalo a 
Cambaya , para os Gentios se perfumarem quando se 
queima. Barros Decad. VII. foi. 78. 

Sanefa ^^;,^ Sanifa. Vid. Qanefa. 

* Sangeacq < jís^jUn Sanjak. (voz Turca) Titulo, que 

corresponde ao de hum Capitão de hum território. Os 
Sangeacos florecerão no governo do Egypto depois da 
extincção dos Mamelucos, e ainda hoje governão. Pre- 
sentemente são vinte e quatro Sangeacos, e cada hum 
tem certo lemite que governa ^ de maneira , que o Ba- 
xa , que ahi reside por ordem do Grão Senhor, não tem 
mais poder , do que cobrar os Direitos Reaes, e tributo 
dos Christãos , e Judeos, que alli vivem sugeiros ao 
Turco. Nesta batalha morreo o Baxa dos Turcos , e 
elegerão outro , que era^ hum Sangeaco chamado Ma» 
homed. Couto Decad. VIL cap. 10. 

t Sanha hU-í; Xand. Ódio, enfado, aborrecimento. Do 
verbo UÁ Xand Aborrecer, ter ódio. 

Saquiat c^Wi\ ^ Saquial. Os regatos. São dois lugares 

na Provincia d'entre Douro e Minho , Arcebispado de 
Braga. Deriva-se do verbo J^^ sacd regar a terra. 
Chorograph. Purtugueza. 

SardÂo (^ik^^^í> Hardão. Bicho reptil, he o mesmo que 
lagarto. 

Sar- 



SA 183 

SardXo (^^•i^^* Hardão. Aldêa na Província d'^ntre Dou- 
ro e Minho, Bispado do Porto. Lagarto. Cardoso. 
$ Saramago uJi^^ Sarmago. ( voz Pérsica) Sarama- 
go herva , ou rabão silvestre. 
SAKnoEiRA »^,5i jU Sardoura, Freguezia na PrCvincia da 
Beira, Bis^pado de Lamego. Significa andar á roda. He 
composto do verbo ^L-.^ sara ^ndar, ^^^ «^^ daura 

á roda. Choro gr aphia Tortuguez^a., .J^ < >[ . i-,-- 

Sargento ^l^y^ Sarjank. (voz Pérsica.) O Official me- 
nor da Tropa, He nome comppsto de ^^ sar cabeça , 
e de ^i:^jank a guerra , e vem a ser Gabo de Guerra , 
que preside aos outros Soldados; donde os Hollandezes 
deduzem a palavra Sergeant ^ de que também os Ingle- 
zes Serjant , e Sergeant^^i^níò^. Sargento. CasteiJo. 
Tom. I. ^.V:* \ 

§ Sajbja Hj^ Saragãi T^z^ certa qualidade de fazenda 
bem conhecida. Catalogo de vozes Castelhanas, 

Sarbalho, ou Serralho f^Sym Saray. (voz Pérsica) O 
Palácio do Príncipe, Guria, Tribunal, Senado , onde 
se ajuntão os Ministros de Estado, donde os nossos Eu- 
ropéos derivao o nome Serralho, que he a c.a^a , onde 
vivem fechadas as mulheres, e concubinas do Grão Tur- 
co , e mais Reis Maliometanos. 

Sarraquinos /^aíí^-m. Sarraquino, Os roubadores. Fre- 
guezia na Província d'entre Douro e Minho, Arcebis- 
pado de Braga. Deriva-se do verbo « V^^ Saraca fur- 
tar, roubar. Biccion, do Cardoso, 

Satam ^^IkwM Setam, Lugar na Província da Beira , Bis- 
pado de Viseo. Significa , cousa entupida. Deriva-§e do 
verbo ^^ Satama entupir, entulhar. Chorographia 
Tortugueza, 

1" Satanaz ^^^ltAÍt Xattan. Do y^xhò'^''^^^J^Xtttafia, 
Ser obstinado, desobediente. Golio diz, qile vem do 
Hebraico, Segundo GoutO)- 5. -6. 3. diagal^ e Sairaa 



sao 



i84 SC 

são os nomes, que o gentio da índia dava aos Anjos dá 
terceira ordem , Ministros dos castigos de Deos. Os 
Egypcios, como diz Plutarco, também davão aTyphon 
o sobrenome de Seth , i. e. o génio inimigo^ segundo 
refere Volney Tom. I. p. 342. 

§ ScHEAT isU Xtí-^. Ovelha. ( voz Astr. ) Estrella fixa 
no signo de Aquário. Bento Pereira, 

Seara de trigo í5j.s:v^ Sahra. O trigo em pé antes de 
ser cortado, ou ceifado; campina semeada, a que cha- 
mamos seara de pão. 

* Sebel Vx*M SeheL Vêa sebel , lie a dos olhos , a que 

os Médicos chamão dilatativa. Vid. Avie, 

Sega ^ ^=^^ Seca, Certo ferro do arado, que serve para 
cortar as estevas maiores, e a terra forte, por outro no- 
me , a Relha , que corresponde ao nome Latino Fomer. 
Vid. Bento Pereira. 

§ Seika 'iji^ Xeuara. Traste feito de palma, ou de es- 
parto bem conhecido. 

§ SeirXo .í^;i Xeuaron. Certo tecido de esparto, ou de 
folhas de palma. 

* Sejana ç^y^s^ Sejena, Prisão, cárcere, cadêa. Deri- 
va-se do verbo ^^^s:v-^ sajan prender , encarcerar. Es- 
tando estes Fidalgos presos na Sejana ^ e com perigo 
das suas vidas, 6íc. Jerónimo de Mendonça. Jorna^ 
da de Africa^ e perda d' El Rei D, Sebastião. Livr. 

"• I. cap. 8. pag. j6, 

Selmes ju,v. Salem, Aldêa no termo da Beira, He no- 
me próprio de homem. Significa salvo, livre, ou izen- 
to. Deriva-se do verbo Ju* salema ser livre, salvo, 
izento, 

Semide %d\Ki,^ Semide, Vid. Cemide, 
Senne xJ Senê, (Termo Pharmaceutico ) Planta, que 
se cria na Arábia Feliz, cujas folhas são medicinatís, e 

purgativas. Vid. folhas de Senne. Pharmacopêa. 

% Se- 



SE 18^ 

§ Se«5o ^ Sahron, Vigília , trabalho nocturno nas pri- 
nieiras trez horas da noute. 

f Septema *J^ Sertemma. Rio na Província dg Beira, 
Bispado de Coimbra. He nome composto do Imperati- 
vo do verbo ,\ m sdra andar , e do adverbio do lu- 
gar ^ temma ahi ; por lá; nesse lugar, que vem a ser, 
vai para lá; caminha para ahi, para aquella banda. Ch(h- 
rographla Portugueza. 

SiD, ou CiD Ova**, Sid. Vid. Cíd. 

§ SiDE jvAA- Sid, Senhor. Nome de duas AIdéas, íiuma 
na Província d'entre Douro e Minho, Arcebispado de 
Braga, e a outra na Província da Beira, Bispado de 
Coimbra. 

He também apellido de varias famílias Portuguezas, 
e Hespanholas. 

SiFRA (voz Hebraica sefer,) São certos caracteres que 
mosirão as letras do Alfabeto. Deriva-se da voz sefer 
o livro, ou a Escriptura. 

§ SiGANO ^-Sjj Zangui, (voz Pérsica). Os siganos são 

hum povo, que habita na Província de Zinighei entre a 
Ethiopia e o Egypto sobre as margens do Nilo. Os 
Italianos jpronunciao este nome com menos corrupção 
dizendo Cingarl, Mandamos que os siganos^ assim 
homens , como mulheres , Árabes , Gregos , Arménios , 
Persas não entrem nos nossos Reinos ; e entrando se- 
ja o presos , e açoutados com baraço , e pergao ; e de-- 
pois lhes seja assignado tempo para sahirem fora dei* 
le. Ordenação do Reino, Liv. V. Tit. 69. 

* SiRAQ£ ^y»^ Sirege, Óleo do gergelim , ou gerzelim 
Aijíc. Liv. III. Trdt. XII. pag. 283. e Pharmacopêa 
Tom. I. pag. 120. 

* SiSAMiNA c>U3\ «^^ Semsaminat, São os ossos miú- 
dos das juncturas dos dedos das mãos , e dos pcs. Avi^ 
Sfna. cap. 25. pag. 15'. 

* ^ODA ^j^ sodd* Dor de cabeça. A esta moléstia cha- 

Aa mão 



mão os Médicos Cephalalgia , vulgo soda. Avie, Trat. 
II. cap. I. pag. 189. 

SoEiRA a^ji^a Sveira, Freguezia na Província da Beira, 
Bispado da Guarda. Significa cousa bem pintada , edifi- 
cada. í)eriva-se do verbo ^^>w» sauara pintar, edificar, 

, formar , erigir. Chorographia, 

§ Solda o ^^^lUJu Soltan. Soberano. E passando d In^ 
dia acompanhou o Governador Lopes Soares de Alva^ 
renga , quando foi ao mar Roxo. Hist. Sebastica , fl. 

.112. 

t Sopha' '^xo Sojfd, Banco, estradinho. GoUo. Os Afri- 
canos , e os Orientaes usão do tal estradinho coberto 
com hum tapete, e sobre este suas almofadas de damas- 
co rico, ou de seda, segundo as suas possibilidades. 

Sorvete ^ô^í; Xarbete, Bebida bem conhecida , e usual 
entre nós. Em Árabe significa bebida indeterrainavel. 
Deriva-se do verbo ^^ xareba beber, ou tomar al- 
guma bebida. Os Árabes, e Persas também dâo este 
nome a toda a bebida medicinal. Vid. Gollio pag. 1267. 
e Castello 10 , pag. 37a 

"* SoPHi ^3^*a Soufi. Titulo dos Reis da Pérsia. Deriva- 
do da voz ( '^\^ sauafi vestido de laa , que entre essa 

nação denota Sábio, e Religioso ; porque entre elles , 
taes gentes não vestem seda , e dizem , que todos aquel- 
les que se entregao ás cousas divinas devem desprezar 
todo o fausto do mundo : tal foi o Xeque Ismael pri- 
meiro Sophi deste nome , cujo exemplo todos os seus 
descendentes seguirão. Vid. Gollio sobre esta noticia» 

SoTTÂo ^^ Sotuho. ( voz corrupta ) Pequeno andar , 
que se faz por cima de qualquer apozento \ quasi como 
as aguas furtadas. 

§ Subiras J^^ Suar. Manilha , ou colar, que se traz no 
braço, e pescoço. Os melhores pannos ^ apostados ^om 
muito alkfar apedras ricas apenas, que vivendo com 



S tf i8y 

ElRet seu vi árido vestira , e havia huma mui formo-- 
sa , e degram valia ^ cuberta das mais ricas sueiras. 
Vida antiga da Rainha Santa Izabel. Elucidário. Tora, 
II. png. 336. 

* SuFuF {^^xu* Sufuf. Certo medicamento que se toma 
em pó, ou qualquer remédio sem ser amassado nem li- 
quido, mas em pó. Vid. Avie. Livr. V. Trat. V. pag. 
5'37. e Pharmaccpêa Tub aléns. 

Si/LTÃo , ^ \ uv ,^ Sultán. Monarcha , Rei. Deriva-se do 
verbo )^\^ Sallata ^ que na V. Conjugação significa 
ser eleito para a dignidade Regia \ Dominio, ou Gover- 
no. 

.SuMMA^GBE í__y tvf Summaq, ( voz corrupta ) Arbusto, 
que dá fructo do tamanho de lentilhas , cubertas de hu- 
ma pellicula vermelha. Deste fructo usão os Orientaes, 
para o tempo d^ certos guizados em lugar do vinagre, 
deicando-o de infuzão em agua quente para largar o 
azedo, e faz a agua vermelha como vinagre. Aos guir 
zados que são temperados com a agua do summagre, 
chamão-lhe Sa^U*»* summaquia ^ isto he summagrada, 
ou cousa temperada com summagre. Em Portugal, a 
casca do summagre serve para certos cortimentos. 



T 



A A ^£iÍ3 Taa, Obediência , sujeição. Assim cha- 
roavão os Mouros a cada huma das divisões, que se fi- 
fcrão das montnnhas de Alpuxarras na Hespanha. £/»- 
cidario. Tom. II. pag. 337. ^ 

Tabarzet A^^Aid Tabazad. (voz Pérsica) Espécie de 
açúcar branco, e duro, que se faz de humas cirnas se« 

Aa z me- 



l88 TA 

melhantes ás do açúcar. Avie. Livr. I. pag. 75'. GoIL 

^ Fg- 1439- 

* Tabaxir yj,;Ax]a Tãhaxír. Liquor que se faz na índia 
de certas cannas grossas, que depois de fervido até que 
adquire a consistência do açúcar, lhe chamao açúcar de 
Bambu. Vid. Gracia, Livr. I. de aromat. cap. 12. 

Ha outra qualidade de Tabaxir a que chamao 
Ua^JI^a^UIí Tabaxir dos Alfaiates, que he huraa es- 
pécie de giz branco , de que os mesmos Alfaiates se ser- 
vem. Bluteau. 

* Tabaz -j^ Dabad. Diz o P. Marques no seu Diccio- 
nario Tom. I. que os de Mazagao davão este nome ao 
Lobo. Significa propriamente a Leoa, e não o Lobo, 
porque este chama-se Dibo ^ e não Tabdz. 

Tabefe ^^^i? Tabiche, O leite das ovelhas fervido, e 

engrossado com algum tanto de farinha , e açúcar. De- 
riva-se do verbo ^y Tabacha cozinhar , guizar. 

^Tabique l-JíaaIs Tabique. {a) Parede, ou repartimento 
de que se faz de taboas , e arcos de pipa, ou fasquias 
serradas , e depois de tudo pregado se enche de cal , e 

se reboca. Deriva-se do verbo < 3C>.Jb tdbaca ^ pôr hu- 

ma cousa sobre outra , tecer. 

Taboleiro aaXxIí Tablia, (voz Pérsica) Certo movei de 
madeira com* bordas á roda. Castello. 

Taça ^,.,\ u Taça. Vaso de metal , de vidro , ou barro 
em que se bebe vinho, caldo, chá, agua &c. Constran^ 
gia o Xeque Ismael aos que comi ao d meza , que be* 
hessem as taças cheias de vinho. Damião de Góes. 
Chronica d' El Rei D. Manoel Part. IV. cap. 10. 

$ Ta. 



(a) O nome Tabique ( 'ij<\o Tabaque significa propriamente tabla^ 

do, cobertura , sobrada, solho; e por isso eu antes derivaria o nome tabi- 
tque de **\.ax^j Taxbique , que significa engradamento , rede de ladrilho* 



T A i?9 

Ç TagadAt^te (J1jjJ<4j Tahadart. Nome de hum rio^ 
situado entre Tanger e Arzila. Matarão alguns moU" 

r ros , e capttvaram , e amarraram muito gado , e oth- 
tro despojo^ e junto com elle ( Tagadarte) da banda 
de Alcácer se allojaram aquella noute. Chr. d'ElRei 
D. AfFonso V. cap. 155-, 

Tagakro jju Tagaron. Lugar na Provincia da Estrema- 
dura, Patriarcado de Lisboa. Significa fenda, ou boca 
no monte 3 caverna, concavidade. Dtcctonario de Car- 
doso. 

* Tage ^\^j ^^g^' A coroa. Deriva-se do verbo _^' 
tduuaja coroar, ou pôr a coroa sobre a cabeça de al- 
guém. Quando o Sophi lhes mandou o carapuçao a 
que chamão Tage ^ o não quizerao acceitar. Itinerário 
de António Tenreiro, cap. 8. 

§ Taipa , cu Tapia í-^ai-, Tabia. Parede feita de barro, 
(voz Africana) Acha-se este nome na historia Arábica^ 
denominada o Cartaz, tratando da fundação de Fez. 

Talco v^jiXla Talco. Pedra transparente, e luzidia, que 
se abre em folhas, ou escamas. Delia se fazem lanter- 
nas 3 e se põem sobre os Registos em lugar de vidro , e 
charaa-se lápis specularis. Bluteau. 

Tâmaras ^^ Tamaron^ O fruto das palmeiras ^ he o 
mesmo que Dactyles. 

$ Tamabgal y^ Tamar. Tamareira. A ultima sylaba 
^^7/ he formativa do lugar, assim como de ginja gin- 
jal. Tosto que escapassem das feridas ^ huns morre- 
rão afogados , outros acolherao-se ao Tamar gaL Chr. 
do Conde D. Pedro, cap. 15. 

Tamarindos ^jJa ^ Tamarhendi, ( Termo Pharma- 
ceutico ) Os Tamarindos são espécie de ameixas co- 
mo as saragoçanas, são purgativas, e refrigerantes. He 
nome composto de ^ tamar tâmaras, ou fruto, c de 
^.x^A da índia. Fruto da índia. Tamarindos^ que aos 

rta^ 



190 T A 

fiacionaes sermefn de vinagre. Barros Dccad. IV. fdl. 
40. 

* Tamakma ^U ^♦j TamarmcL Nome de huma fonte em 
Santarém. Significa agua das tâmaras , isto he agua do- 
ce. Todos os Authores que tratáo da tomada de Santa- 
rém lhe dão diíFerente significação , á excepção de Duar- 
te Nunes de Leão, que na Chr. d'ElRei D. AfFonso 
Henriques diz, que esta palavra quer dizer era Arábico 
Jlgoas doces , e dizem que a taraarma quer dizer aguas 
amargosas, taes erão as da dita fonte. Cuja Etymolo- 
gia fica desvanecida , não só pela significação do nome 
Arábico Tamarma , que quer dizer agua doce , mas 
também pela seguinte passagem. Tomarão o sumidou'^ 
TO entre Motirás ^ e a fonte de Tamarma , d quat os 
Mouros assim lhe chamavão pelas aguas delia se^ 
rein doces. Duarte Galvão. Chrouica <d'ElRei X). Af' 
fonso Henriques, cap. 28. pag. 37. 

"Tambor ^^aíI» Tanihur. ( voz Pérsica ) Instrumento mu- 
sico bellico assim chamado, ou caixa militar. 

Tanga x*=^1'\ Tanga, (voz Pérsica) Certa moeda da ín- 
dia de prata , que vale 60 reis da nossa moeda Portu- 
gueza. Ha Tangas dobradas , e outras singelas , e meias 
íaíigas. Na índia , cada Tanga tem cinco vinténs, 'e 
cada vintém tem quinze Bazarucos. Amoeda^ que aqui 
corre ^ he de ouro ^ e de prata. A de ouro ^ chama-Sie 
Xar afins ^ e a de prata ^ Tangas. Itinerário de Antó- 
nio Tenreiro, pag. 55'9. 

% Tapak (_JíxÍd Tabbaca. Tapar , cobrir. Cat. de vozes 
Castelhanas. 

Tapeçaria ^^xla Tapça. (voz Pérsica) Panno de .Arraz. 
Castello. 

Tapete ^ !r^/>Z». .( voz Pérsica ) Alcatifa. XJastello. 

§ Tara ^y\o Taraha. Abatimento, desconto. He o que 
se abate no pezo do barril, ou do sacco, em que se pe- 
za o género. 

§Ta- 



T A f 9t 

§ TabeCeka su;^í J^ Darsend. Caza do trabalho, ou 
das obras. Ena caza de Tarecena mandou fazer bofn- 
bardas ^põhora y salitre^ &c. Chr. d*ElRei D, João 

. II. cap. 41. 

§ Tabja jI^ Teraz. Margem do vestido de diver^sas co- 
res. Golío. 

Tarifa ^j^^ Tarifa, Antiga Cidade da Andalusia, per- 
to de Gibraltar. Significa , cousa ultima , extrema. Foi 
assim chamada por estar situada na extremidade da ter- 
ra pela parte do Mediterrâneo. Deriva-se da voz c-Jj.!» 
Tarafon y fim, ponta, extremidade; e não de TarifCz^ 
pitão Mouro , que conquistou a Hespanha , como diz 
Blureau no Tomo VIII. de seu Diccionario pag. 5-?. 

t Tarifa Ut^yxS Tarif. Notificação, conlieciraento. Di- 
riva-se do verbo j^ Arafa na !•* conjugação, que ^- 
gnifica fazer certo , significar. 

f* Tarig ^,j\^3 Tarich. Época , Chronica , Serie dos tem- 
pos , ou Livro da Historia. Deriva-se do verbo • uar^ 
racha. Escrever, notar, fazer assento do que se passa. 
Acha-se em Barros com hum 1 de mais, Tlarig. *5>- 
gutjdo o Tlarig. dos Mouros, Barros Década II. foi. 
228. 

Tarima (hoje dizemos Tarimba) ^^i^ Tarima. (voz 

Pérsica) Estrado, ou lugar alto, feito de madeira^ á 
semelhança de leito. Castello, 
Tarracena ( melhor Tercenas ) i^myio Tarçana. ( voz 
Pérsica ) {a) Arccnal onde se fazem as embarcações. 



(o) Pareoe-me que este r>orne ae tiriva {Oykis :propiiamentç ^a«jduas 
pt^vras Arábicas jh Dar caza, e cUmo)^ Sena obra. Giza das obras; e as- 
sim lhe chamão 05 Mouros. 

Neste sentimento me confirmei ainda mais, quando li a citaq^o de 
4). Fiancisco MfUK)el pelo íír. Kispo ,D. Fr. Ifancisco de .S. Luiz, na qu^ 
di2: Darsena, e Arcenal , chamáo oi Venezianos ao seu famoso íjmaiem .^ 



He nome composto de ^\s tar a caza , e de ^;^ çanet 
navio, ou embarcação, casa de navios, ou das embar- 
cações. Em Portugal as Tercenas, sáo Armazéns, on- 
de se guarda o trigo , legumes, e outros géneros de grãos, 
Qastello. 

Tarouca ^jí^^.!, Taruca. O musculo da coxa da perna. 
Vid. Avie. cap. 28. pag. 20. 

Taruafa t^hSjSo Tarrafa. Vid. Atarrafa. Rede de ar- 
rastar. 

* Tauxia t^Ky^y^ Tausia, Obra de ouro, e prata, com 
embutidos de cores , e delicadeza de que usão os Mou- 
ros nos Alfanges, e arreios dos cavallos. Deriva-se do 
verbo ^J^As tduasa. Enfeitar-se de côrea como o pa- 
vão, donde os Árabes deduzem o nome ^^^^^\ j^ Tau-' 

son o pavão. Coje Ibrahim , vinha com huma espada 
cingida , e lavrada de tauxia de ouro , e prata. Da- 
mião de Góes. Chronica d^ElRei D. Manoel. Part. 

_IL cap. 23. 

Taxo kiiio Taxton, Vasilha de arame, e de cobre, que 
serve nas copas , e cosinhas. 

Tefé, Tefé , i]^ ( %Id Tafe Tafe. Particula, com que 

^ exprimimos o movimento repetido de huma cousa , as- 
sim como dizemos familiarmente de hum sugeito cheio 
de medo , isto he palpitando; o coração lhe está tefe 
tefe. Os Árabes usão desta voz, quando huma luz está 
a ponto de se apagar. Deriva-se do verbo de 4 letras 
cjlíaÂls) taftafa , enfraquecer-se , perder , ou diminuir as 
forças , estar próximo a morrer. Gollio , e Castello. 

§ Tela ^^U9 Tela, Termo usado no foro. Nasce este 
nome do verbo «!ib Tald ^ o qual significa offerecer', 
exibir , e propor para ser lido , e considerado. 



Galsz , aondô fabricão e guardio , a que nós chamamos tercena , e taraça- 
na , &e. 



TE I9Í 

Telw ^L-***A; Telisan. ( voz Pérsica ) Fanno bordado 
com que sé cobre a sella do cava lio. Castello. 

§ Temia L Jlc^^ TemiaL Inclinação. Nome de huraa 
Freguezia , pertencente á Ordem de Malta no Termo 
de Chavão. Cardoso. 

§ TtRRAD ií^ Terrad. Nome de certa embarcação pe- 
quena, e veloz. E correndo a costa contra Melinde 
lhe sahirão oito Terrades com muita gente, Damião 
de Góes. Chr. d^ElRei D. Manoel. Part. I. cap. 44* 

§ Teta t^jj Te da. Ma mm a, 

Tmamel ixl^j Tbamel. Lugar na Provinda d'entre Dou- 
ro e Minho, Arcebispado de Braga. Significa descui- 
do, negligencia, desprezo. Deriva-se do verbo .\^ 

hamala que na V. Conjugação he, desprezar, ter em 
pouco , nao fazer caso. Chorographia. 

TiMBAL w^ Tambal. (voz Pérsica) Instrumento mu- 
sico, que se toca nas occasioes festivas ás portas das 
Igrejas. A cavallaria militar usa também deste Instru- 
mento nas suas marchas, assim como a Infantaria do 
tambor. Castello. 

Tincal, ou TiNCAR _3bC;j Tencal. ( voz Pérsica ) Es- 
pécie de sal. He de duas qualidades j huma mineral, 
que se acha em certas minas na Pérsia \ outra he artifi- 
cial, e se faz de huma mistura de nitro, pedra hume, 
e ourina , cosido tudo até que adquire a consistência do 
sal. Vid. Pbarmaccpêa, pag. 301. 

t Toa »^i Tuha. Perturbação. Díriva-sc do verbo uU 
Taha. Andar errante, vagando. Hir á toa, i. e. sem 
saber por onde se vai, talvez conduzido por outro; an- 
dar á toa ,'*J*' Ctíjsem saber por onde anda , sem saber o 
que faz : levar o navio á toa , i. e. guiar , e puxar cora 
huma corda o navio, que não governa. 

ToLiPA ^^UJ^ Tolipan. (voz Pérsica) Espécie de flor 
bem conhecida. Castello. 

% Tqpaqibaxi ^i;^ is.:^^^ Tobegibaxi. Artilheiro Mor. 
•• " ' Bb O 



í94 "^O 

• o governador nos perguntou quem éramos \ responãe'^^ 
mos que Turcos àa Índia ^ e que éramos chamados 
feio Topagibaxi de Damasco para o serviço do Gram-* 
Senhjjy- Godinho. Viagem da índia por terra , cap, 

IO. 

Touca ^/jl—ls Taquia. (voz Pérsica) Barrete, ou ca* 

- rapuça "que se traz na cabeça. Castello. 

^, TouGUE A^la Touche. Espécie de Bandeira, ou Estan- 

, darte, que huin Alferes leva diante do Grão Turco ^ 
quando sahe a cavallo. Os Baxas , e Sangeacos sao co- 
nhecidos pelos ""Cougues que diante de si levão quando 
sahem a cavallo ; e por isso lhe charaao Baxa de hum ^ 
dois 5 ou de três Tougues , ou Caudas como os Euro- 
péos dizem , segundo a nobreza , e grandeza da Cidade 
para onde são despachados, assim como entre nós os 
primeiros , ou segundos bancos , onde se assentâo os Mi- 
nistros, e Nobreza nas occasioes das Cortes. Vid. Bhi-- 
teau. 

Touro p- Tauron. (voz Chaldaica) tor. Animal conhe- 
cido. Castello. 

§ Trafalgar jliií Ô^Ií T arfai gar. Ponta, ou cabo do 
sorvedouro. Assim se chama o cabo , que está á entra- 
da do estreito de Gibraltar do lado deHespanha, fron- 
teiro ao de Espartel do lado da Mauritânia , ao qual 

, os Mouros chamão Axcar. 

Trafaria ^^â^^.lí Tarifia. Lugar na Província da Es- 
tremadura ,' Patriarcado de Lisboa. Significa cousa ex- 
trema , final, ou ultima. Vid. a derivação do nome, T>- 
rifa. 

§ Tremoço ^^y Tormoço, Espécie de legume bem co- 

>Xi nhecido. 

Trofa jii^^is Tarufa. Freguezia na Província da Beira, 
Bispado de Coimbra, significa o mesmo que o nome 
Trafaria , e se deriva do mesmo verbo. Chorograp. 

% TuBEL _\j^j Tubel, Escama de qualquer metal , (\u,% 

dei-. 



TU t^ 

delle calie quando está quente, e o batem. JÍvíc. cap. 
703. 

Ç TuFAO (jjlò^ Tufan. Sopro de vento com impeto, 
movimento das agoas, diluvio. Este junco kindo de* 
mandar o porto de Chincheo , deu-lhe hum tempo mui" 
to grosso , a que os naturaes chamao tufão» Couto, 
Dec. V. cap. 12. 

Turbante ^^0^^ Toruan. (voz Pérsica) Cobertura da 
cabeça de que os Orientaes , e Africanos usão. 

TuRBiT jy^ Turbid. (Termo Pharraaceutico ) Raiz pur- 
gativa assim chamada , que vem da índia. Vid. Phar^ 
macopéa. Tom, I. pag. 86o- 

TuRGEMAN ^^Uv^^- Torgemdn. (voz Chaldaica) Expo- 
sitor ; donde os Francezes deduzem o nome Truche- 
ment , ou Trucheman, e os Italianos Turcimano. Os 
Árabes o adoptarão como próprio , e dizem Torgeman , 

?[ue he o mesmo que Interprete. Hum Christao ^ que 
d vivia chamado Alcaide Miguel ^ foi o Turgeman 
da entrega do Infante. Chronica do Infante D. Fer^ 
fiando, cap. 12. pag. 67. 
* TuTiA tíAjyj Tu tia. ( Termo Pharmaceutico ) Pedra 
mineral, de côr verde azulado, que depois de prepara- 
da fazem delia hum Collyrio para o mal dos olhos, e 
para dessecar as chagas. Pharmacopêa. 



V 



Acc A %^j Bacra. (voz Hebraica bacrah) Animal 
conhecido. Castello. 
§ Vadio ^^^ Baduio. Homem que anda errante, vaga- 

Bb 2 bun-< 



T9Í V E 

bundo de huma parte para a outra , e que não tem ha* 
bic.íção fixa. 

§ Vereda 'í^j^ Uareda. Este nome no Arábico signifi* 
ca caminho direito e plano. 

Verruma ^,j.^ Barrima. Instrumento de que usão os 
carpinteiros para furar a madeira. Deriva-se do verbo 
^yj b ara ma torcer , andar á roda. 

* ViZíR ^jj^ uazir. Grão Vezir. O Primeiro Ministro 
d'Estado na Corte de Constantinopla , o primeiro Con- 
selheiro. Deriva-se do verbo ^y^ uazara^ trazer sobre 
si, sustentar, ou supportar o pezo do governo, e do 
Estado. Vid. Gollio. sobre as mais explicajóes deste 
nome, pag. 2663. 



X 

§ J\, A B A N D A R ^yz^ sU Xah-hanããr. (voz Pérsica ) 

Senhor do porto. Os Authores principaes destas in^ 

formações for ao o Xahandar de Guzarate , e o filho 

de hum poderoso Lau de Malaca. Damião de Góes. 

Chr. d'ElRei D. Manoel. Part. III. cap. 2. 

Xadrez jogo ^;^la;i Xatrange, ( voz Pérsica ) O Jogo 
do Xadrez hc muito usado na Pérsia , e em todo o Orien- 
te. He nome composto de xax j~\ t seis, e de ^v, 

rangue mollestias ou afflições , e vem a ser , jogo de seis 
affliçòes. Joga-se sobre hum panno de 64 cóIas , e consta 
de seis peças differentes , ou figuras de marfim, cujos 

nomes são os seguintes ^\ j; xah o Rei ; (jj^j>^ f^^' 

zdn^ a Rainha^ ^J^^h fil , o Elefante ^ ^^^ roch a ce- 
gonha; ^j^j.^ farás, o cavallo; cJj^:? baidaq, o Sol- 
dado de pé ou Infante j o seu primeiro inventor, foi 



X A I97 

^là .yj »M>\*a Sasab hen Daher. A causa de elle o in- 
ventar, e mais propriedades deste jogo se podem ver 
na II. Década de Barros, cap. 3. 

* Xaes íx^\ i Xahía. ( voz Pérsica ) Moeda de prata 

daquellé Reino, que vale cem reis da nossa moeda Por- 
tugueza. Deriva-se do nome xah o Rei, e vem a ser 
moeda Regia , ou Real. Ha nesta terra moeda depra^ 
ta a que chamão Xaes ^ que tem o valor de hum tos» 
tão da nossa moeda. Itinerário de António Tenreiro. 
cap. ly. pag. 368. 

* Xah sL.^ Xah. (voz Pérsica) Rei, Príncipe Sobera- 
no. O primeiro y que com maior vantajem se vio nes^ 
ta Conquista , foi o Xah Naseradin. Ásia Portugue- 
za. Tom. I. Part. II. cap. 5-. 

§ Xairel Ui Xear. Cobertura , que se poe sobre os ca- 
vallos. Golio. 

* Xales *j\ i Xale, Os xales são huns pannos do feitio 

de cintas, e da largura dopanno de linho, tecidos, huns 
de sedti , e algodão; outros de laa muito fina: huns li- 
sos , outros com listas de cores. De huns , e outros uzão 
os Orientaes, e Africanos, e lhes servem para trazer 
na cabeça como Turbante, ou enrolados á roda do pes- 
coço no Inverno por causa do frio , de maneira , que 
dando duas voltas á roda do pescoço lhes ficao as pon- 
tas cahidas pelos hombros abaixo. Presentemente as Se- 
nhoras desta Corte os trazem em lugar de capas: estas 
porém são quasi quadradas, e como guardanapo gran- 
de, e são pintadas de cores. 

X AQUEÇA , ou ENXAQUECA *íajLí Xaqaeca. Dor de xa- 
queca , que dá cm hum só lado da cabeça , ou em hu- 
raa das fontes: os Latinos lhe chamão hemicrania, 

Xaquima, OUTROS Jaquima 2u^3á Xaquema. A cabe- 
çada, ou corda com que se prende huma besta. Deriva- 
se do verbo ^Ci xacama ^ prender huma besta com 
cabresto. Bluteau. 

♦ Xa- 



í^i X A 

Xa^afa ^5Í^a Xarafe, Nome próprio de homem. Si- 
gnifica õ Nobre, Sublime, Eminente &c. Com ElRei 
estava o Raes ÍSÍoradnn ^ e seu filho Xarafa^ que es^ 
teve em Portugal, Comment.. de AfFonso de Albuquer* 
que. Tom. Iv. cap. jf. pag. 185'. 
Xaraí? iM J.iyi:. l^arifi. Certa moeda da índia , que tem 
o valor de 500 reis da nossa moeda Portugueza. To- 
mou esta moeda o nome de Xarafim do Xarife, em cu- 
jo Reinado foi feita , e sobre ella traz seu nome grava- 
do. Fizerão-se as Escripturas de huma , e outra par^ 
te. As Ormusianas , conttnhao , que ElRei de Ormu^ 
Cetfadin {espada da^ Religião) se fazia vassallo à^ 
ElRei D, Manoel com quinze mil Xar afins cada an^ 
no. Ásia Portugueza. Tom. I. pag. 108. 
Xareta »,\^jy^ Xarita. Tamiça , ou cordel de espar- 
to, ou de palma. He a rede de pescar, feita de cordas. 
Moraes, 

Xaraque é\^ Xaraqui. Praça larga , e ampla. Cbe» 
gou António Mendes com as mãos amarradas atraz 
ao Xaraque , onde recebeo a morte, Jeronymo de Men- 
donça. "Jornada de Africa, Livr. II. cap. 4. pag. 159. 

' Xarife (_Íj^í Xarife, Nobre, Eminente em gloria, 
e dignidade, Sublime entre todos. Deriva-se do verbo 
<_J^;i xarafa ^ que na V. Conjugação significa adqui- 
rir nobreza, gloria, dignidade honrosa &c. Entre os 
Mahometanos, he titulo de muita honra, e só o Prín- 
cipe da Cidade de Mecca , e o Rei de Marrocos gozão 
deste titulo como à^ jure ^ por serem descendentes dos 
antigos Árabes, e por consequência de Mafoma. No 
Oriente, e em Africa, ha outra qualidade de Xarifes , 
e são aquelles , que tem visitado três vezes o Templo 
de Mecca , que sem estas três visitas não podem gozar 
do referido titulo. Os Xarifes do Oriente, são conhe- 
cidos pelo Turbante verde que só elles o podem trazer ; 
Huns, e outros, por aquellas três peregrinações adqui- 
rem 



X A Í99 

, rem tal nobreza, que aléni dos grandes privilégios, que 
lhes são concedidos , podem aparentar-se cora as primei-^ 
ras famílias, e os Principes não duvidao receber suas fi- 
lhas por mulheres. 

* Xakoco c V^ji: Xaruco, (Termo raaritimo) O vento 
leste, ou da terra ; outros Ihechamão levante. Nas Pro- 
víncias dão este nome ao vento Nordeste , por ser mui- 
to frio no inverno. Deriva-se da voz j^;; xarqui o Nas- 
cente , ou Oriente , por ser o vento xafoco daquella par- 
te. Bluteau. 

Xarope ^\jÁ Xnrahe, Lambedor, que se faz do sueco 
da fruta , ou flores , com calda de açúcar apurado ao 
fogo. Também significa qualquer bebida medicinal, 
Vid. Pharmacopêa Tuhalens. 

* Xakquia ju5^ Xarqui a. Cousa Oriental. He nome 
de huma Cabilda, que fica pela parte do Oriente da 
Província de Ducala . Reino de Marrocos , a qual foi 
tributaria a ElRei D. Manoel. Deriva-se de cJJj^ xar- 
con o Oriente. Os Árabes pedirão a Lobo Barriga a 
cabeça do Xeque de Xarquia porque fora entre elles 
hum dos mais honrados. Damião de Góes. Chronica 
d'ElRei D. Manoel. Part. IIL cap. 34. 

* Xatima ^.^à Xadtna. Nome de huma Provincia de 
Africa, entre Marrocos, e Duquala , que foi tributaria 
a ElRei D. Manoel , e pagava annualn;ente v\ú\ cargas 
de camelo de trigo, e cevada , e 4 cavallps. Vid. Çw^o- 
nica d^ElRei J). Manoel. Part. IIJ. cap. JS*. pag. J41. 

Xauter ^\ t Xatér. Significa, homem perito, sab.io, 

diligente na sua obrigação. O Xautcr be .0 Pjlotp, qur 

fuia a gente nós caminhos e areaes do dczerto da Ara- 
la. 

Não quiz o Xauter é[ue passássemos na Al dê a. Go- 
' dinho. Viagem da Índia. Liv. I. cap. 64. pag. 116, 
Xelma xAa*. Sói lema. ( Termo de carreiro ) Certa ar- 
madilha de páos á feição de huma escada, que se pôeni 
sobre o» cavallctcs do carro para sustentar a palha. Tnm- 

bjcnt 



too XE 

bem se p6em nas bordas dos barcos que tfâz^m palh»^ 
* Xeque g.^ Xeche. Nome, e titulo de honra. Signifi- 
■ ca homem ancião j de probidade , conselho , authorida- 
de &c. Entre os Árabes do campo, e Mouros da ín- 
dia , os Xeques sâo os Governadores das terras , Tri- 
bus, Cabildas, e familias; assim como antigamente en- 
tre os Israelitas os anciãos do povo erao os que gover- 
na vão : entre os Persas o Xeque era o Rei ; entre os Go- 
dos , ou Saxões era o que chamavão Alderman , ou Al^ 
dorman ^ os velhos; este termo ainda he usado pelos 
Inglezes; entre os Latinos Senator\ entre os Francezes, 
Italianos, e Hespaniioes, Seigneur ^ Signore ^ e Seãor\ 
por serem aptos pela experiência que tem de decidirem 
os negócios. Vid. Historia de Inglaterra por Mr. 
Rapins. pag. 149. Lobo Barriga^ matou o Xeque ^ e 
mandou pôr a sua cabeça em hum pique sobre huma 
das portas da Cidade, Damião de Góes. Chronica d^ 
ElRei D. Manoel, Part. ill. cap. 34. 
XekgÂo ^^ Xdrcon, Colxão de panno grosso cheio de 

palha. 
XiKAZ jj^^ Xiraz. ( voz Pérsica ) Nome de huma Cida- 
de na Pérsia. Significa leite coalhado. Vid. Castello* 
Tom. II. pag. 30^8. Seu vinho he muito celebrado. 
Xó ^Á Xou, ( voz Pérsica ) Com que se manda parar hu- 
ma besta, ou jumento. He o Imperativo do verbo au- 
xiliar ^ xou ser, ou estar, e vale o mesmo que pára, 
ou está. Vid. Castello. Diccionariê Heptagloto. To- 
mo I. 
* XoRCAS *^j^ Xarea. Vid. Axorcas. 



lOT 



z 



Abra, ou Zaví^a <^j Zaltá. Espécie de embar-- 
cação que se usa em Africa , e sao semelhantes aos nos- 
sos barcos. Nesta revolta de Ahderrahman ^ tiver ao 
tempo treze Castelhanos ^ que estavão captivos de se 
recolherem em hum a Zahra , para o Castello Real. 
Damião de Góes. Chronica d El Rei D. Manoel. Part. 
II. cap. i8. 

* Zaca g^j Zacat. Vid. Azaqui ^ e Alfitra, 

f Zacum j»y^ Zaalm. Fruto muito amargoso, semelhan- 
te á amêndoa. Os Árabes lhe chamao fruto infernal 
pela sua amargura. Dclle se faz menção no cap. 37 do 
alcorão, pag. 5 84. , e na Pharmacopêa. Tom. I. pag. 
161. Bluteau também o traz no VIII. Tomo de seu 
Diccionario. • 

* Zagazabo (voz Ethiopia). Nome próprio de homem. 
Compoem-se de Zagaz , a graça , e de Abo o pai ; e 
quer dizer a graça do Padre. Zagazabo, era hum Bis- 
po muito docto, o qual disse que se .chamava Matheus. 
Veio a esta Corte com o caracter de Embaixador do 
Preste João, no tempo d'ElRci D. Manoel. 

Este Embaixador sendo nesta Corte perguntado na pre* 
sença do Rei, e de muitos Theologos sobre a fé, c 
crença dos Abexins, ellc respondco , dando hum tratí.» 
do sobre esta materk com bastante individuação, e ele- 
gância cujo tratado, No traduzio Damião de Gocs estan- 
do cm Pádua, onde o mandou imprimir, e anda cncor- 
porado na obra intitulada: Hespanha illustrada , e o 
mais SC p(^de ver em Damião de Gocs^^hro^ica d^El^ 
Rei D» ManoeL 

Cç ♦ Za- 



7í07i Z A 

* Zara s;.4>3 Zahra. A flor. He nome próprio de mu- 
lher. Assim era chamada a Irmaã de Abucadara, que 
foi Senhor de multas terras na Lusitânia , e do Gastei- 
lo de Gaia no Porto. Esta foi roubada por D. Ramiro 
II. de Gastelia, e depois de paptizada cazou com ella, 
e se chamou D. Isabel. Vid. Monarchta Lusit, To- 
mo II. pag. 244. 

* Zahra ^^iby Zahra, Nome próprio de mulher, e slgni- 
. fica a mesma cousa. Zahra benat Iça ^^^ ci>>Xj 8^í>- A 

flor da raça do Messias, ou a Christaá.He o nome que 
os Mouros derão á Rainha Egilona , (ou Elyate como 
querem alguns) mulher d'ElRei D. Rodrigo, e de Ab- 
delmalek filho de Tarik, Governador de Hespanha de- 
pois de conquistada ; o qual tendo noticia da sua for- 
mozura, a mandou buscar, e agradando-se delia a to- 
mou por sua mulher, prometendo-lhe de a náo obrigar 
a deixar a Lei de Christo e lhe poz o nome de Zahra 
benat Iça, A flor das Christaás. Vid. Monarchia Lu^ 
shana,'' Tomo II. pag. 284. 
Zaragatoa U^iaVjV Bazercatona, Herva chamada pui- 
gueira. Os Árabes lhe chamao c>^hy*S\ 'i^i.t:=> Haxixat 
elhargut erva das pulgas. He nome composto de ^y^ 
hezer semente, e de U_^La>* catuna nome da erva. Pbar^ 
ma cope a. 
ZargSo (.»5^- Zairacun, Vid. Alarcão, 
§ Zarco c-Jy^ Azeraco, Que tem os olhos azues. Mo^ 
raes, 

* Zarur _^^^cj Zârur, Vid. Azarólas, Avie, cap. 742. 
pag. 176. 

Zed JARIA X>s^ Geãuaron, (Termo Pharraaceutico) Her- 
va cuja raiz he purgativa, e antidoto contra o veneno. 
Vid. Herbeloth. BV^fUotheca Oriental, pag. 5'2^. 

Zeida íjjsj^ Zaida, Nome próprio de mulher. Fregue- 
zia na Provincia de Trás os Montes, Bispado de Mi- 
randa, de quem a terra tomou o nome. Significa a aug- 

mcn- 



icentacíofd. Do verbo ^s^ sada ^tcrescçnt^T y augmen- 
tar. Diccioíiarjo de Cardoso, ■. ^ 

Zeida tSjj Zaida. Nome próprio de raiiíher.: Zçida foi 
filha de Almucamus jj^^4.tX\ jB<?»y^í7;;/f/, Rei de Sevilha, 
a qual depois de baptizada cazcu com D. Affonso VI. 
deCastella, e se clinmou D. Maria. Wá, Monarchia 
Lusitânia, Tom. III. pag. 18. 3 .VI 

Zeidan . . ^\:si'j Zeidã7i, Nome próprio de homem^He 
o mesmo qiie os dois antecedentes, e se deriva do mes- 
mo verbo. E/Rei se fez na lolta de Lamegp ^ mde 
reinara Zeidaji-ben buin, Monarch. Lusit. Tomo II. 
pag. ;^86. 

* Zenjar^Ls^Jj Zengar, (voz Pérsica) Azenhavre. Vid« 
Avie, cap. 739. pag. 176. 

Zenith ^j ou c^e- semt ^ e com artigo CçJ^\ asse- 
viet (Termo Astronómico). He o ponto vertical, op- 
posto ao Nadir, que vulgarmente chamamos Zenith. 

* Zerbo 4-»P Cerbon, (Termo Anatómico) O zerbo he 
huma membrana delgada, e dobrada; de substancia gor- 
da á feição de rede , vulgarmente chamado redenho. 
Vid. Avie. cap. 9., e Bluteau, Tom. VIII. pag. 642. 

ZiGUE ZiGUE ^j ^jj Zig' Zig. ( voz Persica ) O som 
que faz huma porta apertada, quando se abre, ou se 
feicha. Desta voz tomamos o nom.e zigue zigue, que 
he hum pequeno instrumento, á feiçfio de hum pequeno 
tambor, cuberto de pellica, com que os rapazes brin- 
cão, e de ordinário se vendem nas feiras. Vid. Castel- 
lo, Diceivnario Heptagloto. Tom. I. pag. 

ZiZANiA (j^O>:»j Ziuano. ( voz Syriaca ) Zionah o joio 
certa semente, que nasce entre o trigo. Vid. Vossio 
Dieeionario Etymohgieo, 

t Zí^ina iújlj Zaina, Meretriz. Denominação injuriosa 
que a plebe dá ás más mulheres, e mais vis prostitutas, 

* ZoLFiMío (^^1<vaJ- Solimdn, Nome próprio de homem. 
Significa Siilamno. Daqui passou a Lamego ^ onde rei^ 



^é4 Z O 

fiavà ZoleiiífiUú, Monarch. Lusit. Tom. II. pag. ^^^^ 
^ ZoKAME ^ ^U Solhame, (voz corrupta) Capa bran-.^ 

ca tecida de laâ muito fina , cora que os Mouros se cc^ 

brem como entre nós os capotes. Item , quicumque ac^ 

ceperit alicui capam , zurame ^ pellem , aut aliquam. 

'vestem , pectet ipsufh duplum. Monarch. Lusit. Tom. 

IV. Escript. XXVIL nas leis que D. AfFonso VI. fez. 
^ ZoRZAL j^^jjí Zarzúr, O estorninho. He pássaro dè 

arribação de côr parda cora malhas brancas. Bluteau c 

Marques. 



FIM. 



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Sousa, João de 

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